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História

"Hoje eu choro com saudades das cartas"

História de: Antonio Jonas Pereira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Em sua história, Antonio Jonas Pereira, relata seu nascimento e infância em Jeriutaba, no Ceará. Seu Jonas, como gosta de ser chamado, narra diversas histórias dos Correios em seu município e de como a correspondência era recebida e distribuida. Jonas também conta das cartas que trocou com seus pais após mudar-se para o Rio de Janeiro. Hoje trabalha como porteiro de um prédio na Glória.

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História completa

P/1 – Bom, seu Antônio, primeiro eu queria agradecer o senhor estar aqui para conversar com a gente e deixar um relato da tua historia e para começar, eu queria que o senhor falasse o seu nome completo, seu local de nascimento e a data do seu nascimento.

 

R – Meu nome é Antônio Jonas Pereira, eu nasci no lugarejo, no Sitio Juá, que é um lugar a oito quilômetros da cidade Paraipaba, no estado do Ceará.

 

P/1 – Vamos só esperar ela parar de falar, senão a gente não consegue ouvir.

 

R – Então posso continuar, né?

 

P/1 – Pode continuar.

 

R – Pois é, naquele tempo que eu nasci, no meu local de nascimento não tinha nem luz elétrica, a gente tinha que usar lamparina à querosene, né, e azeite, os mais antigos usavam azeite na lamparina pra poder clarear a noite. E hoje, é um lugar bem adiantado lá, tem escola em todos os lugar e naquele tempo, os proprietários, pessoal que tinha bens, contratava professores para ensinar os filhos, né? Como eu sou filho de gente humilde, que não tinha condição de contratar professores, ai a gente aprendia assim, aos… vamos dizer assim, palavra bem… aos trancos e aos barrancos, né? Aprendia um pouco, né? E o Correios – posso falar do Correio? – pois é, então, o Correio daquele tempo, que era na cidade, porque a cidade, em 1923 foi… 1923 passou a município, né, era um distrito e passou a município em 1923. Então, quer dizer, tinha Correios, então Correio era… a gente ia botar uma carta no Correio, praqueles pessoal dos lugares distante, a carta vinha aos cuidados de uma pessoa que tivesse renome na cidade, né, por exemplo, as nossas cartas aos nossos familiares lá no Juá vinha aos cuidados da família Taumaturgo, né? Era uma família de renome, como até hoje os descendentes são, né? E se uma pessoa mandasse dinheiro no Correio, vamos dizer, alguém tava no Rio de Janeiro, ai mandava uma… um dinheiro, envelopado, só podia colocar por exemplo, o dinheiro maior que tinha naquele tempo era um conto de reis, ou depois uma nota de quinhentos mil reis, cem mil reis, duzentos mil reis. Então, se você mandasse cinco mil contos de reis, tinha que ir cinco envelopes, né, um envelope muito bem lacrado, do tipo, um plástico, não rasgava e aos cuidados daquela pessoa responsável, de acordo, Taumaturgo, de acordo com aquelas famílias que dependesse aquela gente, né? Então, para você ser beneficiado com o dinheiro, era preciso que aquela pessoa fosse no Correio assinar que recebeu, que chegava na mala do Correio, que vinha no trem, ia até Fortaleza de avião e tal e de lá pra lá, ia no trem, né? Então, como eu disse, o Correio… o Mamundo, né, ele tinha o nome de Raimundo, mas só chamavam ele de “Nego cão” ou “Mamundo”, né, e ele era o Correio oficial que ia entregar as cartas em cada casa na cidade, e dali, saía para o interior de acordo, conforme as pessoas que vinham aos cuidados recebessem. E aquelas malas dos correios que eram dos lugarejos, ele ia a cavalo de lugarejo a lugarejo durante a semana e tinha que ir despachando aquelas malas e trazendo mais pra enviar pelo Correios. E a pessoa, uma das pessoas mais, naquele tempo que eu me criei, que eu conheci muito, que era uma pessoa também muito de… ou seja, alta responsabilidade, que era quem mandava no Correios, chamava Mundita de Aquino, que era da família Aquino lá do local e era uma família de alta sabedoria e tal, era eles que comandava os Correios e tal, depois, passou pra outros, tal… etc., naturalmente que eu não ia saber o nome de todos, né, mas eu tô falando daquele tempo mais antigo, que era a família Aquino que era os diretores do Correios, né? E tinha aquela moça, que era a filha deles, Mundita de Aquino, quem comandava o Correios daquela época, né? E sempre com… eles chamavam até assim, a palavra bem tipo, que só chamavam ele “Nego Cão”, eu guardo bem a fisionomia dele até hoje, mulato bem… é muito simpático e tal e de feição bem bonita ele, né, bem aparentado. Era ele o Correios que saía distribuindo naquela toda região, né, no interior. E era mais ou menos isso, mais ou menos o que eu sei do Correios daquele tempo era isso, né, e acho uma grande entidade o Correios, né? Também tem assim, uns histórico que eu descobri, que eu estudo muito assim, a historia do Brasil, eu fiquei sabendo que também em outros lugar do Brasil, por exemplo, quando acontecesse uma coisa… por exemplo, vamos supor que tivesse que mandar uma noticia pra Petrópolis ou pra Minas Gerais, então quer dizer, a pessoa que… vamos dizer que eu era a pessoa que saia para entregar aquela carta, eu ia a cavalo e quando eu viajasse 60, 80 quilômetros, o cavalo tava muito cansado,. Eu ia ter que deixar o cavalo lá e também eu tava cansado da viagem, se eu aguentasse mais 60 quilômetros, eu ia em outro cavalo, ou de acordo outro mensageiro ia até chegar no destino, né? Tanto que a noticia da independência do Brasil, quando Dom Pedro decretou lá em São Paulo, né, quando a cidade de Rezende soube, imagina que Rezende é a metade quase pra São Paulo, parece que seja, mais ou menos, quando a cidade de Rezende soube, já estava mais ou menos com três ou quatro dias que Dom Pedro tinha decretado, né? Só que o mensageiro pra chegar lá demorou três ou quatro dias, né? Então, o Correios era mais ou menos nessa posição, né, porque os mensageiros andavam a cavalo, né, pra levar as mensagens, né? Agora, naturalmente que daqui pra Europa ia de navio, né, a carta ia pelo mensageiro, ia de navio ou pelo trem aqui, realmente era o trem que levava, mas o Correio, né, é mais ou menos isso que…

