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História de: Cláudia Maria Labruna
Autor:
Publicado em: 13/01/2021

Sinopse

A entrevista traz a infância feliz de Cláudia e traz a sua trajetória de vida, com maior concentração no 30 anos de trabalho na Petrobras, tendo como foco atual o seu trabalho na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e todas as suas implicações ambientais, econômicas, sociais e também funcionais, até individuais, de sua própria transformação de visão de mundo.

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História completa

P/1 – Cláudia, eu queria começar a entrevista pedindo para você dizer o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.
R – Cláudia Maria Labruna. Nasci no Rio de Janeiro em 21 de novembro de 1955. 
P/1 – E como é que era o nome dos seus pais?
R – Nilder Aleixo Labruna e Terezinha Rodrigues da Silva Labruna.
P/1 – E o que é que eles faziam?
R – Meu pai trabalhava em cartório e minha mãe professora e até hoje ainda trabalha.
P/1 – E os seus avós? Se recorda? Teve...
R – Muita. Fui criada junto com meus avós maternos. A gente morava numa casa de dois...eram dois apartamentos sobre pilotis, e no primeiro andar morávamos nós, no segundo meus avós. Então fui criada e paparicada pelos meus avós até tarde.
P/1 – Como é que chamavam esses avós que moravam juntos?
R – Meu avô Roberto e a avó Helena. 
P/1 – E os avós do outro lado?
R – É, o do meu pai, o avô paterno não me lembro, porque ele morreu quando eu tinha três anos. Minha avó chamava Iolanda e tinha contato assim, porque ela vinha muito ao Rio. A gente passava muito Natal em Belo Horizonte na casa dela. 
P/1 – E, Cláudia, você tem irmãos?
R – Três. Duas irmãs e um irmão. Eu sou a mais velha.
P/1 – Como é que chamam eles?
R – Flavia Maria Labruna, Luciana Maria Labruna, são as três Marias. E o José Roberto Labruna.
P/1 – Então conta um pouco como é que era essa sua infância aí, morando com os avós?
R – É, morava no Grajaú num bairro super residencial. E há 50 anos atrás podia brincar na rua. Minha casa, como tinha pilotis, era quase que um clube, vivia cheia de gente. Porque a distância, assim, é de dois em dois anos. Só a mais nova que deu um espaço maior, porque a mamãe perdeu um filho entre meu irmão e a minha irmã, antes de nascer. Mas então ficava quase que um clube, todo mundo lá em casa brincando. Foi uma infância bem legal. Tinha casa em Paquetá, na época em que Paquetá ainda não era poluída. Então a gente podia usar aquela praia. E era uma casa legal também. Então tenho boas recordações da infância.
P/1 – E essas brincadeiras de infância eram quais? Você lembra assim? Tinha uma que você gostava mais?
R – Bem mais criativo. Não tinha computador, não tinha nada disso. Então era muito pique. A gente tinha uma casinha de boneca que meu pai tinha feito com portinha, janela. Dava para entrar, ficar em pé. E só podia ter luz no período de Natal até acabarem as férias. Fora isso durante o ano só podia brincar durante o dia, não podia ficar a noite. Tinha hora para dormir, tal. Muitos jogos. A gente gostava muito de jogar War, e jogo de carta, buraco. A família inteira sempre foi muito viciada em jogo de buraco. E tinha um campo de vôlei na minha casa. Eu nunca fui muito jeitosa, mas por ser dona da casa eu podia jogar. Andava muito de bicicleta. Aliás andei de bicicleta até ano passado, quando agora eu não consigo mais andar porque eu tenho problema de hérnia. Então, mas Paquetá, né, era bicicleta o tempo todo.
P/1 – E essa sua infância lá em Paquetá também, além de bicicleta o que mais você lembra?
R – Ah, muita liberdade, né? Paquetá dava aquela sensação, assim, de independência, porque você tinha sua bicicleta, subia nela e podia ir para qualquer lugar. Uma ilha pequenininha, sem perigo algum. O próprio mar era a baía. Então a gente tinha bastante liberdade. Um lugar que naquela época foi muito bom. 
P/1 – E, Cláudia, como é que eram os, a sua primeira experiência na escola?
R – Na escola? Eu comecei a estudar acho que no jardim de infância, já com três ou quatro anos. Fiz um ano de jardim depois já foi pré-primário, que era alfabetização e já fui para a escola pública. Na época era primário. Eu fiz, entrei para o segundo ano fiz uma prova e pulei um ano. Entrei para o segundo ano e quando chegou na admissão, invés de eu fazer admissão eu fiz o sexto ano na escola, que minha mãe era professora e ela também me dava aula em casa. E passei para a Aplicação, para a Aplicação da UERJ [Universidade Estadual do Rio de Janeiro], onde eu estudei ginásio e científico e inclusive vestibular. Fiz o terceiro ano na Aplicação. E era horário integral. Um colégio, assim, que eu tenho muito boas recordações. Tenho vários amigos aqui na Petrobras que foram de lá. E de lá eu fui para a Faculdade de Engenharia Química no Fundão. Ou seja, minha vida inteira eu estudei em escola pública. Nunca dei uma despesa, né? Ao contrário de hoje que o que eu pago de escola para os meus filhos não é mole. Desde a creche [risos].
P/1 – Mas aí você já avançou até chegar na universidade. Mas eu queria lembrar ainda um pouco do período da escola. Tinha alguma disciplina que fosse a sua favorita?
R – É, sempre fui da área de Exatas. E, naquela época, no quarto ano ginasial - que hoje corresponde à oitava série - a gente já tinha que optar entre as carreiras da área Tecnológica, Biomédica e Humanas. Então eu já entrei para o primeiro científico. Eu tinha optado por área Tecnológica. E só tinha dúvida entre Engenharia e Arquitetura. Quando chegou no segundo ano eu tive, eu comecei a dar Química Orgânica e fiquei apaixonada por essa cadeira. Foi quando eu decidi fazer Engenharia Química, que aí juntou a Engenharia com a parte de Química. 
P/1 – E tinha, você tem alguma lembrança de alguma coisa que tenha te acontecido na época da escola que tenha te marcado assim?
R – É, essa minha escola era uma escola bastante polêmica, onde a gente tinha bastante liberdade de expressão. Embora numa época que não fosse muito comum, né? Os diretores sempre foram diretores da área de História, então eram aulas com muito debate, com muita participação. Eu até era uma pessoa bastante tímida nessa época e tinha dificuldades de participar. Então ali eles estimulavam muito. Mesmo que você não fosse daquelas espontâneas que levanta o dedo tal, eles sempre faziam aula que você tinha que participar, expor sua opinião. Então eu acho que isso deu uma boa formação nesse ponto. Além de ser um colégio que tinha muito, muita qualificação técnica. Eles tinham horário integral, então foi outra coisa também que me ajudou de, assim, de ficar o dia inteiro fora de casa. Não existia celular, mas era uma vida assim: saía de manhã ia para a Aplicação, ali na Tijuca, no Largo da Segunda-Feira. E ficava o dia inteiro, almoçava lá no colégio. Às vezes a gente saía para almoçar fora e voltava. Tinha aula até a tarde. E eu tenho muito boas recordações desse colégio. Tinha coral, a gente participava de coral, tinha feira de ciências. Nessas feiras de ciências você podia fazer trabalhos e trocar com outras pessoas de outros colégios, conhecer outras pessoas. Tinha um trabalho que eles faziam, que era Semana Comunitária. Então nessa Semana Comunitária era no primeiro semestre e no segundo semestre. Então tinham viagens, a gente foi para cidades históricas para aprender toda a parte de História. Tinham viagens assim para Itaipu. Eu me lembro de um professor de Biologia, nem era Biologia, era Ciências Físicas e Biológicas. Então ele foi dar aula sobre ouriço, molusco, e outras coisas lá em Itaipu. A gente não tinha nem a ponte. Foi dar uma volta danada. Foi uma aula super interessante que nunca mais esqueci daquelas explicações. A aula de dissecação de codorna, de ratinho. Então era um colégio, assim, que eu acho que era bem interessante. Abriu muito a cabeça.
P/1 – Um colégio diferente, né? Cheio de...
R – É.
P/1 – E aí, Cláudia, pensando agora um pouco mais de juventude assim, como era o seu círculo de amizade? Quem eram os seus amigos, o que é que vocês faziam?
R – Tinha muitos amigos de Paquetá, que a gente, todo mundo tinha casa lá e, mas morava no Rio. Então tinha esses amigos e os amigos do Aplicação. Alguns poucos amigos do lugar que eu morava, do Grajaú. Porque como eu passava o dia inteiro na escola a gente pouco convivia. Tinham só duas amigas que moravam do lado da minha casa, desde pequena. Então essas sempre foram minhas amigas.
P/1 – E aí como é que vocês costumavam se divertir? O que é que vocês faziam?
R – Era festa final de semana na casa das pessoas, ou então em clube. E às vezes levava o pessoal para Paquetá, lá para a minha casa. Lá a gente fazia churrasco, jogava, ficava na praia. 
P/1 – E você já até falou que você andava muito de bicicleta, demais. Mas tinha algum outro esporte que você praticava também?
R – Frescobol. Não sou muito jeitosa para esportes, não. Mas era frescobol, pingue-pongue e bicicleta. 
P/1 – E você, das festas que você ia, qual era o tipo de música que vocês gostavam?
