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História de: Evauri Rosa de Morais
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 07/12/2004

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História completa



PESSOAL
Nome e nascimento Meu nome é Evauri Rosa de Morais, nasci no dia 13 de Junho de 1951, na cidade de Paranaíba, Mato Grosso do Sul. Pais Dorvalino Rosa de Morais e Ana Cândida Gonçalves. Meu pai é lavrador, sempre trabalhou na lavoura, sempre foi agregado. Ele vivia e morava na fazenda de um tio meu, sempre foi do pessoal da família mesmo. Minha mãe sempre foi do lar, continua sendo do lar até hoje. Avós Do meu avô paterno eu tenho lembrança, mas meu avô materno eu não conheci. O meu avô paterno é Manoel Rosa de Morais, e minha avó, esposa dele, é Marcolina Rosa de Morais. Do lado da minha mãe, o meu avô que eu não conheci, é Atílio Cândido Gonçalves, e minha avó é Maria Cândida de Jesus. Os meus avós paternos são de Mato Grosso mesmo. A minha avó é neta, é bisneta de índio. Inclusive, a minha tataravô foi pega no laço, era índio selvagem mesmo. E meus avós maternos são de origem italiana. Meu avô é filho de italiano. O meu bisavô veio como imigrante para o Brasil. E de lá para a região de Mato Grosso mesmo, de Paranaíba. Sempre eles moraram na região de Paranaíba. Às vezes, mudavam, mas dentro do mesmo município, sempre moraram, e morreram, dentro do mesmo município. Meu avô paterno transportava mercadoria. Na época, ele trabalhava com carro de boi. Ele veio como imigrante, mas o papel dele era transporte de mercadoria. Por exemplo, ele saía com o carro de boi daqui de Uberaba e ia até Paranaíba. Depois, ele saía de Paranaíba e ia até uma cidade a 180 km de Paranaíba, também no carro de boi, para buscar sal, açúcar, querosene. E, em troca, a moeda era toucinho de porco. Na época vendia o capado, matava o capado, salgava e vendia o toucinho em troca da mercadoria. Ou seja, ele levava o carro, meu pai também participou deste trabalho, ele levava o carro cheio de toucinho de porco e trazia cheio de sal, açúcar e querosene. Isso lá em 1920, 21, 22, na década de 20 mesmo. Era uma viagem. Para se ter uma noção, para vir para Minas Gerais, atravessar do Mato Grosso para Minas, atravessava-se o rio Paranaíba - que na época não era represado - dentro dágua, não tinha ponte. Chegava ali, soltava os bois, atravessava, e a mercadoria passava em canoa. Transportava em canoa. Depois, chegava do lado de Mato Grosso ou Minas, pegava os bois, arriava novamente, colocava no carro e mandava ver. Eles tinham dois carros de bois: um ficava no lado de Mato Grosso e o outro ficava no estado de Minas para fazer o transporte, porque não tinha balsa nem ponte na época. A viagem durava 45 a 60 dias, aproximadamente. Eu acompanhei meu pai, mas não foi nessas viagens. Eu acompanhei meu pai com carro de boi nos anos 50, eu já tinha aí 7, 8 anos de idade. Meu pai trabalhava de carreiro com o carro de boi e eu o acompanhei várias vezes, durante alguns anos, mas era serviço regional mesmo, transportando madeira, colheita de milho, de arroz. A gente buscava nas lavouras e transportava da lavoura para a fazenda ou da lavoura para a casa do proprietário. Irmãos Nós somos em nove irmãos. Eu sou o segundo de cima para baixo. Nós somos em três homens e seis mulheres. Casamento A minha esposa é de Iturama. Coincidentemente, eu a conheci por causa de telefone. Ela era telefonista, trabalhava na CTBC também em Iturama e, na época em que eu fazia o plantão lá na CTBC, sobrava tempo para a gente conversar. Ela morava em Iturama, mas ela é de Canápolis. Nós namoramos dois anos, casamos em 1974, mais precisamente no dia 23 de fevereiro. Temos três filhos. Tenho duas mulheres e um homem. A Tânia Cristina Morais da Silva, a mais velha, o Marcos Aurélio, do meio, e a Luciana Morais, a mais nova. Todos estão na faculdade. A Tânia está fazendo o penúltimo ano de faculdade, é História. O Marcos e a Luciana estão fazendo Administração de Empresas. A Tânia está fazendo a faculdade na universidade da UFU. Os outros dois estão fazendo um na Unit e o outro, o Marcos, está fazendo na Uniminas. Eu não tenho nenhum filho casado ainda. A mais velha, que é Tânia, vai se casar agora em outubro, está marcado já para o dia 5 de outubro. Vai ser o primeiro casamento dos filhos. Já, já o papai vai ser vovô. Casa de Infância A minha casa de infância, desde que eu nasci até 1962, era uma casa de pau-a-pique, como a gente chamava. A gente morava na fazenda. A casa onde a gente morava não tinha parede, era capim, e as paredes eram feitas de madeira. O piso era chão batido, a gente quebrava cupim e colocava no chão. Socava ele, jogava água e socava para fazer o piso. E ficava até bonito, ficava limpinho, bom da gente brincar. Essa é a imagem que eu tenho do início da nossa história. Depois que a gente se mudou para a cidade, nos anos 60, meu pai comprou uma casa na qual minha mãe mora até hoje. Aí já era uma casa de alvenaria. Foi a primeira casa de alvenaria em que nós moramos. Eu morava na Rua Dr. Mário Correia número 629. Foi a primeira casa que nós moramos. Ela tinha sido um hotel. Inclusive, ela tem oito cômodos. Uma casa grande, de esquina, com corredor central e cômodos, quatro cômodos de um lado e quatro cômodos de outro. Na época em que nós mudamos para lá já éramos em sete, porque duas vieram a nascer nessa casa. Meu pai já premeditava que a família ia aumentar e comprou uma casa grande como se fosse um hotel. Mas era uma casa simples, o chão era feito de vermelhão, não tinha energia elétrica. Depois de 5 anos nós conseguimos colocar energia elétrica nela. Não tinha forro, as portas e janelas eram de madeira, de tábua, tábua de cedro, aquelas tábuas, aquela madeira bem antiga, aquelas janelonas que abrem duas faces. Foi ali que Evauri acabou de se criar. Primeira infância Antes de eu me mudar para a cidade, eu fui quatro vezes à cidade. Eu só conhecia Paranaíba. Quando nós mudamos para a cidade de Paranaíba eu não conhecia outra cidade. Até não conhecia nem Paranaíba direito, era a única cidade que a gente conhecia. Dessas quatro viagens que eu fiz para a cidade, uma só que eu fui de carro, as outras a gente foi a cavalo. Nós fomos uma a cavalo, uma a pé. Não, minto, duas a cavalo, uma a pé e uma de carro. A gente ia na garupa do cavalo. O meu pai na frente, montado no cavalo, e eu na garupa como um adolescente. É uma viagem cansativa. A gente falava é léguas. Transformando isso hoje em quilômetros daria, mais ou menos, 45 km, 50 km que a gente morava retirado da cidade. Não era tão longe, mas para época era longe porque não tinha carro, então a gente tinha que ir a cavalo. A gente ia em um dia, pousava e voltava no outro dia. Uma vez nós fomos tocando porco. É uma coisa interessante, meu pai vendeu uns porcos para o meu tio. Não tinha como, não tinha carro para transportar esses porcos. Nem nós e nem meu tio. Então, meu pai falou: vamos levar esses porcos a pé? Como é que você anda 50 km tocando porco? Foi aí que eu descobri que o porco é mais fácil de tocar que o gado. Ele só é difícil para sair da fazenda. Depois que sai, você põe onde quiser. Nós gastamos dois dias para andar com esses porcos, tocando eles a pé. Eram 50 cabeças de porco. Na saída do local de origem nós colocamos milho debulhado. A gente ia jogando milho e eles começaram a acompanhar. E depois que a gente andou bastante tempo, a técnica de fazer com que eles ficassem juntos, nós éramos em três, então a gente andava um na frente e dois aos lados, para não deixar eles correrem, não tinha ninguém tocando. E aí depois eles acostumaram, para onde a gente chamava eles estavam indo. Foi tranqüilo, meio cansativo. É a primeira vez que estou falando sobre essa história de tocar porco aqui. O caminho era uma rodovia, uma rodovia estadual. Era uma rodovia que não tinha movimento, que ligava Paranaíba a uma cidade chamada Cassilândia, e que hoje liga São Paulo a Cuiabá. E nós morávamos entre as duas cidades, a 50 km de Paranaíba e 94 de Cassilândia. Então nós, nesses 50 km, nós gastamos dois dias a pé para tocar esses porcos. Na hora de pousar, nós chegamos em uma fazenda, fechamos eles no curral e pousamos lá nessa fazenda. Mas, interessante, nós não perdemos nenhum porco e não corremos muito atrás dos porcos não. Quando nós mudamos para a cidade que eu estou dizendo, meu pai montou para nós uma fábrica de biscoito e pão de queijo. A minha responsabilidade era vender os biscoitos e os pães de queijo na cidade. Nós não tínhamos uma clientela definida. Nós conseguimos colocar alguns no mercado, mas a gente tinha que vender o restante. E esse restante eu tinha que sair com uma sacola vendendo. A gente colocava naquelas cestas de bambu, e eu vendia aquilo na rua. Eu saía o dia todo, vendendo, quando não era o pão de queijo, era a mexerica e a laranja, que eu pegava no supermercado. Meus pais sempre foram de família muito pobre, muito humilde. Meus pais são analfabetos, meu pai não escreve o nome nem para votar. A minha mãe, a gente tentou ajudá-la e ela conseguiu aprender a ler e escrever, então ela consegue. E sempre eles trabalharam em um serviço braçal, na lavoura mesmo. Carpir em roça, plantar arroz, plantar milho, de sol a sol, o ano todo. E a gente tinha responsabilidade, porque nós éramos em sete, depois passamos para nove, e a renda que meu pai tinha não era suficiente para manter os nove filhos, mais uma casa, e mantê-los na escola. Então, a gente dividia a responsabilidade. Durante todo esse tempo até eu me casar, eu sempre tinha a responsabilidade dentro de casa de comprar as coisas, de ajudar na cesta básica mensal. Eu tinha minha cota, por exemplo, o arroz e o açúcar. Na época era o querosene, que a gente não tinha energia, essa cota era minha, eu tinha que comprar isso. Eu tinha que colocar isso dentro de casa. E como que eu ganhava isso? Era por meio desse serviço que eu disse. Quando meu pai decidiu que nós trabalharíamos com essa fábrica de biscoitos, o biscoito caseiro, a gente assava naquele forno caseiro mesmo, na folha de bananeira, era aquele biscoitão redondo que a gente fazia e que hoje a gente praticamente nem vê mais. A renda não era suficiente para isso, mas eu já tinha uma meta definida que eu queria alcançar, que era buscar alguma coisa na vida para eu ajudar meus pais. Porque eu não queria ver meus pais sofrer a vida toda na lavoura igual a gente tinha passado os outros anos. Não que não compensou, porque até então se nós existimos era porque compensou. Mas a gente queria dar uma facilidade, oferecer uma coisa melhor para eles, para nós. Eu tinha um irmão mais velho que sempre trabalhava na fazenda. Ele entrou na escola também, e na época de férias ele ia para a fazenda. Mas ele tinha também o compromisso dele em relação a ajudar em casa, mas não era aquele compromisso de todo mês eu tenho que dar x. Não. Sobrava, ele dava. As duas irmãs abaixo de mim, elas também trabalhavam, vendendo biscoito também na rua. Colocavam a bacia na cabeça e nós saíamos pela rua vendendo biscoito. E esse foi o começo da nossa luta, da minha luta. Os biscoitos eram feitos pela minha mãe. A gente levantava 2:00 da manhã, porque o problema não era fazer o biscoito, era pôr o fogo no forno para fazer a brasa, para queimar, para assar o biscoito. Mato Grosso tem diferença de fuso horário, lá é uma hora mais cedo do que aqui, lá é uma hora mais tarde do que aqui, desculpa. O que acontece? Lá a gente teria que levantar de madrugada para pôr o fogo para queimar a lenha, a lenha de angico para aquecer o forno. Depois de três horas, mais ou menos, de fogo a gente começava a assar os biscoitos. Era cansativo, a gente fazia isso de segunda a domingo, 360 dias por ano. O biscoito era uma delícia. Eu lembro dele até hoje, dá vontade de comer. Biscoito com chazinho de canela. Muito bom.

