Busca avançada



Criar

História

História de Abner Dias

História completa

IDENTIFICAÇÃO


Meu nome é Abner Dias. Nascido em Cariacica, no Espírito Santo. Eu nasci no dia 2 de julho de 1929.

FAMÍLIA


Pais
O nome dos meus pais são Graciano Dias e Maria da Penha Dias. Minha mãe era do lar e meu pai trabalhava no comércio como vendedor.

Avós
O nome dos meus avós eu sei pouca coisa. Eu sei que meu avô por parte de pai foi adotado por uma família, porque naquela época dele os negros eram escravizados. Eram escravizados, e ele como negro não foi escravo porque foi adotado por uma família de branco e foi criado como filho. É o que eu sei, mais ou menos. E dos outros meus irmãos, por parte de mãe, eu não sei não. Sei que eles eram agricultores. Eles viviam mexendo com roça. Só não conheci minha avó por parte de pai.

Quando eu tomei conhecimento, meus avós por parte de mãe eram separados. Eles não viviam juntos não. E eu me lembro muito bem quando o meu avô morreu, a minha avó voltou para a casa dela. Que por herança era dela mesmo. Mas eles eram um pessoal assim, muito pobre. Eles vivam plantando mandioca para vender, e depois que meu avô morreu a coisa ficou muito ruim mesmo. Andando para trás. Eles iam, eles arrancavam a mandioca mas não plantavam outra. E, no fim das contas, eles morreram mesmo numa miséria danada. Porque minha avó criava quatro netos que não tinham pais. E eles viviam assim. Aí tinha um filho dela que era deficiente físico, mas trabalhava. Ele tinha uma perninha fina. Trabalhava, mas não tinha muita boa vontade. Aquilo foi andando para trás, e eles ficaram numa miséria mesmo. Passaram fome mesmo. Eu me lembro que as pessoas juntavam para poder dar alguma coisa para eles comerem, não tinham nada. E tinha o terreno, mas não valia nada. Eles não trabalhavam. Isso pelo lado da minha mãe. Pelo lado do meu pai, eu não conheci minha avó e meu avô. Eu fui criado com uma família de brancos. E assim que acabou aquele a escravidão, aqueles senhores que não eram senhores coisa nenhuma, também não tinham muita riqueza. Ele também ficou pobre.

Ambiente familiar
O nosso ambiente era o seguinte: a pobreza imperava mesmo. Meu pai trabalhava no mercado vendendo carvão. Mas aquele trabalho era só até mais ou menos 11 horas, meio dia. Então, um dia a gente ia para a escola, outro dia a gente ia ajudar o papai a vender carvão. E quando a gente chegava da aula a gente não tinha almoço ainda. A gente tomava café com polenta. Tomava café com polenta e ia para o mangue, porque era perto. A gente ia para o mangue pescar caranguejo, arrancar caranguejo do buraco, pescar, essa coisa. À tarde, então, a gente tinha uma janta, tinha um feijão com arroz, carne, peixe, mariscos. A gente se alimentava bem. Aí, no outro dia, a coisa continuava. No outro dia ou ia para a escola ou ia para o mercado com papai. Assim, tanto que eu não consegui passar para o quarto ano por causa isso. Porque o último ano eu não tive freqüência na escola.

Convivência
Eu tive oito irmãos. Eu sou o mais velho. A gente se relaciona bem, muito bem. Às vezes, meu pai falava isso. Mas é uma coisa que não era muito de se levar a sério. Não era não. Aqui nós vivíamos uma irmandade unida. Tudo igual. A minha mãe coordenava melhor as coisas. O meu pai bebia. Ele bebia, então pessoa assim, às vezes não tem muita sabedoria para agir dentro de casa. Então era a minha mãe que dava mais uma assistência. Por exemplo, a gente ia para o mato caçar lenha, para ajudar a mamãe. Nós queimávamos lenha no fogão. Nós morávamos num lugar que tinha mato. A gente ia pegar lenha no mato. De qualquer maneira, a gente ajudava. Pegava água porque não tinha água encanada em casa. A gente ia lá na fonte buscar lata d'água. A gente fazia essas coisas, a mãe mandava. E a gente tinha as horas de brincar. A gente jogava bola de vidro. É isso aí. Tinha casa próximas. Quase tudo parente, a gente vivia num lugarejo em que a maioria do povo era um parente do outro.

Mãe
A minha mãe costurava a minha roupa. Ela não era costureira não. Mas ela costurava. Tinha uma máquina tocada a mão onde ela costurava a roupa da gente. Ela ficou muito alegre com o emprego que eu arrumei na Vale. Só de a gente ter a alimentação, a coisa mudou muito.

Irmãos
O meu irmão mais novo do que eu também é aposentado da Vale, o Manoel. E meu irmão mais novo de todos também. E tem o Raulino. O Raulino é um deficiente, é meio doente. Ele é aposentado também, mas esse era marceneiro, trabalhava em oficina de móveis. E o Julião, o Julião vive mais separado da gente, porque ele mora num lugar que ninguém sabe onde, a gente procura, não o acha. Depois de adulto que ele extraviou. Ele deu para beber e aí ficou separado. Então a gente não sabe nem onde ele anda.

Agora, morreu uma das minhas irmãs, a Margarida. Ela morreu depois de casada. E tem Maria que é, como se diz, pensionista da Vale. O marido dela que era empregado da Vale quando morreu. E tem ainda a Matilde, minha irmã mais nova, que é Enfermeira no Hospital São José em Vitória.


Filhos
Graças a Deus que eu criei minha família, meus filhos. Todo mundo é formado. Quer dizer, a minha filha mais velha não é formada, mas os outros são todos, quatro são formados. E, graças a Deus, são todos evangélicos. E nós levamos uma vida muito boa ultimamente. Nós temos casa própria, nós temos carro. Tudo bem. Tudo que a gente não tinha na meninice.

Tenho cinco filhos. Quando eu casei eu já tinha uma filha, com 2 anos de idade. Ela nasceu em 1956. E eu me casei em 1958. Eu e a minha mulher, Terezinha, registramos essa menina como nossa filha legítima. Agora, com a Terezinha eu tive quatro. A mais velha é Ângela Maria, depois veio a Denise, Danilza, Abner e Graciano. São cinco filhos no total. A Denise e Danilza são professoras, o Abner é Supervisor na Cenibra e o Graciano é Engenheiro Eletricista.


Netos
Eu e a minha esposa temos dois netos morando lá porque eles estão estudando. Eles são da Bahia, de Eunápolis, onde eles foram criados. E lá, não tem um estudo suficiente que eles estão precisando. Então eles vieram para Valadares. Uma moça já fez vestibular, não passou, está fazendo cursinho. E o rapaz está fazendo também vestibular agora, para ver se segue carreira nos estudos. Então eles moram com a gente.