 

P/1 – E Jonas, o que você gostava de brincar quando você era pequeno?

 

R – (risos) Ah, eu quase não tive tempo de brincar, né, quando eu era pequeno, os pais daquela época eram muito… a gente com cinco, seis anos já trabalhava, né? E tinha hora pra tudo e tal e eu gostava muito de brincar com cavalo de pau, você… o cavalo, você nem pode imaginar o que é, um cavalo de pau, quer dizer, nós tinha carnaubeira lá no Ceará, é mais ou menos parecido com a palmeira, então ela dá tipo assim, dessa altura, que cai e fica assim aquela cabeça que… até assim aqui, é tipo uma cabeça, a gente seca assim do lado, ai faz as orelhas parecido… o meu irmão faz… parecido com as orelha de um cavalo, né, faz bem a cabecinha do cavalo na cabeça do talo da carnaúba, ai faz os arreios, cabresto, puxava assim, amarrava no talo e você saía… botava aqui como se tivesse a cavalo, mas você era quem corria (risos). Mais ou menos era uma das brincadeiras da gente, né? E a outra é brincadeira mesmo, no galamarte, né, que é um pedacinho de madeira, que é furado assim, faz assim, coloca assim, enfia do lado, que ela fica assim, então um senta do lado e o outro do outro, é um balanço, né, vamos supor, lá chamava galamarte, na linguagem cearense era galamarte, um balanço, uma cadeirinha de balanço, né, a gente rodava muito naquilo e tal. Era mais ou menos esse tipo de brincadeira, né? Ou a brincadeira da noite, de roda, né, os primos, os irmãos, mais ou menos assim.

 

P/1 – Deixa eu perguntar para o senhor, quando o senhor mudou para São Paulo, o senhor…

 

R – Não, para o Rio de Janeiro.

 

P/1 – Para o Rio de Janeiro, conta pra gente como que foi essa mudança, o senhor trocou carta com alguém?

 

R – Como assim?

 

P/1 – O senhor chegou a mandar alguma carta lá pra tua cidade? Recebeu carta de alguém?