EDUCAÇÃO
Primeira escola A minha escola, o primeiro dia que eu entrei na escola eu tinha 14 anos de idade. Na fazenda não tinha escola e eu não tive escola. Eu só fui entrar na escola depois que nós mudamos para a cidade, a partir de 1962. Na realidade, eu entrei em 63, porque nós mudamos já no final de 62, então no ano de 63 foi o primeiro ano que eu entrei na escola. Foram duas aventuras. A primeira, é que eu tinha uma dificuldade muito grande, porque eu sempre fui assim alto, tanto eu quanto meu irmão mais velho. Nós entramos no primeiro ano para aprender o a-e-i-o-u, e o restante da equipe era tudo criancinha pequena. Então, eu me senti muito envergonhado de ser um homão daquele tamanho no meio daquela criançada. Por outro lado, quando eu falo da outra aventura, eu sabia que eu tinha que me preparar para o futuro. Não importava a idade e nem em que local eu estava, eu busquei isso realmente a fundo. E deixei com que passasse um pouco dessa timidez, que realmente eu digo para mim mesmo que eu carrego isso até hoje, talvez. É a dificuldade que, às vezes, a gente tem, o conhecimento. Eu ter entrado na escola já aos 14 anos de idade, eu perdi muito da minha infância em relação ao aprendizado. Hoje, meus filhos, a mais nova, por exemplo, entrou na escola ela tinha 6 anos de idade. Quer dizer, eu entrei 8 anos depois. A gente teve uma perda muito grande em relação ao aprendizado e, queira sim queira não, apesar dos esforços que a gente fez pela frente, que eu fiz pela frente, ainda tem uma dificuldade até hoje nas pronúncias, na conjugação de verbo. Enfim, eu diria o seguinte: eu tenho um português não adequado, em decorrência do aprendizado que eu deixei lá atrás, que me faltou. Mas tá bom. O importante é que nós estamos juntos na luta. Formação escolar Na época a gente não falava nem primário, era o grupo. Depois que eu terminei a escola, o quarto ano, a quarta série, e a gente já recebia diploma de quarta série, aquilo ali era o auge, eu entrei na quinta série, e já estava vendo outro horizonte, porque vender biscoito não ia dar mais. A gente tinha que ver alguma outra coisa para melhorar. E eu tinha na minha cabeça de ser piloto da aeronáutica e comecei a estudar aeronáutica. Fiz o curso de cadete por correspondência. Estudei durante dois anos no curso por correspondência, as provas foram feitas por correspondência. Quer dizer, eu respondia, mandava. Se não atingisse a nota, eles mandavam de volta e assim foi indo. Aí eu tive que fazer as provas no local e partir para uma outra etapa. Até então o curso era para a gente conhecer o processo, depois ia passar por testes psicológicos, enfim, todos os testes necessários. Eu tinha uma matrícula para fazer, uma inscrição, foi quando eu tive de abandonar, porque eu não tinha o dinheiro para fazer a inscrição. O curso era em Campinas. Eu morava em Paranaíba, e o curso, as provas, eram em Campinas. Eu abandonei esse curso e parti para outro lado, eu parti para o lado da eletrônica. Eu fiz outro curso por correspondência. Fiz vários cursos e comecei a mexer com parte de eletrônica. Consertar rádio, na época não tinha vídeo cassete, nem televisão, era rádio, liquidificador, ventilador velho, esse tipo de coisa. Comecei a mexer com isso. Foi quando eu tive uma oportunidade, surgiu uma oportunidade de trabalhar no cinema, que foi o terceiro emprego meu, esse emprego não registrado em carteira. Eu entrei no cinema como faxineiro, para trabalhar fazendo serviço de faxina. Mas eu não estava pensando em faxina, porque eu achava o cinema muito moderno, a forma do cinema. Aquele cinema, as máquinas que você colocava os... Me fugiu o nome agora. Não era película. Era para queimar, para dar o fogo. Você encostava uma peça na outra e aí criava o fogo. Igual a uma solda de eletrodo. O filme era projetado na parede através dos eletrodos. Eu vi aquilo um dia, achei interessante e falei: eu vou buscar para mim trabalhar nesse lugar. Aí entrei como faxineiro, passei por lanterninha, aquele cara que fica no meio, ali dentro. E passei por bilheteiro, porteiro, e cheguei lá nesse lugar que eu falava, que eu sonhava, porque eu achava que aquilo ali era coisa do outro mundo, o trabalho no cinema. Ali eu fazia revisão de filmes e passava filmes todos os dias. Nós tínhamos o filme, quer dizer o cinema tinha, desculpa, sessões diárias. Para mim, meu sonho estava quase que realizado. O que eu queria ver era aquilo. O nome do cinema era Cine Paranaíba.

CORPORATIVO
Primeiro emprego O meu primeiro emprego foi de engraxate. O segundo, vender biscoito, mexerica e laranja na rua. O terceiro, o cinema. E o quarto, a CTBC. Ingresso na CTBC A CTBC já existia em Paranaíba. A CTBC, se não me falha a memória, ela chegou em Paranaíba no começo de 1965, e essa história já está em 69. Em 1969, quando eu trabalhava no cinema, o gerente geral da CTBC, que foi a primeira pessoa que foi colocada na época, era meu amigo, então ele me convidou para trabalhar na CTBC, que tinha uma vaga. E eu era menor ainda, eu não tinha 18 anos. Eu tive que aguardar uma semana para completar 18 anos e assumir a vaga, porque naquele tempo a gente não fazia teste, pelo menos lá. Era assim: olha, acho que você serve para trabalhar para mim. Então vamos trabalhar. E assim eu fui, fiz o teste lá no serviço, não o teste psicológico. A vaga que tinha era para faxineiro, e trabalhar no plantão do serviço 101, que era auxílio à telefonista. Essa era a vaga que tinha de momento. Aí eu falei: bom, se eu estou trabalhando no cinema, eu já estou em uma parte técnica já bem avançada. Se eu vou trabalhar na CTBC como faxineiro é outro pontapé, é outro início que eu vou dar na minha vida. E assim eu optei. Eu conciliei o cinema durante a noite e trabalhava na CTBC durante o dia. Eu estudava no período da manhã, e eu fazia meio período na CTBC durante um período, e eu emendava parte durante o dia e à noite para completar a jornada de trabalho. Isso foi durante um mês, dois meses, por aí. Aí eu desisti do cinema e optei só pela CTBC. Quando eu entrei na CTBC, a cidade tinha 300 telefones e a população era, mais ou menos, 15 mil, 20 mil habitantes. No dia que eu entrei havia 150 dos 300 telefones para instalar nas casas. Eu comecei a ligar esses telefones. Foi quando eu larguei o serviço da noite que era, desculpa, da faxina, e passei a fazer plantão. Mas era plantão assim: não passava a noite toda acordado, só acordava quando alguém precisava chamar. Durante o dia eu trabalhava na rede, que era o serviço de auxílio, assistente geral, auxílio de cabista de rede, não lembro mais como é o nome.

