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História

História de Manoel Neris de Almeida

História completa

IDENTIFICAÇÃO



Meu nome é Manuel Neris de Almeida. Eu nasci em 28 de Janeiro de 1960 na cidade de Milagres - Bahia.

FAMÍLIA


Meu apelido é Tié, quando eu era pequeno, meus irmãos meus parentes me chamava de Tié, aí ficou o apelido.

CANAÃ



Eu cheguei aqui nessa região em 1983, vim do Mato Grosso, eu cheguei dia cinco de Agosto de 1983, em Xinguá, aí eu vim com Jorge Divino, trabalhava com ele lá me Mato Grosso. Meu patrão Jorge comprou direito de posse aqui na área do Vale do Rio Doce em 1983, eu trabalhava com ele, quando a GETAT fez a estrada daqui. Aí fez a colonização, foi quando os moradores, os colonos passaram a chegar. Nós já morávamos lá em baixo na área da Vale.

Eu vim como trabalhando pra fazenda, foi quando chegou a GETAT apossou todos os colonos, nós pegamos e passamos a ter aquela intimidade e quando nós morávamos lá na área chegavam muitos garimpeiros, nós dávamos muita comida para eles, chegavam com fome, nós dávamos comida. Vinham com histórias " Eu conheço uma serra bem pertinho, do outro lado do Rio Paraopebas, eu já trabalhava em garimpo, eu trabalhei em garimpo de diamante no Mato Grosso, trabalhei no garimpo na Vila Canadá, aí um dia me deu aquela curiosidade, aí eu chamei o Jorge e disse: "Vamos lá no garimpo", aí foi eu o Nezão pai do Otaviano, o Jorge Divino, os dois filhos do Jorge Divino, e o Zé Nicasso e o Otaviano mesmo, nos estamos nessa turma, a nossa primeira pesquisa no garimpo foi dia quatro de Dezembro de 1984, a Vale já tinha feito até uma pesquisa, aí nos chegamos em cima da serra tiramos o material e fomos, fizemos teste lá na beira do rio, quando foi dia oito de Dezembro de 84 nos fomos fazer a pesquisa do olho da água, que o garimpo do Sossego, nós fizemos essa pesquisa.

O colono que era o Pelé, que era o dono da terra, ele veio aqui em Canaã, veio e comunicou com a GETAT que tinha uns garimpeiro pesquisando na terra dele: "Olha se a sua área tem minerio, se tem ouro, reúne o pessoal e vai trabalhar com ele, cobra a porcentagem dele e é bom pra você, é uma renda muito boa pra você", em Dezembro foi dado início ao garimpo manual em Chupadeira, a grota aí começa dividindo os trechos pra cada um, nessa época eu larguei de trabalhar na fazenda e comecei a trabalhar no garimpo. Na época eu peguei muito ouro, porque no garimpo do Guachão tinha muito ouro, então a gente foi trabalhando com a chupadeira e foi tirando ouro assim que dava pra despesa, outra hora a gente gastava lá com o pessoal aí continuou o garimpo. Em 84, 85 foi muita gente no garimpo, continuou até a data que foi indenizada ainda existia garimpeiro, na época, aí eu passei a trabalhar por minha conta, no garimpo também, que eu tinha chupadeira, nós continuamos e fomos pegando ouro, eu comprei um carro, uma Toyota, comprei a terra. Ia trazendo a vida assim até na época que agente foi indenizado, vendemos nossa terra para a mineração, e continuamos.

ENTRADA DA VALE



Quando o pessoal da Vale pra fazer as primeiras pesquisa, eles viam de avião, eles se comunicavam com todos garimpeiros. Eu não tenho do que reclamar, foram umas pessoas muito boas com a gente, tratavam muito bem todos os moradores lá. Nós éramos em 42 pessoas, seis morreram de malária quando eu trabalhava na fazenda e só cinco que não deu malária, desses 42. Nós sofremos muito naquela época, aí quando chegou o garimpo do Sossego, melhorou mais um pouco, porque a renda aumentou até para a colonização. Eu acredito que todos os colonos que moraram lá na região se beneficiaram. Quando a Vale começou a pesquisar a mineração, as terras valorizaram, então todo mundo por final, nós vendemos a terra pra eles. Eu estou muito feliz e estou satisfeito.