CASAMENTO


Ah, eu conheci minha esposa num jantar. Ela tem uma irmã casada com um rapaz que era meu colega de serviço. Então esse colega me chamou um dia para eu jantar com ele em sua. E eu fui. Cheguei lá e conheci a mihna esposa. Ela era cunhada dele. Aí, dali nós começamos a namorar. Parece que foi até que esse convite foi uma jogada, um negócio. Eu era Maquinista. Quando eu casei, eu já tinha 10 anos de serviço na Vale. O nome dela é Terezinha Dias Amaral. Daí a 6 meses nós casamos. Ela não tinha pai. Tinha apenas a mãe. Ela tinha mais umas irmãs. Ela teve quatro irmãs que casaram com empregados da Vale. E uma delas já morreu e outra é viúva.



EDUCAÇÃO


Escola mista
Bom, a nossa casa era uma casa de roça, casa de estuque, feita com barro. Farinha de barro. A gente caminhava umas 2 horas a pé até a escola. Falar a pé que é bobagem porque todo mundo andava a pé mesmo. Então, eu estudei até o terceiro ano primário nessa escola, que se chamava "Escola Mista". Escola Mista é onde uma só professora dá aula para primeiro, segundo, terceiro e quarto anos ao mesmo tempo. Então, eu, por exemplo, estudei até o terceiro ano. Eu tive muito conhecimento porque a gente participava das aulas dos outros alunos mais adiantados. As aulas eram em conjunto.

Aprendizado na CVRD
Eu aprendi mais um pouco depois que eu entrei na Vale do Rio Doce. A Vale necessitava promover Maquinistas. Mas a maioria do povo era analfabeto, tinha pouco conhecimento porque, naquele tempo, o serviço era muito pesado. E as pessoas que tinham um certo grau de conhecimento não iam entrar na Vale do Rio Doce não. Era muito danado. Aquilo era para analfabeto mesmo. Então nasceu na Vale a necessidade de promover Maquinistas. Então foi escolhido um grupo que foi levado a Vitória para estudar português e matemática. Só português e matemática. Nós ficamos seis meses fazendo esse estudo de português e de matemática, com 8 horas de aula por dia. Aí nós chegamos, segundo eles, ao terceiro ano ginasial. O que é o primeiro grau hoje era o ginásio na época. Então a gente chegou ao terceiro ano. Segundo eles, é o terceiro ano ginasial. Desse modo que nós tivemos mais conhecimento e fomos fazer o curso de Maquinista.

INFÂNCIA


A casa da infância
O fogão a lenha, você sabe, todo mundo cozinhava a lenha. E a luz era lamparina. A gente comprava querosene e lamparina. A lamparina se chama lampião. Colocava-se querosene com um pavio de pano e aquilo era a iluminação da casa. Era uma casa chamada barraco, o chamado barraco. Mas era coberto com telha e em volta era barro. Barreado, piso de chão e era uma coisa de muito pobre. Naquele lugarejo, todo mundo era igual, tudo era igual, sobre o meio de vida. As coisas eram tudo do mesmo tipo. A gente não tinha banheiro sanitário, usava o mato mesmo.


Brincadeiras
A gente brincava de todo jeito, até com arco de barril a gente brincava. Tem um barril que vinha antigamente com vinho, um negócio redondo. Por fora ele tem um arco de ferro. A gente tirava aquele arco de ferro e fazia uma curva num arame e tocava ali na roda e a gente saía correndo para a estrada empurrando aquilo, brincando. A gente brincava de qualquer maneira. A gente pegava tampinha de garrafa de cerveja nas portas dos botecos e fazia uma rodinha com pedaço de prato de louça. A gente botava uma barquinha e jogava para ganhar a tampinha do colega. Com a rodinha de prato de louça a gente fazia a barca. Do mesmo modo a gente jogava bola de vidro.


COSTUMES


Hoje eu sou evangélico. Eu tornei-me evangélico em 1986. Daí para cá que eu freqüento igreja. Até então, a gente se dizia católico, mas católico não era também não, era maneira de falar. A pessoa perguntava: "Você é evangélico?" "Não, sou católico." Mas, às vezes, ele não tem nada de católico. É isso aí. Mas eu não freqüentava a igreja quando era criança. Os meus pais não iam também. Eu acho que meu pai nunca foi na igreja.

A minha mulher é evangélica desde 1964. Então, com o decorrer do tempo, ela sempre convidava: "Vamos à igreja." Eu não ia não. "Ah, não vou não." "Vamos." Às vezes eu ia. Com aquilo eu passei a entender o plano da salvação. E como eu passei a entender, eu me achei no dever de me converter a Jesus. Então é isso que me fez ser evangélico. Hoje eu sou diácono em experiência da Igreja Batista em Valadares. Diácono é a pessoa que cuida de servir a mesa. Então, servir a mesa é aí. Eu sou tesoureiro da beneficência da igreja, então eu ajudo as pessoas carentes da igreja. Nós temos viúvas que não podem pagar o aluguel, nós temos pessoas que não podem comprar alimentação. Nós fazemos um dia de ceia na igreja, é o diácono que serve a ceia. Então é assim: a função do diácono é servir. Servir. E essa é a minha função na igreja. Como tesoureiro na beneficência eu arrecado, porque eu não faço com o dinheiro do meu bolso não. Mas sou incumbido de fazer a distribuição. Então eu recebo da igreja e faço a distribuição de aluguel, alimento e remédio para as pessoas carentes desde 1994. Por aí.


TRABALHO


Venda de carvão
Eu ajudei meu pão. Quando meu pai morreu, eu estava com 16 anos. Aí eu assumi a liderança no próprio mercado. Trabalhando no mercado. Nessas alturas eu comprava verdura, legumes, e ia para a rua vender. Meu irmão ficou vendendo carvão. Manoel, meu irmão mais novo do que eu, ficou também vendendo carvão e nós começamos a tratar dos irmãos e da mamãe lá em casa. Até quando eu fui para o Exército, quando eu fiz 18 anos, meu irmão ficou por conta da casa, ajudando a minha mãe a criar os meninos, trabalhando no carvão. Isso foi até quando eu deixei o Exército. Logo depois, eu entrei na Vale do Rio Doce. A partir daí, a coisa começou a melhorar.

Exército
Eu servi o Exército na cidade de Vila Velha, no Espírito Santo, de março até o dia 12 de agosto de 1948. No dia 8 de setembro, eu entrei para a Vale.