CTBC
Jornada de trabalho Eu fazia faxina no prédio todo, dos serviços gerais. Eu terminava a faxina e ia para a rua tirar defeito dos telefones e instalar telefones novos nas casas. À noite, encerrava o expediente e ia para a minha casa tranqüilo. À noite, eu pegava das 10 horas da noite até 7:00 horas da manhã. Eu ficava no plantão, que era um plantão virtual. Se chamassem, eu estava dentro da empresa. A partir das 10 horas da noite as atendentes iam embora, aí eu assumia o serviço de atendente. Às vezes, até meia-noite tinha serviço mesmo, mas da meia-noite em diante ninguém mais chamava. Porque o serviço era semi-automático, se o cliente quisesse utilizar a rede telefônica, ele ligava e a atendente conectava com a cidade. O cliente não tinha condições de fazer ligações sozinho. Um DDD, por exemplo, ele tinha que pedir auxílio à telefonista. Ele tirava o telefone do gancho caía uma chapinha na mesa dele que ligava uma campainha, aí o atendente atendia, no caso, eu atendia, com a pega A, e conectava ele com a pega B, através de um circuito que saía de Paranaíba e seguia por uma linha física até Uberlândia. Essa linha dava, na época, mais ou menos, 500 km de extensão. Fraseologia A gente não falava nome. Era telefonista bom dia, boa tarde ou boa noite. E a gente usava muito os códigos, na época tinha os códigos exigidos pela Telebrás. Por exemplo, você pedia uma ligação e eu estou completando ligação para Brasília, e a linha estava ocupada. Então eu falava para o senhor: a linha está LO. O atendente não sabia nem o que era LO. Aí eu falava: LO é linha ocupada. Ainda tem outro código, NR é Não Responde, ou seja, o telefone toca, toca, toca e ninguém atende, então o telefone não responde. Na hora que eu ia passar essa ligação, porque eu também não chamava direto para Brasília, para o cliente, para o assinante B, que nós chamamos, que é o final, eu pedia auxílio para uma outra telefonista. Havia o cliente que ligava para mim, eu ligava para a segunda atendente das teles de Brasília, para onde fosse a ligação, normalmente era Uberlândia que me atendia, era a telefonista de Uberlândia que me atendia, e eu pedia para a telefonista de Uberlândia me ligar para qualquer telefone do Brasil. Às vezes, a atendente de Uberlândia pedia para eu citar o número. Ela não falava assim: qual o número?. Ela falava: PTR o número. PTR, quer dizer, o código PTR era para eu falar o número, a localidade e o nome da pessoa. Eu falava, por exemplo, telefone 1010, Sr. Evauri quer falar com a senhora Maria na cidade de Caxambu do Mapa. Era mais ou menos isso. Ligações interurbanas Havia demora, havia ligações que eram pedidas agora e que demoravam seis horas para serem completadas. As ligações não dependiam só da CTBC. As ligações dependiam do processo de telefonia do Brasil. Nós tínhamos dentro da CTBC, nós temos nossas redes da CTBC, tínhamos as nossas redes, mas elas eram limitadas dentro da área de concessão. Para a gente sair fora da área de concessão, a gente dependia da rede da Embratel que, na época, administrava todo o processo nacional. Tudo era via Embratel. Ou dentro das empresas que nós conhecíamos: a Telesp, a Telemig e a Telegoiás. Quando era regional, fora da área de concessão, a gente utilizava a autorização das teles existentes na época. Mas nós tivemos caos. Nós tínhamos, por exemplo, uma cidade retirada a 50 km de Paranaíba, que era Aparecida do Taboado. A gente tinha uma dificuldade enorme para falar nessa cidade porque a gente dependia da Telesp. A ligação saía de Paranaíba, passava em Iturama, que tinha um centro de atendimento, e que pedia auxílio para a telefonista da Telesp em Jales. Esta completava a ligação para Aparecida do Taboado. Fazia o caminho mais comprido e mais demorado. Essa ligação demorava três, quatro horas para você falar a 50 km. Explicar isso para o cliente era a dificuldade. Era aí que entrava a nossa ginga de falar para o cliente que se ele fosse de carro, por exemplo, ele ia e voltava e a ligação dele ainda não tinha saído. Isso aconteceu várias vezes. A gente foi questionado várias vezes por isso. Era o processo. Infelizmente, o processo era daquele jeito. A gente não tinha como ampliar porque não estava na nossa capacidade. E para nós ampliarmos, nós tínhamos que ter autorização, porque tudo dependia de autorização do Ministério das Telecomunicações. Para a CTBC colocar uma linha direta, através de rádios microondas, tinha que ter autorização do Ministério das Telecomunicações. Expansão Eu diria que foi mais uma aventura do Sr. Alexandrino e Dr. Luiz na época. Porque igual eu conheci nos anos 60 e nos anos 70, a linha foi feita dentro do mato mesmo, foi através de picadas. A gente imaginava um trabalho dos Bandeirantes para chegar até Paranaíba. E eu não estou falando só dentro do Mato Grosso, eu estou falando no estado de Minas também. Porque eu dava manutenção nessa linha até Iturama, eu fazia manutenção dela e tinha local lá que não tinha jeito, a gente tinha que andar a pé mesmo porque não tinha condições de andar próximo da linha. É essa aventura que eu estou falando do Sr. Alexandrino, de pensar longe, ver de lá do morro. Ou seja, a concessão foi dada e eu vou aproveitar a oportunidade, porque senão o outro entra no local. Um meio de garantir a estabilidade, a garantia daquela cidade, era chegar primeiro e colocar a sua bandeira, e foi isso que a CTBC fez. Na época, daqui de Uberlândia a Paranaíba, em linha reta, dava 300 e tantos quilômetros. Pela estrada, pela linha física que nós tínhamos, ela daria 500 km, aproximadamente. É, foi um serviço muito árduo, que eu admirei e admiro até hoje pela ousadia das pessoas. Aí eu estou colocando o Sr. Alexandrino como essa pessoa, de pensar estrategicamente, de pensar no futuro. Eu tenho certeza que ele já pensava que um dia ia ser diferente daquele dia que foi colocado, ou seja, que o sistema de telefonia do Brasil iria mudar. Talvez não imaginando igual é agora, mas um processo que seria bem diferente do que iniciamos. A intenção era pegar o Mato Grosso do Sul, na época não era Mato Grosso do Sul, era Mato Grosso. Era a expansão, a intenção não era parar em Paranaíba, era chegar em Paranaíba que era a primeira cidade do Mato Grosso para quem está entrando no estado de Mato Grosso, e expandir pelo estado. Devido a todo o processo, na época do sistema Telebrás, devido às barreiras que tiveram, a CTBC não conseguiu. Ela conseguiu Aparecida do Taboado ainda sem uma concessão definida. A gente passou a atuar em Aparecida do Taboado e Paranaíba, porque essas duas cidades ficam um pouco isoladas do estado do Mato Grosso. Nós chamávamos de bolsão do Mato Grosso do Sul, que é formado por cinco cidades: Paranaíba, Aparecida do Taboado, Cassilândia, Inocência e Selvíria. Essas cidades estão isoladas das demais cidades do Mato Grosso, isso até hoje. Então, a intenção da CTBC na época, de levar essa linha física até lá, era de estender e chegar até a capital Cuiabá, na época era Cuiabá. A CTBC pensava em entrar e expandir para o estado. Mas, devido às limitações das normas ministeriais, não foi possível e ficou só até Paranaíba. Nós tocamos durante um período uma concessão interurbana por meio de uma parceria com a cidade de Cassilândia, mas era só o serviço de interurbano. Também foi um período determinado e depois foi extinto também. Porque Paranaíba não tinha a empresa de telefonia do estado, que na época era a TeleMat. Com a divisão do estado passou a TeleMS, e ela não atuava nessas cidades que eu falei. Se a CTBC não entra em Paranaíba, ela não teria telefonia até os anos 80. Os meios de comunicação lá eram transporte terrestre e aéreo, não havia comunicação. Clientes Eu passei dessa fase de técnico para a administração na CTBC. Eu tomava conta da parte técnica e da parte administrativa, eu conciliava as duas coisas, mais o contato pessoal, que é o contato público. Há situações difíceis de você controlar, porque, até hoje, o cliente na hora em que ele olha uma conta telefônica ele questiona. Sempre foi esse problema e sempre será esse problema. Enquanto existir linha telefônica, conta telefônica, haverá o problema de reclamações. Por quê? Porque, às vezes, eu, como cliente, reclamo na hora de pagar, eu não percebo que eu estou exagerando na hora de falar, e essas são as diferenças. Um dos maiores problemas que nós tínhamos era sobre a conta telefônica. Até sobre não conseguir ligações, mesmo tendo um circuito só, as pessoas entendiam, eles já conheciam, o processo era aquele lá, não adiantava chamar porque ia dar ocupado. Mas a gente teve vários e vários problemas. Nos últimos anos, antes de eu vir para Uberlândia, era mais na área de conciliação, eu passei a pertencer à sociedade por meio do Rotary, do Corpo de Jurados, durante 14 anos. Eu participava de grupo da igreja, eu entrei em todas as camadas do público da cidade. Eu tinha um contato muito grande com todos os públicos, do juiz ao lixeiro. Eu tinha essa facilidade de conversar com as pessoas. Eu fazia reuniões por meio do Rotary, eu fazia reuniões na Associação Comercial, eu fazia reuniões na própria igreja. Eu pertenci à diretoria do clube social da cidade durante vários anos. A hora em que as pessoas me viam elas falavam é o Evauri da CTBC. Hoje eu chego em Paranaíba, não é o Evauri Rosa de Morais, é o Evauri da CTBC. Isso marcou, as pessoas me viam e falavam: é o homem que resolve, a pessoa de contato. Às vezes, eles me xingavam, brigavam, questionavam a CTBC. Mas aí eu colocava o ser humano na frente. Eles falavam: eu não estou falando de você, eu estou falando da empresa. Mas eu sou a