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Histórias do Mercadão

História de: Hugo Rosário Saporito
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 31/10/2016

Sinopse

Hugo Saporito nos conta a respeito de sua ascendência italiana, a vinda de seus pais para o Brasil e o emprego de comerciante no Mercado Municipal, na época em que ele foi fundado. Depois, fala do tamanho das feiras livres da cidade e do crescimento exponencial do Mercadão enquanto centro de varejo na capital. Hugo também fala dos costumes, das amizades e de causos que aconteceram enquanto trabalhou no Mercadão. Em seguida, diz como passou para o outro lado do rio, virando dono de armazém na Zona Cerealista. Comenta então acerca do atacado nos anos 60, os produtos que eram vendidos e o seu amor por carros. Por fim, Hugo nos fala sobre sua participação no SAGASP e seus sonhos para o futuro.

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História completa

 

Meu nome é Hugo Rosário Saporito, nascido no dia vinte e nove de abril de 1924, São Paulo. Meu pai? Era Francesco Saverio Saporito. Nasceu na Itália. Minha mãe se chamava Angelina Giapetta Saporito. Meu pai veio para cá com 15 anos. Na Itália, ele não tinha praticamente o que comer, naquele tempo. Você imagina que… nem sei o ano que ele nasceu. Então, ele mais um amigo dele com 15 anos, vieram para o Brasil.

Foi uma viagem de terceira classe ou qualquer coisa assim. Eles não tinham condição e ele veio quando tinha 16, 17 anos, que ele ficou aqui na casa desse amigo que o pai dele já estava morando aqui, então eles vieram junto, mas estavam morando aqui, aí ele começou a trabalhar. Naquele tempo, São Paulo não tinha luz elétrica nas ruas, era lampião a gás, então, ele de noite ascendia o lampião e de manhã, apagava o lampião, era um emprego já que ele tinha. Depois, quando era sete, oito horas da manhã, não sei que horas eram, naquele tempo, tinham os balaios grandes, redondos, que o pessoal punha aqui para vender, então, ele enchia de frango, de ovos e saía para vender na rua isso aí, porque São Paulo era desse tamanho, né, São Paulo era… para você ter ideia, eu nasci na rua Quirino de Andrade, no centro da cidade, não tinha maternidade, nasci em casa, normal e ele começou a trabalhar… e foi indo assim. Em São Paulo tinha mercadinho, não tinha mercadão, tinha mercadinho só. Mercadinho que vendia todos os gêneros alimentícios e ele foi trabalhar no mercadinho numa firma que eu não me lembro o nome. Como o meu pai foi muito inteligente, graças a Deus, aí ele foi trabalhar no mercado. Depois de um determinado tempo, ele alugou um box no mercadinho, para ele sozinho. Era no Anhangabaú. Mercadinho Anhangabaú, chamava. E aí, em 1933, foi inaugurado o Mercadão e ele tinha direito a um box porque ele já era do mercado. E ele ficou com um box no Mercadão. Mas naquele tempo, o Mercadão não tinha movimento, porque São Paulo era tão pequeno, que tinham dois ou três mercados, tinha um mercado na General Carneiro, quando termina a General Carneiro, tinha um mercado lá, eles inutilizaram aquele mercado para todo mundo ir para o Mercadão e os consumidores não queriam andar aquele pedaço da General Carneiro até o Mercadão, e o Mercadão foi um fracasso naquele tempo, aí não vendeu nada, começou a ter problemas. Aí, ele foi para a feira. Ficou com o Mercadão, teve um tio que ficou no Mercadão tomando conta e ele foi para feira, uma banquinha na feira e foi para a feira, naquele tempo, os caminhões eram Ford Bigode, ele foi para a feira e foi tocando o negócio assim. Depois, aí naquele tempo, não tinha supermercado, não tinha nada, feira era supermercado, as bancas de feira eram um sucesso fantástico e eu fui com ele para a feira, fui trabalhar com ele na feira. E a feira foi um sucesso. O que se vendia de mercadoria lá era uma coisa incrível, inacreditável, nosso ramo era cereais, arroz, feijão, batata, cebola, essas coisas tudo aí, e daí, nós partimos para outra luta. E ele ficou com o mercado também, eu tenho dois irmãos solteiros, tenho um irmão e uma irmã e ele foi para o mercado, ele ficou com o mercado… Nas feiras tinha tudo, né, verdura, galinha, frango, tinha as sessões especializadas para isso. Vendíamos tudo na concha. Abria o saco de arroz… vinham sacos de arroz de 60 quilos, aí você punha uma tabua, montava o toldo, tudo direitinho, você punha uma tabua e punha os sacos e começava a vender. A embalagem era saquinho de papel de um quilo, dois quilos, cinco quilos, dez quilos e foi assim. A gente pesava, inclusive, começou com as balanças de peso, né, tinha balança que não era balança automática, no meu tempo, comecei com balança de peso, tinha peso de meio quilo, um quilo, dois quilos, cinco quilos dois pratos.

Você comprava na rua Santa Rosa, pesava com aquelas balanças que tinham, hoje é a de médico, naquele tempo, pesava os sacos de 60 quilos e assim. Comprava dos atacadistas da rua Santa Rosa. Aí, depois, com o tempo, é que nós começamos ficando empresários…Eu só trabalhava. No Natal… o Mercadão depois foi um sucesso fantástico. O que se vendia lá de nozes, castanhas, figo era uma loucura.

Vendíamos gêneros alimentícios básicos, mas nas festas, passava a vender azeitona, nozes, bom enfim, tudo que era de Natal, porque o Natal naquele tempo era uma festa espetacular, né? Comprava da Santa Rosa e vendia. Santa Rosa era atacado e Mercadão era varejo. Era geral. Tinha gente que vinha lá e comprava cinco quilos de azeitona, por exemplo, três formas de queijo, o Mercadão cresceu de uma maneira espetacular. Eu parei, justamente, quando a Marta assumiu, que transformou esse mercado no que tem hoje, porque não era assim, o mercado. Ele era outro tipo de mercado. O sanduíche de mortadela, que aliás, era em frente ao meu box, era do Mané, o Sanduíches Mané. O pai de quem tá hoje já começou antes… porque o Mané devia ter muitos filhos, ele já morreu hoje estão os filhos lá. Ele devia ter a minha idade e o pai dele que começou os sanduíches lá, ele tinha um boxzinho pequeno no fundo do Mercadão e começou o pai dele, depois, ele foi trabalhar com o pai, que todo mundo naquele tempo fazia isso, né? Os maiores ficavam o pai, sempre, né? Tinha que ficar. Os menores tinham…Tinha fila para comer sanduíche naquele tempo, você tinha que esperar dois, três… era outra época. Não, geralmente ficava arrumado, porque tinha uma espécie de uma cortina, que a gente puxava a cortina e ficava. Você chegava lá, abria a cortina… por exemplo, tinha um saco de arroz que estava mais baixo, você enxia, deixava normal e ficava pronto para trabalhar. Punha o avental branco, né, e ficava lá para trabalhar o dia todo.

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