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História

Hoje eu sei!

História de: Maria das Graças Silva Fernandes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

Infância em Itapemirim, Espírito Santo, na zona rural. Vivências escolares e interrupção dos estudos. Namoro e casamento. Separação do marido. Dificuldades para sustentar os filhos. Trabalho na lavoura de abacaxi. Acidente. Ingresso no projeto social Comunidade Inclusão, no curso de bordado. Grupo de mulheres empreendedoras. Aprendizados e conquistas.

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História completa

"Eu aprendi a remar desde cedo. Saía da minha casa, que era feinha, casinha caindo, que, às vezes, quando acordávamos, estava cheia de água, e ia atravessar o rio. Gostava de ir pra escola. Queria aprender. Chegava em casa boba, toda feliz pra contar pro meu pai, mas ele não queria. Minha mãe também não. Eu saí da escola, porque meus pais não ligavam muito que a gente fosse. A gente ficou assim sem saber nada. Eu ajudava na roça, todo dia, de manhã cedo. Na época, minha família comprava meia barra de sabão, caixa de fósforo, meio quilo de arroz… era tempo ruim, tempo difícil. Meu pai era meio ruim pra mim, aí eu casei, arranjei um cara, casei, meu pai não queria... Meu marido me trouxe aqui pra Bom Será. Ele foi meu primeiro namorado. Meu pai nem queria que a gente casasse. Meu pai queria me bater, meu pai queria matar ele, ficou reclamando, veio atrás de nós. Nós fugimos. Ele falou comigo pra eu obedecer ele senão eu iria sofrer e, de fato, eu sofri. Casei com ele, tive meus filhos, passei muita necessidade.  Ele baixava outras mulheres e eu ficava em casa passando fome. As crianças todas doentes. Aí o menino tinha três meses e ele separou de mim, me largou. Passei fome, Até leite me faltava no peito pra amamentar. Não tinha nada mesmo. Meus filhos não tinham quase nada, nada pra comer, os vizinhos que davam. Eu não tinha casa, vinha temporal e a casa caía tudo. Era casa de estuque, então caía mesmo. E eu tive onze filhos. Nove ainda são vivos. Fiquei aqui na casa dos meus parentes, eles me aceitaram, fiquei. Trabalhei fora, trabalhei muito capinando abacaxi. Aí, o pessoal aqui de Bom Será fez uma casa pra gente porque eu não tinha casa pra guardar eles. Aí, graças a Deus, depois que eles cresceram, foi melhorando pra mim. Eles fizeram um barraco pra mim. Hoje eu faço bordado, outras coisas que aprendi, mas passei uma vida muito ruim. Hoje eu estou feliz. Faço meu bordado, que não me atrapalha em nada. Fico sentada e ganho meu dinheiro. Porque eu não posso trabalhar em casa de família, não aguento o esforço. Não tenho salário, não tenho nada, só a graça de Deus. Eu tenho uns problemas de saúde. Um carro tombou comigo dentro e desde esse dia fiquei uma mulher doente e estou até hoje. Foi quando começou a me dar depressão, vivia chorando, chorando. Umas amigas, sabendo disso, passaram e falaram desse curso de bordado, que eu nem sabia bordar. Elas falavam que eu não podia falhar, que eu não podia sair do curso por causa dos meus problemas de saúde. O projeto mudou muito a minha cabeça, eu me divertia muito. Foi Deus que mostrou esse trabalho aqui pra mim. Hoje, eu já sei muita coisa. O que eu não sabia, eu já sei."

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