empresa, então você está falando de mim. Se você está falando isso da empresa, você está falando de mim. Se você está falando de mim, então eu vou te explicar o que acontece. Nós tivemos um cliente uma vez que foi lá com revólver na mão para dar uns tiros. Ele tinha comprado um telefone e, naquela época, a gente demorava um período de dois anos para entregar a linha telefônica e ele não aceitou isso. Depois de um ano e meio, ele queria que instalasse o telefone dele, e não tinha como instalar. Infelizmente, nós não tínhamos a linha telefônica para instalar para ele. Ele chegou lá, colocou o revólver na mesa e disse : você tem 24 horas para instalar esse telefone. Era o telefone rural. Eu já tinha os macetes. Nós usávamos suco de maracujá. Por ser uma cidade quente, o clima lá já é quente, tinha na geladeira suco de maracujá bem adoçadinho para dar uma acalmada nas pessoas. Na hora em que eu entrei na sala com ele, eu pedi para a moça do escritório preparar uma jarra de suco de maracujá. Graças a Deus, não sei se foi o suco ou se foi a paciência que eu tive de ouvi-lo, eu brincando, quer dizer, brincando sério, ele colocou o revólver em cima da mesa. Eu peguei o revólver em tom de brincadeira, tirei as balas do revólver e coloquei o revolver mais longe dele um pouquinho. Nisso, eu comecei a esfregar as balas na mão e coloquei as balas dentro da gaveta. E conversa vai, conversa vem, explicando e tal. Ele conhecia o processo que nós assinamos no contrato, ele estava ciente que o prazo era aquele. A gente teria que fazer o possível para atender antes, mas não teria condições de atendê-lo. Resultado da história: eu consegui vender para ele um equipamento que até então ele não tinha. Eu tive uma sorte tão grande que aí ele saiu. Eu liguei para Uberlândia, para saber do departamento aqui como que estava. Tinha acabado de carregar o caminhão para mandar para ele, para Paranaíba, uma remessa de equipamentos, e o rádio dele estava no meio. Eu falei para ele que em 30 dias a gente estava prevendo instalar, eu mandei instalar no outro dia. Quer dizer, esse cara hoje é meu amigo. A gente tratava dessa forma, explicando, colocando a realidade. Eu tive um caso sério uma vez em Aparecida do Taboado, que era uma cidade da qual eu também tomava conta, com o diretor geral da Coca Cola. Nós tínhamos, hoje ainda existe, o serviço medido, que são aqueles impulsos que aparecem na conta telefônica, que é o caos de toda a telefonia do Brasil. O sistema hoje de telefonia exige que seja feito daquele jeito, não tem como ser diferente. Ou seja, a partir do momento em que eu liguei do meu telefone para sua casa, isso uma ligação local, não registra como interurbano, uma ligação local ela vem através de impulsos, e isso vai continuar até que mude o processo da telefonia no todo. E os clientes não aceitavam isso. Esse diretor da Coca Cola me chamou para eu provar para ele que ele tinha feito aquelas ligações. Eu não tenho como provar, e ninguém tem condições de provar, que ele fez as ligações. Alguém fez, eu provo que alguém fez, que ele fez não prova, porque o sistema nós fotografávamos. O contador de chamadas é um painel de 100 telefones, e nós o fotografávamos hoje e daqui a 30 dias novamente. Aí pegávamos a diferença do mês passado com este mês, tirávamos a diferença, cobrávamos o impulso dele, e abatíamos as 90 ligações a que, até hoje, o cliente tem direito. Eu cheguei na casa dele com um pacote de fotos do telefone dele e da Coca Cola, em Aparecida do Taboado. Na hora em que eu cheguei lá, ele me expulsou da casa, não quis conversa comigo. Ele tinha falado para mim que era para eu ir lá e me expulsou, disse que eu era mais um mentiroso, que eu ia lá mostrar para ele coisa que ele não aceitava. Enfim, eu fui conversando, fui mostrando para ele. Tentei mexer com ele pela Coca Cola, falando que ele também é um representante de um produto que o Brasil e o mundo utilizam, igual telefone, que também o Brasil e o mundo utilizam. E comecei a levar esse papo, comparando a Coca Cola com o telefone. E que não é todo mundo que gosta de Coca Cola, e que Coca Cola também tem problema, inclusive no engarrafamento. Conversa vai, conversa vem, ele trouxe uma jarra de suco. Não foi de maracujá. Na hora em que ele trouxe essa jarra de suco eu pensei comigo mesmo: já está bem melhor, eu consegui virar, ganhei esse camarada. Mostrei para ele como que é feito o processo, levei as leituras, levei os valores, levei as portarias, mostrei tudo para ele em cima da mesa. Ele mandou eu fechar aquilo ali e me chamou para almoçar. Almocei na casa dele, ganhei o almoço dele ainda. É esse trabalho de paciência que eu falo. Não adianta, se da primeira vez que ele me expulsou eu tivesse ido embora, eu ia falar um palavrão, eu ia me confrontar com ele. E não era o meu papel, o nosso papel não é esse. Eu, como fornecedor de serviços, eu tenho que provar para ele que ele está certo, só que com as minhas palavras, e não da forma que ele quer entender. Isso é o diferencial que eu acho que eu aprendi muito com os meus patrões, com o Dr. Luiz. As pessoas das localidades tinham, mais ou menos, essa missão de mostrar, de conversar, e de conhecer todo mundo. Porque imagina uma cidade pequena. Você conhece todo mundo, estou generalizando, mas, queira sim queira não, as pessoas influentes você conhece. Eu trabalhava muito com as pessoas influentes. Por exemplo, todo Natal eu dava presente para o representante do Ministério do Trabalho. Quer dizer, nós nunca fomos autuados. Eu dava presente, por exemplo, para o Promotor de Justiça, que era meu amigo. Eu jogava snooker, eu nunca gostei de snooker, jogava snooker com o Juiz de Direito. Essas coisas você tem que fazer, porque são as pessoas que influenciam, as pessoas que definem. Delegado de polícia, também tinha influência com o delegado, comandante da Polícia Militar. São pessoas assim que a gente tem que influenciar. Presidentes das associações de bairros, o padre da paróquia, são as pessoas que você tem que colocar do seu lado. Se você tem essas pessoas do lado fica mais fácil. Não que a gente está querendo comprar as pessoas. Se você fala para eles a verdade, ele fala para o pessoal dele a verdade que você está falando para ele. É uma representação institucional. Na época em que eu entrei, eu disse em 1969, a CTBC tinha uma central telefônica que depois passou a não ter condições de atender a comunidade de Paranaíba devido a limitações técnicas, não tinha jeito. Ela tinha 300 linhas telefônicas e não tinha condições de colocar 301. Ou seja, só poderiam ter 300 assinantes na cidade. Com a ampliação, já se passou para um sistema um pouco melhor, com capacidade para 500 linhas telefônicas. Isso deu um conforto à população, a CTBC está crescendo, está ampliando aqui para nós. Porque a gente vendeu muito isso, nós estamos saindo de 300 para 500 linhas, quer dizer, nós estamos quase dobrando o que a gente tem hoje. A gente pensa que isso não é nada, mas para uma cidade pequena, sair de 300 para 500 linhas é muita coisa. A população via isso como um negócio de grande benefício para ela. Depois, com o processo que veio paralelo, mudando a tecnologia do sistema de interurbano, saindo de uma linha, passando para seis linhas, para 60 linhas, passando para o sistema DDD, a população viu isso de uma forma bastante diferente, porque a CTBC é uma empresa privada, que tem o interesse de estar sempre atuando e melhorando a qualidade do serviço para o cliente, para o usuário. Isso foi uma das coisas que também ajudou muito na implantação das novas tecnologias que chegaram. Reestruturação A gente se preocupou porque a gente não sabia o que é que estava vindo pela frente. Eu encarei isso como um negócio normal, mesmo sendo um desafio muito grande. A gente teve vários processos. Por exemplo, quando mudou o sistema de telefonia, já estavam limitadas as concessões, então não tinha como expandir, você tinha que melhorar o que você tem. A empresa mudou o rumo em telefonia, e vem buscando processo de certificação, de ISO 9000. Isso tudo era novo para nós. Nós passamos por um processo de saída de funcionários rígido. O processo, na época, exigia um cartão de ponto. Passou-se por um processo de empresa com administração diferente, que é a participação. Passou pelo processo participativo, saindo do sistema piramidal para o sistema vertical. Até então, quem administrava a empresa estava no topo, mas quem construía e fazia acontecer estava na base. Isso virou. E isso virou a cabeça de muita gente, de muitas pessoas. Puxa, e agora o que é que eu faço? Isso foi uma mudança muito grande. Eu diria que talvez a maior que nós tivemos até hoje em relação ao processo administrativo. E uma mudança cultural também. Porque o que aconteceu foi que muitas pessoas estavam com a gente na época e depois não continuaram porque não se adaptaram ao processo. Nós tivemos pessoas de vários segmentos, de funcionários à diretores, que não se encaixaram, não se adaptaram ao processo de mudanças. Porque, no começo, ele foi confuso para todos nós. Por exemplo, no caso da empresa rede, há dez anos atrás. Você não entendia o que era aquilo. Era bastante complicado. Mas eu consegui ir me adaptando, buscando as informações, treinamento diário, e eu repassava esse treinamento para a minha equipe. Eu tinha uma equipe grande, e isso me ajudou a entender e buscar o processo. Mas eu diria que tudo isso foi graças ao investimento no ser humano que a CTBC fez. O investimento de treinamento, de alteração da cultura. Porque se a gente quiser sobreviver, no futuro, nós temos que mudar agora. Senão, nós vamos