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História de Tia Cristina

História de: Sandra Cristina de Costa e Silva
Autor: Michelle Alves Dias
Publicado em: 13/12/2014

Sinopse

Sandra Cristina, mais conhecida na Vila dos Pescadores como Tia Cristina, conta como foi seu primeiro contato com a Vila 33 anos atrás e descreve o bairro desde aquela época até os dias atuais. Ela também narra o orgulho de ser bisneta de escravos.

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História completa

Gostamos muito da entrevista que fizemos em 17 de setembro com a tia Cristina, como é conhecida na Vila dos Pescadores. Seu nome completo é Sandra Cristina de Costa e Silva e ela tem 49 anos. Ela nasceu em Santos e viveu lá até se mudar para a Vila, onde já mora há 33 anos. Ela tem três filhos e uma neta. Seu filho mais velho fala quatro línguas e trabalhava em navio de cruzeiro, só parou agora porque teve uma filha e, como ele ficava nove meses fora trabalhando, era muito tempo longe de sua família.

Sua filha do meio trabalha com ela no Exército de Salvação e sua filha mais nova estuda na nossa escola, no 9º ano. Ela é bisneta de escravos, tem muito orgulho disso assim como de sua cor. Ela ainda tem uma tia viva, com 89 anos, que é a única filha de escravos viva na Baixada Santista. Tia Cristina não tem vergonha de suas características físicas nem de morar em uma favela. Mas nem sempre foi assim. No começo, logo quando ela se mudou para a Vila, ela andava toda arrumada, de salto, pois ela trabalhava no Hospital Ana Costa, em Santos, como copeira.

Ela tinha nojo de pisar na água suja empoçada da maré que subia. Então seu ex-marido a pegava no colo para levá-la até o barco, pois a entrada da Vila era pelo rio e não pela estrada como é hoje. Ela sofria muito de ver as crianças andando peladas pela rua e afundando os pés na lama. Seu maior sonho na vida é tirar os jovens da Vila do tráfico de drogas, pois o tráfico lá é muito grande. São muitos jovens envolvidos com isso, que acabam estragando o corpo, sua própria vida e a de sua família.

Para tentar solucionar esse problema e também para cuidar da saúde das crianças, ela levou para a Vila o Projeto Aproses, do Exército de Salvação. O Projeto tem várias atividades, que são chamadas de oficinas: costura, artes, informática, dança, jogos, claves. Os alunos que estudam na escola regular à tarde, ficam no Projeto das 8h30 às 11h30, e os que estudam de manhã ficam das 14h30 às 17h30. Com o passar dos anos, o Projeto foi crescendo e chegou ao Jardim Casqueiro, atendendo os adolescentes. Nesse tempo que ela mora lá, a Vila melhorou bastante, mais com a ajuda dos próprios moradores do que com o apoio do governo. Muitas ruas e casas já foram aterradas, porém a maré continua subindo e ainda inunda algumas casas. Outro problema que acontece lá são os incêndios.

Como a grande maioria das casas são de madeira e como elas são muito próximas umas das outras, quando uma casa pega fogo, logo ele se alastra e atinge outras moradias. Nessas horas de muito desespero, os funcionários e voluntários do Aproses saem correndo para procurar as crianças e levá-las para o Projeto, que é mais seguro por ser de alvenaria. Se ela pudesse, ela se mudaria da Vila para um lugar melhor, que fosse mais seguro e com menos tráfico. Ela também quer que os filhos estudem e tenham um bom emprego para terem suas casas em um lugar melhor. (Texto coletivo produzido pelos alunos do 6º ano E da UME Padre Manoel da Nóbrega)

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