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História de Jeremias Ribeiro Santana

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IDENTIFICAÇÃO



Meu nome completo é Jeremias Ribeiro Santana, sou nascido a 18 de fevereiro de 52 em Jussara, interior de Goiás.

CANAÃ DOS CARAJÁS



Chegada a Canaã
Olha, a gente sempre pensava em buscar um futuro, um lote de terra, uma maneira assim de conseguir um terreno para trabalhar. Lá no Goiás estava muito difícil, a gente ouvia falar do Pará, Mato Grosso, eu falei: “Vamos embora para o Pará”. E aí nós viemos até Xinguara e de Xinguara nós descemos por Serra Sul, até a Vila de Mozartinópolis, município de Canaã. E gostamos da região, uma região muito boa. Era tudo mata, não tinha estrada não existia estrada, nem madeireiro nessa época. Mas para nós o que importava era a floresta, que era boa, era uma terra festiva, então nós viemos.

Assentamento
O que nos atraiu nessa época não foi madeira, não foi garimpo, foi a agricultura. Estava em busca de um terreno, um lote para agricultura. Isso foi no ano de 1982. Nós começamos lá com um grupo grande de gente. Em 82, quando nós entramos para lá, tinha mais ou menos na base de umas 130 famílias. Mas as famílias não estavam todas dentro da mata, estavam em Xinguara, que não existia Canaã. Foi em 83 que começou Canaã. A colonização não era do Grupo Executivo das Terras do Araguaia e Tocantins, que era chamado assim a responsável pela colonização, GETAT. Foi em 83, nessa época já tinha um ano que a gente estava lá dentro de Serra Sul. Até a nossa área de terra, a nossa gleba, diz que é gleba, de Parauapebas, não foi colonizada pela GETAT. Ela foi medida pelo Incra como direito de posse, porque quando o Incra chegou nos encontrou lá dentro. Nós viemos primeiro do que o Incra.

Racha-placa
Olha, na época, que surgiu esse nome, quando nós mudamos para lá, esse grupo essas famílias, eram de paulista, baiano, pernambucano, sergipano. Veio gente de todo lugar, não foi só de Jussara, foi de toda parte. Tinha mineiro. Então, gente estava lá brincando e fazendo o mutirão, aquele tanto de gente lá, reunida, alegre. Foi na época que a CVRD, a Companhia Vale do Rio Doce, entrou fazendo a demarcação do Parque Florestal aqui na reserva. Passou uma linha marcando o Parque. Ficou a área da Vila Mozartinópolis, que hoje foi liberada pelo Incra, ficou dentro da área. E nesse período, tinha uns oito dias que eles tinham colocado uma placa “Área de Reserva Florestal, Proibido Desmatamento, Caça e Pesca”. Aí todo mundo reunido, mas como o Mozart já tinha ido lá, o pessoal falou: “Vamos colocar um nome na Vila”. Outro diz: “Amercolândia”, “Bom Jardim”. Aquela conversa e aí nós falamos: “Vamos colocar Mozartinópolis, que é em homenagem ao Mozart, um cara que ajuda muito a gente, um superintendente da Vale que prometeu que vai dar toda a cobertura”. “Então vamos colocar. Não pode colocar Mozart por causa do nome dele, então nós vamos colocar Mozartinópolis”. Quando nós estávamos falando aquela brincadeira, um colega falou “Não, aqui não é Mozart, é o Racha-placa, porque rachou uma placa bem ali”. E trouxe esse nome, “Racha-placa”, por causa dessa brincadeira, mas foi por causa da placa que a Vale tinha colocado na época e o pessoal rachava e era brincando.