sumir. Foi quando a gente conseguiu colocar isso na cabeça, nas nossas cabeças, e buscar essas mudanças. Daí para cá, as mudanças passaram a ser rotina. Todo dia, todo mês, havia mudanças e mudanças assim, puxa vida, de novo? Mas vamos fazer de novo essa mudança. Desestatização Aí veio o processo de certificação ISO 9000, que também foi um transtorno em relação à maioria das pessoas. Porque, até então, a gente não tinha noção do que era o processo. E, na hora em que veio o processo, como tinha que ser feito, e eu participei do primeiro rascunho da descrição do processo de empresa rede, sobre o processo de atendimento, eu participei do primeiro rascunho até o certificado. Isso facilitou entender porque a gente tem que participar desse processo de mudanças. A cultura da qualidade passou a existir, digamos, a partir desse momento de um modo mais consistente. O que mudou foi que se nós não tivéssemos feito isso, nós não estaríamos aqui contando essa história. Eu acredito que os dirigentes da CTBC foram muito inteligentes de fazer a mudança na hora certa, ela deveria ter sido feita mesmo naquele momento. O que veio a acontecer é a prioridade da empresa. O processo de qualidade que houve nessa transação toda foi da competitividade, porque passou a ser uma empresa de prestação de serviço. Saiu de dentro de um monopólio. Quer dizer, mesmo não sendo uma empresa estatal, mas é um monopólio administrado pelo governo federal. A gente saiu desse monopólio para ser uma empresa competitiva de mercado, mesmo sabendo que a gente está dentro de uma área de concessão limitada. Mas a gente tem condição de participar, igual já participamos várias vezes na melhoria de implantação de sistema, garantindo o pioneirismo. Telefonia celular, implantação da fibra óptica, telefonia, centrais digitais, tudo isso foi um processo de melhoria de qualidade, pelo qual foi necessário passar. Foi na hora certa. Eu diria que, se tivesse demorado, a gente estaria contando a história da CTBC talvez de uma forma diferente. Não pela administração, mas pelas conseqüências do mercado, exigências do mercado e do negócio. Acidentes de trabalho Eu vou voltar aos anos 60 e 70. Eu comecei a contar a história aqui do caminhão que tombou na rua, do cavalo que derrubou a torre, do avião que caiu dentro da água e bateu no fio telefônico. São fatos que realmente marcaram, e todas as vezes que a gente começa a contar essa história vêm essas coisas na frente. Essa história do avião, por exemplo, foi uma coisa de louco. Essa linha física que a gente já comentou aqui, que saía daqui e ia até Paranaíba, ela atravessa o Rio Paranaíba ainda hoje. Só que hoje tem a fibra óptica atravessando ao lado dela. Essa linha é ligada de Mato Grosso a Minas por cabo de aço. A gente utilizava duas linhas, que são dois fios A e B, mas tinha uma reserva em cima do rio. E um avião de um fazendeiro de lá, o cara estava passeando na fazenda em cima do rio. Bem de tardezinha, o piloto bateu na linha telefônica. Bateu, o cabo resistiu e o avião caiu no rio. Na época, era uma corredeira, o rio era correntoso, fundo e correntoso. O piloto morreu na hora, com a pancada ele faleceu na hora. E o co-piloto, com a pancada, caiu na água e conseguiu sair em uma praia de areia. O avião foi rodando e parou nessa prainha de areia, mas só com a ponta da asa, 1 metro, mais ou menos, de fora. E ele, o que tinha se salvado, conseguiu pegar o que estava afundando, que estava morrendo, que tinha morrido já, e arrastou para cima da areia e desmaiou. E ficaram os dois lá, um morto e outro desmaiado, e o avião com a ponta da asa do lado de fora da água. Isso cortou a comunicação e eu fui fazer a manutenção. A hora em que eu cheguei no rio, eu vi aquela ponta de avião, não vi a rede, a rede tinha arrebentado, porque ela resistiu ao impacto, mas ela arrebentou. Eu não vi a linha, mas vi a ponta do avião de fora da água. E aquilo ali foi um negócio que me marcou. Eu vi duas pessoas e não tinha como eu atravessar, porque o rio era correntoso e estava quase escuro. Eu tive que pegar uma canoa, canoinha, aquela do remo, canoinha mesmo. Atravessei, cheguei lá, o cara estava desmaiado e aí eu corri em uma fazenda que estava próxima, uns 3 Km, mais ou menos, chamei um recurso, peguei um trator, não tinha nem caminhonete, o cara pegou um trator. Chegando lá, pegamos o cara que estava respirando, colocamos em cima do trator e levamos para a cidade. Quanto ao outro, chamaram a polícia para fazer a autópsia, aquela coisa toda. Quer dizer, foi um negócio que marcou. Depois, nós tivemos que refazer a linha, retirar o avião de dentro dágua. Foi um negócio bastante complicado. Um outro fato que aconteceu, neste mesmo rio, nesta mesma linha, foi quando a Cesp estava colocando uma sinalização para transporte fluvial, ligando Pereira Barreto a São Simão. E passa por essa rede, passa por esse trajeto. E eles estavam colocando a sinalização com umas bóias, e essa bóia era fixada em uma base de concreto que pesa 300 quilos. Para descer a bóia eles têm um guincho. Eles bobearam e esse guincho bateu na linha e arrebentou tudo novamente. Foi exatamente no dia em que caiu uma geada que acabou com o Brasil inteiro. Foi no dia 21 de abril de 1975. Nós chegamos lá e estava branquinho de gelo para tudo quanto é lado. A gente não conseguia pegar em nada, a vegetação estava branquinha. Para eu pegar o caminhão de manhã lá na CTBC, eu joguei água no pára-brisa e não consegui limpar. Eu tive que raspar o gelo. Estava de 2 a 3 centímetros, a rua estava branca de gelo. Sabe, nunca vi gelo na minha vida igual daquela vez e nunca mais vi também. Nós fomos lá, mas a gente não conseguiu trabalhar devido ao frio, porque tinha que entrar dentro da água. No período da tarde nós tínhamos que passar novamente a cabeação. A gente estava usando a balsa, que até então existia a balsa para transportar, e que existe até hoje. A gente estava passando o cabo de aço, colocando as bóias para passar de um lado para o outro, é uma extensão de 800 metros, e esse cabo de aço enrolou na hélice da balsa. E eu entrei na balsa. Antes disso, eu estava firmando o cabo, soltando o cabo de aço de uma bobina. E mais outras pessoas atrás, colocando as bóias para facilitar, para a gente puxar do outro lado. Na hora que ela enroscou na hélice, ela pegou minha mão na lateral da canoa. Arrancou o couro da mão inteira. Muito bem, estava fazendo frio demais e eu quase não senti dor naquilo. Eu entrei dentro da água gelada para desenrolar aquele cabo de aço lá no fundo da balsa, por baixo da balsa, lá em baixo. Amarrei uma corda na cintura e pulava, tentava com a mão sangrando. Voltava, fazia novamente, até conseguir. Foram duas passagens que até hoje eu passo no rio Paranaíba e lembro dessas duas tragédias que aconteceram lá. Mas tem muitas coisas boas também. Quer dizer, isso era um momento de serviço, de pendências, mas a gente se distraía bastante com o trabalho, não com o fato do avião, que foi um caso fatal. Nós tivemos um outro caso que me marcou. Eu estava montando uma torre repetidora na cidade de Itajá, onde nós estávamos colocando o sistema de microondas para interligar o serviço de interurbano da cidade de Cassilândia à cidade de Paranaíba, e nós tínhamos uma torre repetidora no meio. A gente estava colocando o sistema lá, e eu estava fazendo uma adaptação no sistema, fazendo um teste no equipamento, quando ouvi um galo cantar, e lá não tinha galo. Não tinha fazenda, não tinha nada, e um galo cantando no telefone. Eu falei, tem alguma coisa errada, como é que tem um galo cantando aqui dentro? Saí, olhei, não tinha galo em lugar nenhum porque lá a gente estava em cima de uma serra e não tinha casa por perto. Mas o galo estava cantando no sistema porque eu estava em um sistema de repetidora então eu tinha uma recepção em Cassilândia que passava e entrava em um outro equipamento que mandava para Paranaíba. Então, do lado de Cassilândia eu estava ouvindo o galo cantar. E do lado de Paranaíba não tinha nada. Não tinha condições, o sistema não funcionava, estava tudo chiando, aquela bagunça danada. A freqüência totalmente fora, distorcida e o galo cantando. Eu parei e falei: vou almoçar agora, porque eu vejo, vou refrescar a cabeça porque não dá mais. A hora que eu cheguei na cidade, eu vi uma torre montada no centro da cidade e até então não tinha aquela torre. A empresa de telefonia de Goiás tinha montado um telefone para fazer um teste e o galo estava cantando perto do sistema dele. E a freqüência deles era a mesma freqüência nossa. Entupiu a nossa freqüência porque eles estavam com um rádio com a potência maior, com a mesma freqüência. E eles entupiram nosso sistema e o galo estava cantando lá no sistema deles. Aí eu falei: puxa vida, matei dois coelhos com a mesma cajadada, descobri o galo e descobri o defeito do sistema. Manutenção A gente fazia a manutenção porque os postes que nós tínhamos no estado do Mato Grosso eram trilhos de ferro. E a gente não carregava escada. A gente trabalhava com espora, que nós chamávamos de pé de papagaio. Ela dá a impressão de um pé de mulata. A gente subia nos postes de 6 metros de altura. Às vezes, a linha arrebentava e a gente tinha que emendar essa linha. É um serviço pesado mesmo. Na época, eu trabalhava só, tinha um auxiliar, mas tinha que deixar esse auxiliar na cidade porque não podia ficar tudo parado. Essa manutenção era feita só, e a gente fazia isso de táxi, não tinha carro, na época nós não tínhamos carro na CTBC, não tinha carro para fazer manutenção. Eu tomava táxi, a gente andava de táxi para correr os 20 Km de linha. Às vezes, eu