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Histórias da DMAN

História de: Anderson Ribeiro Campos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 28/10/2021

Sinopse

Anderson Ribeiro Campos nasceu no Rio de Janeiro, em 05 de setembro de 1974. 

Foi uma criança não planejada, fruto do namoro de Katia Ribeiro Barbosa e Waldenir Campos. Após a separação dos seus pais, foi criado na casa de seus avós e tem no avô, Seu Barbosa, a referência masculina da primeira infância. Sua avó trabalhava no hospital Salgado Filho na parte de esterilização dos equipamentos, e seu avô primeiro trabalhou em transporte e depois na construção civil. 

Depois de 4 anos, sua mãe se casou e a nova família passou a ser ele, sua mãe e seu padrasto Fernando, que se tornou a figura paterna mais forte e presente em sua vida. Fernando trabalhava na Petrobrás. Essa segunda relação ganhou três irmãos. Herdou do pai de criação o caráter e o compromisso com o trabalho, e teve nele o maior incentivo para construir a sua vida e suas conquistas.

Sofreu um acidente de carro com o Fernando aos 11 anos de idade e perdeu a visão de um dos olhos. Foi um período muito difícil, mas com muito apoio do pai de criação e de toda família. Este fato fortaleceu a relação dos dois.

Cresceu no bairro de Marechal Hermes. Gostava de brincar de bola e de bicicleta. Influenciado pela mãe adora assistir jogos de futebol e é torcedor apaixonado do Flamengo. Chegou a treinar numa escolinha de futebol do Botafogo.

Sempre estudou em escola pública: primeiro grau Escola Municipal Leonor Posada, segundo grau técnico em mecânica na Escola Técnica Estadual Visconde de Mauá e na faculdade no CEFET. 

Em 1993, concluindo os estudos, ingressou como estagiário em FURNAS indicado por um vizinho. Começou trabalhando na oficina mecânica do Escritório Central em Botafogo.  Trabalhou na manutenção do escritório por 25 anos, passando pelas funções de estagiário, mecânico, técnico, encarregado de setor (quando passou concurso e passou a funcionário), coordenador de operação, coordenador de engenharia e subgerente da Divisão de Manutenção. Ressalta a importância dos profissionais, dos ensinamentos e das experiências que adquiriu com as pessoas de todos os níveis hierárquicos de FURNAS. 

Abandonou os estudos de engenharia no CEFET no sétimo período por causa do trabalho. Mas reconhece que o período na faculdade ajudou muito na sua carreira. 

Conheceu seu pai biológico com 38 anos de idade, em Goiânia, enquanto fazia um curso de liderança por FURNAS em Brasília. Nesse momento, ganhou uma nova família com pai, madrasta, três irmãos e uma irmã. Os dias que passou com eles foram muito emocionantes e de reconhecimento. A partir daí as duas famílias ficaram mais unidas e passaram a conviver.  

Em 2018, devido a desentendimentos com a chefia de manutenção, mudou de área e assumiu um novo desafio como supervisor de contrato na obra de modernização da Usina Termelétrica de Santa Cruz com o aumento da capacidade de geração e implantação do ciclo combinado. A obra está prevista para acabar no primeiro semestre de 2022.

Anderson é casado com a Simone há 22 anos. Eles têm duas filhas, Julia e Luiza. Para Anderson o maior desafio de um homem é ser pai. Pela sua história de vida busca ter uma relação próxima, participativa e de muito companheirismo.

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História completa

Um pequeno excerto sobre a história de Anderson 

 

[...] eu já estava quase pronto para ir embora, me arrumando, já tinha tirado o “azulão”, e, de repente, começou a inundar um andar. Estava surgindo uma água sabe-se lá de onde! E estava inundando um andar inteiro! A água poderia pegar a casa de máquina do elevador, poderia dar uma pane séria, e eu lá, o único ali. Acabou que eu tive que ir lá resolver. [...]



Essa é uma história que FURNAS está diretamente ligada. Eu não lembrava absolutamente nada do meu pai biológico, absolutamente nada. A história que eu conhecia era que minha mãe ficou grávida, eu nasci e eles passaram dificuldades aqui no Rio de Janeiro. Meu pai era de Goiânia, veio morar no Rio sem conhecer ninguém, e não teve tantas oportunidades quanto imaginava. Assim, ele optou por voltar para Goiânia, cidade onde estava sua família e onde ele entendeu que teria mais oportunidades. 

Ele levou minha mãe e eu para Goiânia, e lá a vida de casal não foi fácil e o inverso aconteceu, minha mãe se viu longe de todo mundo, da família, em uma cidade que ela não conhecia, com um homem que estava vivendo a vida dele.  Ela não se sentiu confortável e voltou comigo para o Rio de Janeiro. Nisso, eles se separaram e ele também não nos procurou. 

Isso eu ainda era um bebê, tinha um ano, um e meio. 