RELAÇÃO CVRD/COMUNIDADE



Benefícios para a região
Há vinte anos que a Vale está trabalhando em município de Canaã. Eu morei dentro da comunidade, 60 km sem estrada com a minha família lá dentro. Todo apoio que eu tive em aula, em saúde com os meninos, em educação e tudo. O meu menino tem um segundo grau completo com o apoio da Vale. Dentro da mata, com todo apoio, não tem nenhum que não tenha o segundo grau. Com o apoio da Vale, porque se não fosse a Vale, jamais eu estaria aqui hoje com uma criança que já tem o segundo grau. Na comunidade não sou só eu, a comunidade toda deve isso aí. E não só educação que ela ajudou. Falando assim há 10, 15, 20 anos. Não estou falando no presente, estou falando no passado. Se tiver uma pessoa na comunidade que não fala bem pelo trabalho bem feito, está mentindo, porque tem muitas pessoas lá que devem a vida para a Vale porque foram acidentadas no meio da mata, o avião dela vinha e pegava, o helicóptero. Pessoas doentes com malária. Professores vinham de Marabá, eles buscavam e levavam de avião. Deu todo o apoio à comunidade. Agora, ultimamente, com o projeto agora que veio aqui para Canaã, que não é mais o tempo de Parauapebas, que hoje é Canaã, ela mudou. Mudou Canaã dentro de um ano todinha, totalmente. Canaã era uma vila, hoje Canaã é uma cidade. Canaã não tinha estrada. Hoje está tudo asfaltado. Então, Canaã dentro de um ano mudou. Mudou o que levou 20 anos para construir Parauapebas. Canaã mudou em um ano, se fez em um ano. A Vale mudou muito Canaã, o município. Ajudou e mudou. Se não fosse a Vale, nem teria como eu nem meus companheiros estarmos acomodados lá hoje. Tem uma vila, tem colégio, quadra de esporte, tem posto de saúde e tudo com o apoio da CVRD. Se não fosse a CVRD, jamais teria esse tipo de coisa lá dentro. Através só do governo municipal, não é fácil. Por quê? Não é fácil porque o recurso é pouco. Não tinha como fazer. Era município de Marabá, não era município de Parauapebas. Você vê que a distância são mais de 200 km da sede do município. Então não tinha como fazer nada no governo municipal se não fosse pela Companhia. Eu acho o seguinte, sempre eu gosto de falar e continuo falando: “A Vale não é boa, a Vale não quer só o bom, ela quer além do bom. A Vale quer o bom especial. Sempre o apoio da Vale tem sido um apoio especial mesmo, um apoio total para a comunidade.

PARAUAPEBAS



Emancipação
Eu participei da emancipação de Parauapebas, que pertencia a Marabá. Na época que nós chegamos aqui, não era Parauapebas, era município de Marabá. Foi emancipado, nós tivemos o plebiscito, votamos a favor da emancipação de Parauapebas.

CANAÃ DOS CARAJÁS



Emancipação
De Canaã também participamos da emancipação. Lutamos, batalhamos para que nós tivéssemos o plebiscito. Eu vou te falar porque nós lutamos muito pelo interesse de Canaã. Eu mesmo lutei porque Parauapebas era um município rico. Canaã era pequeno. Nós tínhamos a preocupação que ia haver mais tarde a maior jazida de ferro que eu hoje conheço. Eu conheço o município. Eu conheço a agricultura como eu conheço as áreas minerais. Eu trabalhei, eu sei o que é minério. A maior jazida de ferro, Canaã tem mais ferro do que Parauapebas, três vezes mais. Então só quem está ali explorando é Parauapebas, não Canaã. E ali, esse é um tesouro que está enterrado ali, não se sabe quando Vale vai mexer, mas tem essa riqueza. Então nós sabíamos que um dia ia mexer nessa mineração, então nós brigamos para que Canaã fosse separado de Parauapebas enquanto não aparecesse o projeto da Vale aqui. Porque depois que aparecesse seria difícil ter o plebiscito por causa da mineração e aí Parauapebas não queria ceder. E a maioria dos votos ia ser contra lá. Então nós não íamos conseguir o plebiscito. Então nós brigamos para que tivesse o plebiscito da criação da lei. Então, foi quando foi criada a lei, foi até antecipada. Antecipamos essa lei porque se não poderia demorar doze anos para ser autorizado pelo Senado e até hoje Canaã estaria no município de Parauapebas. Seria difícil nos separarmos de Parauapebas depois pela mineração que está sendo feita hoje. Porque Parauapebas não iria querer. Nessa época foi favorável porque Canaã era uma vilinha, então foi fácil criar o plebiscito.

