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História de Jeová Gonçalves Andrade

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IDENTIFICAÇÃO



Meu nome completo é Jeová Gonçalves de Andrade, eu nasci em João Pinheiro, Minas Gerais, a data foi 8 de fevereiro de 1962.

CANAÃ DOS CARAJÁS



Chegada a Canaã
Eu cheguei em Canaã a passeio. No ano de 85, quando alguns parentes meus vieram de mudança e aí me convidaram para vir passear. E assim aconteceu, vim a passeio, cheguei em Canaã, gostei demais, muitas belezas que a gente viu aqui que não existiam em Minas, matas, muita chuva, produção agrícola rica demais, tudo que se plantava produzia muito. Então eu gostei demais, achei uma coisa maravilhosa e esse passeio já dura quase 20 anos. Resolvi mudar para cá e estou até hoje. E não e não penso em voltar não. Somente dois tios meus que vieram de mudança, mas meus pais e meus irmãos ainda moram todos em João Pinheiro, estado de Minas, somente eu aqui, além desses dois tios. Isso foi em fevereiro de 85 eu cheguei para Canaã, CDL2 na época, quando a vila estava bem no começozinho.

Origens
Quando nós chegamos aqui, em 85 , tinha umas quatro ou cinco casas somente, o resto era somente mata.Quatro ou cinco casinhas, era só a sede do Projeto GETAT. Hoje o local que é a sede do município era todo mato ainda.

TRABALHO



Atividades em Canaã
Eu não vim com o objetivo de terra, mas depois consegui um pedacinho de terra, já fiz comprar, porque já tinha encerrado o projeto de doação de lotes. Comprei 10 alqueires de terra e fiquei um ano, dois anos somente, vendi e vim para a cidade, para a vila na época. Aí fui ser diretor de escola, supervisor, fui diretor da primeira escola estadual, Escola João Nelson. Fui supervisor, fui professor. Posteriormente, passei a ser comerciante. Fui vereador quando aqui era município de Parauapebas, CDL2, fui o presidente da Comissão de Emancipação da Cidade, fui o presidente. Nessa Comissão tinha bastantes membros que contribuíram na época para votarmos para a emancipação da cidade.

RELAÇÃO CVRD/COMUNIDADE



Chegada da CVRD
Quando a gente chegou, em 85, a Vale era uma das razões que a gente acreditava no desenvolvimento de Canaã. Porque em 85, quando nós chegamos, a Vale já tinha passagem aqui no município. Nas nossas terras mesmo, próximo onde hoje é o projeto do Níquel, já tinha muita perfuração de poços de sondagem, tinha barracos de alojamento de pesquisa, essas coisas. Então a gente já ouvia falar que a Vale um dia viria explorar o minério. Uma vez por mês, uma vez por ano, vinha um helicóptero de pessoal fazendo umas sondagens, umas pesquisas, então em 85 já existia plano da Vale vir explorar o minério. E após isso, foi graduando mais de curto em curto tempo a presença de funcionários da Vale, presença de pesquisadores, e hoje está a implantação do projeto.

Melhorias na região
Eu acho que a Vale tem feito bastante coisa, porque justamente, através da Vale, é que se teve a expectativa de desenvolvimento do lugar, através da implantação do Projeto Mineração Serra do Sossego. Antes da implantação do Projeto não tinha outra opção de emprego, então, automaticamente, criou inúmeras oportunidades de emprego para a população, trouxe melhorias na qualidade de vida da população no sentido de saneamento básico que está implantando, pavimentação de ruas. Automaticamente, com a implantação do Projeto, o hospital teve que ser ampliado, vai ter condições de melhorar o atendimento à saúde, criação de centros profissionalizantes que ajudam muito a desenvolver essa sociedade. Então, com certeza, a Vale contribuiu e vai contribuir muito. O que eu, às vezes, digo que falta no nosso município, faltou sempre e continua faltando, é a seriedade dos administradores. Porque se tivesse um governo que fizesse com seriedade a parte dele, o município estaria mais desenvolvido. Mas eu espero que a Vale continue ajudando e que outros administradores que virão façam sua parte a cidade se desenvolver.

Impactos sociais
Teve, com certeza teve um impacto grande a chegada da Vale. Porque a cidade era muita pacata, muito tranqüila, uma das mais tranqüilas do Estado do Pará. Para se ter uma idéia do índice de violência em Canaã, passavam 4 , 5 anos sem se ouvir falar em um assassinato. Você podia dormir com as portas abertas, sair para a rua e deixar a chave na porta que não tinha assalto, não tinha mendigo. Todas as pessoas que aqui viviam eram enraizadas, tinham sua renda, seu pedaço de terra, seu trabalho. E com a chegada do Projeto, automaticamente, juntamente com o Projeto, vieram muitas pessoas procurando emprego, vieram outras pessoas aproveitando a oportunidade para ser bandido do município e aproveitar o crescimento do município e fazer também os seus malfazeres. Então, com certeza, teve muito impacto social. Hoje já tem muitas pessoas sem moradia, muitas pessoas desempregadas, muitas pessoas pedindo na rua, coisa que antes vocês não via, antes você não via ninguém pedindo na rua, hoje você vê muito isso.

