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Histórias do futebol

História de: Nelson Zeglio
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/01/2014

Sinopse

Em sua entrevista, Nelson Zeglio nos conta seu início no futebol, ainda no campo da Varzea da união Tatuapé, em São Paulo. Após atuar profissionalmente em alguns clubes no país, parte para a França onde passa a jogar, principalmente no Sochaux. Após alguns anos, volta casado para o Brasil e, aponsentado dos gramados, passa a trabalhar na AirFrance, empresa em que atuou por mais de 20 anos. 

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História completa

Quando eu morava na Rua Platina, a gente atravessava a linha do trem e ia até a avenida andando, era tudo com matinho raso. Hoje não tem vestígio nenhum do passado, são muitas casas, sobrados, está tudo diferente. Eu jogava bola no campo de futebol do time União Tatuapé, que tinha por ali.Na época era uma bola feita com uma bexiga. Enchia-se ela e depois, por fora, passava-se um cordão. Não tinha válvula como as de hoje. Era pesada! Uma vez, num jogo na chuva, um cara meteu aquele chutão e a bola veio na minha cabeça e eu abaixei. O goleiro ficou louco, mas se a bola batesse na minha cabeça, afundava para o pescoço! . Eu quero contar pra você uma coisa que eu nunca declarei pra ninguém. Eu sempre fui centro avante. Nunca fui técnico, o meu negócio era marcar gol. Acontece que um dia eu fui bater um corn. Ninguém acredita, mas o pessoal do Tatuapé sabe. Eu dei o corn, mas com o vento a bola subiu, eu corri e fiz o gol. Ou seja, eu mesmo bati e fiz o gol! A turma me chamava de Maria Louca, porque o beque para me marcar precisava ser forte. Como eu era bom jogador, veio um senhor de São Joaquim da Barra, chamado Barqueta. Ele foi procurar um centro avante e pediu informação para o barqueiro da região, afinal, o barbeiro e jornaleiro sempre sabem de tudo. Quando perguntou, o barbeiro disse que tinha um meio topetudo, e esse Barqueta veio me buscar. Quando veio falar comigo ele tinha um caminhão Chevrolet 49, e me levou para São Joaquim da Barra. Quando eu cheguei lá, perguntei pra mim mesmo aonde eu tinha ido amarrar o meu burro! Até o pano da mesa de bilhar era vermelha! . E então eu fiquei na cidade. Fiquei nessa cidade e foi aonde eu comecei a jogar como profissional. Uma coisa interessante é que uma vez o Palmeiras foi jogar lá em São Joaquim da Barra com aquele time: Lima, Pipi, era um time fabuloso e nós éramos amadores! O goleiro desse time do Palmeiras era o Oberdan. Eu fiz um gol de virada de corpo nele e ganhamos o jogo por dois a um.O meu estilo era tipo rompedor. Pra mim não tinha nada de técnica. Aí o Uberaba Esporte uma vez me pediu emprestado para jogar uma partida. Eu pedi 10 mil reais para fazer um jogo só e eles me deram. O Uberaba jogou com o Uberlândia uma semana antes em Uberaba, e perderam de dois a um. Me pediram para jogar em Uberaba e eu fiz cinco gols, o jogo foi cinco a zero. Depois disso o Uberaba quis me contratar e eu disse tudo bem. Fizemos um acordo e eu fui pra lá. De Uberaba eu fui para  a Europa.   Um dia fomos jogar lá pra cima do Brasil eu tinha um relógio Roscoff antigo, de por no bolso. O Feola, que era técnico nessa epoca. Quando voltamos eu percebi que esqueci o relógio na cama do hotel. Ai o Feola disse que não era pra me preocupar, porque mandariam um avião para ir buscar. Depois disse que o avião havia trazido, mas o relógio tinha caído pela janela! .Eles tinham é pego o relógio. Conheci também o Leônidas da Silva. Quando ele jogava eu não jogava, eu era reserva dele. Tanto é que teve uma Copa Cidade de São Paulo, que eu fiz um gol e depois ele veio me falar que aquele gol, até a mãe dele fazia. Pois é, isso era porque eu fiz, se fosse ele, era uma beleza de gol! De fato, ele era um grande jogador. Antigamente os jogadores eram bons. Hoje em dia eu não aguento mais ver jogo, é muita velocidade e pouco futebol. Corinthians, Palmeiras, São Paulo, é tudo igual.

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