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História

I Will Survive

História de: Almir Vieira Nascimento
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 07/12/2012

Sinopse

Almir teve a infância marcada pela doutrina das Testemunhas de Jeová e a atuação como Missionário da Igreja. Já em São Paulo descobriu sua homossexualidade. Após vários trabalhos abriu o primeiro videobar gay da cidade, o Paparazzi, e depois se tornou presidente da Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes.

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História completa

Eu nasci na cidade de Piraju e num meio religioso, Pentecostais. Eu e meus irmãos tivemos uma educação muito rígida. Na verdade, nossa infância era igreja e casa, casa e igreja. E eu sempre fui gay, sempre; só que não pensava nisso. Quando já estava aqui em São Paulo, com 19 anos, eu comecei a ver a cidade, centro, rodoviária, então eu fui me dando conta de que existia um universo gay. Aí eu decidi abandonar a igreja. Essa decisão sempre é difícil, porque, se é um cara equilibrado, tudo bem, ele supera e vai embora; mas se é uma pessoa que tem algum problema, ele se mata, porque todo o círculo social da pessoa está lá e essa rejeição, essa exclusão é cruel.

Eu já estava trabalhando num banco quando namorei um cara e a gente decidiu abrir um bar na Augusta com Oscar Freire. Era bem pequenininho e ficava numa galeria, mas foi bem e se manteve. Dali a gente mudou para uma casa e esse novo bar, o Paparazzi, teve ainda mais sucesso. E, bom, a gente contribuiu para quebrar os preconceitos, porque, dez anos sem problemas, a gente ajudou a mostrar que no segmento havia coisas legais. Um pouco depois disso, eu me envolvi mais com o movimento e comecei a participar da Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat). Depois que a Parada Gay levou 100 mil pessoas às ruas, em 1999, todo mundo passou a olhar esses grupos com atenção.

Que segmento é esse que leva 100 mil pessoas para a rua? O que eles fazem? O que eles consomem? Aliás, há um tempo, aconteceu algo que seria impensável na época que eu vim para cá: a gente treinou as estagiárias das centrais de informação ao turista, a gente fez um roteiro para que elas conhecessem os lugares mais frequentados pelo público gay e pudessem falar com o turista com propriedade. Começou ali no Arouche, claro, e depois fomos para a Vieira de Carvalho onde tem um bar famoso, que a gente chama de ‘INPS’, porque vai só o pessoal mais velho. Fomos à The Week e seguimos para um bar só pra meninas, aqui na Vila Madalena, que é o Farol Madalena. Música ao vivo − quem lésbica adora música ao vivo −, Ana Carolina, coisa e tal. Saímos e aí Bubu Lounge, Vermont Itaim. Isso tudo num ônibus fretado pela prefeitura.

Descemos a Frei Caneca e fomos para a Blue Space, que é uma balada que fica na Barra Funda e tem ali uma megaprodução, um show de Drag. E as meninas adoraram. Ah! Passaram na sauna também, porque a sauna fecha às 11 horas e eu tinha combinado com os funcionários: ‘Olha, deixa tudo certinho, tudo limpinho, porque elas não têm ideia do que é sauna.’ E as meninas adoraram, né? Então, agora, elas podem indicar com conhecimento de causa, porque elas foram à sauna, elas entraram, se divertiram lá, fizeram um tour pela sauna. Esse roteiro é perfeito para dar uma ideia do que o turista pode visitar. Na minha época tudo era clandestino; hoje não, hoje nós somos bem recebidos pelo prefeito, pela companhia de turismo, por empresários. O segmento ganhou força política.

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