O pessoal que foi indenizado, uns moram aqui em Canaã, quem investiu no município de Canaã, estão todos satisfeitos.
Quando eu morava lá no Sossego que eu tinha terra, pra gente viver aqui em Canaã a dificuldade era a estrada, muito ruim antes da mineração, depois que a mineração começou a fazer pesquisa tudo facilitou. As pontes mesmo, com certeza. A mineração, chegar para aquela região foi uma benção, entendeu, uma benção vinda de Deus pra todos os moradores dali, ao menos eu me sinto muito feliz.

Eu parei o garimpo, foi quando eu fui indenizado, aí eu comprei outra terra há seis quilômetros, eu estou cuidando da minha terra, tirando leite, comprei um gadinho de leite, esstou tirando leite e vendendo pro laticínio, tenho um carrinho, e a gente vive trabalhando aí e ganhando o pão de cada dia.

Quando eu cheguei aqui, a energia era motor, na época que a GETAT fez o alojamento junto à prefeitura. Antes da mineração fazer essa pesquisa eu pensava em ir embora da região, pensava em voltar pro Mato Grosso, voltar pra Bahia, mas no momento em que continuavam as pesquisas, nós passamos a ter mais comunicação com Fanton, uma pessoa muito boa, Toninho, aquele pessoal todo que trabalhou ali na pesquisa na época, então eles sentavam com a gente iam lá em casa e comunicava com a gente e falava muito o que ia acontecer aqui em Canaã, então Fanton mesmo foi uma das pessoas que chegou e falou pra mim: "Olha Tié não sei seu destino, mas se você investir em Canaã você vai ser uma pessoa bem sucedida na frente porque Canaã vai ser uma cidade muito boa.

CAUSOS



O que aconteceu assim de história passada,quando eu cheguei a primeira vez lá no Sossego, eu passei muito medo, entendeu, nos fomos pescar eu o Jorge Divino e o Chico Branco que morava lá em baixo, e nós estávamos pescando assim, a base de umas seis horas da tarde, aí ficamos até umas sete horas e começou a escurecer, aí ele escutou assim na barreira o Chico Branco chegou e falou pro Jorge, falou: "Olha é a onça", aí o pessoal falou assim: "Não é a onça nada", ele falou assim: "É a onça sim", aí ele focou assim na barreira do rio, do rio Paraopebas, aí a onça veio descendo assim pra beber água, nós estávamos bem pertinho assim água rasa na corredeira, aí ele falou: "Vamos voltar com a canoa porque a onça vai pular em nós", isso no primeiro dia que nós chegamos pra trabalhar, a onça vai pular em nós, ai ele chegou e falou assim, o Chico Branco, o Jorge ficou focando com a lanterna e o Chico Branco falou assim: "Tié volta com a canoa, faz a volta com a canoa porque a onça vai pular em nós", mas neste momento estava todo mundo instável assim e nessa hora que eu fui voltando com a canoa um peixe bateu na minha perna, destes peixes elétrico, não sei se vocês conhecem... Então a lanterna estava focando só lá no rumo da onça, entendeu, e o peixe batendo na minha perna, eu dei um grito que..., ficou na história aquilo. Os caras pensaram que a onça tinha pulado em mim...

Ah, mas essa foi uma passagem muito importante na minha vida, porque toda vez que eu lembro que eu conto pro pessoal...

Aí adormeceu minha perna todinha e eu caí assim, é perigoso um peixe daquele é perigoso, aí eu cai assim, por cima da canoa e disse: "Foi um negócio na minha perna", adormeceu, mas tudo bem, tem outras passagem mais importante, essa deixou marca na minha vida...

E tudo isso que eu falei do início, tem muita gente que nem Jorge Divino mora lá em Tucumã, tem o vereador Otaviano, tem muitas pessoas que conhecem a gente que quando eles chegaram nós já estávamos lá dentro, eu não vou contar uma história que as vezes qualquer pessoa que me conhece fala: "Esse aí está contando história de pescador", aconteceu que isso é verídico.

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