TRABALHO



Vereador
Participei da primeira administração como vereador. Debatemos e conseguimos a lei do município. Só que levou ainda dois anos para sair a política. Foi em 94, dia 5 de outubro de 94. E a política foi em 96. Então, nessa época, em 96, quando foi a época da política, eu me candidatei e participei. Fui eleito vereador e trabalhei quatro anos pelo município. Trabalho sempre no município, mas não na qualidade de vereador, como vereador trabalhei quatro anos. Candidatei-me à reeleição, fui bem apoiado pela comunidade da vila onde eu moro, Racha-placa, onde tirei 90% dos votos, mas só que a vila era pequena, não deu para eu me reeleger. Hoje existe o problema de partido. Por que o problema de partido? O problema de partido é o seguinte: às vezes você fica com a legenda que consegue subir com pouco voto e talvez você com muito voto não consiga. Eu sou o quinto mais votado. Só tem três menos votados que eu, o quarto hoje está na Câmara. Eu sou o quinto. E fiquei por dois votos, então se tivesse mais dois votos eu estaria lá. Eu fui bem apoiado pela comunidade, não só no Racha-Placa, mas em todo município, fui o quinto votado no município a vereador, mas faltaram dois votos. Então é se conformar que na outra a gente pensa, talvez, se tiver a oportunidade, em concorrer. Se não tiver, estar ajudando os amigos a concorrer. Eu hoje estou no PP, trabalho pelo PP.

RELAÇÃO CVRD/COMUNIDADE



Futuro DE Canaã
Com certeza, eu acabei de falar agora, o maior tesouro nacional que eu acredito, em mineração, está no município de Canaã. Porque além do cobre, estão aí os vários projetos que eu acredito. Tem o níquel, que é um projeto bem encostadinho em Canaã. Tem o níquel vermelho, tem o níquel branco, tem o cristalino, tem o 118, tem o 112, e, além disso, lá no Racha-placa tem uma mineraçãozinha pequena que está tirando manual, eu tenho certeza que é uma grande jazida de cobre. Mais cobre, mais ferro do que Parauapebas tem aí. Se a Vale continuar trabalhando, ela tem minério para explorar. Então eu sei que tem, eu vejo, como eu estou vendo aqui o presente, o passado, e falando agora no futuro. A Vale eu tenho certeza que mudou e vai mudar. Falando em agricultura, para você tirar uma pequena experiência com a Vale. Quando você planta uma lavoura, quando você começa a produzir, tirar, colher aqueles legumes, é que você vai começar a ver o fruto seu, ver o que você fez ali. A Vale até agora está implantando, ela está plantando. Agora, a partir de janeiro que ela vai começar a tirar alguma coisa daqui. Então, como é que você pode, na lavoura, estar só construindo, só plantando, zelando, arrumando? Nunca você vai ter só gastos. Agora, ela vai ter o lucro dela e a partir do momento que a Vale tiver lucro, nós também seremos beneficiados. Porque tudo que a Vale sempre fez, ela beneficiou também. A Vale nunca veio aqui e furou um buraco dentro do município e foi embora deixando aquilo ali. Se ela faz um pequeno buraquinho de sonda ou cava qualquer coisa ali, ela procura recuperar aquilo. Então tenho certeza também que a partir do momento que começar a trabalhar, e ela começar a pagar os seus royalties, seus impostos, e as parcerias como o Plano PDS, que é um grande plano, um bom trabalho que ela está fazendo, eu tenho certeza que Canaã daqui 10 anos não será mais essa Canaã que nós esperamos. Já será outra Canaã. Se eu sair daqui e for para outro lugar, a hora que eu voltar, daqui 10 anos, não vou nem conhecer, e eu sou o fundador daqui. Então eu espero isso aí, eu vejo isso aí, na minha visão, não sei se todos vêem, mas eu vejo isso daí, na minha visão pessoal.

Momento marcante
Eu lembro como se fosse hoje o primeiro dia que avião da Vale, o helicóptero, desceu lá na Vilinha, em 83, e não foi feito um convênio assinado, mas um convênio verbalmente de todo apoio, toda cobertura que a Vale ia dar para nós lá dentro. Mas também da nossa parte, o que a gente pudesse contribuir com a Vale. A gente sempre procurou fazer o que foi possível para ajudar a empresa. E a empresa também, lembro como hoje, nunca faltou do lado dela. Isso daí todo mundo sempre fala, que a empresa tem sido muito importante para a comunidade, muito cumpridora com suas promessas, o que ela cumpriu, nunca faltou. Sempre pode faltar do lado da gente que somos fracos, mas do lado dela, não. Então eu lembro até hoje quando nós e o Doutor Mozart, o Coronel Elani, o Doutor Frederico, era o defensor jurídico da empresa deles lá dentro, e o Tenente César, acompanhados de gente que estava no helicóptero, passamos o dia lá conversando, debatendo. E aí foi que nós passamos a conhecer o que era a Vale e o interesse da Vale. Então esse foi o ponto bem marcante.

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