A minha mãe chorou muito quando soube que eu teria que servir ao Exército, porque ela não queria. Mas, quanto ao alistamento, era obrigação. Eu acho que é obrigado até hoje. E o Exército convoca para se apresentar no ano tal. Então, naquele ano que ele convocou a gente tem que ir. Ou é o chamado insubmisso. Eles até prendem. E prendiam mesmo. Eu não sei se ainda faz isso. Então, a gente era obrigado a ir. Então, como tinha os meus vizinhos lá, colegas meus de infância, coisa e tal, que não passaram no exame e voltaram para casa, a minha mãe achou ruim por eu ter ficado. E ela chorou muito. Porque os filhos dos outros vieram embora, o dela teve que ficar lá.

A experiência foi boa. Aquilo lá é mais uma brincadeira do que tudo. É servir de soldado. Instrução de guerra. Não era a mesma coisa com um soldado militar. Com polícia é diferente. É instrução no quartel mesmo. Tira serviço ali mesmo, na porta do almoxarifado. Dá uma patrulhada na rua com um pauzinho na mão e volta para o quartel. É uma atividade até boa! A gente não ganha nada também não, mas é bem alegre.

Cenibra
Eu fui convidado para trabalhar na Cenibra. O meu filho trabalha na Cenibra. Então eu fui convidado para dar umas folgas para os Maquinistas, a Cenibra tem quatro Maquinistas, eles dão folga de ano a ano aos quatro juntos. Então eles sempre contratam um Maquinista aposentado da Vale, porque aquilo lá também é da Vale. Então você dá folga de um em um. E, de mês a mês, um vai saindo, você vai. Quando acaba os quatro meses manda embora. Então eu trabalhei por um período na Cenibra em 1984, dando folga aos Maquinistas de lá. Aí depois não me chamaram mais. Mas eles, até hoje, me parece que eles continuam com esse mesmo sistema.

ENTRADA NA CVRD


Quando eu saí do Exército a minha mãe disse: "Você não vai mais trabalhar no mercado, que aquilo não é coisa de progresso, de futuro. Não dá futuro no mercado. Você não vai trabalhar no mercado. Você vai procurar um serviço para você trabalhar." Aí eu fui. Porque a gente morava na roça, mas era perto de Vitória. Então eu fui procurar serviço. Mas eu achei serviço nas Casas Pernambucanas. Tinha que ir de gravatinha e camisa branca. E eu não tinha roupa para ir bem vestido. Eu não tinha esse poder aquisitivo. Aí, não deu certo. Eu então logo arrumei um serviço de ajudante de pedreiro, mas era na Praia do Canto, muito distante. E nós tínhamos que ir de bonde. Pegávamos o bonde na cidade para poder ir para lá. Eu não tinha dinheiro para pagar bonde. Aí então, eu me encontrei com um cidadão chamado Américo, que era a pessoa que a gente vendia na casa dele, verdura, carvão, essa coisa. Então o Américo sabia que eu tinha ido para o Exército, coisa e tal, porque eu avisei lá antes. Quando ele me viu, falou: "Ó, você já saiu do Exército?" Eu falei: "Já." "E agora?" "Bom, eu estou procurando um trabalho, Senhor Américo." Ele então me perguntou: "Você quer trabalhar na Vale do Rio Doce?" Eu falei: "Quero, uai." "Então você vai amanhã em Pedro Nolasco encontrar comigo." Eu nem sabia o que é que aquele homem fazia. Ele ocupava uma chefia lá na Vale. Aí ele disse: "Vai encontrar comigo." Porque, naquele tempo, um chefe tinha poderes para mandar e desmandar. "Vai lá amanhã e às sete horas, que eu vou arranjar um serviço para você." Aí eu fui. Cheguei lá encontrei com o senhor Américo. O Senhor Américo chamou um tal Doutor Querubino, que era Chefe Engenheiro na Via Permanente. Aí ele falou: "Querubino, arranja serviço para esse rapaz aqui." O doutor Querubino imediatamente: "Ô Inácio!" Que era um português que era Chefe de Linha: " Arranja um serviço para esse rapaz!" O Inácio falou: "Como é teu nome?" E respondi. Ele pegou a cadernetinha e escreveu. "Tu tens carteira profissional?" Eu falei: "Tenho." "E nunca trabalhaste!" Eu falei: "Olha, eu nunca trabalhei." Ele disse: "Ó, tu vais por aqui, por essa linha. Quando tu fizeres aquela curva logo ali, tem uma turma trabalhando lá. Apresente esse bilhete para o Feitor." Aí eu fui. Encontrei lá a turma trabalhando, socando a linha. O Senhor Luís, o Feitor, estava lá. E eu falei: "Senhor Luís." Ele olhou: "Vem amanhã às sete horas." E no outro dia, eu fui para trabalhar. Assim, os colegas ensinando, como faz assim, faz assado. No primeiro dia esfolei a mão. No outro dia, eu não pude trabalhar. Aí o Feitor disse: "Você não pode trabalhar, vai fazer a parte diária." "Fazer a parte diária como?" Eu sabia muito pouco. Até que eu fiz, mas ele rasgou. Aí até que a mão sarou. Eu continuei com os homens me ensinando. O trabalho era trocar os dormentes. Tem uns dormentes, sabe o que é dormente? Tem a linha, tem os dormentes de madeira, então sempre apodrece um aqui, outro ali. Era aquele serviço que a gente ia fazer lá, trocar dormente. Metia a soca, separava aquelas pedras e tirava o pau velho e colocava outro novo. Era esse o serviço. Eu fiquei ali nesse serviço 11 meses. Do trecho de Pedro Nolasco a Porto Velho. Era apenas um pedacinho.


RECURSOS HUMANOS


Armazém da Companhia
O dia-a-dia era bom. A Companhia tinha armazém. Ela fornecia alimentos para os empregados. Não dava não, era vendido. Mas a gente tinha um cartão de compra. Então, a gente comprava o alimento na própria Vale. Isso era ótimo, ajudava muito a gente. Todo mês a gente pegava o cartão e fazia compra para 30 dias. Aí a gente comprava tudo no armazém da Vale e descontava no pagamento. Era preço abaixo do preço de mercado.

Uniforme
Não tinha, na época, uniforme para trabalhador como eu. Era qualquer roupa. Eu trabalhava descalço. Agora, quando eu entrei na outra seção, quando eu passei para a locomotiva, aí sim, tive que usar o uniforme. Mas a Vale não dava o uniforme não, o empregado tinha que comprar o uniforme. Era roupa de mescla, calça e camisa de mescla. Mescla era um pano grosso que tinha antigamente, de cor azul. Então a gente tinha que comprar aquele pano. E tinha ainda o boné que se usava. Tudo isso a gente tinha que comprar. Não podia trabalhar sem uniforme.