Cursos profissionalizantes
A parceria da Vale com escolas começou, não sei a data correta, mas a partir de 98, 99. E até não posso dizer que não tinha, porque eu lembro que na minha época de diretor de escola a Vale fez um curso seletivo, uma seleção, e chamou um grupo de jovens que foram para Carajás, fizeram curso lá e hoje são funcionários da Vale do Rio Doce. Então, indiretamente, a Vale já contribuiu naquele tempo, lá pelos anos de 85, 86, a Vale já deu a oportunidade de levar um grupo de jovens daqui que aprenderam profissão lá e hoje estão trabalhando, são funcionários da Vale.

Momentos marcantes
Acho que tem muitas lembranças boas e também lembranças de dificuldades. Naquele tempo, só para se ter uma idéia, a gente saía daqui cedo para Parauapebas e chegava à tardezinha, à noite, às vezes dormia no caminho. Você ia tentar passar uma estrada aí era atoleiro em cima de atoleiro, aí descia todo mundo, empurrava carro, quando conseguia desatolar andava mais 50 metros atolava de novo. Aí muitas vezes dormia no caminho, carro quebrava. Então era uma dificuldade tão grande. Chuva, naquele tempo às vezes você levantava segunda cedo, trabalhava a semana toda sem ver a cor do sol. Chovia dia e noite, sem parar, mas era um clima gostoso, não fazia frio nem nada, era aquele clima gostoso, muita chuva mesmo. As dificuldades de estrada, justamente por causa das chuvas, eram mais intensas, não tinha nenhum período que você tinha estrada boa, todo o período as estradas eram cheias de atoleiro. Não tinha escolha, se fosse para Xinguara, era atoleiro; se fosse para Parauapebas, era atoleiro. Comunicação, falta de comunicação, aqui a gente era isolado. Não me lembro o ano correto, mas até 84, 85, éramos isolados. Até o ano de 90 quase não tínhamos meio de comunicação de jeito nenhum aqui. Qualquer comunicação que você quisesse fazer tinha que ir fora. Parauapebas, Marabá ou Xinguara. Nem Parauapebas naquele tempo tinha bons meios de comunicação. E a gente sofreu demais, a dificuldade era muita, mas aquilo que eu falei: o clima era tão gostoso, era a natureza, era muito gratificante a gente viver nesse clima que aqui tinha. Quase que era mata intocada. Nas beiras da estrada, de um lado e de outro, era só plantação que você via com o cheiro gostoso das flores, de plantas, arroz, feijão, milho, banana. Isso aqui produziu muitas e muitas carradas de feijão, milho, banana que a gente levava para outros Estados.

RELAÇÃO CVRD/COMUNIDADE



Futuro
Ah, eu vejo muita prosperidade. Eu acho que é um futuro próspero. Com certeza a gente vai ter muito apoio da Vale do Rio Doce. Eu espero que os novos administradores que vão chegando também terão mais compromissos e atuarão melhor no município. Porque um administrador não pode contar só com a Vale, ele tem que buscar outros objetivos para o município. Seria investimento de alguma indústria. Tem tantos artefatos do município que dá para pensar em reaproveitar por aqui mesmo. Por exemplo, couro ou alguma coisa na agricultura. Eu acho que os administradores terão que correr atrás de outros incentivos, outras indústrias, outros meio de geração de empregos para o município. Porque a Vale, a gente não sabe se ela vai ficar aqui. A previsão desse projeto seria 15 anos. Será que após esses 15 anos vão surgir outros? Então não dá para ficar contando só com Vale, porque depois, um dia, a Vale vai embora e nossa população, como é que fica? A Vale indo embora vai acabar geração de imposto, geração de emprego. Então nessa hora o município tem que estar preparado para não precisar depender somente da Vale. Mas hoje eu vejo que temos para desenvolver. Eu acho que independentemente da Vale, já temos oportunidade de crescimento, mas com a Vale será maior ainda. Ela vai ajudar e o município vai desenvolver. Tive boas amizades na Vale do Rio Doce no meu período de vereador. Tive muitos conhecidos em Parauapebas, Carajás na época. E aqui, com os funcionários atuais da mineração, não tenho conhecimento. Tenho conhecimentos, mas não tenho conhecimentos íntimos com nenhum deles.

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