R – Ah, naquela época era muita, teve a época da Tropicália, né? Teve MPB, Bossa Nova, e estava começando também o rock, né? Começando não, já estava, mas para a gente era rock e esse tipo de música.
P/1 – Agora, Cláudia, você falou que desde você lá no ginásio começou a descobrir sua aptidão para Engenharia Química e se interessar. Mas havia na sua família a expectativa de que você seguisse alguma carreira especificamente? 
R – Não, não tinha. 
P/1 – Seus pais deixaram...
R – Totalmente livre para eu escolher.
P/1 – E aí o que é que te motivou mesmo assim a escolher? Você gostou lá de Química, mas?
R – É, eu gostava muito dessa área técnica, tinha muita facilidade para matemática, e tudo. Já tinha optado por ir para a área técnica. E aí quando eu, eu ficava muito assim da Arquitetura - que eu achava uma profissão interessante - mas quando eu comecei a estudar Química Orgânica eu vi que era Engenharia Química que eu queria fazer.
P/1 – E quando você estava estudando você não teve, você teve uma expectativa de como seria para a frente a sua carreira?
R – Ah, sim, com certeza. 
P/1 – E o que é que você imaginava, você chegou?
R – É, não sei se eu imaginava isso. Até porque de alguns anos para cá, eu acho que eu saí muito da área de engenheira química técnica, né? Mas eu não sei, eu acho que eu não fiz assim uma expectativa. Eu só achava, eu fiz estágio na Texaco, na época, e era muita coisa de laboratório. Eu sabia que eu não queria isso. Como eu, quando eu comecei a trabalhar tive a oportunidade de trabalhar em fábrica, eu achei que era uma parte bem mais interessante, a parte de planejamento de produção. Fui tendendo para essa área de Planejamento, entendeu?
P/1 – E você falou, aí, que começou a trabalhar em fábrica. Eu queria que você abordasse um pouco o trabalho. Com quantos anos você começou a trabalhar? Qual foi seu primeiro trabalho?
R – É, eu comecei a trabalhar com 23, logo que eu me formei. Me formei em dezembro de 1978. Nessa época eu fazia um trabalho como autônoma no Cenpes [Centro de Pesquisa Leopoldo Américo Miguez de Mello - Unidade da Petrobras], na parte de Patentes. E aí comecei a trabalhar em maio na Fosfértil, era Fertilizantes Fosfatados. Era uma empresa que a Petrofértil tinha uma participação minoritária, mas depois ela comprou outras duas empresas da Vale, que era Valefértil e Valep. E fez a fusão, ficou uma grande empresa, onde a Petrofértil tinha uma participação maior. E aí eu fui transferida para Belo Horizonte. Morei três anos em Belo Horizonte. Foi a época que eu trabalhei mais perto de fábrica, que eu fiquei em Uberaba na planta de fertilizantes, lá em Uberaba.
P/1 – E aí então você logo de cara não, como funcionária da Petrobras, mas você já foi, a Petrobras já era...
R – Já, já tinha participação nessa empresa. 
P/1 – E como é, conta para a gente como é que foi a sua entrada na Petrobras de fato.
R – É. Aí eu vim para a Petrobras em 1984, primeiro de agosto de 1984 eu entrei na Petrofértil, que era a holding de fertilizantes do, da empresa, era a subsidiária da Petrobras na área de Fertilizantes. E chegou a ter uma representação bem grande na época. Eram toda a parte de nitrogenados, que hoje são as Fafens, era da Petrofértil. Tinha 58% do mercado de fosfatados. E acabou constituindo o Grupo Petrofértil composto de cinco empresas, sendo que algumas com duas, três fábricas no Brasil inteiro. Tinha fábrica em Santa Catarina, no Paraná, em São Paulo, em Goiânia, Sergipe, Aracaju. Então foi uma experiência, em Belo Horizonte. Teve uma experiência bem boa de fertilizantes. Eu fiquei lá até 1994, porque no início dos anos 90 houve a privatização do segmento de Fertilizantes. E a Petrobras absorveu as Fafens, segmento de Nitrogenados.
P/1 – Fafen, desculpa, é o quê?
R – Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados. E então foi quando eu comecei a trabalhar no Departamento Comercial da Petrobras, na comercialização de fertilizantes. Dos produtos que eram produzidos lá em Camaçari e Aracaju. Dali esse, essa área de Comercialização de Fertilizantes começou a ficar na Comercialização de Produtos Especiais, diferentes dos Derivados, e tinha os Petroquímicos. Então foi quando eu comecei a passar para a área Petroquímica. Tive um tempo na Supart, que era Superintendência de Participações. A Petrofértil depois ela, quando foi privatizada, quer dizer, quando o setor de Fertilizantes foi privatizado ela passou a ser a Gaspetro, com a construção do Gasoduto Bolívia-Brasil. Nessa época ela chamou as pessoas que estavam cedidas à Petrobras. Eu voltei, fiquei mais ou menos um ano na Gaspetro. Que foi a época das termoelétricas. E aí depois eu fui para a área de Petroquímica.
P/1 – Agora, Cláudia, quando você foi trabalhar na Petrobras, que imagem que você já tinha no seu imaginário, da empresa?
R – Ah, que era a maior empresa do país. Que a gente ouvia as pessoas falando da Petrobras com o maior respeito, com o maior orgulho. E fazer parte, ainda que numa subsidiária, você já se sentia empregada da Petrobras. E sempre as pessoas comentavam isso. E o que eu acho mais incrível nessa empresa é a oportunidade de você trabalhar em diversas áreas. Parece que eu já trabalhei em várias empresas. Trabalhei na área de Gás, trabalhei na área Comercial, trabalhei na área Petroquímica. E cada uma dessas áreas parece que você está numa outra empresa. São pessoas diferentes, padrões diferentes, conceitos diferentes, sempre dentro de um norte Petrobras, né? Mas com vertentes diferentes, que te permitem conhecer outras pessoas, conhecer outros mecanismos de trabalho. Tentar aprofundar tua formação. Eu fiz diversos cursos depois que eu me formei. Fiz três MBA's [Master of Business Administration]. Cada área que eu ia trabalhando, que ia distanciando um pouco da Engenharia Química, eu ia fazendo curso para poder ficar mais próxima da atividade que eu estava desenvolvendo.
P/1 – E lá no início quando você entro...
(pausa)
P/1 – Cláudia, então, eu ia perguntar para você, para você descrever um pouco, que a gente acha legal saber das primeiras experiências de trabalho, tudo. Como é que era um pouco o ambiente onde você trabalha, a relação com as outras pessoas nos seus primeiros dias. Você se lembra? 
R – Bom, da Fosfértil eu me lembro que a primeira vez que eu cheguei assim, que eu fui falar com, era superintendente o maior cargo. Eu me lembro que eu entrei na sala dele, parecia uma coisa assim tão distante, né? Eu com 23 anos e ele assim: "Ah, quer dizer que somos colegas?" Porque ele era engenheiro químico também. Aquilo foi uma coisa assim: "Ai, meu Deus, eu colega dele? Como é que pode?" E uma coisa engraçadíssima, que eu estava de calça comprida. E ele, depois eu fiquei sabendo pelas outras mulheres que trabalhavam na empresa, que ele não gostava que usasse calça comprida. E [risos] e aí foi justamente naquele ano que começou a mudar e as mulheres começaram a trabalhar de calça comprida. Mas eram áreas assim, que você ficava, né? Eu me lembro que no início no organograma, eu ainda não conhecia, então: "Chama as pessoas como? Chama de senhor? Chama de...?" Existia uma dificuldade com relação àquela, de um certo modo, proximidade de pessoas tão mais velhas que eu, com experiência, tudo mais. E ali fazendo quase que a mesma coisa. E, ao mesmo tempo, você ia conquistando, ali, um espaço e passava a ser um colega de trabalho, que a diferença de idade, a diferença de tempo de empresa não mais representava tanta coisa. Saía para almoçar, discutia idéias, tudo.
P/1 – E hoje como é que está esse relacionamento pessoal no trabalho?
R – Ah, hoje é tão diferente [risos]. Começa que hoje eu já estou, né, com 30 anos de profissão. Então eu vejo as pessoas novas chegando e começo a comparar quando eu comecei a trabalhar. Eu acho que hoje é bem diferente. Até porque hoje as pessoas têm aquela comunicação mais aberta pela quantidade de ferramentas, né? Antigamente você ficava ali, fazia seu trabalho, entregava para uma datilógrafa datilografar. Voltava, conferia. Era um outro ritmo. Hoje não, hoje é uma troca constante, um diálogo, um debate. Você faz o seu trabalho e é bem diferente. E hoje eu me sinto assim, mais perto de, da parte de gestão, da parte de tomada de decisão, e conhecendo mais os programas da empresa. Sabendo os por quês das coisas.
P/1 – E só mais uma coisa, assim, para fazer uma comparação: os tipos de profissionais que existiam na época que você entrou e agora?
R – Eu acho que naquela época era mais segmentado. Você tinha os engenheiros, tinha advogado. Hoje em dia eu acho que você tem várias profissões que emergiram e que começa, né, responsabilidade social, comunicação. Foi tendo um peso maior do que tinha naquela época. A própria parte de SMS você tinha uma questão de segurança, engenheiro de segurança, mas não era tão focado e tão importante como é hoje. Eu estou falando até porque são as áreas que estão comigo aqui no Comperj [Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro]. E eu vejo quanto a gente precisa estar com isso já bem constituído desde o início da implantação do empreendimento, pensado nisso desde o início. 