 

R – Pois é, hoje eu tava… hoje eu choro com saudades das cartas, assim, o modo de dizer, porque quando a gente… a gente não telefonava, naquele tempo, tinha o telefone, mas era só pras pessoas de alto gabarito, né, a gente quase não usava telefone. Então, a gente ficava muito apaixonado assim, por exemplo, quando eu cheguei, tinha muita saudade… hoje, eu ainda tenho, mas naquele tempo era mais, né? Ai, eu tinha muita saudades dos meus pais, dos meus irmãos, dos amigos, né? Então, a gente sempre se escrevia uma carta, todo mês mandava, no mínimo, duas cartas por mês: “Tá tudo bem aqui, tal, eu to fazendo isso, eu to fazendo aquilo…”, e de lá, os pais respostava a carta: “Aquilo que você deixou tá assim… e tá com saúde e etc.”, então a gente tem saudade, por exemplo, eu choro de saudade das cartas, porque seria muito importante se eu, naquele tempo, tivesse a cabeça que eu tenho hoje, eu teria guardado as cartas, que ai eu teria as cartas até com os envelope, né? Tinha até um detalhe, que talvez você nunca pensou de saber, quando… por exemplo, se morresse uma pessoa minha lá, uma pessoa da família que fosse bem intima, a carta que viesse pra mim era comprado um envelope com emblema de luto. Então, quer dizer, vinha umas caixinhas preta, em preto de um lado, branco do outro, fazendo aquele caracolzinho, era um envelope que chamava “carta de luto”, então significava que tinha morrido alguém daquela família, ai a carta… graças a deus que eu não recebi nenhuma carta assim, mas se acontecesse, com as famílias que aconteceu, as cartas durante, mais ou menos os primeiros dias do luto, se mandasse duas vezes a carta, vinha de luto, ou telegrama assim, ou seja, né? Então, eu não sei se o Correio tem algum dessas cartas arquivadas, vou até quando eu for no Ceará, vou procurar saber lá, porque tinha esse detalhe no Correio também, se morresse… porque as pessoas eram muito sentimental quando morria uma pessoa, por exemplo se fosse pai e mãe, você tinha que andar sempre com um sinal preto na roupa durante uns oito mês e até um ano se fosse o caso, né, se fosse um irmão, era três mês, quatro, assim por diante, tinha mais ou menos esse detalhe e hoje o luto existe, mas como uma coisa simbólica, né? Por exemplo, a gente vai a uma missa de sétimo dia, ou a um enterro, não vai com uma roupa vermelha, né, você bota uma roupa mais sóbria, né, não é assim que acontece? Pois é, então é mais ou menos esse detalhe assim que era o nosso país, as nossas coisas, né? Uma vez, eu estava numa missa lá no Ceará, numa cidade, chama Viçosa do Ceará, uma cidade histórica, muito bonita, nasceu até um grande… um grande… como se diz? O primeiro jurídico do Brasil, né, que fez o código jurista nasceu lá, Clóvis Beviláqua, se você procurar pela internet, vai encontrar. Então, o monsenhor Expedito que tinha nascido naquela cidade, mas que era padre em outra cidade, ai ele tava… foi ele que celebrou lá naquele dia, já com um pouco de idade, mas celebrou. Ai, ele fez essa observação sobre as cartas e naquele dia, eu guardei assim, um sentimento muito grande, ele disse assim: “Ah, hoje eu tenho vontade de…”, falando assim, porque ele era seminarista, estudava em Fortaleza e o seminarista costuma visitar os pais de ano em ano e etc., ai ele disse: “Eu choro de saudades das cartas que eu recebia dos meus pais, como eu gostaria de encontra-las hoje, o tempo levou e eu não sei onde está” (risos), eu diria a mesma coisa, né, como eu tenho vontade de chorar de saudade das cartas que eu recebia lá na Rua Paula Freitas, em Copacabana foi o meu primeiro emprego, né, lá, quando eu tinha 23 anos de idade. Ai, quer dizer, não tem como dar um jeito, que eu não vou encontrar, né, que aquilo você recebia, lia, guardava ali por uns dias, depois, lia outra vez, acabava, esquecia e jogava fora. Era mais ou menos isso. Mas, você vê que as pessoas, as altas personalidades, né, naturalmente, que eu visito muitos museus, muitas coisas, e eu… esse pessoal da monarquia, eles guardam as cartas deles todos, né, eles recebiam, naturalmente que a… a nossa presidente, ela recebe uma carta ai de uma personalidade, ela não vai jogar fora, né? Naturalmente, aquilo ela guarda. Eu penso que é assim, né, porque eu tenho um documentário, se você visse o meu documentário que eu tenho que eu coleciono, tá lá no Ceará, há muitos anos eu venho fazendo isso, por exemplo, sai uma noticia da revista “Veja”, ou “Isto É”, ou do “Jornal do Brasil”, ou do “O Globo”, etc., a noticia me chama atenção, então eu tiro a folha e até me deu muito trabalho e até despesa, porque eu costumava plastificar, hoje eu não plastifico mais, mas eu tenho mais ou menos, umas… acredito, seiscentas folhas ou mais de papel oficio, de jornal ou revista, que dá o tamanho do papel oficio, tudo plastificado, é bastante até pesado, porque o plástico pesa, né, ai foi dando peso, hoje eu guardo mais no papel quando tem uma novidade, tal, por exemplo, tem uma foto que saiu há uns oito anos atrás do piloto que fez a… dirigiu o avião que soltou a bomba em Hiroshima. Então, quer dizer que ele foi quem lá do avião, quem detonou a bomba. Ai, um ano desses tiraram dos arquivos a foto dele, ai tá ele… a bomba que ia soltar assim, e ele assim, do lado, a foto. Ai, ele tá… e embaixo, o letreiro: “Salvei a guerra”, porque depois daquela bomba que a guerra acabou, né, mas quer dizer, quanta destruição, né, com a bomba de Hiroshima, então são mais ou menos esses noticiários assim, que chamam a atenção, eu guardo a folha, né? Fotos da… por exemplo, eu tenho uma foto da Princesa Isabel, quando ela tinha 16 anos, pintor pintou ela muito bonita, tal, adolescente, ai então, quer dizer, a revista mostrou a foto da Princesa Isabel pintada, mostraram ela, então são mais ou menos por esses detalhes que eu colecionei. Tem outras coisas mais do Brasil e de muitas coisas, né? Fotos, né, tem muitas fotos colecionadas e hoje em dia, eu tiro muitas fotos quando eu ando, mas ai eu ponho mais no CD, né, por exemplo, CD… hoje mesmo eu visitei a… o… já fui lá muitas vezes, mas fui lá hoje, por ser o mês de novembro, que é o mês dos mortos, né, dia de Finados, eu fui no Monumento dos Mortos, então aquela quadra lá, não sei se você conhece lá no Flamengo, já passou do lado? Ou já foi lá? Pois é, então, lá dentro tem a quadra, onde tá os restos mortais dos… e como se passou o dia de Finados, ele tá todo enfeitado, né, botaram a imagem da Nossa Senhora Aparecida, que fica na quadra e a cruz, aquela cruz e guardou a quadra lá do cemitério em Pistoia, então a imagem de Nossa Senhora, as mães daqueles soldados mandaram pra lá e depois, ela voltou de novo. Então, são mais ou menos aqueles dados históricos que eu costumo visitar pelo Brasil a fora, né, por todos os lugar que eu já andei, por muitos lugares eu já… tive oportunidade de… visitei mais de 300 lugares no Brasil, cidades históricas, assim, perto do cortejo e já tive o privilegio de pisar em 14 estados do Brasil.

