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História

Histórias de um taxista

História de: Valdir Folgueral Rodrigues
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 31/05/2016

Sinopse

O taxista Valdir Folgueral Rodrigues dirige um carro elétrico na cidade de São Paulo. Em seu depoimento ao Museu da Pessoa, ele conta sobre sua família e a infância passada no bairro do Jardim Peri. Valdir começou trabalhar aos 13 anos como office-boy em uma agência de turismo e desenvolveu uma carreira de 36 anos neste segmento. Ele conta como era a sua vida trabalhando no Turismo e como decidiu largar tudo para ser taxista. Descreve como é trabalhar com um carro elétrico, fruto de uma parceria entre a Nissan, AES Eletropaulo e Prefeitura de São Paulo. Por fim, fala de seus relacionamentos, dos cinco filhos e da netinha.

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História completa

Meu nome é Valdir Folgueral Rodrigues, nasci em 17 de novembro de 1963, na cidade de São Paulo, capital. Meu pai é Manuel Folgueral Rodrigues e minha mãe Terezinha do Menino Jesus Folgueral. Meu pai é encanador, minha mãe era do lar. Foi doméstica e depois que casou só do lar, só cuidou da gente. O colégio que eu estudei lá até a sétima série do ginásio. É Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Professor Antônio José Leite. E na época era só um prédio, depois construíram o segundo prédio com a quadra esportiva. E depois eu mudei para um outro colégio que construíram, que era o Colégio Guilherme de Almeida, que também existe até hoje.

Eu falo que eu não tive adolescência porque eu comecei a trabalhar com 13 anos de idade. Completei 13 anos em novembro, dia 17, dia 15 de dezembro de 76 eu começo a minha vida profissional, começo como office-boy numa agência de turismo, a maior agência de turismo da época do Brasil, a Transeuropa Turismo pra ser office-boy do presidente da empresa. Depois eu passei pra arquivo, de arquivo eu fui pra Contabilidade e fiquei dentro da parte de Contabilidade até 86. Pude viajar pra vários locais, então, Londres, Paris, Estados Unidos, Miami, Nova York, Califórnia. Fui trabalhar com 13 anos com Turismo e trabalhei até três anos atrás. Foram 36 anos voltado pro mercado corporativo. Então dentro desse período passei por várias etapas.

Um momento difícil da minha vida, eu estava como gerente pra São Paulo de uma das maiores agências de Minas Gerais, e financeiramente não estava sendo legal. E eu cheguei e falei pra minha esposa atual, porque eu venho de dois casamentos e falei assim: “Mari, deu pra mim, eu vou ser taxista. Chega”. Ela falou: “Bom, você que sabe”. Eu falei: “Cara, não dá mais pra mim, chega, me manda embora”. Fizemos um acordo, fui demitido e fui encarar ser taxista. Mas eu acho que eu estava correto porque a empresa fechou em São Paulo e na minha gestão estava 35 funcionários. Então eu fico feliz por isso. Ficaria mais feliz se a empresa tivesse crescido, claro, e tivesse hoje cem funcionários. Mas o meu ideal eu acho que realmente não batia, não estava correta a forma de administrar e gerenciar.

Eu comecei com um Classic, que eu brinco lá na frota que todas as peças faziam barulho menos a buzina. Depois eles me deram um Logan. E depois eles me passaram para um carro elétrico. Esse carro estava parado lá, eles estavam procurando um motorista que tivesse um perfil pra poder dirigir o carro. Eles já tinham oferecido a algumas pessoas com mais tempo de casa, mas essas pessoas não aceitaram o carro. E me ofereceram o carro. No início eu fiquei um pouquinho com medo, mesmo vendo o carro, o carro sendo muito bonito, confortável, tal, mas falei: “Poxa, mas aí eu não posso viajar, se eu tiver pouca carga, tal”. Mas eu não poderia dizer não pra empresa, primeiro porque eles me deram uma oportunidade, eu nunca tinha trabalhado com táxi e essa empresa me aceitou dentro do quadro dela. E também eu não posso dizer não para algo que eu não testei, eu tenho que testar primeiro, pontuar e falar: “Isso aqui não funciona. Não funciona por causa disso, disso, disso e disso”. Pronto. Então pra fazer isso eu teria que trabalhar com o carro. E já tem dois anos e meio que eu estou com o carro, nesses quase três anos de táxi. Então eu sou super fã do carro elétrico, não só pela parte ecológica, mas pela praticidade, o conforto e silêncio, o carro é maravilhoso.