P/1 – E aí você, falando da sua trajetória aqui dentro da empresa, você chegou lá na parte Petroquímica e aí, já de cara, foi se envolver com o Comperj?
R – Não, não. Eu cheguei na Petroquímica em 2000, final de 2000, quando a Petroquímica veio retomando seu papel dentro da Petrobras. Porque a Petroquisa também sofreu com o processo de privatização, assim como a Petrofértil. Desmobilizando muitos profissionais que trabalhavam nessa área. E aí, em 2000, houve a iniciativa de retomar o posicionamento em petroquímica. E aí foi constituído duas Gerências de Participações, uma de Participações em Downstream, e a outra nas Centrais Petroquímicas. E eu fiquei na área de Downstream que era de segunda geração. Então era onde a Petroquisa tinha participação em empresas como Deten, como a Triunfo, Petroquímica Triunfo, Metanor. Algumas empresas que nem eram de downstream, mas empresas químicas. E trabalhei acho que dois, três anos nessa área como gerente de Participações. Eu fui da Deten, da Metanor, da Petrocoque. E depois em 2005 eu, mudou o gerente executivo, e aí eu fiquei como assistente do gerente executivo por um ano. Até que em 2005 foi criada a primeira estrutura do Comperj e eu fiquei como gerente de Relacionamento Externo. Hoje a Gerência de Relacionamento Externo é praticamente a mesma coisa. Só mudou o nome para Estruturação de Negócios, porque incorporou uma outra gerência. Mas as atividades de licenciamento, comunicação, relacionamento externo são as mesmas, só que com muito mais atribuição, conhecimento. Porque a gente hoje já está de fato nos municípios, já está definida a localização.  No primeiro ano a gente ainda estava escolhendo a localização. Então eu passei para o Comperj quando eu estava nessa fase de definição de localização. Já existia um grupo, não existia uma estrutura. Era o Vítor, que era o coordenador de Projeto, com uma estrutura matricial. E eu fiz parte logo da primeira estrutura do Comperj.
P/1 – Legal. 
(pausa)
P/2 – Bom, então você chegou no Comperj a partir de 2000?
R – Não, no Comperj a partir de 2005. De 2000 é quando eu ingressei na Petroquímica.
P/2 – Em 2005, então, você chegou com que incumbência? Qual era seu trabalho? Qual era sua atribuição?
R – No Comperj?
P/2 – É.
R – É, eu era gerente de Relacionamento Externo e a incumbência era licenciamento ambiental e toda a parte de autorizações. A primeira autorização foi da ANP [Agência Nacional de Petróleo]. Que gente teve que buscar e foi assim inédito, porque a ANP não tinha ainda um procedimento para autorização no segmento Petroquímica. Ela tinha pra Petrobras, pra derivados. Então nós montamos todo um processo. Foi ainda na época da escolha da localização. A localização foi definida em março de 2006. E aí quando a gente começou esse processo de autorização da ANP, para que houvesse decreto de utilidade pública, de desapropriação para a Petrobras poder implantar o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. Mudar o zoneamento do distrito, daquela parte do município de Itaboraí. Porque era uma área agrícola, e tinha que ser uma área estritamente industrial para poder abrigar o Complexo. Para ser um pólo petroquímico precisava que fosse uma zona estritamente industrial. Então a parte de relacionamento com as comunidades, com as pessoas que moravam naquele terreno que ia ser desapropriado, com o poder público, com o município. De imediato com o município de Itaboraí. Depois influenciando para que houvesse a constituição do Conleste [Consórcio Intermunicipal do Leste Fluminense], para que fosse um consórcio dos 11 municípios impactados naquela região.
P/2 – Você pode falar sobre a formação do Conleste? Como aconteceu a formação do Conleste? Qual foi o principal papel do Conleste? E que impactos gera para a comunidade, para a região no entorno?
R – É, na verdade o Conleste foi, no início eles não seriam nem os 11 municípios. A gente estava vendo os municípios limítrofes a Itaboraí. Só que tinham alguns município, que embora não fizessem fronteira com Itaboraí, eles iam ter alguma, algum impacto com o Comperj. Porque os dutos, por exemplo, estariam passando por Magé, que não faria limite com Itaboraí. A água, inicialmente, uma das alternativas era a Bacia de Juturnaíba, então era lá no município de Silva Jardim. Passaria por, não fazia fronteira com Itaboraí, mas ia cortar, a adutora passaria por ali. E depois quando a gente começou a definir junto ao órgão ambiental quais seriam os municípios da área de influência, né? E para que a gente não fosse também abordado por cada município independente. Porque como era uma região bastante carente do estado, então eles, com a chegada da Petrobras anunciando um empreendimento com um investimento de 8,4 bilhões de dólares, gerando 212 mil empregos em nível nacional, mas que muita gente na época teve dificuldade de entender que eram empregos diretos e indiretos por efeito renda em nível nacional. Então tinha gente que achava assim, que iam desembarcar 212 mil pessoas em Itaboraí. E como é que Itaboraí teria condição de dobrar a sua população? E então a gente tinha que fazer reuniões, explicar. E começou a vir uma demanda muito grande na empresa. Então municípios: "Ah, eu queria ver a parte de saneamento." outra queria escola, outro queria que fizesse hospital. Então para que evitasse essas demandas fragmentadas houve uma conversa com a Diretoria. E a Diretoria da Petrobras: "Olha, não vamos conversar com cada município. Vamos fazer uma estrutura da região e pensar em projetos que desenvolvam a região como um todo." Então a nossa consultoria nessa área de Estratégia Socioambiental também começou a orientar para que a gente fizesse sempre uma demanda regional e não tratasse cada demanda no varejo, cada município no varejo. E o diretor Paulo Roberto sempre falava: "Olha, eu não vou falar com um município. Vocês se associem, vocês criem alguma entidade que possa representar a região." Então foi daí que nasceu a estrutura do Consórcio, porque o Consórcio poderia ser algo que não ficaria restrito a cada prefeitura num determinado tempo. Aquilo seria uma entidade que poderia mudar o prefeito, mas o Consórcio continuaria. Poderia substituir seus representantes, mas o Consórcio seria uma entidade que estaria se relacionando com a Petrobras e com os outros entes do Governo Federal, e Estadual. 
P/2 – Como vocês trataram, como é que vocês se organizaram para tratar essas demandas que chegavam? As caravanas, o Fórum Comperj tem a ver com o tratamento dessas demandas que chegavam?
R – Hum, hum. É, como é que nós nos estruturamos, né? A gente identificou cinco fases que o empreendimento precisa. Você precisa ter, você tem algo que é, compete apenas à Petrobras, é inerente ao empreendimento. Então desses só a Petrobras cuida. A tecnologia, a capacidade produção, como é que, quanto vai produzir. Tudo isso é a Petrobras que define. Depois, um segundo momento, você tem quais são os fatores que você precisa para implantar esse empreendimento. Não depende só da Petrobras. Ela precisa de autorizações, de licenças, de anuências municipais, então você já precisa disso. Isso faz parte, não depende da Petrobras, mas ela precisa desses atores para poder implantar. Um terceiro estágio que a gente considera é algo que você não precisa como legal, como obrigatório, mas que faz parte, que facilita a sua relação com aqueles organismos, com aquela sociedade, com aquele contexto onde você está se inserindo. Até porque a empresa tem responsabilidade social na implantação do empreendimento. Ela tem a cultura de SMS [Saúde, meio-ambiente e segurança] que é maior até que em muitos casos de outras empresas. Então nesse caso toda a postura de relacionamento com a região onde você está se inserindo é necessário. Um quarto momento são aqueles pedidos que vêm mas que não agregam nada ao empreendimento, que não muda a vida do empreendimento e que você pode negar se achar que não vai estar fazendo diferença. E, por fim, você estar sempre percebendo quem são os seus adversários. São aqueles que não querem que você implante. Pode ser concorrente, pode ser alguém que esteja querendo minar aquilo, até minar para poder ganhar alguma coisa em troca. Plantar dificuldade para vender facilidade. Então esses são os cenários que você tem que estar observando. 
P/2 – Então o que foi o Fórum Comperj?