 

P/1 – Seu Jonas, como que o senhor foi parar na Gloria? Trabalhar na portaria…?

 

R – (risos) Não, isso ai é uma história muito longa. Eu trabalho na portaria desde aquele ano que eu cheguei, comecei a aprender como garagista, faxineiro e tal e o prédio mais longo… assim, o tempo mais longo que eu trabalhei de porteiro foram 26 anos, foi lá no Leblon, mas eu sai de lá três anos atrás, fiquei um ano no Ceará, que eu já tô aposentado, né, então eu tive vontade assim de ficar sem trabalhar um tempo, até tenho saudade de lá e tal, mas tô vivendo aqui… ai, resolvi passar um tempo lá no Ceará. Ai, depois, eu tinha muita saudade daqui… tinha saudade de… eu tenho dois filhos e tenho três netos, então eu tinha muita saudades deles e tinha saudade… até a saudade deles dava pra controlar, mas tinha mais saudades era do lugar, ai eu voltei e tô passando mais um tempo por aqui. Ai, fui parar lá na Gloria, através de conhecimento, etc., quem tem a profissão, apesar que o pessoal… tem algumas pessoas que têm preconceito com quem já tá mais velho: “Tá muito velho pra trabalhar”, mas tem outros que não têm. Tenho muita responsabilidade e exerço a função de porteiro com bastante dignidade.

 

P/1 – E como que o senhor veio parar aqui na Brasiliana?

 

R – Como assim?

 

P/1 – Como que o senhor veio parar aqui na Brasiliana?

 

R – Aqui?

 

P/1 – Nesse evento. É…

 

R – Pelo… eu vim olhar a exposição?

 

P/1 – Isso.

 

R – Porque sempre eu ando muito na cidade, como eu tenho… moro… trabalho ali na Gloria, perto da cidade, eu tenho até bastante tempo, porque eu dou um plantão de 12 horas e paro 26. Então, eu tenho bastante tempo de andar, como eu gosto muito… ai, eu vi o letreiro lá no metrô: vai ter uma exposição no Pier da Praça Mauá de selos, ai eu fiquei…

 

P/1 – E o senhor gosta de selos?