Os primeiros 15 dias foram difíceis. Porque o tempo de freada dele é diferente, eu acabei batendo o carro duas vezes. Por falhas minhas. Eu ficava desesperado. Por exemplo, estava com 30 quilômetros eu achava que não dava pra rodar mais nada. Trinta quilômetros eu ainda rodo 60. Foram 15 dias para eu me adaptar ao carro. Hoje eu não sei trabalhar com outro carro, eu não sei. Se eu ficar com um carro a gasolina eu não vou conseguir fazer o que eu preciso fazer na rua.

Isso é um projeto da Prefeitura de São Paulo, da gestão anterior ainda, com a AES Eletropaulo e a montadora do veículo, que é a Nissan. A Nissan disponibilizou esses dez carros pra prefeitura. A Prefeitura, por problema burocráticos, não pôde deixar esses carros na CET, então esses carros ficaram sob a responsabilidade da Adetaxi, que é a Associação dos donos de empresas de frotas. E a Eletropaulo entrou na parceria fornecendo as máquinas de recarga rápida, são quatro máquinas, ela forneceu e fornece a energia pros carros nessas máquinas. Embora o carro tem que passar também por uma carga lenta, que é feita em casa em qualquer tomada 220 igual o seu celular. Você chega em casa, põe o carro na tomada, em até cinco horas ele está carregado. Num custo de dois reais, dois reais e pouquinho por dia pra rodar esses 160 quilômetros que o carro tem de autonomia. Dentro das máquinas de recarga é subsidiado pela Eletropaulo e por isso que tem a publicidade da Eletropaulo no carro. São quatro pontos de abastecimento espalhados nos pontos cardeais da cidade. Tem um na Zona Norte, um na Zona Sul, na Leste e Oeste. A logística funciona assim, digamos, não é muito lógica. Porque o táxi hoje eu estou aqui, agora, nesse momento. Terminando eu vou ligar o aplicativo, posso pegar uma corrida aqui e me levar pra Osasco, pra Alphaville. E eu já vou ter que ir para um ponto de recarga porque ele vai me consumir muita carga. Então a logística, não existe uma logística lógica. O que eu desenvolvi no meu dia a dia foi: não ficar nunca com menos de 30% de carga no carro. Se aqui tivesse uma tomada eu colocaria. Posso bater numa casa e pedir: “Por favor, me empresta uma tomada?” e posso no posto de gasolina. Normalmente, quando isso acontece, a gente para no posto, o posto tem tomada 220 na maioria das vezes no compressor de ar, então até isso a gente vai aprendendo. E a gente pede, claro, explica. Olha, eu vou te dizer que só uma vez um posto de gasolina me negou, cara. Mas depois eu encontrei um outro na frente que foi muito gentil e autorizou. Porque o consumo é muito pequeno. E acabo explicando o carro, a gente mostra o carro por dentro, mostra o motor, mostra o funcionamento do carro. E é até interessante para os postos. No Rio tem 20 carros rodando, desse Leaf. Eu vou falar pra você que tem vinte e seis carros circulando. Que são os 20 do Rio e os nossos seis aqui. Eu sei que tem a montadora, se eu não estiver enganado é a Fiat, com parceria com a Itaipu, com a hidrelétrica, que existe o modelo dela rodando lá. Não sei te precisar quantos carros, mas existe. A Fiat já tem também esse carro elétrico rodando por mais de dois anos dentro da usina.

Todos os passageiros que entram no carro, raríssimas exceções, querem saber sobre o carro. Chama a atenção o carro. “O seu carro é diferente, como ele é? Nossa, o painel dele, o câmbio”. O pessoal confunde a alavanca de câmbio com câmbio. Câmbio, a gente não vê o câmbio do carro, ele está escondido. Já tenho clientes que me fidelizaram. É uma pena, gostaria que fosse só pelo meu serviço, mas é pelo carro

 

 

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