saía porque não tinha noção de onde estava o defeito. A gente tem condições de saber onde está, mas, dependendo do defeito, você não consegue saber onde ele está. Então eu saía andando a pé e eu chegava até os 20 km a pé para verificar esses defeitos. Nós tínhamos duas pontas para medir onde é que estava o defeito. A gente mede por meio de um sistema chamado multiteste. É por meio de uma resistência ômega que te dá a quantidade de ohms (ou ômegas) e, então, você transforma isso em escala, trazendo para quilômetros. Você sabe a quantos quilômetros, aproximadamente, está o defeito, desde que a linha esteja em curto. Ou seja, dois fios trançados um no outro. Se a linha estiver aberta, ou seja, tiver arrebentada, você não tem noção. Você mede e ela está aberta pode ser aqui, pode ser ali, ou pode ser lá na outra ponta. Aí você tem que correr. Mas nós tínhamos definido entre a regional de Iturama, que era um ponto de manutenção, porque nós tínhamos Iturama, Carneirinhos e Paranaíba. Eu dava manutenção até no barranco do lado de Mato Grosso, em Paranaíba. A pessoa de Iturama ia até no barranco do lado de Minas. Checou dali, está tudo OK, ele voltava eu vinha até o rio. Então a gente dava um tempo, por exemplo, ele dava um tempo para mim. Porque meu espaço era menor do que o dele. Eu tinha que andar 20 Km, ele tinha que andar 120 para fazer manutenção, para ir até o rio. Então, vamos supor, deu um defeito agora, eu já providenciava imediatamente. Vamos supor, dentro de 40 minutos a uma hora se não ficou OK o defeito não está do meu lado, o defeito está do lado dele. Era uma comunicação que a gente tinha através do tempo, do relógio. Se não ficou pronto dentro de uma hora, o defeito é do lado de Minas. Então, o pessoal de Minas é que providenciava. A gente tinha essa programação. Na época, o rio tinha, mais ou menos, uns 200 metros de largura, por aí. Nesse lugar hoje ele tem 3 mil metros de largura, porque ele se transformou na represa de Ilha Solteira. Onde está a linha hoje tem 800 metros de largura. Trajetória na CTBC Eu entrei na CTBC igual eu disse, como faxineiro, passei por todos os departamentos que na época existiam. Saí da faxina e passei para o que hoje é conhecido como IRLA, que hoje é o Instalador e Reparador de Linhas e Aparelhos, e que na época era conhecido como auxiliar técnico. Eu passei para auxiliar técnico de rede, auxiliar técnico de comutação, que mexe com centrais telefônicas. Passei a tomar conta da central telefônica e, depois, eu passei para a área de transmissão, que era a que mexia com microondas, rádio etc. Depois, eu passei para a área administrativa, conciliando a gerência administrativa com a gerência técnica, isso em Paranaíba. Até 1991, eu tomava conta de Paranaíba, Aparecida do Taboado e mais alguns povoados da região que estavam ligados. E mais a telefonia rural, que nós implantamos. Eu era responsável por toda área administrativa e pela área técnica da CTBC. Em 91, precisamente em agosto de 91, eu fui convidado para vir para Uberlândia para tomar conta da área de atendimento, na área de tráfego, que era a área das telefonistas. Na época, a CTBC tinha o atendimento 101, 102 e 103. O 101 era o serviço de auxílio à telefonista, o 102 serviço de auxílio à lista e o 103 é o serviço de solicitações de reparos de defeitos. E eu fui convidado para vir. E, gozado, que esse convite chegou em uma quinta-feira para eu vir para cá na sexta-feira. Na época, o meu gerente era o Márcio Onis. O Divino Sebastião já tinha mudado para Uberlândia e ele falou para mim: olha, está convidando você para Uberlândia e você tem até as 4:00 horas da tarde para dar a resposta, e é para ir amanhã. Isso era hoje quinta-feira tipo 14 horas. Eu falei: bom, tudo bem, vamos pensar, vamos ver quais são os benefícios que nós vamos ter nisso aí. Eu estou falando nós família, nós Evauri e nós empresa. Então, tem que avaliar todos os lados. Conversei com minha esposa e falei: recebi um convite e acho que está na hora de a gente ir para Uberlândia ou para uma cidade maior, porque nossos filhos estão saindo agora de uma escola, que aqui não vai ter mais daqui 2 anos, daqui 4 anos não tem mais escola para eles. Assim a gente fez. Eu vim, visitei, primeiro eu fiz um contato, conheci a área, conheci os serviços. Era um serviço um pouco diferente em relação à administração, mas a operação eu já tinha trabalhado na época, fazia plantão e trabalhava com o mesmo sistema. Quer dizer, o sistema em si eu sabia como funcionava bem. Agora, o processo geral, devido à quantidade de serviços, de pessoas, quando eu assumi, Uberlândia tinha 210 pessoas na minha coordenação. Eu aceitei o convite, uma semana depois eu estava morando em Uberlândia, os meus filhos estavam estudando. Para resumir, no mesmo dia que eu defini com a CTBC que eu viria para cá, eu já tinha definido a escola dos meus filhos e deixei eles matriculados, apartamento alugado e o caminhão de transporte já contratado. Quer dizer, parece que juntou a fome com a vontade de vir. Foi um negócio, eu recebi o convite naquele momento que eu achei que era o momento de mudar de Paranaíba. Não porque eu não estava sendo útil lá. Foi devido ao crescimento, ao conhecimento e às condições também de dar oportunidade para os meus filhos para entrar em uma escola de um nível melhor, na faculdade, enfim. Então isso foi meu processo na CTBC. Eu mudei para cá dia 9, mas eu comecei a trabalhar dia 13 de agosto aqui em Uberlândia e trabalhei até o dia 20 de outubro de 1999. Dia 21 de outubro de 1999 eu fui transferido para a ACS, na qual eu estou até agora. Associados Ele vai encontrar um caminho muito grande para crescer. Eu vou usar as palavras do Sr. Alexandrino, que falou para um colega que estava ao meu lado: você vai crescer na vida e eu te dou uma oportunidade, eu não vou pegar você e levantar nos braços, eu estou dando a oportunidade para você crescer, eu estou te dando o emprego, estou te dando a empresa e você faça da melhor forma possível. Eu diria para essa pessoa que está iniciando hoje: você tem todas as oportunidades de crescer na vida, vai depender de você, porque o caminho é amplo. Você está trabalhando em uma empresa do grupo hoje, você pode trabalhar em dez empresas diferentes, com dez atividades diferentes dentro do mesmo grupo. Depende exclusivamente da pessoa. Depende exclusivamente de você. Você teve a primeira oportunidade de conseguir entrar, então preserve-a. Faça o melhor possível que você possa fazer. Porque o associado na Algar ele é valorizado, ele é valorizado pela sua qualidade, pela sua presteza e pela sua personalidade. E ele é muito respeitado e valorizado como ser humano. Acho que isso são as peças fundamentais para que uma pessoa cresça profissionalmente. Se o Brasil, o mundo, tivesse essa filosofia, o nosso país hoje seria diferente. Seríamos vistos de forma diferente como pessoa, como profissional e como ser humano. Ou seja, tratar o ser humano como um ser humano.

EMPRESAS/ACS
ACS A ACS nasceu de uma intenção de um departamento de atendimento. Inclusive, na época, nós discutimos muito o processo de atendimento da CTBC. A gente pensava em uma central de atendimento para a CTBC, colocamos isso várias vezes no papel. Nós fizemos até teste em relação a atendimentos. Nós mudamos o atendimento da CTBC várias vezes, até o processo, o sistema, a tecnologia, passando do sistema A para o sistema B, para o sistema C, e a ACS nasceu desse pensamento de uma central de atendimento. Porque na hora que nós fomos definir a central de atendimento da CTBC, a gente conseguiu ver isso mais longe, mais amplo. Ao invés de a gente fazer uma central de atendimento para nós, porque não criar um empresa de central de atendimento? E passar o nosso serviço para esta empresa prestar serviço e buscar outros clientes de fora? Então foi aí que nasceu a ACS. Ela nasceu de uma idéia dos diretores da CTBC, na época estava o Divino Sebastião, estava o Juan, o Nelson Cascelli, que definiram essa estratégia de criar uma central de atendimento. Essa idéia começou a se mostrar, a trazer pessoas de fora para mostrar as vantagens de um atendimento, e comprou a alta direção da CTBC e da Algar. Comprou muito bem devido às facilidades e ao convívio que os próprios diretores, inclusive o Dr. Luiz, tinham na época, de visitar outros países e conhecer lá fora que a Central de Atendimento, o Call Center, era um negócio bom. Eles tiveram uma facilidade grande em relação à venda, de concretizar esse projeto. Em relação à ampliação, nós estamos na fase final de um novo prédio. Eu diria que é a obra que nós estamos terminando agora. Nós estamos já com 98, 99% da obra pronta. Ela daria 150% do que temos hoje em relação a espaço. Nós não temos ainda, nesse momento, clientes definidos para ela. Mas em relação ao prédio antigo, à estrutura antiga que nós temos hoje, o prédio está lotado. O maior cliente que nós temos, que é o cliente âncora, é a American Express. Nós temos a TAM e a CTBC Telecom, que hoje são os nossos maiores clientes. Nós temos a Pousada do Rio Quente, nós temos a Sabe. Enfim, nós temos várias empresas. Outros clientes fora do grupo para quem nós também prestamos serviços. Hoje temos, mais ou menos, 1.200, 1.300 posições. Com essa ampliação ela vai passar para 1.500 posições a mais. Hoje nós temos um quadro de associados da ACS em torno de 1.800 pessoas, e nós temos mais a American Express, que os funcionários são dela. Nós vendemos o espaço e ela administra as pessoas. Ela contrata, e o pessoal que trabalha para ela são funcionários diretos dela. Está em torno de 800 a 1.100 pessoas, mais ou menos.

