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História de: José Trajano Reis Quinhões
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/04/2019

Sinopse

Embora herdeiro do nome do avô paterno, foi com o avô Zé Reis que Trajano viveu intensamente sua condição de neto. Foi, inclusive, o avô materno quem cumpriu à risca a sina do nome: Zé Reis mantinha seu reinado numa fazenda em Rio das Flores, divisa dos Estados Rio de Janeiro e Minas Gerais, palco das férias do neto. Já o vô Trajano, para fazer jus ao histórico nome de imperador romano, era bruto, duro. Mas foi em homenagem aos dois que o menino, o então netinho, foi batizado: José Trajano. Se dos avôs recebeu a graça, do pai aprendeu a amar o Ameriquinha, o então clube onde passou grande parte da juventude. A entrada precoce ao mundo do trabalho foi bem sucedida por aproximá-lo do tema que mais gostava: futebol. Assim, aos 16 anos, José Trajano começa na editoria de Esportes do Jornal do Brasil. Hoje, é referência no jornalismo esportivo, com destaque no futebol, e mantém programas de entrevistas no seu canal do YouTube, Ultrajano.

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História completa

Era o maior espetáculo da terra: imagina você ver um jogo de futebol na frente da sua casa? Aquele pessoal descendo do bonde com bandeira, bumbo, cantando: “América! Camisa!” Era um espetáculo! Quando a minha irmã Maria de Fátima nasceu, nossa casa no Méier ficou pequena; então nos mudamos pra Tijuca, em frente ao América. América, que até hoje é meu time do coração! Eu falo muito do América, escrevo sobre o América, o pessoa me para na rua: “E o Ameriquinha, como é que vai?” Essa paixão nasceu graças ao meu pai. Tem muito essa coisa do filho torcer pelo mesmo time do pai, né? Quer dizer, além de ter me transformado num amante do América, de me levar ao Maracanã, ele também me passou o gosto pelo futebol.

Eu ia ao clube todos os dias. Porque o América não era um time de futebol, era um clube. Lá tinha um campo de futebol de salão e de basquete e a piscina. E qual era a melhor coisa do mundo? Chegar do colégio, deixar a pasta em casa e correr pro América! Eu joguei basquete, joguei futebol de salão, nadava, tinha um cinema! Todos os dias o América me conquistava.

Quando eu tinha 16 anos, meu pai foi perguntar pro Luiz Orlando Carneiro, um primo que trabalhava no Jornal do Brasil, se não tinha alguma coisa pra eu fazer na redação. Meu primo falou: “Passa lá!” Fomos. Eu não sabia nem bater a máquina! E ele: “Você gosta de fazer o quê? Você gosta de esporte, né?” “Gosto!”, então me botou lá na editoria de Esportes. Imagina: um estudante que de repente vira um cara trabalhando numa redação de jornal! Com a idade que eu tinha, virei um cara adotado pelos maiores! Tive muita sorte. Todo mundo me tratava como irmão mais novo.

Eu saía toda noite com os caras, tudo mais velho, né? Conheci os bares, as festas e tal. A gente ia muito pro Lamas, um bar que tem até hoje - não é o mesmo Lamas, mas é o Lamas! Era um bar de jornalistas, todos fumando, não fechava de madrugada, era uma boemia danada. Um dia, meu pai foi no jornal, chegou na nossa seção e perguntou se pra ser jornalista tinha que chegar todo dia de madrugada e de cara cheia! Eu morri de vergonha!

Descobri um mundo novo, afinal, eu ainda era muito jovem: 16 anos! Os caras já advogado ou jornalista formado, há anos na profissão! E me levavam pra cima e pra baixo. Me ensinaram não só na profissão como na vida, como companheiro de vida. Eu comecei estagiando e não saí nunca mais!

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