R – O Fórum Comperj foi você estruturar esses cenários. Ou seja, quem teria recursos além da Petrobras para cuidar desses outros pedidos que vêm de toda a região? Tem aquela parte, que é o nível três. Que você, por responsabilidade, sabe que quando você vai implantar um empreendimento desse porte, principalmente numa região carente como aquela, você vai precisar além, né, das condicionantes e das compensações ambientais, você vai precisar entender aquele contexto onde você está sendo, onde você está implantando o empreendimento. E ver: "Olha, não, eu posso fazer isso. Eu vou trazer água para mim, mas eu vou beneficiar essa população." A gente fez isso com contrato com a Cedae [Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro] para obra. A Petrobras precisava de uma quantidade x e trouxe dois x porque melhorava as condições ali da região. Não ia onerar para nós, e depois, quando a gente deixasse de precisar dessa água, porque teria a definição já da água de operação, essa água que veio só para a obra passaria para a população local também. Então você estaria incrementando a oferta de água para o município carente em recursos hídricos. Então essa parte você vai estruturando dentro do Fórum Comperj, por quê? Começa, precisa de capacitação. Vamos pensar em capacitar essa mão-de-obra local com que objetivo? Aproveitamento da mão-de-obra local, com isso você estaria gerando oportunidade de desenvolvimento para aquela região. Ela não estaria só crescendo, ela estaria crescendo e se desenvolvendo, porque as pessoas também estariam participando daquilo. Não precisava vir tanta gente de fora e que depois não teriam onde obter recursos, trabalhos, na época da obra. Então a capacitação foi uma iniciativa da Petrobras, mas que ficou também como um fator para a região. E aí a parte de infra-estrutura: "Quem pode ver infra-estrutura?" "O BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] pode ajudar. Não precisa ficar a Petrobras fazendo. Vamos ver como é que o BNDES pode ajudar. Vamos ver a parte de moradias. Vamos precisar fazer isso de forma ordenada antes que comece a haver uma especulação imobiliária e ter todo uma ocupação desordenada do solo." Aí a Caixa Econômica e o Ministério das Cidades. Então nesse primeiro momento do Fórum existia esse grupo do Governo Federal, existia o Conleste. E aí estava havendo a mudança do Governo e nós entendemos: "Não, quem deve coordenar é o Governo do Estado. Porque ele pode ser o ente que se relacione com o Governo Federal e com o Governo Municipal." E todas essa ações nós íamos, como Petrobras, chamando para que? Para que cada um tivesse o seu papel. Com isso estaria desonerando a Petrobras de fazer atividades que não eram, nem no nível um dela, nem naquele nível dois que ela precisa, por força de legislação e ações reguladoras. E o nível três que já é, como eu estava falando, você tem consciência do impacto que você leva e vamos potencializar para que esse impacto seja o melhor possível. Mas que ele não fique todo sob a responsabilidade da Petrobras. Porque senão o investimento ao invés de 8,4 bilhões seria muito mais. Aí você chama os órgãos que têm competência para isso, têm recursos para isso, desde que tenham projetos estruturados. Então o objetivo do Fórum era o quê? Poder estruturar essas demandas extras ao empreendimento, mas que seriam necessárias para o empreendimento poder gerar o que ele pode gerar de benefício. E para que ele também possa fluir. Porque você tá num município onde as questões possam funcionar melhor, ser reguladas, ter gestão municipal coerente e compatível, facilita para o próprio empreendedor. E aí a sociedade civil era importante que estivesse, para que não viesse aquele pacote: "Olha, nós estamos oferecendo a vocês..." que muitas vezes podia ser o que eles não estavam interessados em receber. Então aquelas caravanas foi muito em função disso: você conversar com a população local. Procuramos os líderes, quem eram os representantes das associações de moradores, os formadores de opinião, líderes comunitários, e ouvir deles o que era, como eles viam a chegada do Comperj. De um empreendimento daquele tamanho no município vindo da Petrobras. Todo mundo conhecia a Petrobras. Então era assim um conforto saber: "Ah, a Petrobras é que vai fazer isso." Mas, ao mesmo tempo, era uma expectativa do que é que ia acontecer. Tinha aquela história de Macaé, muitos chegavam, porque vinham aquelas pessoas que queriam também de alguma forma se beneficiar: "Ah, olha, cuidado com Macaé, para não ficar igual a Macaé." quando muitas vezes você sabia que não dependia da Petrobras para virar Macaé. Pelo contrário, né, se você...
(pausa) 
P/2 – Como se deu, continua o que você estava falando, esse impacto...
R – Eu não sei da onde você parou.
P/2 – Esse impacto na sociedade com a chegada da Petrobras naquela região.  E à medida que foram surgindo as demandas como ela se organizou para atender essas demandas. E o que é que a Petrobras começava a sentir daquela comunidade.
R – Então, a gente viu que a principal necessidade era informação, né? Por quê? As notícias corriam e aí cada um interpretava aquela notícia da maneira que quisesse. Chegava a eles também da maneira que eles quisessem. Tinham pessoas que aproveitavam isso para poder se fazer. Houve gente que criou até um logo especial, tentou copiar um logo para dizer que ia dar aula para a Petrobras, para poder trabalhar no Comperj. Então era um nível de desinformação, tal que com oportunistas usando isso, que a população ficou meio sem saber. Então nós contratamos uma empresa que fez toda parte de diagnóstico e diálogo socioambiental para poder organizar quem eram as pessoas, dentro da época, foi na mesma época da desapropriação do terreno. Então saber, junto com o cadastramento que a Engenharia fez, quem eram os moradores que iam ser desapropriados. Como é que eles estavam vendo isso. E começar a levar informações para aquela região. Nesse momento a gente via o quê? Que existia uma carência na região e que deveria ser suprida pelo poder público. Não cabe aí nenhum julgamento por que é que não era suprido. Mas o fato é que as pessoas quando viam a Petrobras, e todo mundo conhecia a Petrobras como a maior empresa, todo mundo sabia quem era a Petrobras.  Não sabiam o que é que o Comperj ia fazer, mas sabia que era a Petrobras que estava chegando na região. Então eles achavam assim: que era a salvação. A Petrobras iria resolver todos os problemas. Então quando a gente começou a fazer as caravanas, foi nesse sentido de informar o máximo que fosse possível para que as pessoas tomassem consciência do que era o empreendimento. Até onde ia a responsabilidade da Petrobras. Até onde ia a atribuição da Petrobras. Que muitas vezes era o que a gente explicava: "Não é uma questão de não querer fazer, a Petrobras não pode fazer. A Petrobras não pode chegar aqui e consertar uma rua, fazer uma casa." porque achava assim: "Ah, mas poxa, a Petrobras tem tanto dinheiro. Qual o problema de fazer isso?" Então a gente tinha que mostrar que o empreendimento, a responsabilidade da Petrobras era implantar aquele empreendimento. Que aquele empreendimento ia trazer recursos para o município através da geração de impostos. Que aquele empreendimento ia trazer oportunidade de emprego para aquelas pessoas que moram ali. Não só pela obra em si, mas tudo que se desenvolve, é o que a gente chama de indireto e efeito renda, o que se desenvolve a partir de um empreendimento desse tamanho. Que você começa a trabalhar agora, depois de três anos, você vê já algumas mudanças significativas. O restaurante que a gente começou a comer, logo que foi para lá, era um negócio pequenininho. Hoje já tem, já está bem grande, com uma comida bem saborosa, e já tem desconto para a Petrobras. Você chega lá mostra o crachá já tem desconto. E outras tantas atividades que foram surgindo a partir da chegada da Petrobras. Algumas expectativas até meio antecipadas, né? Porque as pessoas às vezes não conseguiam entender qual era o tempo do cronograma desse empreendimento. Até agora, esse prefeito de Itaboraí, o atual, quando assumiu, ele pediu. A gente está preparando uma apresentação. Ele falou: "Eu preciso mostrar para os munícipes que essa geração de receita através de impostos vem num tempo, num cronograma. Porque senão as pessoas ouvem uma série de coisas e começam a achar assim: “Ah, o município está rico. Já começou a receber.” E não é, você tem todo um cronograma atrelado às atividades da obra." mas que, de qualquer maneira, se você olhar Itaboraí antes de 2006 e agora, né, 2006, 2007, 2008, houve um incremento dessa geração de recursos a partir dos trabalhos que a Petrobras começou a desenvolver lá. Qualquer contrato tem, você paga ISS [Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza], você já começa a ter gente demandando alimentação, demandando transporte. Uma série de coisas que puderam ir crescendo ali na região e gerando recursos e emprego.
P/2 – Você poderia citar alguma experiência assim marcante nesse trabalho das caravanas?
R – Das caravanas?
P/2 – É, da relação com as pessoas da região?
R – Sim, a possibilidade de você estar informando, entendeu? E as pessoas poderem dizer: "Ah, não, agora eu entendi que não é agora que vai acontecer." por exemplo, na questão da desapropriação a gente fez todo um trabalho de mostrar num cronograma. Aí a pessoa dizia: "Não, ah, tá, então não é hoje que eu vou sair. Eu só vou sair daqui a um ano. Então eu não preciso fechar a minha casa e ir embora." E na caravana, além de você informar o que você ia produzir, como é que esse seu produto se transforma num bem de consumo para aquela pessoa. Porque não adianta você dizer: "Vou produzir, ah, o Comperj vai produzir polietileno." Não quer dizer nada. Agora, você mostrar que o polietileno depois vai estar na sacola ou em algum outro bem de consumo é que ela é familiarizada. Dizer que o polipropileno é a tampinha da garrafa, que o PET é a garrafa. Aí a pessoa começa a entender o que é que a empresa está fazendo ali. E aí começa, a gente mostrava muito na caravana esse papel do Fórum Comperj. Que ele devia ser reforçado por eles também. Porque a sociedade civil tinha representação ali. Como eu falei, para a gente não entregar para eles algo que de repente, isso uma pessoa falou, né? "Como é que vocês sabem que é isso que nós queremos?" Então essa participação deles era importante também, para a gente poder ter uma sinalização de qual era a realidade daquela região. Era diferente daqui. Então às vezes, o que é importante para eles, né, gerar desenvolvimento, gerar progresso. Qual é o progresso que eles esperam, né? 
P/2 – As caravanas têm a relação com o processo de licenciamento?