TECNOLOGIA
Inovação Nós tivemos várias etapas. Nós começamos com essa linha física, que era um canal de conversação daqui a Paranaíba. Se desse um defeito aqui na esquina da João Pinheiro, por exemplo, que era a linha que saía dali, a cidade de Paranaíba estava isolada, a cidade de Iturama, a cidade de Campina Verde e a cidade do Prata. Eram as cidades que eram penduradas nessas linhas, e nós tínhamos em Paranaíba uma população já de 20 mil habitantes. Nós tínhamos hospitais, prefeitura, Câmara, enfim, tudo que uma cidade de porte pequeno exige e tem. Mas tinha um meio de comunicação precário. Não culpando a CTBC em hora nenhuma, porque eram as licenças que tinham que ter, e não saíam. Depois, a tecnologia avançou um pouco, e em cima dessa linha física foi criado um sistema de rádio que colocou a linha física servindo de antena. Esse sistema chamava-se K32. Era um equipamento, se não me falha a memória, da Embelsa, que depois veio ser a Philips. Colocou-se esse equipamento e já teria condição de seis pessoas falarem. Quer dizer, aquilo foi um salto muito grande. Nós saímos de uma pessoa falar simultâneo para seis pessoas. Anos mais tarde, nós colocamos o sistema de microondas, saindo de seis pessoas para 60 pessoas falando simultaneamente. Nessa época veio também a liberação para DDD pleno. As pessoas já teriam condições de fazer ligações para qualquer local do país. Exceto ainda algumas localidades que não tinham sido autorizadas a ligar DDD pleno, que necessitavam do auxílio da telefonista. Igual nós temos até hoje. Nós estamos em pleno 2002 e ainda temos localidades que dependem do auxílio da telefonista. O sistema mudou todo, mais ainda há coisas caóticas a serem melhoradas.

COMUNIDADES
Alexandrino Garcia Conheci o Sr. Alexandrino, conheci ele bastante, convivi bastante com ele. Houve alguns momentos que nós passamos juntos, que a gente conviveu no dia-a-dia, mas tem um que é mais engraçado. Eu vim para uma reunião de Uberlândia participar de um treinamento. Depois, no dia de ir embora, surgiu uma carona de avião, o Dr. Luiz mais o Sr. Alexandrino iam para uma fazenda que eles têm, que é a Lapa do Lobo, que fica no município de Paranaíba. Coincidentemente, eu estava no hotel, o Dr. Luiz passou no hotel para me pegar, e nós fomos para a fazenda. Antes de ir para a Fazenda Lapa do Lobo, nós fomos para a Fazenda Paraúna, que fica na região de Goiás. Chegando lá, o Dr. Luiz e o Sr. Alexandrino não andam na fazenda. Não sei se você sabe disso, mas eles não andam na cabine de caminhão ou da caminhonete, eles só andam em cima. Tem vários motivos, mas o motivo que eu acredito que é mais interessante é porque tem uma visão ampla e você pode ver tudo. O Sr. Alexandrino subiu na caminhonete, já estava bem decadente, fisicamente. O Dr. Luiz pediu para eu subir e segurá-lo na caminhonete. E segurar o Sr. Alexandrino, você não consegue segurar ele, eu não conseguia segurar ele. Porque tinha duas maneiras de segurar, ele ficava de pé segurando ali no corrimão da caminhonete e a caminhonete andando no mato, no pasto, sem estrada sem nada, enfim, aquele balança para lá e balança para cá, o Sr. Alexandrino também balançando. Aí eu falei para o Sr. Alexandrino: o senhor não quer sentar, porque o senhor deve estar cansado já. Ele falou, no tom assim de brincadeira, mas a brincadeira forte comigo, assim no tom áspero: "Se eu quisesse sentar, eu não estava dentro da caminhonete, eu tinha ficado lá no avião". Eu falei: "Não, Sr. Alexandrino, eu estou falando para o senhor sentar porque o senhor deve estar cansado já, de tanto que andamos hoje, mais de uma hora andando no mato, estou percebendo que o senhor está cansado já". Aí ele falou novamente a mesma coisa. Mas eu tive muita convivência com ele, além disso, ele ia muito em Paranaíba, então a gente sempre conversava, nós almoçávamos juntos. Ele era uma pessoa muito amiga, ele era severo, dentro dos procedimentos de trabalho ele fazia o papel que tinha que ser feito mesmo. As pessoas falavam que ele era muito bravo. Eu não achava ele bravo, eu achava ele uma pessoa pontual. As pessoas tinham medo de conversar com ele, mas o medo é a gente que faz. Se eu estou trabalhando certo, corretamente, não há necessidade de ter medo de ninguém. Eu, sinceramente, tive toda vida, até no último momento em que eu estive com ele, durante a vida dele, eu nunca tive receio dele, medo de conversar com ele. Pelo contrário, eu fazia questão de chegar e conversar com ele. Eu me dava muito bem com ele, e ele também comigo. Mas, em Paranaíba, um fato que marcou também com ele, foi em um domingo, nós tínhamos um vizinho lá que construiu uma janela. Ele montou um restaurante e construiu uma janela, dando passagem do restaurante para dentro do quintal da CTBC, e era divisa de muro mesmo. Quer dizer, ele quebrou o muro da CTBC e colocou essa janela lá, para colocar um exaustor, porque era para a cozinha dele ventilar. E não tinha autorização. Inclusive, eu era o gerente da época lá, e isso foi no domingo. Quando foi na segunda de manhã, o Sr. Alexandrino e o Dr. Luiz chegaram lá e, coincidentemente, eu estava conversando com o proprietário, porque primeiro ele não tinha autorização, ele não tinha conversado comigo e eu estava já impedindo que ele fizesse aquilo ali, porque estava ilegal juridicamente. E nisso o Sr. Alexandrino mais o Dr. Luiz chegam. Nós conversando ali, tal e tal, aí o Sr. Alexandrino já ficou nervoso com aquilo ali, já mandou fechar, mandou construir uma parede paralela. Eu falei para o Sr. Alexandrino: nós vamos conseguir, nós vamos consertar. E entramos no prédio, nós entramos pelo fundo do prédio. O prédio tinha um corredor grande, aliás, tem esse corredor até hoje. Um corredor grande que dava acesso para a rua. Alguém passou e jogou um toco de cigarro, passou pela calçada, jogou o toco de cigarro e o toco de cigarro veio rolando. Ele estava nervoso com aquele negócio da janela, ele olhou para mim, olhou o toco de cigarro e falou: "Pois é, seu moço, aqui ó, eu compro vassoura, compro cera, pago empregado, pago você para gerenciar e está sujo. Você não está vendo essa sujeira?". Eu falei: "Sr. Alexandrino, é um toco de cigarro". "Mas é sujeira." Aí pensei: bom, ele está bravo, deixa. Peguei o toco de cigarro caladinho e falei: "Mas o senhor está certo, é uma sujeira realmente". Aí nós mudamos de assunto. Quer dizer, ele tinha dessas coisas. Mas, por outro lado, era um pai que realmente eu senti muito a falta dele. Eu acho que são vários os exemplos que ele deixou, mas a gente pode tirar alguns. Acho que a gente, primeira coisa, nunca pode desanimar, nunca pode pensar que você é inferior a alguém. Você tem que estar sempre buscando melhorar a cada momento, não é nem a cada dia, é a cada momento que tem que estar buscando a melhoria, porque se você não melhorar, o outro melhora e chega primeiro que você. Então, a lição que eu aprendi com ele é que a gente tem que estar sempre atento a tudo. Eu digo o seguinte: é dormir com um olho só, para ver o que está acontecendo. A gente tem que estar buscando cada vez aprimorar mais o conhecimento daquilo que a gente faz. Eu acho que é uma lição muito boa que ele deixou para todos nós e para o Brasil inteiro. A gente está vendo hoje o resultado do grupo. Quando eu conheci a CTBC, ela tinha um avião, não existia o Grupo Algar, só havia a CTBC, o posto de gasolina da Garinco e os Irmãos Garcia. O grupo era resumido a essas empresas. E eu me lembro muito bem a primeira vez que eu vi o Dr. Luiz e o Sr. Alexandrino. Foi no avião DXK, com quatro passageiros, que pousou em Paranaíba debaixo de um temporal muito forte. Inclusive, depois disso, o Dr. Luiz fez uma viagem a Paranaíba com o Sr. Athayde Barata, que na época era Diretor de Tráfego da CTBC, e eles se perderam e pousaram em uma cidade fora de Paranaíba. E nós tínhamos uma reunião marcada com a prefeitura e a Câmara Municipal e mais a Associação Comercial, e aquilo foi dando angústia porque deu um temporal tão forte que a gente não via nada. Eu sabia que eles tinham saído daqui de Uberlândia, mas não sabia onde eles estavam. Momentos depois, ainda dentro do horário da reunião, ele não tinha chegado. Eles chegaram em um jipe sem capota, molhadinhos igual a dois frangos que tivessem caído na água. Então foi interessante. Luiz Alberto Garcia Nos anos 60, eu tratava dos problemas com clientes diretamente com o Dr. Luiz. A gente tinha o gerente, na época, o nosso gerente era o Athayde Barata, e, às vezes, a gente não conseguia, mas tratava diretamente com ele. Eu liguei várias vezes no telefone do Dr. Luiz, no escritório dele, para falar olha, eu estou com problema de telefone assim assado, eu estou com um cliente assim, assim. Como eu resolvo? Eu tinha essa facilidade e essa liberdade, e ele também tinha disponibilidade para isso. Ele é outra pessoa que eu admiro muito. Eu considero hoje que o que eu tenho, porque eu trabalhei na CTBC durante 32 anos, quatro meses e sete dias, precisamente, eu devo a minha vida praticamente à CTBC, e devo ao Dr. Luiz. Não só pela convivência, porque eu aprendi muito com ele também, as visões, as exigências, vou fazer certo da primeira vez, como tratar o cliente, se colocar no lugar do cliente para depois você questionar. Isso tudo eu aprendi com ele, o cliente vem em primeiro lugar. Inclusive, era um slogan que tinha, não me lembro se existe ainda. Aparecida do Taboado tinha uma frase na entrada assim: o cliente é o nosso maior patrimônio. Desde aquela época já se pensava no cliente. Não era só no investimento, só no dinheiro, pensar só no retorno, tinha que tratar do cliente. O Dr. Luiz me ensinou muito isso por meio das suas palavras, das suas escritas e das suas exigências. O nosso trabalho depende do cliente, e se não tiver o cliente não existiria nós.