Eu lembro que com 38 anos, eu fui escalado por FURNAS para fazer um treinamento, um treinamento preparatório gerencial para as pessoas que estavam despontando como lideranças dentro da empresa. FURNAS selecionou algumas pessoas e mandou para um treinamento em Brasília, inclusive, junto com funcionários de outras empresas, tinha gente da Chesf, Eletronorte, Eletrobras, enfim. Era um treinamento que a gente ficava uma semana no mês, durante três meses, se eu não me engano foi em maio, junho e julho. 

Eu fui em maio e passei uma semana, voltei em junho e passei outra semana, até que no intervalo entre a segunda ida, junho, e a terceira, eu lá em Brasília e o meu pai biológico conseguiu me achar por conta da internet, pelo Orkut ou Facebook, não lembro. Ele acabou me achando e entrou em contato com a minha esposa em casa, e eu já estava em Brasília. E o que eu fiz? Quando eu voltei para Brasília no mês seguinte, eu já esquematizei tudo, mudei a passagem da volta, pedi o voo de Goiânia para o Rio de Janeiro e peguei um ônibus em Brasília e fui para Goiânia conhecê-lo. 

Antes de ir, eu conversei com o meu pai que me criou, que casou com a minha mãe, sentei com ele e falei: pai, eu te amo, você é o meu pai e isso não muda nada, só que tem uma parte da minha história que eu não vivi, tem uma parte da minha história que eu não conheço, tem uma parte da minha história que tem até irmãos que eu não sei, e eu me interesso em saber, eu quero conhecer, eu quero ver, eu quero olhar, eu quero entender minhas origens.

Eu fui de Brasília para Goiânia e conheci meu pai biológico aos 38 anos de idade. Eu vou falar uma coisa, foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Conhecê-lo, ver meus irmãos, reconhecer a mesma gargalhada, o mesmo jeito de falar, foi incrível. 

Nos conhecemos, convivemos um pouco e infelizmente meu pai biológico faleceu no ano passado, em abril de 2020, não por conta da Covid, mas acho que a pandemia influenciou alguma coisa no sentido de o hospital não ter dado a assistência necessária. Vou guardar seu sorriso, meu pai biológico era um sorriso em pessoa. 

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Eu me orgulho de ter construído minha trajetória dentro da divisão de manutenção. Comecei como estagiário, passei para mecânico, virei técnico, de técnico eu fui encarregado de setor, depois fui aprovado no concurso de FURNAS, deixei de ser contratado para ser efetivo, e na sequência fui convidado para ser coordenador de operação, depois coordenador de engenharia e me tornei subgerente da divisão de manutenção. O curioso é que quem me recebeu em FURNAS, a pessoa que me abriu as portas para a empresa, foi o Carlos Alberto de Souza Gomes, que era subgerente da divisão de manutenção. Um amigo até hoje. 

Eu já comecei na antiga DMAN, Divisão de Manutenção, que era ligada à Diretoria de Serviços Gerais. Ficava em Botafogo; a gerência e a parte administrativa da divisão ficavam no 6º andar do bloco C, junto com outras divisões que compunham o departamento de serviços gerais, e a divisão de manutenção tinha setores de manutenção espalhados dentro do prédio central, como por exemplo, as oficinas de mecânica, refrigeração, telecomunicações e elétrica ficavam em um galpão que era anexo ao prédio. A oficina de carpintaria e pintura ficava ali próximo ao bloco B, tinha o setor de operação de centrífuga que era a central de água gelada que ficava no subsolo do C. Cada oficina ficava no seu espaço dentro do escritório central e a gente trabalhava pelo complexo inteiro fazendo serviços, de mecânica, esquadrias de alumínio, de ar-condicionado, de armário, mesa, pintando.  

Eu lembro que numa época, eu pegava o turno das 13:00 às 22:00, o trabalho leve era feito no horário comercial, já os “problemas”, a “braba”, a gente resolvia depois das 17:00, quando o pessoal começava a ir embora. Numa dessas, eu já estava quase pronto para ir embora, me arrumando, já tinha tirado o “azulão”, e, de repente, começou a inundar um andar. Estava surgindo uma água sabe-se lá de onde! E estava inundando um andar inteiro! A água poderia pegar a casa de máquina do elevador, poderia dar uma pane séria, e eu lá, o único ali.

 Acabou que eu tive que ir lá resolver. Eu lembro que eu entrei em um buraco que eu jamais imaginei que existisse dentro de FURNAS. Era um buraco que ficava entre o piso de um andar e a laje do andar de baixo, existia um vão que só entrava alguém se arrastando. Lá tinha uma tubulação de água que alimentava um sistema e essa tubulação tinha rompido. 

Olha, por isso que eu digo que conheço cada buraco daquele prédio. Foram 25 anos trabalhando na divisão de manutenção.



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