R – Têm. Têm porque você está, na verdade, preparando aquelas pessoas também para quando houver uma audiência pública elas poderem estar aprovando o projeto. Elas poderem estar querendo o projeto. Você pode mostrar o quanto o projeto vai trazer de benefício para elas. Então elas passam a ser aliados seus na época da audiência pública. Então invés de estar ali alguém questionando, criticando, vai ter alguém perguntando, querendo esclarecimento. Mas não vai estar ali querendo vetar o empreendimento. Então foi esse o resultado, pelo menos, na época da licença do Comperj. A gente sentiu isso porque fizemos quatro audiências em quatro municípios diferentes. Foi, e foi uma maratona. Foi numa semana, porque como tinha todo esse cronograma que a gente tinha que cumprir, então esse licenciamento foi assim totalmente diferente de outros processos de licenciamento. Justamente pelo peso que ele tinha. E num cronograma curto, né, nós fizemos um, na época o ministro Carlos Minc era o secretário de Ambiente, então ele determinou que fosse o mais rigoroso possível, porém o mais transparente durante todo o desenrolar do estudo de impacto ambiental, para que o órgão ambiental pudesse conhecer. Então a gente foi fazendo reuniões e a cada reunião incorporando as orientações. E trazendo também esses retornos das caravanas, do que nós estávamos fazendo para que fosse incorporado também ao estudo. E isso acabou resultando que nas quatro audiências nós tivéssemos, assim, transcorrido sem nenhum problema. Foram longas. Demoravam cerca de quatro a cinco horas com as pessoas perguntando exaustivamente. Mas não houve briga, não houve agressões. Não houve nada, nada, nada. Tivemos as quatro audiências bastante tranqüilas. Foi interessante, até a gente fez um treinamento com a nossa Assessoria de Imprensa. Ela tem uma metodologia de convidar atores e jornalistas para simular uma audiência pública. Então as pessoas que iam participar na audiência, que no caso era o Vítor, que era o gerente geral, e o Rodrigo Pio, que foi o coordenador do licenciamento do Comperj. Eles fizeram esse treinamento e todos os dois, depois, no final das audiências, falaram que o pior foi o treinamento. Que as audiências foram tranqüilas, né [risos]? Porque essas audiências, inclusive, a gente mostrava que ali a gente estava obtendo a licença do Comperj, da implantação das unidades, mas ainda tinha todos os extramuros. Ou seja, estradas, linhas de transmissão, dutos, emissário de efluentes, captação de água. E isso tudo foi apresentado ao órgão ambiental na época. Porém elas disseram que teria que ter, serem objeto de licenciamento específico cada um desses licenciamentos. Então elas conheciam o projeto de estrada, que teriam alternativas. Elas conheciam o projeto de captação de água, que você tinha alternativas. Linhas de transmissão. Só que depois cada um desses ia ser objeto de um EIA/RIMA [Instituto Estadual do Ambiente] e de um licenciamento específico. Agora, por exemplo, a gente vai ter o licenciamento da estrada de acesso principal, com audiência pública marcada para início de junho. Então já vamos começar fazer as pré-audiências, que é quase que uma caravana, para explicar como é que a gente vai fazer essa estrada. E aí já não precisa mais contar o que é o Comperj, porque as pessoas já sabem. Então vamos contar como é que vem evoluindo desde a época das audiências até agora. O que é que já foi feito, por que essa estrada. Por que é que precisa dessa estrada. Qual é o cronograma. Aí você já vai focando mais nesses empreendimentos extramuros.
P/2 – Você falou que o licenciamento foi obtido assim num prazo super rápido, né? Você...
R – É, um ano e pouco. Para o tamanho do Comperj é rápido.
P/2 – Então, o que é que você acha que foi o fator crítico para obtenção de uma forma tão rápida assim desse licenciamento?
R – Foram justamente essas reuniões quinzenais que eram feitas entre o órgão ambiental e a Petrobras. Então depois que o órgão ambiental, na época era só a Feema, hoje chama Inea [Instituto Estadual do Ambiente], porque houve essa incorporação, né, IEF [Instituto Estadual Florestal], Serla [Fundação Superintendência de Rios e Lagoas]. A Feema era titular do licenciamento, porém todos esses outros órgãos tiveram oportunidade de, de opinar na instrução técnica. Porque o ministro reuniu, na época como secretário do Ambiente, reuniu na sede do Ibama regional aqui no Rio de Janeiro, e todos esses órgãos, universidades, todos que podiam comentar a instrução técnica emitida pela Feema, a minuta da instrução emitida pela Feema eles comentaram. Pediram que inserisse algumas, alguns outros dados que eles gostariam de conhecer e isso tudo foi incorporado na instrução técnica. Então quando veio essa instrução técnica, e ela veio bastante pesada, para que a gente pudesse cumprir dentro de um cronograma que não impactasse o cronograma do empreendimento foi estabelecida essa metodologia de trabalho. Então eram reuniões quinzenais com o órgão ambiental mostrando: "Olha, fizemos isso." A Concremat foi a empresa que fez o EIA/RIMA, também participava desse, dessas reuniões. E aí ia mostrando: "Olha, é isso aqui que vocês estavam querendo?" para que não houvesse um entendimento diferente do que eles estavam pedindo. E você não perde tempo. Ao invés de você ficar um ano numa rota diferente do que você, do que o órgão ambiental tinha pedido por entendimento diferente, você ali de 15 em 15 dias ia ajustando esse rumo, né? Se precisasse um estudo complementar: "Não, então olha, eu vou querer um estudo complementar." Você já ia contratando uma universidade que pudesse dar um parecer. Então quando chegou no final, aqueles 16 volumes que foram entregues, eles eram conhecidos do órgão ambiental. Não foi assim uma surpresa responder, é, é, receber aquilo. Aquilo teve todo o, quando você entrega um estudo aí você tem todas aquelas datas, todos os prazos legais para que sejam disponibilizados para que todos possam ler, entendeu? E isso tudo foi cumprido dentro desses prazos. Agora, o órgão ambiental, a Feema [Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente] já conhecia o estudo antes dele ser entregue. A gente teve até uma particularidade que o Ministério Público sentou, o Ministério Público Estadual sentou na mesa da audiência pública. A primeira audiência que foi em Itaboraí, tinham três representantes do Ministério Público. Três promotores e sentaram, é, procuradores, né? Sentaram na mesa. E inclusive no final quando: "Ah, mas a sociedade não foi ouvida." Ela levantou e falou assim: "Como não foi ouvida, eu estou aqui representando a sociedade."
P/2 – Então quais foram as lições aprendidas com esse processo, já que foi uma...
R – Diálogo, transparência, informação sempre. Desde o início você receber todo mundo que, quer dizer, receber na medida, tinha gente que às vezes você chegava a um determinado momento: "Não, não dá para receber." porque você sabe que aquilo que está pedindo não faz parte do trabalho, não faz parte do processo e que não adianta. Agora, receber todo mundo que quer saber informação do empreendimento, informar sempre que possível, estar sempre disponível. As pessoas saberem quem são as pessoas que falam pelo empreendimento. Ter um discurso sério e um discurso positivo. Mesmo que você diga: "Não." Mas se você justificar o seu não, mostrar por que é que você não pode fazer, por que é que a empresa não pode fazer as pessoas aceitam, entendeu? É preferível do que você dizer assim: "Ah, tá, vou fazer sim." Virar as costas e esquecer. Eles vêm te cobrar. E aí você perde a credibilidade. Então o que a gente sempre fez foi dizer não quando não podia de fato fazer. Foi dizer que ia verificar, porque tinha muitas coisas que vinham pedir e a gente não sabia se a empresa podia fazer ou não, se a empresa tinha algum programa que abrigasse aquela demanda. Então quando a gente não tinha certeza: "Olha, vamos verificar." Mas depois dava uma resposta.
P/2 – É, você falou que a licença foi obtida num prazo recorde, mas em compensação...
R – A primeira licença. Ainda tem licença até 2012 [risos]. E agora é aquela fase, você tira uma licença e cumpre condicionante para manter aquela licença.
P/2 – É, você falou que teve uma lista de condicionantes bem pesada, né?
R – Isso.
P/2 – Que condicionantes foram essas? As principais.
R – Bom, do tipo: "Você não vai poder tirar água do rio Macacu. Você vai ter que pedir autorização para fazer toda essa supressão de vegetação, vai ter que ser dentro desses parâmetros." Todo resgate de fauna você precisa ter a autorização do Ibama, se aquilo ali está sendo feito como eles determinaram. Condicionantes do tipo: "Você não vai poder descartar a água que você está usando para obra dessa maneira em tal local." Condicionantes do tipo, enfim, faixa marginal de proteção dos rios. Você tem que recuperar para que aquilo ali volte a melhorar as condições hídricas da região. Ou seja, o órgão ambiental aproveita uma oportunidade como um empreendimento desse, o que ele vai autorizar alguns impactos que o empreendimento gera, mas em contrapartida o empreendimento vai ter que fazer algo que melhore as condições daquela região.
P/2 – E como que a Petrobras se organizou para atender, para implantar essas condicionantes, responder essas condicionantes?
R – Sim, a gente tem um grupo aqui que cuida dessa parte toda de pós-licença. Então são os monitoramentos. Tem contratos com universidade para fazer monitoramento atmosférico, monitoramento hidrológico, monitoramento das condições da, do terreno, da biota terrestre, biota aquática. Controle de vetores de pragas. Como é que aquela região, como era a característica epidemiológica da região e o que é que mudou. Você tem que acompanhar isso. Tem que toda a parte da obra em si, se a obra está cumprindo aquelas questões de cuidados, de ter toda a documentação em dia se um fiscal chegar ali. Se você está usando, enfim, as autorizações que foram concedidas, você só pode trabalhar dentro daquelas autorizações. Então nós temos um relatório chamado Plano Básico Ambiental, que você entrega trimestralmente para o Inea. E ali mostra a evolução de como a Petrobras vem cumprindo aquelas condicionantes. Então: "Olha, eu contratei a empresa tal. Eu contratei a universidade tal para desenvolver tais e tais estudos." Aí você mostra no mês seguinte, você já tem que dizer o que é que foi medido, como é que foi encontrado. E isso tanto no lado social, também eles verificam.