LOCALIDADES
Paranaíba Uma cidade pequena, como qualquer outra cidade do interior, mas uma cidade muito, muito familiar, todo mundo conhecia todo mundo. E quando nós mudamos para lá, meu pai, a família do meu pai, alguns deles já moravam na cidade. Então não foi muito difícil para a gente se adaptar na cidade. Nós mudamos, mas meu pai continuou na lavoura, morando na fazenda. Aos finais de semana ele ia, no outro final de semana a gente ia para a fazenda. Foi um trabalho de adaptação que foi muito fácil. Uma cidade pequena, a gente conhecia todo mundo, é uma cidade fácil de viver. Onde a gente sentava na porta, na calçada, e conversava com todo mundo. Para você saber o nome dos vizinhos do quarteirão inteiro. Uma cidade da qual hoje a gente sente saudade. Não só daquela, mas daquelas cidades da época. Aparecida de Taboado Eu queria só falar um pouquinho sobre uma localidade de Aparecida do Taboado. E até comentei antes que é a única cidade que tinha duas telefonias antes da concessão, antes da privatização. Foi a única cidade do Brasil que tinha duas empresas de telefonia, e que uma não conseguia conversar com a outra. Isso aconteceu durante 10 anos. Depois que veio o processo de privatização, que passou por essa mudança toda, Aparecida do Taboado saiu do quadro de empresas, de localidades da CTBC. Aconteceu igual com Paranaíba. A CTBC chegou e colocou a sua bandeira lá, ela fez isso também em Aparecida do Taboado. Quem definia as concessões da época dos Ministérios das Comunicações eram os prefeitos. O prefeito assinava a concessão para 20 anos de execução, que foi o caso de Paranaíba. Depois, criou-se o Ministério das Comunicações, e aí passou a ser administrado pelo Ministério das Comunicações. Em Aparecida do Taboado foi feito da mesma forma, só que a concessão venceu, mas o ministério não deu a concessão para a CTBC. Mas a CTBC era a única empresa que tinha na época. Anos depois, a empresa de Mato Grosso do Sul colocou o sistema de telefonia lá dentro e ela tinha o DDD pleno. Nós não tínhamos DDD pleno, porque nós não tínhamos a autorização, segundo a concessão, para fazer tal serviço, e a empresa local do estado conseguiu colocar. E não houve negociações entre as duas empresas na hora de fazer o tráfego mútuo. Ou seja, o cliente da empresa A não conseguia ligar para a empresa B e vice-versa. Não houve esse acordo. Então, existiam dois telefones na sua mesa em Aparecida do Taboado, de duas companhias diferentes. E para você chamar do telefone A para o telefone B você pagava interurbano, mesmo que eles estivessem a uma distância pequena um do outro. E isso foi durante 10 anos. Inclusive, Aparecida do Taboado foi uma das cidades em que eu trabalhei muito. Não só eu, mas a empresa no todo. Porque a gente tinha que dar satisfação toda semana para a comunidade de moradores, para a associação de moradores, para as entidades. Para explicar o inexplicável. Isso foi um fato que desgastou muito a gente fisicamente, porque a gente tinha que todos os dias, toda semana, a nossa diretoria aqui em Uberlândia tinha que estar sempre indo lá para explicar o inexplicável. E aconteceu um fato lá um dia que foi, acho que foi o mais engraçado de todos. Nós estávamos lá e, de repente, chegou uma equipe do Fantástico para fazer uma reportagem sobre aquele serviço. Coincidentemente, eu não sei se foi proposital, ou se alguém tinha programado de eu fazer uma palestra de esclarecimento sobre esse assunto na Câmara Municipal e no Rotary Clube. Durante o dia eu estava na empresa vendo outras coisa, quando chegou a equipe do "Fantástico" para fazer uma reportagem sobre esse serviço. E eu não tinha autorização para falar sobre a empresa para a televisão. A empresa tem as pessoas que são as pessoas autorizadas a falar. O pessoal chegou já filmando, e eu tive que barrar todo mundo e pedir. E o pessoal: não, nós queremos saber. E queriam que eu desse a entrevista, o porquê daquilo, por que tem duas empresas telefônicas, por que a CTBC está ali até hoje, por que a CTBC não foi embora? Quer dizer, os repórteres querendo pegar alguma coisa e eu tentando apagar aquilo ali, abafar. Eu falava que não, que eu não tinha autonomia para falar, eu não sabia, eu era funcionário, eu era técnico, eu estava ali para arrumar defeito, eu não era a pessoa habilitada para falar. Eles me deram uma chance para ir ao banheiro e eu aproveitei e liguei para Uberlândia. Na época, eu falei com o Dílson Dalpiaz, que é o nosso diretor aqui. E aí ele falou: não é para dar entrevista e deixa que nós vamos resolver isso aqui e vamos ver o que fazer. Eu sei que eu fiquei das 9:00 da manhã até as 15:00 horas, mais ou menos, tentando comandar esse pessoal. No fim, nós fomos almoçar juntos. Eu falei: nós vamos almoçar, mas desde que vocês não tenham câmera, não tenham microfone perto de mim. Tudo bem, nós vamos almoçar, eu não vou falar sobre telefone, então não vai ter problema nenhum também. Eu sei que consegui. No fim a menina falou: eu vou te fazer duas perguntas só. E eu falei: bom, essas duas perguntas eu vou responder. A primeira pergunta: porque é que a CTBC não fazia o acordo com a Telemat na época. Eu disse a ela o seguinte: esse acordo não cabe à CTBC só, cabe à Telemat, acordo tem que ter duas partes. A outra parte não quer, não adianta a parte de cá querer fazer. Mas que é o nosso sonho fazer um acordo, manter as duas aqui se for possível. A outra pergunta era, eu não me lembro mais, estava ligado ao histórico, porque que a CTBC foi lá desde aquela época. E eu respondi para eles que se a CTBC não tivesse ido naquela época, quando ela iniciou lá, a população de Aparecida do Taboado estava sem telefone até aquele dia, porque a outra empresa havia chegado poucos dias atrás. Havia anos e anos que a comunidade estava sem comunicação.

MEMÓRIA
Futuro A CTBC, das mudanças que ela preparou no futuro, no passado para o futuro, eu vejo que ela tem um futuro de duas formas. Primeiro, é o seguinte: ela é uma empresa que hoje está fechada em relação ao espaço físico dela, por causa das concessões que ela tem. Ela não tem como crescer muito. Ela tem que crescer a qualidade e a diversificação de produtos que ela tem para manter. Esse é um lado. O outro lado, que eu acho que é inteligente, é a parceria. Eu acho que para a CTBC hoje ser uma empresa de futuro, uma empresa grande, ela tem que buscar uma parceria com uma empresa grande. A partir do momento em que fizer uma parceria com uma empresa grande, passará a ser um peixe grande na água grande, e não um peixe pequeno na água grande. Porque, se não, ela vai ser engolida pelo peixe grande da água grande. Se se mantiver do jeito que está hoje, o futuro da CTBC vai ser monótono. Não vai passar do que é hoje. Quando eu falo em melhoria da qualidade, ela tem que estar tendo diversificações de produtos, buscando coisas novas para encantar o cliente, o cliente existente. Se ela buscar espaço para crescer junto com a empresa grande, buscando áreas de concessões maiores, o cliente aqui já conhece quem é a CTBC, e a CTBC já conhece quem é seu cliente. Eu vejo o futuro da CTBC dessa forma. E agora falando pelo grupo, eu acho que o grupo está no caminho certo dessas parcerias, que já são várias, na diversificação dos negócios. Estão no negócio certo, até hoje tem dado certo, os negócios do grupo. E acho que o grupo está no caminho certo de manter o que tem e preservar, buscar a melhoria do que tem, e as parcerias com gente grande também, que eu acho que é importante. Porque hoje tudo tem que ter dinheiro para fazer as coisas serem bem feitas. Ou seja, para crescer no mercado hoje não é só o nome que leva. Você também tem que ter espaço, tem que ter condições financeiras. Você tem que ter escala, você tem que ter criatividade. Que eu acho que o grupo tem suficientemente para se manter. Eu vejo o Grupo Algar hoje muito conceituado no mercado nacional e internacional. É um grupo respeitado, a gente tem visto muitos visitantes de fora. Quando começa a falar da Algar, tem muita gente lá fora que conhece o grupo, que é um grupo respeitado. E dentro do Brasil também, principalmente dentro do país. A propagação do grupo, que até pouco tempo não era conhecido, a divulgação do grupo por meio das suas empresas, foi uma das facilidades que teve. E nós, por meio da ACS, nós temos levado muito o nome do grupo pelo Brasil afora, onde ele está buscando novos clientes. Mas, acima de tudo, a perenidade, tanto do grupo, quanto das outras empresas, chama-se processo de qualidade. Se você tiver qualidade perfeita você está no páreo; se não, está fora. Centro de Memória Primeiro, eu me senti muito à vontade. Eu fiquei como se eu tivesse já acostumado a fazer isso aqui direto. Quer dizer, não me intimidei em hora nenhuma com a câmera. Eu achei um ponto muito importante resgatar isso, o que eu comentei aqui, resgatar a história. Quer dizer, é o momento que eu achei muito oportuno. Vocês terem dado a oportunidade de eu contar a minha história, dentro da minha empresa, da qual eu falo que é minha até hoje. Onde eu convivi durante 30 e poucos anos. Eu achei muito bom mesmo. Me senti à vontade para falar o que eu achei que deveria falar e achei que esse é um papel que o Brasil deveria estar fazendo, não só a CTBC. Muitas empresas tem uma grande história para contar que perde-se no tempo. E, depois, o Brasil fica sem história, a empresa sem história. Então eu achei muito interessante e parabéns para vocês também.

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