Promoções
Era uma seção à parte, que mexia só com trabalhadores de linha. Manutenção de linha, de quarta classe. A divisão de classes é o seguinte: com o correr do tempo, a pessoa era promovida. Eu acho que acabou esse negócio de promoção. A gente ganhava uma letra a mais, um padrão a mais, na categoria permanecendo na mesma função. Por exemplo, eu era trabalhador de quarta classe, com um ano de serviço ou mais. Caso a Companhia achasse que eu tinha merecimento de ser promovido, ela me promovia a terceira classe e me dava um aumentozinho no salário. Com isso, eu ganhava ponto na carteira. E era assim sucessivamente até chegar a Encarregado, a Feitor, ou a Mestre de Linha. Sucessivamente, você ia subindo de posto.

Acidentes
Acidente eu presenciei, por exemplo, o de um rapaz. Eu me lembro de um rapaz chamado Patrocínio que viu uns cachorros na frente da máquina e ele, com pena dos cachorros, pendurou e saiu fora da locomotiva para ver. A máquina ia pegando o cachorro. E como tinha um trailler em pé, do lado da linha, bateu nele e ele morreu. Eu vi o atropelamento. Era uma locomotiva. Eu estava com o Maquinista. Eu era o Foguista de uma locomotiva em Tubiritinga. E o Maquinista atropelou um homem e o matou. Eu presenciei umas coisas assim.

Equipamentos de segurança
Não tinha nada de equipamentos de segurança. Não tinha luva, não tinha máscara, não tinha nada. Só quando a Companhia comprou um carvão inglês que irritava os olhos da gente, ela nos deu um par de óculos para cada funcionário por causa daquele carvão. Mas, mesmo assim, ele ainda atingia as vistas da gente. Muitas das vezes, a gente chegava no dormitório e não conseguia dormir de tanto que ardiam as vistas.

Prevenção
Não se falava em segurança não. Você fazia a sua própria segurança. "Toma cuidado porque, senão, você se machuca." Não tinha nada para se prevenir. Era preciso apenas ter cuidado. A locomotiva tinha um forro de aço muito fino. E aquilo era branquinho. Muitas das vezes, o Maquinista olhava assim e falava: "Vai chover." E quando chovia em cima da locomotiva aquilo virava pura ferrugem. E quando ele achava que ia chover, mandava passar graxa. Aí a gente melava as mãos todas de graxa passando a graxa com uma estopa no chamado forro de caldeira. Se passava a graxa ali para a chuva não cair e não molhar. Mas, depois, com o correr do tempo, a chuva não vinha: "Ah, não vai chover não. Tira a graxa." Aí a gente pegava a estopa e tornava a limpar, a tirar a graxa e ele falava: "Você cuidado lá, para você não cair, hein? Se você cair você morre." Era só no boca a boca.

Exames médicos
Eu não ouvi falar de caso algum de exames médicos para os empregados. Parecia que o pessoal não tinha mesmo muita saúde. Acho que era isso. Eu não ouvi falar em caso de doença. Quando eu entrei, o moço me mandou voltar às sete horas para trabalhar no outro dia. Mas eu só fui fazer exame de saúde 11 meses depois, para mudar de setor. Apenas nessa ocasião que fui encaminhado para o exame médico. Havia um instituto chamado Caixa de Pensão, onde tinha médicos que faziam exame. Então, para eu poder ser transferido de setor, eu fui fazer exame de saúde. E o exame principal era pulmão, o raio-x. Eu estava com o pulmão bom e pronto. Era assim que a coisa era feita.

Foguista
Eu fui promovido a Foguista. Eu tenho até carta da minha promoção. Eu fui promovido de graxeiro padrão sete para Foguista padrão oito. E de Foguista padrão oito, para Foguista padrão nove. Se aumentava de categoria na mesma função. Na prática, era a mesma coisa. Apenas a Chefia via em você um melhoramento, ou uma coisa assim no seu trabalho que merecia que você ganhasse mais um pouquinho. Então dava uma promoção através de uma carta.

Não fazia nada diferente não. É porque, às vezes, por exemplo, eu como Foguista tinha um Maquinista. O Maquinista e o Foguista trabalhavam juntos, não trocavam. Eu ia e vinha com o mesmo Maquinista. Ainda como Foguista. Então ele agradava o meu trabalho. Ele quem pedia promoção ao chefe: "Olha, o rapaz trabalha bem. É só você ver. Pode dar uma promoção a ele." Era assim.

Treinamento
Os professores eram mecânicos da própria Vale. Então, eles davam a instrução de mecânica, de eletricidade da locomotiva a diesel, no próprio Senai. A gente estudava ali. E, depois, a gente tinha o estágio na linha com os inspetores, aqueles já mais antigos, que já tinham conhecimento da coisa. Eles davam instrução à gente na linha. Aí a gente trabalhava e estudava na máquina, praticando. Depois que a gente fazia o estágio na linha - tinha um estágio de três meses na linha - nós éramos conduzidos no trem às vistas do instrutor. Se dizia assim: "O Maquinista instrutor é responsável pelo Maquinista aluno." Não, não era bem assim. Assim: "O Maquinista aluno conduz o trem sob as vistas e responsabilidade do Maquinista Instrutor." Então era esse o negócio. A gente ia para a linha e viajava com o Instrutor do lado. Quando passavam os três meses, ele dava uma carta para a Chefia avisando se você estava preparado para viajar sozinho ou não. No caso de você não estar preparado, você voltava para o estágio. Se você estivesse preparado ele dava a carta dando você como pronto e a Chefia lhe aproveitava na linha como titular. Eu cheguei a ser instrutor também.

Admissão de profissionais
A Companhia foi se desenvolvendo, melhorando cada vez mais, a ponto que, com o correr do tempo, depois que ela aproveitou esses Foguistas, limpadores graxeiros, coisa e tal, ela se viu na necessidade de admitir gente. Aí só entrava lá quem tinha o segundo grau. Ainda é assim até hoje. Se não tem segundo grau, não precisa nem passar perto. Para qualquer função, qualquer função. A Companhia hoje não admite quem não tem segundo grau. E ainda vai fazer um curso no Senai, porque se ele passar nos testes, vai fazer um curso no Senai. Aí é que ele é admitido.

Acho que isso foi a partir de 1966, por aí. Foi quando ela começou a admitir gente. Porque ela ficou muitos anos sem admitir pessoal. Porque com a mudança de locomotiva a vapor para locomotiva diesel, ficou com muita gente. Ela não precisava admitir ninguém porque tinha que aproveitar os próprios empregados. Então ela foi aproveitando ali até quando aqueles já não estavam satisfazendo os desejos. Aí, então, ela começou a admitir gente e exigiu o segundo grau. Aí já era mais fácil as pessoas terem o segundo grau e ir para lá. Porque não ia dar aquele murro que a gente deu no princípio.