P/2 – O Comperj acaba que chama a atenção por essa questão socioambiental. Ele é muito forte, muito bem trabalhada no Comperj, né? Você poderia comentar sobre as medidas que o Comperj criou, desenvolveu para evitar impactos socioambientais? E os resultados disso?
R – Olha, primeiro que a gente considera, assim, bem inovador, foi o Centro de Integração. Que na hora que você se propõe a capacitar 30 mil trabalhadores da região, você está pensando, aí, na geração de oportunidade para aquela comunidade, que às vezes fica à margem de um empreendimento desse porte. E tentar reduzir o efeito migratório. Porque também numa obra dessa existe assim a mobilização em massa e depois a desmobilização. Então o Centro de Integração tem essa preocupação. Porque aí você está trabalhando duas vertentes: tanto a social, com a possibilidade de inserção dessas pessoas no mercado de trabalho que surge e; ambiental, na medida que você diminuindo o efeito migratório você diminui essa ocupação desordenada. Você diminui aquela chegada em massa para depois não ter esse aproveitamento. Então esses cursos que o Centro de Integração oferece eles foram pautados no histograma da obra. Então a gente treina as categorias que podem ser absorvidas na obra, mas sempre colocando para eles que aquele treinamento não tem garantia de emprego na Petrobras nem em nenhuma das empreiteiras. Aquilo é apenas uma oportunidade de capacitá-los para que eles possam estar galgando as diferentes ofertas de emprego que estão vindo para a região. Então é através de processo seletivo, faz um concurso. Aí nós temos um banco de dados com todas as categorias, com todos aqueles profissionais que foram treinados e capacitados. E a gente oferece para as empreiteiras: "Olha, temos esse perfil aqui se vocês quiserem." Não podemos obrigar mas sempre tentamos induzí-los que aquelas pessoas estão capacitadas. Que aquelas pessoas tiveram aquele desempenho que está ali no banco de dados. E que ao fazerem isso eles vão estar propiciando que aquelas pessoas tenham oportunidade de se desenvolver e não tenham que trazer tanta gente de fora. O Corredor Ecológico é outro aspecto que também abrange não só, aí é o contrário, né? O ambiental e por conseqüência o social. Ali é uma região que tem diversas unidades de conservação federal,estadual, municipal. E a própria Estação Ecológica da Baía de Guanabara, que foi criada um mês antes do Comperj. E é assim, como dizem os ambientalistas, é o máximo em restrição ambiental. Então o Corredor Ecológico ele visa o quê? Quando você planta quatro milhões de mudas no entorno do Comperj, você está harmonizando com aquelas unidades de conservação que existem na região. Então está recuperando as margens dos rios, está recuperando a própria Mata Atlântica, porque esse Corredor é com planta nativa. Está sendo estudada uma recuperação inclusive através de pesquisa de quais eram as plantas nativas da região para poder fazer com esse tipo de planta. Aí você retoma o original daquela região. E com isso você também está gerando emprego. Porque para fazer esse plantio a gente está priorizando contratar aquelas pessoas daquela região. Como a região é uma região que era agrícola até a chegada do Comperj, então por ser agrícola essas pessoas dali teriam a possibilidade de estarem fazendo esse plantio. Nós fizemos capacitação em viveiristas e artesanato. E agora estamos aguardando a empresa que vai contratar essas pessoas para poder implementar o projeto que a Embrapa desenvolveu para o plantio do corredor. 
P/2 – Como funciona o ciclo de qualificação profissional?
R – Então, a qualificação, ela vem a partir desse histograma da obra. Então no primeiro ciclo foram capacitadas cerca de três mil pessoas para trabalhar...
P/2 – Mas sempre focado...
R – Ciclo básico, tá? Então pedreiro, profissionais de nível básico para atender a obra da terraplanagem. Depois, não necessariamente, todas essas pessoas foram trabalhar ali. Mas nós tivemos um feedback de 70% de aproveitamento dos profissionais do Centro de Integração. Num segundo momento, que não foi nem o segundo ciclo inteiro, mas uma parte, foi para fazer o treinamento de motoristas, operadores de grandes máquinas. Porque as máquinas que estão fazendo terraplanagem são algo assim indescritíveis em termos de tamanho. E tinham, não tinham pessoas capacitadas para trabalhar e operar essas máquinas. Tinha que ter até conhecimento de informática. Diz o pessoal que já entrou - eu nunca tive oportunidade de entrar, só fiquei do lado. Vi o quanto eu era pequena do lado de uma roda daquelas - mas o pessoal que entrou disse que é quase um joystick de videogame, né, operação mesmo. E eles foram treinados, cerca de 350 operadores de grandes máquinas para fazer a complementação desse pessoal que foi treinado para terraplanagem. Agora está começando a outra parte do segundo ciclo que a gente vai treinar seis mil pessoas. Aí já entra também o nível técnico, que já é o profissional preparado para a fase de construção e montagem. E a partir do ano que vem quando você começar o ciclo mesmo do pico, que é no pico da construção e montagem, aí são cerca de 18 mil profissionais.
P/2 – E aí inclui também profissionais de nível terceiro...
R – Superior? Sim. O superior a gente tem cerca de 2% de todos os 30 mil a gente imagina que seja nível superior. Inclusive o Rodrigo Pio, que fez esse, foi o coordenador do licenciamento, ele hoje está na França junto com uma colega nossa da UP fazendo um treinamento na parte de Petroquímica, para trazer o curso de formadores de engenheiros com experiência em Petroquímica. Que no passado a Petrobras tinha esse curso, era o Cenpec, né? Depois da privatização no setor esse curso foi deixando de acontecer. E hoje você não tem curso de Petroquímica. Agora começaram a surgir alguns cursos. Mas aquele focado como era no passado... Aí o Rodrigo e a Débora fora lá para a França fazer no Instituto de Petroquímica Francês, se não me engano é esse nome, para trazer esse curso e formar profissionais com experiência, com, focados em Petroquímica.
P/2 – Essa experiência vai estar nesse último ciclo, vamos dizer assim?
R – Vai ser no Centro de Integração. Não necessariamente no último, né, porque aí é um tempo maior. Não sei quando vai ser, mais para a parte final de montagem início de operação. Que aí você precisa ter profissionais com conhecimento de Petroquímica.
P/2 – Eu queria retomar só um pouquinho a questão dos impactos sociais. Eu queria que você falasse um pouco sobre as desapropriações. Como aconteceu isso?
R – Então, essas desapropriações, elas começam com um levantamento cadastral que a Engenharia faz. Aí você cadastra todos os moradores daquela região. Aí depois vai ter a avaliação. Então nessa avaliação verifica como é a propriedade e faz todo o cadastramento desta propriedade. E aí o Cepav, que é o Setor de Avaliação Patrimonial da Engenharia, faz essa avaliação, e aí a Diretoria aprova o conjunto de propriedades e valores. E é feita a negociação. No terreno do Comperj a gente tinha cerca de 170 propriedades diversas. Você tinha ali desde grandes fazendas, como foi a Fazenda Macacu, que era quase a metade da área do terreno. O terreno são 45 quilômetros quadrados. A Macacu era acho que 20 quilômetros quadrados. E até proprietários pequenos. Então passando aí por sítios de veranistas ou pessoas que optaram por um outro estilo de vida, sair da cidade grande para ir para o interior. Então você tinha os sítios que valiam muito, muito bem cuidados, muito bonitos. E aí você faz aquela indenização mais na negociação financeira. Eu acho, na minha experiência, que a parte mais fácil é a negociação financeira. Porque quando tem aquela negociação que você vê que a pessoa tem um, né, um apego ali que não é só pelo valor e que não tem aquela relação comercial de você estar comprando algo que alguém quer vender, aí é mais difícil. Mas a Petrobras pelo fato dela não ser a experiência dela, nem o propósito dela não é compra e venda de imóveis, né? Então a teoria é pagar muito bem e acima do valor de mercado e à vista. Então esse é o atrativo até para que essas pessoas também, mesmo as que têm aquele valor sentimental ali possam buscar alternativas próximas. Como foi o caso de muita gente que buscou em terrenos próximos de comprar para não ter que sair dali. E outros também que nós soubemos, tem gente que quer vender a qualquer custo. E aí não, é que nem aquela história: "Você tem duas alegrias, é comprar uma casa fora e vender uma casa fora." e tinha gente ali que estava doida para vender e não conseguia vender. Quando a Petrobras chega e paga aquilo é quase uma loteria. Teve um senhor que disse isso para mim depois, que foi a melhor coisa que eu ouvi até hoje foi ele me dizer: "Ah, minha filha, você não sabe como foi bom negociar com a Petrobras. Eu tinha muito..." Ele até enfartou esse cara. Eu me lembro que numa vez que eu estava fazendo uma apresentação lá no Teatro João Caetano, de Itaboraí, quando eu acabei, ele meio que falando alto - era um homem muito grande - meio me intimidando assim. Aí eu falei: "Não, o senhor pode ver, o senhor vai ter certeza que vai ser tudo, vai dar tudo certo." A mulher dele também: "Ah, porque meu marido enfartou por causa da Petrobras." Hoje eu sei que eles dois estão muito bem. E foram pessoas que além de terem comprado suas casas aplicaram, assim, em fornecer comida para evento. Então foi justamente num evento que a Segurança Empresarial estava fazendo, e convidou as pessoas que eles estavam, acho que eles estavam administrando. Quando ele me viu, ele veio me deu um abraço, pediu desculpas por ter sido tão grosseiro. E que a melhor coisa foi negociar com a Petrobras. Que a Petrobras era muito honesta. Aí eu falei: "Ah, tá vendo, o senhor na época estava meio apreensivo." Mas é pela ansiedade, pela falta de conhecimento, pela falta de informação. Por isso que é muito importante esse tempo de início de empreendimento você ir informando para as pessoas.