 

R – Gosto, eu gosto, mas… apesar de… como se diz, ser admirador dos colecionador, mas colecionador tem que ter muito tempo e muito dinheiro (risos), ai eu não tenho, eu tenho pouco tempo e pouco dinheiro, ai fica mais difícil colecionar, mas eu tenho um selo muito importante, que é o selo do Jubileu, né, do ano 2000, quer dizer, 500 anos do Brasil, que saiu o selo, eu comprei, no caso, eu tenho ele. Outros eu não tenho não, mas eu acho muito bonito quem coleciona, porque precisa ter muita sabedoria, né, pra poder… os colecionadores, em si, levam anos… por exemplo, você pode imaginar um colecionador que formou Museu das Conchas, conchas quer dizer, conchas do mar, se um dia você tiver a oportunidade, quiser ver o Museu das Conchas, é lá na cidade de Mangaratiba, no prédio histórico, na casa histórica que era do Barão de Saí, que era um dos mandatários naquele lugarejo. Então, doutor… eu esqueci o nome dele, sei que ele colecionava conchas do mar de vários lugar do Brasil, lá tem a maior concha do mundo, quando uma das maiores conchas que já foi encontrada do mundo foi encontrada na Austrália, né, e ela dá mais ou menos, um metro e quarenta e pouco de comprido, por 70 de largura e 40 e pouco de altura, né? Mas é tão lindo, se você ver, você passa assim, a mão por dentro, é uma perola, né, assim, amarelada, a coisa mais linda que eu vi. Agora, se você passar por fora, tem que ter um jeitinho para não se cortar, é como se fosse uns espinhos, é uma concha do mar e segundo eles lá, pessoal de lá, só existe daquele tipo, três no mundo todo, até hoje, só foi detectado três pecas daquela, uma tá aqui no Brasil e as outras duas em outro lugar do mundo. Porque quando ela se abre, ela vive por muitos anos, ai tá no mar, quando se abre aquela… a lesma, né, que fica dentro, quando ela morre, a concha se abre, ai uma das peças… raramente afunda, né, e por acaso, uma peca daquela tão grande e tão pesada vai logo afundar, mas não sei, pessoal diz que tem três no mundo. E as outras a gente apanha mesmo, na areia, né? Elas são reduzidas, né? mas lá na arte catedral, na sala de entrada tem uma muito bonita também, que não é muito pequena, veio de Portugal, uma concha imensa assim, muito linda. E mais ou menos esse tipo de conhecimento que… e ele levou 30 anos colecionando, para catalogar tudo, porque o problema do colecionador, tem que catalogar, dizer de onde é, quando encontrou, etc., né?  Então, tem umas coisinhas lá pelo Ceará, mas precisa ter tempo para catalogar, porque como eu tenho memória muito boa, ainda é possível relacionar tudo o que tem lá, coisa que eu guardei há dez anos, há vinte, eu sei de onde veio, né? E eu tenho uma… assim, um hobby, cada lugar que eu vou, eu sempre trago uma pedrinha de onde eu vou para guardar, pedra que eu encontrei em qualquer lugar, ou maiorzinha, ou mais pequena, então a maioria delas estão lá no Ceará, eu pretendo, um dia, fazer um monumento com elas (risos). Umas mania, né?

 

P/1 – Seu Jonas, então para finalizar, eu queria que o senhor falasse quais são os seus sonhos e aspirações para o futuro

 

R – Eu acho que no tanto de vida que eu tenho, já… as aspirações do futuro já estão bem poucas, né? Mas assim, nunca acaba, né? Minha aspiração para o futuro é ter o resto da minha vida em paz, conforme eu sempre vivi, com muita paz, muita harmonia com todas as pessoas. Terminar o restinho de vida em paz, no meu… na minha cama, sossegado, conforme a doença que Deus me der. Isso que eu tenho vontade, viver mais uns… eu, não digo assim: “Viver mais dez anos ou vinte”, eu quero viver os anos que Deus me conceder, ou um, ou dez, ou vinte, a vontade dele é a que prevalece.

 

P/1 – Em nome da parceria do Museu da Pessoa com os Correios, eu agradeço o senhor por ter falado um pouquinho do seu…

 

R – (risos) Obrigada! Eu acho que eu até falei mais do que precisava, né?

 

P/1 – Imagina! Foi ótimo!

 

R – Porque do Correios, eu passei pra outras coisas, né?

 

P/1 – Foi ótimo!

 

R – Fez mal, não?

 

P/1 – Não, imagina! Tá perfeito.

 

 

FINAL DA ENTREVISTA

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