TRANSPORTE


Era um pouco distante. A gente saía de casa, mais ou menos, cinco e meia e sete horas a gente estava no serviço. Levava uma hora e meia, mais ou menos, até a gente chegar lá a pé. Não tinha condução não. Largávamos às quatro horas.


TRAJETÓRIA CVRD


Eu passei para a função de limpador graxeiro em locomotiva. Eu pedi transferência através do Senhor Américo e ele conseguiu para mim uma transferência para trabalhar em locomotiva. Em locomotiva, o interesse era esse, ganhar mais, a locomotiva dava hora extra. Então a gente trabalhava mais e ganhava mais um pouquinho. Mas, como limpador, eu fiquei só poucos dias porque eu passei a viajar na locomotiva como ajudante de Foguista. Eu fui Maquinista, Foguista e ajudante, que era o chamado graxeiro. A locomotiva a vapor. Não existia ainda locomotiva a diesel não. Então, passei a trabalhar como ajudante de Foguista. Daí a um ano eu fui promovido a Foguista. Acho que foi em 1952. Eu não tenho bem certeza, mas foi por aí. Ainda era Foguista. Eu já era Maquinista. Eu passei a Maquinista em 1956. Mas eu ainda fiquei separado da locomotiva diesel. Porque a locomotiva diesel chegou, aí eles formaram duas trações: tração diesel e tração a vapor. Então ficou separado, dividiu ali. Quem era da diesel era da diesel, quem era da vapor era da vapor. Então fiquei na vapor até, por exemplo, quando acabou, quando não tinha mais. Enquanto tinha a vapor eu estava trabalhando na vapor. Eu penso que acabou em 1960. É o que eu acho. As duas transportavam minério de ferro. Era a mesma coisa. Agora, quando terminou, eu fui fazer o curso da locomotiva diesel para poder passar para a tração diesel. Quando acabou a locomotiva a vapor, nós fomos fazer novo curso. Houve uma reciclagem de todo mundo. Aquilo acabou automaticamente. Todo mundo foi aproveitado, todo mundo. Porque a Vale tinha essa vantagem muito grande, dificilmente uma pessoa era dispensada da Vale. Precisava que ele fosse muito ruim mesmo para poder ser dispensado.


PROCEDIMENTOS DE TRABALHO


Foguista
Alimentar a caldeira para fornecer vapor para puxar o trem. O trem se locomovia, a locomotiva se locomovia através de vapor à água, vapor à água. Então esse vapor à água é que puxava o trem. A gente alimentava a caldeira com lenha e carvão. Lenha e carvão vegetal. Enquanto a máquina está em andamento o Foguista está trabalhando. Não é o tempo todo, mas tem o momento de ele encher a fornalha. Ele enche a fornalha e fecha a porta ali, porque com a porta aberta ela não dá vapor. Aí ele enche ali de lenha e fecha imediatamente a porta. Aí ela vai aquecendo o fogo e vai fervendo a água, fornecendo vapor para os cilindros. Aí o cilindro faz movimentar a locomotiva. Ah, isso não tem marca de tempo, porque tem um relógio chamado termômetro. Tem um termômetro marcando a pressão. Então, por exemplo, o máximo é de 200 libras de pressão. Então, quando ela está no máximo, está com toda força. Pode puxar mesmo o trem, mesmo, mas com o correr da coisa aquela pressão vai caindo, vai caindo, quando ela chega nas 100 libras ela já não está valendo nada. Você tem que tornar a abastecer a caldeira. Ah, mais ou menos, a gente não sabe certo não, mas dizem que eram uns 30 quilômetros por hora, no máximo.

Descarregamento no porto
O vagão era aberto por baixo. Tinha uns homens lá com umas marretas que abriam o vagão, na marretada. O vagão de ferro, ele tinha uma, como é que fala? Uma tramela que travava por baixo. Aí o homem chegava e metia a marreta aqui e ia abrir. Um homem de um lado, outro do outro. Abria, o minério caía por baixo. Porque ela já entrava, a locomotiva entrava com o minério no chamado silo. Aí ele derramava correndo para a boca do navio. Porque esse silo foi armado em cima da pedra. Aí fizeram o porto do navio, lá embaixo, aí era só você derramar o minério que ele corria para lá. Agora, tinha umas coisas com um gancho que um homem operava. Eles chamavam de "puxa saco". Eu não sei como é que era o nome. Porque ele puxava algum minério que ficava nos cantinhos. Ele ia lá e puxava.

Descarregamento em Tubarão
Cheguei a levar um trem lá no Porto de Tubarão. Mas no descarregamento eu nunca trabalhei não, porque já era serviço de manobra do povo interno. A gente que chegava de viagem entregava o trem e ia embora. A descarga já era por conta de outros trabalhadores do outro setor. Eu chegava com o trem em Tubarão. Cortava a locomotiva, botava no depósito e vamos embora para casa. Ficava por conta do povo interno ali. Os vagões ficavam. Aí eles é que vão fazer descarga, distribuir, puxar e coisa e tal. Tudo é pessoal interno ali em Tubarão. O pessoal que chega de viagem não faz nada ali. Ele entrega o trem.

Porque a coisa agora é assim: você chegou de viagem em Tubarão, entrega o trem e já tem um carro. Se você é dali de Vitória ele te leva em casa, se você não é de Vitória ele te leva num hotel, para você depois pegar sua escala e ver o que é que você vai fazer amanhã ou depois. Na hora de você voltar outra vez para trabalhar a Kombi vai te buscar. Os vagões ficam lá em Tubarão. Lá eles fazem a descarga, eles preparam o trem, fazem tudo direitinho. Quando você chega, já encontra tudo pronto. É só você entrar na locomotiva, pegar a licença e partir. No outro dia é só pegar no serviço.


Folgas
As folgas a gente tira para dormir, porque a gente viaja dia e noite, praticamente. Então aquele tempo que a gente tira de descanso e de folga às vezes a gente faz algum negocinho, uma compra, uma coisinha ou outra. Mas o tempo maior de folga é gasto dormindo. Eu praticamente vivi uma vida inteira na Vale do Rio Doce. Eu entrei em 1948 com 19 anos de idade. E saí em 1980 com mais de 50 anos, 51, 52 anos. Foi uma vida inteira dedicada a esse trabalho na Vale do Rio Doce. Eu não fiz nada. Não fiz nada.