P/2 – Essa é a lição aprendida?
R – Essa é a grande lição aprendida nessa área social. É sempre ser transparente para as pessoas aonde você está chegando. Dizendo não e dizendo sim. 
P/2 – Agora sobre essa interface que o Comperj teve que fazer com Governo Estadual, Governo Municipal, como foi a evolução da relação da Petrobras com esse ambiente político, governamental?
R – Com o poder público. É, esse aí ele é em três esferas. Então nos municípios você percebe muito aquela questão assim: "Ah, o que é que o município vai ganhar? O que é que a Petrobras vai dar para o município?" Com o Governo Federal a gente tenta aquela parceria com aqueles órgãos que eu te falei: BNDES, Caixa Econômica. E o fato do Comperj estar no PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] ele se torna um projeto prioritário e que muitas vezes é o recurso que a gente tem que usar pra, pra poder mostrar pra todo mundo a importância desse projeto a nível Brasil. Não é só para a Petrobras. Não é só a Petrobras que vai se beneficiar de voltar ao setor Petroquímico. De estar utilizando o petróleo Marlim, mas a própria sociedade brasileira, né, que vai estar se beneficiando disso. Como aqueles municípios podem se beneficiar. Então às vezes você usar o fato de estar no PAC ajuda algumas anuências que você precisa. Ajuda mostrar que aquela autorização ali não é uma autorização só para a Petrobras. E com o Governo Estadual é, pelo fato de você não está restrita a um município, então o Governo Estadual tem que estar presente. Porque senão cada município vai ver só os seus interesses. E aí existe aquela disputa: "Ah, mas Itaboraí já levou o empreendimento então agora eu preciso..." Então é mostrar que aquilo é um conjunto que vai se desenvolver. Não adianta cada município ter um hospital enorme, cada município, não. Ver como é que a região vai precisar. Ver quais são os pontos mais fáceis e ir envolvendo na questão. Precisa ter mobilidade. Não adianta ter um empreendimento desse porte se você não tiver facilidade de transporte para a população, se você não tiver estradas, se você não tiver, enfim, toda facilidade das pessoas poderem ir para lá. Das pessoas que moram próximas, de um município para outro, poderem se locomover. Mostrar a necessidade da habitação, saneamento. Então isso o Governo do Estado é importante que esteja junto, porque você tem que juntar vários municípios. E essas são as reuniões do Fórum que a gente mostra que há a necessidade dos três interagirem também.
P/2 – O Fórum foi uma estratégia de fazer essa interface.
R – É. E que a gente tenta mostrar no Fórum é que não é uma questão política partidária. Ali são atores que têm interesse no mesmo empreendimento, no desenvolvimento da região. E tentar tirar, principalmente do lado, assim, da prefeitura, aquela coisa do partido. Fulano é de um partido, o governador é de outro: "Não, não é partido. Aqui é o empreendimento e o que ele pode gerar para a região. E que precisa da participação de cada um, com as suas competências e atribuições."
P/2 – Estou perguntando isso porque a gente sabe que tem dois empregados da Petrobras cedidos: um ao Governo do Estado, outro ao Governo Federal. E foi mais ou menos durante o, desde que o Comperj começou, até aqui, que isso aconteceu. O Júlio Bueno e o Lima, né?
R – Isso.
P/2 – Isso fez parte dessa interface?
R – Não, o Júlio Bueno eu acho...
P/2 – Foi consequência?
R – ...que ele já estava no governo.
P/2 – Já?
R – Já. O Júlio ele já saiu da Petrobras, quer dizer, já está cedido há mais tempo. Agora, o Lima não. O Lima, inclusive, foi gerente executivo da Petroquímica e Fertilizantes. O Lima fez muitas apresentações assim do Comperj logo no início. E que foi assim fundamental. Porque eu não sei se todos conhecem o Lima, mas ele tem uma capacidade de se comunicar e de falar a linguagem ali, traduzir o que as pessoas querem ouvir. E ele passava assim uma boa credibilidade. E foi alguém que ajudou bastante também a formar o Fórum. Essa separação das demandas. E eu acho que isso fez sim com que ele saísse para o Governo Federal. 
(pausa) 
P/2 – Você poderia falar sobre essa relação entre o Comperj, Conleste, Fórum e as caravanas, como é que funciona?
R – É, as caravanas, elas não têm assim uma relação direta com o Fórum Comperj. As caravanas são, elas fazem parte dessa estratégia de informação. Então naquele momento a gente chamou de caravana. Às vezes a gente chama de reuniões de pré-audiência, reuniões informativas. Mas caravana foi porque a gente fez aquela coisa de percorrer os 11, na época nem os 11, os 14 municípios. Porque a instrução técnica inseriu, depois que já tinha havido a constituição do Consórcio, ela inseriu três municípios no EIA/RIMA. E pediu para considerar Friburgo, Teresópolis e Araruama e Rio de Janeiro. Mas Rio de Janeiro a gente nem faz esse trabalho tão focado. E aí a gente teve que fazer a apresentação lá também. E eles lá falavam: "Mas eu quero fazer parte do Fórum, do Consórcio, do Conleste." "Não, mas aí o Conleste é uma situação dos municípios, a Petrobras não tem nada a ver com isso." a única coisa é que a Petrobras induziu a formação de uma entidade para falar com a Petrobras para que não tivesse que ficar atendendo a cada um dos 11 prefeitos. Então o diretor falava com o representante do Conleste. Embora a gente fale com todos os prefeitos, mas, ou numa reunião só o diretor chamar todos. Mas imagina o diretor ter que atender a cada prefeito. Aí não acabaria. Então o Consórcio ele entra como uma das, o Fórum são seis fatias. Imagina uma figura hexagonal e que as três fatias de cima seriam o poder público. Então teria o Governo Federal, representado pela Petrobras, BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil, Ministério das Cidades. Outra parte representada pelo Governo do Estado através de um decreto do governador Sérgio Cabral, onde ele disponibiliza todas as Secretarias do Estado para fazerem parte do Fórum. A outra parte é o Conleste, representando os municípios daquela região. E na parte daqui, da outra parte do hexágono você teria a, o Poder Legislativo que viria para formular ou alterar qualquer lei. A sociedade civil com três grupos de destaque, que seria: os sindicatos através da FUP [Federação Única dos Petroleiros], os ambientalistas através da Apedema {Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente], uma ONG que congrega a maioria dos representantes ambientais, e o Concrecomperj [Conselho Comunitário Regional do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro], representando a sociedade civil. E a parte dos empresários representada pelas instituições independentes, seria: Firjan [Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro], Fecomércio, etc. E todas as universidades, todo mundo acadêmico podendo dar suporte a esse, à essa estrutura do Fórum. Agora, o Fórum, o objetivo maior é fazer com que cada um tivesse a sua atribuição. Que nem eu falei no início: atribuição um é da Petrobras, fazer o empreendimento. Essa é só dela. A dois é dela com as autorizações e licenças obtidas. Ela precisa disso para poder, para existir. A três é aquela onde vem a parte toda da responsabilidade social, a parte toda do, da conscientização ambiental. De você estar fazendo o empreendimento e esse empreendimento está além das questões legais, além das questões regulatórias. Você está fazendo com esse espírito de um empreendedor socioambientalmente responsável. Aí no, aí surge o Fórum com essa atribuições.
P/2 – A Petrobras criou apenas eram esses os canais de comunicação com a...?
R – Não, além dessas, desse diálogo freqüente que a gente pode fazer não só com grandes grupos, que são as caravanas, audiências, pré-audiências, a gente faz esse diálogo setorizado. Então a área de Responsabilidade Social aqui do Comperj que fica dentro da Gerência de Estruturação, eles ficam sempre em contato com as lideranças comunitárias, com as associações de moradores. Para ouvir quais são as expectativas. Para ouvir as críticas. Para ouvir as sugestões. Além do 0800, que a gente, tem um 0800 Comperj, que, vocês não têm noção da quantidade de e-mail que a gente recebe. E assim, os mais diversos. Aqueles que vêm assim pertinentes, com dúvida e tal. E aqueles outros que, sabe, acha assim que a Petrobras tem que resolver até a questão: "Ah, eu não sei o que eu faço da minha vida. Eu tinha vontade..." [risos] Entendeu? "...de trabalhar e..." Faz assim dissertações. Você olha aquilo [risos]. Outro canal é a Ouvidoria, vem muita coisa do Comperj para a Ouvidoria. E lá mesmo, né? Lá, tanto na Engenharia, quanto na outra casa que ficou, o Abastecimento. Porque do terreno quatro casas não foram demolidas até que seja construído o prédio Administrativo. Então essas quatro casas são ocupadas: uma pela Engenharia, uma pelo Abastecimento, que praticamente é o pessoal aqui da minha Gerência, que é a área de Monitoramento. Para ver se essas condicionantes estão sendo cumpridas. E a parte de Diálogo Social, de Responsabilidade Social que fica ouvindo as pessoas e conversando. E tem...
P/2 – Que é o Centro de Informação também.
R – O Centro que Informação que, ah, é, outra parte interessante do empreendimento, que é a parte toda do resgate patrimonial daquela região. Tem uma ruína lindíssima no terreno, fora da área industrial, mas dentro do terreno do Comperj. Então ela foi tombada pelo IPHAN [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional] e pelo INEPAC [Instituto Estadual do Patrimônio Cultural]. Tanto pelo órgão federal quanto pelo estadual, como ruína. Então nós temos que preservá-la como ruína. Só que ela estava quase caindo. Então foi feito um projeto de escoramento emergencial e agora vai ter toda essa parte de mantê-la como ruína. E a idéia é que tenha um centro de informações próximo à essa ruína mostrando como foi a chegada do Comperj. Todo resgate de arqueologia que foi feito. Tinham vários sítios arqueológicos. Vários registros que foram feitos, resgatados, levados para o Museu Nacional. E depois a ideia é que fique lá no Museu a céu aberto. Paralelo a isso toda a história do Comperj pode estar disponibilizada lá junto com a história de Itaboraí, né? Como é que era o município, a trajetória desse município até a chegada do Comperj. E esse Centro de Informação pode estar registrando todas essas questões. Indicadores de como era o município e como está o município e vai ficar. Tem um trabalho que a ONU-Habitat, uma consultoria da ONU [Organização das Nações Unidas], está fazendo junto com a UFF [Universidade Federal Fluminense] e o Centro de Informações para registrar esses indicadores socioambientais e econômicos da região. 
P/2 – Legal. E você teria algum fato marcante, alguma experiência que te marcou muito, entre as várias interessantes que você teria? Quando fala do Comperj você lembra desse fato?
R – Olha, não sei nem como elencar uma. São várias, né, desde o processo de desapropriação. De chegar lá assim e você ver pessoas tão diferentes negociando. Umas só visando o financeiro, outras visando ali algo que era delas mesmo, como é que vai defender isso? Tinha gente que: "Ah, não, como eu dei meu cartão só queria falar comigo." só quando eu falasse que ia acreditar. Então tinha dias que eu ia lá que a gente começava assim: "Meu Deus, eu estou aqui, telefone não pega. Será que isso aqui é uma emboscada?" A gente ficava assim na dúvida. Como pessoas que na audiência pública, nas caravanas não tinham coragem de perguntar. Aí na hora que eu estava ali lançando vinha: "Aí, será que vai trocar a calçada da minha rua?" Naquela substituição da Petrobras fazer tudo. E o 0800 também que vem questões assim: "Como que a Petrobras pode resolver isso?" A correria que a gente tem que ter, que os prazos são mínimos. E às vezes você vai entregar o próprio EIA/RIMA [Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental], e a gente de madrugada com não sei quantas gráficas: "Já acabou? Já rodou?" Então é, as audiências públicas que foi assim uma verdadeira maratona, quatro dias seguidos. E a gente chegava três horas da manhã em casa para estar aqui, só chegava um pouquinho depois. Chegava às 10 para ficar o dia e depois a noite indo para lá. E na audiência pública teve um fato cômico. A gente estava lá em, acho que foi em Cachoeira de Macacu, ou Guapimirim, que a gente passou e tinha alguém no telefone assim: "Vem, vem que tem comida para caramba." Quer dizer , as pessoas iam ali não só para falar do empreendimento. Tinha uns que iam, porque assim: "Não, eu fiz a minha parte. Eu participei." Tinha uns atuantes, sem dúvida. E tinha uns que não: "Opa, tem boca-livre, tem comida. Eu vou." Então eu acho assim, fala Comperj para mim que estou nessa área, né? A gente foge de um mundo de Petrobras que a gente trabalha e se relaciona enquanto está trabalhando com pessoas que têm mais ou menos o mesmo perfil, a mesma expectativa. Está sob as mesmas orientações. E aí quando você trabalha voltado, assim, para fora, num município totalmente diferente aí você vê uma realidade tão distinta e que te dá muito mais responsabilidade assim de, de ter que ouvir, de ter que falar, de ter que orientar. De botar cada um na sua atribuição, né? "Não, não é aqui." enfim.
(pausa)
P/1 – Então, Cláudia, eu vou, eu sei que você está no horário e a gente também. [risos]. Então só para encerrar, eu queria só retomar um pouco do que é a história de vida sua. A gente explorou aqui longamente a sua trajetória profissional. Então queria voltar a pensar a Cláudia um pouquinho, aí você contasse o que você faz nas poucas horas de lazer que te sobram no meio dessa trabalheira toda. 
R – Não, realmente eu acho que eu nunca trabalhei tanto. Nos 30 anos assim de, tudo bem, eu acho que houve épocas de sair mais tarde, né? Mas assim seguidamente, como aqui no Comperj, eu nunca havia. Hoje os meus filhos estão grandes e aí já não é mais um desespero pra chegar em casa. Eu acho que eu não poderia trabalhar no Comperj, assim, há uns oito anos atrás, eu acho que ia ser impossível, mas hoje já dá. E, primeira coisa que eu faço é malhar de manhã para poder ter pique. Que aí eu venho, moro na Barra, é longe, né? Então eu prefiro vir cedinho que eu não pego engarrafamento e malho bem para poder ter pique o dia inteiro. Durante a semana é raro eu fazer alguma coisa extra Comperj. É voltar pra casa, jantar, bater um papinho com meus filhos e ir dormir. Agora, fim-de-semana eu procuro sempre praia, que eu amo, assim. Acho que é algo que só ficar olhando aquilo já é legal. Então raramente eu deixo de ir, só quando está chovendo. Nem que seja para dar uma caminhada no calçadão eu vou. Adoro cinema. Então procuro sempre, quase todo final de semana vou ao cinema. Essa época que começa a não ter assim aquela praia de dia inteiro, né, vou um pouquinho. Aí, sábado mesmo, eu vim aqui na Rua do Lavradio ver aquela Feira de Antiguidade. Quer dizer , não é nem tanto antiguidade, acho que é mais de você encontrar um monte de gente, ter, almoçar ali. Diferente. Adoro viajar. Só não viajo mais porque eu só tenho um mês de férias e que eu nem consigo tirar mais um mês. Tiro 15 dias, um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Mas eu falo: "Quando eu me aposentar acho que o que eu mais quero é viajar." 
P/1 – Você mencionou seus filhos. Quantos são?
R – Dois.
P/1 – Quantos anos?
R – É um casal. Eu tenho o Leonardo de 20 anos, que faz Comunicação na PUC [Pontifícia Universidade Católica do Rio do Janeiro]. Está no terceiro ano. E a Gabriela que tem 16, está no vestibular, estuda no Colégio PH e quer fazer Engenharia de Produção.
P/1 – Acaba meio perto, né? Então, Cláudia, para encerrar tem alguma coisa que, de repente a gente não perguntou, que você queira deixar registrado da sua vida ou do seu trabalho? Alguma coisa que você acha que ficou faltando?
R – Não, eu acho que esse trabalho, sinceramente, eu acho que veio assim, à medida que eu te falei no início, que eu fui distanciando um pouco da área Técnica, né? Passei para o Planejamento, Comercialização, Gestão. Aí quando chegou na Gestão que eu já estava assim, que eu fiz um MBA Marketing na época que eu trabalhava na área Comercial. Depois eu fiz um MBA em Gestão lá na Coppead [Instituto COPPEAD de Administração da UFRJ], que eu achei bárbaro na época que eu era gerente de Participações. E aí eu resolvi fazer Responsabilidade Social. Porque estava tão, assim, longe da minha formação mesmo. E eu acho que foi uma grande coisa que eu fiz e que tinha que ser mesmo assim no final de carreira. Porque Engenharia no início, eu nunca podia me imaginar nessa atividade. E eu acho que é uma atividade, assim, que abriu muito a minha cabeça como pessoa. Então eu acho que quando eu me aposentar daqui a alguns aninhos, que não falta muito, eu acho que eu vou sair com uma outra visão como pessoa, com vontade até de fazer alguma coisa. De não ficar 100% parada, né? Mas achar alguma maneira de trabalhar para fazer alguma coisa na área social.
P/1 – Então para encerrar eu queria que você dissesse o que você achou de ter dado entrevista aqui para a gente, ter participado?
R – Eu acho muito legal. Porque como eu falei é informação. Eu acho, eu espero que isso aqui sirva de informação para outros projetos. Sirva de alguma maneira para vocês terem conhecido um pouquinho mais do Comperj. E foi pena que, pelo ritmo louco a gente não tem muito tempo, eu tenho uma reunião agora as duas horas. Senão eu acho que eu ficaria aqui contando mil detalhes. E quando vocês quiserem saber de alguma coisa é só ligar, perguntar a alguém aqui. Tem gente aqui que está comigo desde o início, que tem detalhes também bem interessantes. Tá bom?
P/1 – A gente que agradece. Obrigada.
R – Obrigada a vocês.
FIM DA ENTREVISTA -

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