Percurso do trem
A minha rota era Valadares-Itabira. Eu morava em Valadares. Era destacamento de Valadares. Eu era destacado lá. Eu já conhecia Valadares, porque quando eu comecei a viajar foi de Porto Velho para Valadares. Quando eu fui transferido para Valadares, eu já conhecia aquele trecho. Ah, esse percurso ali, tinha variação de tempos, oito horas ou menos um pouco, ou mais um pouco. Você não tinha assim um específico. Porque o trem tem seu percurso, mas tem também as suas inconveniências durante o trajeto que pode acontecer que o trem atrase. Aumentar nunca aumenta, mas sempre costuma atrasar.

Porque a gente tinha uma tabela na mão com o percurso do trem, de estação para estação. Isso é uma coisa que muita gente não sabe. Mas eu tenho muita lembrança mesmo que a gente saía de Governador Valadares, a primeira estação acima era Baguari. Aquele percurso levava 19 minutos. E assim sucessivamente, de Baguari à Pedra Corrida, tantos minutos. E assim a gente trabalhava com o relógio e a tabela na mão, porque se por acaso o trem atrasasse nesse percurso, a gente tinha que justificar com o seletivo. Ele perguntava: "Ô, atrasou por quê?" Às vezes, ele chamava até na estação para a gente informar porque atrasou. Eu estou falando no sentido de Valadares para Itabira, que era o meu trecho. Eu não cheguei a trabalhar num trem de passageiro não. Só trabalhei no minério.


COTIDIANO DE TRABALHO


Intervalos para descanso
Bem, nós começamos no percurso ali de Vitória. Quando eu comecei em Porto Velho, a gente vinha até Governador Valadares. Mas eram muitas horas de serviço. A gente, às vezes, gastava de trem de minério, por exemplo, que era um trem que não tinha muita parada umas 24 horas de viagem. De Porto Velho a Governador Valadares. Muitas das vezes, a gente ficava em Aimorés que era o meio trecho. Porque às vezes o cansaço era muito, e muitas horas de serviço a gente não agüentava vir a Valadares. Então pedia descanso em Aimorés. Aí a gente parava em Aimorés, ia para o dormitório, dormia um pouco e pegava no outro dia acima outra vez.

Muitas das vezes você parava, o trem ficava ali esperando você descansar porque não tinha substituto, apesar da Vale ter muitos empregados, mas o serviço comportava muita gente. Precisava de muita gente trabalhando. A própria Vale tinha um dormitório com os colchões lá. A gente carregava roupa de cama, forrava, dormia. Muitas das vezes o trem não tinha substituto, ficava lá esperando, com a carga.

Escalas
A gente trabalhava por escala. Todo dia saía a escala de serviço no lugar chamado composição. Na composição, tinha o quadro de escala de serviço. Eu cheguei de viagem hoje, então eu vou olhar a escala. Eu tenho o direito de pegar serviço dez horas depois da minha deixada. Mas, muitas das vezes, não precisa de meu serviço dez horas depois. Então eles me escalam, às vezes, para o outro dia. Então pode me escalar para sete horas. É conforme a necessidade do trabalho. À medida que você vai chegando, você vai entrando na fila para pegar escala para o outro dia. Então os primeiros a chegar serão os primeiros a sair. E assim a coisa era bem controlada. Então, por isso que você chega de viagem, vai para casa, descansa e, à tarde, você vem olhar a escala para saber que horas você vai pegar amanhã. Isso hoje não é mais assim porque eles já dão a escala do mês todo, pelo computador. Eles dão a tabela na sua mão, você leva para casa e você sabe o que vai fazer o ano todo.

Distrações nas folgas
Havia bastante descontração. Muitas brincadeiras. Por exemplo, quando a gente viajava assim, naquela época, máquina a vapor, era muita gente empregada. A gente chegava de viagem e sempre tinha um local... Por exemplo, chegava de viagem em Drummond, e a gente tinha o local onde a gente jogava bisca. Jogava bisca, jogava sinuca, bebia, a gente fazia aquelas coisas todas quando aí a gente descansava porque, na hora de viajar, a gente tinha que estar 100%. Então, a gente tinha que descansar para ir trabalhar. Apesar do sujeito beber, muitas vezes ele levava a sério o seu trabalho. Ninguém ia, por exemplo, para o trabalho com a cara cheia, essa coisa não. Lá o negócio era sério. Porque se você chegasse com cheiro de bebida eles não deixavam você pegar serviço. E aí você ia perder seu dia, e aí tinha a punição. Porque a Vale tinha um tal de punir o sujeito com um negócio de gancho que eles falavam. O sujeito fez uma coisa errada: pega três dias de gancho. Eram três dias que você ia perder de serviço. Descontava no salário. Então ninguém está aqui para isso. Beber era comum. Todo mundo praticamente bebia, agora, embriaguez não era comum não.


TECNOLOGIA FERROVIÁRIA


Trem cargueiro e de minério
No trem cargueiro já é de outro modo, eu falei do trem de minério. Agora o trem cargueiro é um trem mais vagaroso ainda, porque ele tinha, de estação em estação, alguma coisa para pegar e alguma coisa para deixar. Então, nesse caso, esse trem carregava, por exemplo, seis guarda-freios. Além do pessoal de máquina, seis guarda-freios. Então, esse trem chegava numa estação e logo tinha alguma coisa para pegar porque, naquela época, tinha muita produção de cereais. O que não tem também, acabou isso. Cereais agora é só lá para o sul, mas naquele tempo tinha um saco de milho numa estaca, tinha um saco de feijão na outra. E isso aí. Então esse trem vinha até Colatina, levava um dia e uma noite para chegar ali. Porque a linha era uma linha só. Se o trem de minério tinha muita preferência: "Desvia o trem de carga que o trem de minério vem aí." O trem de minério vem aí com aquela preferência toda, mas devagarinho. Ele ficava uma hora, duas para passar ali, para a gente ficar esperando ali. Porque não podia atrapalhar o sentido do movimento do trem de minério.

A prioridade era o trem de minério. O trem de minério colocou a Vale lá nas alturas como está hoje. Porque, naquela época, essa dificuldade toda, uma locomotiva a vapor carregava 24 carrinhos. Era uma luta para chegar lá em Vitória e ela ganhou dinheiro com isso. Ela ganhou muito dinheiro, a ponto que ela comprou as locomotivas novas - a vapor também - e depois ela comprou as diesel. Comprou as diesel para pagar com minério. E os americanos venderam as locomotivas e receberam em minério. Foi um "negoção" muito grande para a Vale.

Diferenças entre locomotivas
A diferença é muito grande. Na locomotiva a vapor, você tem que colocar lenha na fornalha, colocar água. Um murro danado. Carvão, carvão vegetal, e aquela coisa, aquela caloria da locomotiva. A locomotiva não desenvolvia uma velocidade satisfatória. Ela não puxava assim grandes quantias de vagão, você saia era uma dificuldade para você chegar no destino. Muitas locomotivas davam menos pressão, eram ruins, tinham caldeira suja. Precisava, de vez em quando, levar a máquina para a oficina, esfriar e fazer uma limpeza para ela poder produzir melhor. Tem tudo isso. Enquanto que a locomotiva a diesel você encostou, é igual o carro, anda mais fácil que o carro. A locomotiva a diesel você encostou no tanque, enche de óleo e você tem uma alavanquinha de tal tamanho. É um ponto, dois, três, vai graduando ali, sentado. Tem uma água gelada do lado. Oh, a diferença é grande demais!

Maquinista auxiliar
Porque agora é Maquinista Auxiliar. Assim mesmo, não está usando mais o Maquinista Auxiliar, poucos trens conduzem Maquinista auxiliar. Hoje é só Maquinista e está acabado. Antes era aquele monte de gente para puxar um trem com 12 carros, 24 carros, hoje é uma locomotiva, duas, três locomotivas, uma engatada na outra puxando 180 vagões com um total de 18 mil toneladas, conduzida por um homem só. Pega em Itabira, com 4 horas está em Valadares. Vão 5 horas de viagem de Valadares ao Porto de Tubarão. Faz 70 quilômetros por hora, 65, 70 quilômetros por hora.

Não fazia nada. Apenas porque a locomotiva, de vez em quando, a gente tinha que olhar, ver o funcionamento do motor, se não tem algum cano quebrado. Porque ali tem, corre água, corre óleo, aí a gente vai olhar. O auxiliar é para isso. Às vezes, tem uma manobra para fazer, o Auxiliar ajuda numa manobra, num local de pegar um carro, no caso. O que é muito difícil, mas tendo o Auxiliar. Às vezes, o detentor de descarrilamento acusa o problema, porque um trem com 180 carros tem mais de 2 quilômetros de tamanho. Hoje o negócio está todo "japonesado" mesmo. Então ele chama pelo rádio, ele fala com o Maquinista: "Ó, acusou o detentor de descarrilamento. Pára aí, pára aí, que precisa examinar." Aí, às vezes, acontece mesmo de descarrilar um carro no meio da composição. Então o Auxiliar é para isto. Ele sai: "Ó, acusou." Então o Auxiliar, às vezes, à noite, pega a lanterna e vai olhando para ver se tem, por acaso, algum carro fora da linha, costuma às vezes ser um falso alarme, mas geralmente quando acusa é que aconteceu mesmo. Então o próprio CTC, que é o chefe de controle, toma as providências.

O impacto era grande demais. Porque com aquela mudança a gente viu a melhoria das condições de trabalho. Você já pensou o murro que a gente dava numa locomotiva a vapor? Para fazer uma viagem inteira sentado numa locomotiva diesel sem precisar de mexer com nada? Ah, diferença muito grande. Então aquilo ali foi um comentário mesmo muito grande. Quando a gente falava, antes delas chegarem, que se falava isso muita gente nem acreditava: "Ah, que conversa!" Mas foi muito bom. O Foguista virou Auxiliar de Maquinista, Maquinista Auxiliar. O Limpador Graxeiro passou também para Auxiliar. Todo mundo foi aproveitado, a Companhia não mandou ninguém embora. Por causa disso não.

Evolução do transporte
A coisa foi sempre mudando para melhor, sempre aumentando. Sempre aumentando a quantidade de vagão. Começou com as locomotivas GM, a chamada baú, que puxava 30. Depois chegaram umas outras locomotivas mais possantes, que passaram a puxar 40. E depois eles adotaram aquele sistema do acoplamento de uma locomotiva na outra. Aí duas viravam uma, puxava 80. Aí vieram as locomotivas maiores ainda, que já puxavam, uma só puxava os 80. E foi indo, foi indo, hoje duas locomotivas puxam 180. Aí já é o carro maior. Porque, naquela época, a GM era de 14 toneladas, a MG. Hoje, a MI, o carro grande, é 72 toneladas, cada um carro. E as duas locomotivas puxam na base de 18 mil toneladas de minério, de uma só vez. Mudou os trilhos. Os trilhos mais grossos porque os trilhos finos não suportavam aquele peso, com a velocidade eles quebravam. Então a Companhia mudou os trilhos mais grossos e duas linhas para facilitar o transporte.

Linha sinalizada
Eu não me lembro a data em que foi extinto o sistema do telégrafo. Não me lembro não. Porque com a nova sinalização, que o Maquinista passou a receber o sinal dentro da locomotiva, o sinal luminoso dentro da locomotiva, foi extinto o telégrafo. Porque o Maquinista não precisa pegar licença através de telegrama para circular. Ele olha o sinal dentro da máquina. Então o sinal deu verde ele vai embora com o trem dele. Deu amarelo é para ele diminuir a marcha. Deu vermelho ele tem que parar. Dentro da locomotiva, na cabine do Maquinista. Então hoje é esse sistema. Quando houve a mudança eu não tenho lembrança da época não. Da data, não. É isso aí. E esse sistema está funcionando lá. Esse sinal até hoje. É linha sinalizada.


E. F. VITÓRIA - MINAS


Duplicação
Aí mudou muito. Porque aí passou a puxar uma quantidade maior de vagão, conseqüentemente mais minério, mais minério. Então aí foi o quê? Foi o crescimento. A Companhia, inclusive, se viu na necessidade de construir outra linha. Tanto que era uma linha e passou para ser duas. Agora já são duas linhas, de fora a fora. Melhor desenvolvimento do transporte de minério. Então isso aí foi uma das mudanças muito grande. Porque quando as locomotivas diesel começaram a operar mesmo, eu creio que foi aí que a Companhia começou a ganhar um dinheiro mesmo. Porque a gente ouvia falar, a gente tinha um lugar lá, por exemplo, em Pela Macaco, quando a gente ia descarregar minério para embarque do navio, muitas das vezes o cais estava cheio, a gente estava com a locomotiva parada porque não cabia mais no cais o minério. A gente ficava ali esperando vaga para poder derramar o minério lá no cais, e o navio encostado. E vinha a pergunta: "Mas por que não embarca para desocupar aqui?" Aí eles falavam: "Não, os americanos têm que pagar primeiro." Então só começava o embarque de minério depois que o dólar entrasse no Rio de Janeiro, no cofre da Companhia. Aí eles davam o telegrama: "Ó, o americano pagou." "Então vamos embarcar." Primeiro era o dinheiro, depois o embarque.

Melhoramentos
Quando eu comecei em 1948, era a época do desenvolvimento da Vale do Rio Doce. Porque teve a tal da renovação. A renovação era o quê? Mudanças em tudo, em tudo. Então ela teve melhoramento na linha, melhoramento de locomotiva, melhoramento em conservação de vagão, e melhoramento, adestramento de pessoal fazendo curso. Essa coisa toda. Isso tudo faz parte do desenvolvimento que a Vale teve até hoje. E isso começou com a chegada das novas locomotivas. Porque até então, antes de eu entrar na Vale eu já ouvia falar que as locomotivas eram alemãs, de 1944. Eram umas locomotivas muito fracas, muito pequenas, coisa e tal. E a partir de 1944 que chegaram as locomotivas americanas, a vapor, é que foi melhorando o transporte. Mais força, mais... Isso aí. Foi a partir de quando eu entrei em 1948, estava em pleno desenvolvimento a Vale do Rio Doce. E aquilo foi só melhorando cada dia mais. Na bitola não teve mudança. A bitola é a mesma até hoje - bitola de 1 metro.


PORTO DE TUBARÃO


Olha, a impressão foi muito grande por causa do tipo de navio que Tubarão passou a receber. Porque no Porto de Vitória, os navios só pegavam 10 mil toneladas. O porto de Vitória não comporta um navio de maior estrutura. É 10 mil toneladas, pronto, o navio estava carregado. Hoje o navio vem do Japão, pega 300 mil toneladas no Tubarão. Então a coisa é estrondosa. Uma coisa fora do comum. Tudo é planície lá.

É tudo plano. Lá é um negócio muito bonito mesmo. Uma planície muito grande. E o pátio é enorme, ele comporta milhões de carros. Comporta o pessoal interno. Eu que chego de fora com um trem, eu não tenho nem condições de trabalhar naquele pátio. Porque é preciso conhecer aquilo ali. Apesar de que a gente trabalha controlado pelo rádio, essa coisa toda. Mas é bom que a pessoa tenha conhecimento onde é que ele está pisando. Então por isso que a pessoa que chega de fora, ela entrega o trem para o pessoal lá que é mais treinado com aquele pátio, de imediato. Você chegou lá, você entrega o trem. Você não mexe mais com ele. Chegou com o trem você vai embora. Você entrega o trem para outra equipe.


CASOS DE TRABALHO


Estou lembrando de um caso que aconteceu em Periquito. Eu estava com um trem parado para dar desvio ao trem de passageiro chamado rápido. O Rápido vinha e eu o coloquei no desvio para dar passagem ao trem rápido. E chegou um cidadão e falou para o agente da estação: "O rápido vem aí moço?" Ele falou: "Vem." "O senhor me vende uma passagem aí que eu vou descer." Aí o moço falou assim: "Não, o rápido não pára nessa estação. O rápido aqui na estação de Periquito ele passa direto. A chefia não autoriza parada aqui." Aí o moço falou assim: "Mas eu preciso descer. O trem vem aí, como é que faz?" "Não tenho recursos para o senhor. O trem não pára aqui." Ele falou: "Pois o trem vai ter que parar para mim." "Não pára. O trem não pára." Naquela época, a licença do trem era feita por telegrama. Toda estação tinha um telégrafo e copiava um telegrama de uma estação para a outra, autorizando o trem a circular naquele trecho, entre estações. Então, essa licença era por telegrama, e ele enrolava esse telegrama num papelzinho e ele tinha um arco de arame já próprio, que a Companhia favorecia. E ele engatava aquele telegrama no arco e pendurava. Já tinha o poste próprio para pendurar aquele telegrama. Quando o trem vinha, o trem não parava. O Maquinista enfiava o braço naquele arco, e pronto, o arco socava e ele pegava a licença do trem. Mas sem aquilo ali o trem não podia circular. Então o homem ficou lá dizendo: "Eu preciso descer." Nisso, o agente chegou: "O trem não vai parar." Ficou aquela teimosia. Quando o agente chegou, o trem estava se aproximando e ele ficou lá e pendurou o arco. Aí quando o trem apontou na curva, o homem olhou para a licença e falou assim: "Eu preciso descer." Pois antes do trem chegar a licença caiu. A licença caiu antes do Maquinista chegar nela. Caiu. Como o trem não pode circular sem ela o trem parou lá na frente. O homem pegou a pastinha dele e falou: "Eu preciso descer." E entrou no trem.


APOSENTADORIA


Eu fui Maquinista toda vida até sair. Eu me aposentei em 1980. A gente ficou muito acostumado a trabalhar e a viver fora. A gente vivia viajando. Não tínhamos nem o costume de ficar em casa. Então, quando a gente se aposentou e viu que não tinha mesmo atividade, foi um negócio muito ruim. Monótono mesmo. A gente não tinha aquela atividade que... Até já ri muito, eu tinha um colega que ele se aposentou antes do tempo, porque ele era doente. Ele se aposentou por invalidez. Aí, um dia, eu conversando com ele, eu falei que eu estava muito sem jeito. Eu ia aprender a dirigir carro para poder tirar uma carteira de motorista para trabalhar de motorista de táxi, porque eu estava muito sem jeito de tanto ficar à toa. Ele falou assim: "Ah, é porque não estava preparado para aposentar como eu. Se queimar a lâmpada lá de casa na hora da mulher fazer janta e o Daniel não estiver em casa, fica até ele chegar para trocar a lâmpada. Porque eu não troco. Eu estava preparado para aposentar." Aí eu fiquei com vergonha de envergonhá-lo. Como ele estava preparado para aposentar se ele se aposentou por invalidez? Eu que estava preparado para se aposentar por tempo de serviço. Mas eu não quis falar isso com ele, mas ele me deu uma chance danada. Pois é. É isso aí. Mas acabou que eu não fiz isso não. Eu não fui trabalhar de motorista coisa nenhuma e eu fiquei à toa até hoje. Agora, eu faço uma caminhada de manhã e à tarde. Às vezes, tem um programa na igreja ou na Associação Ferroviária. Eu não gosto de tomar banho de piscina, eu não tomo banho na piscina, mas eu fico olhando os outros e pronto. E assim a gente leva a vida.


LAZER


Lá tem uma Associação Ferroviária, eu sou sócio dela. É um clube onde tem campo de vôlei, de futebol, piscina, bar, essas coisas. É o clube dos aposentados e do povo ativo da Vale do Rio Doce. Então a gente vai lá de vez em quando. Nós somos sócios lá.


VALIA


Entrei no plano da Valia desde quando ela foi criada, em 1973. Olha, a gente achou muita vantagem, que até não se acreditava por causa das vantagens que eles ofereciam. Eram tantas dizíamos: "Ah, isso é mentira." A gente não acreditava não. Mas como ela veio com um plano, pelo menos no meu caso, ela veio com o plano de emprestar dinheiro, e eu estava precisando de dinheiro emprestado, eu falei para o Wander que era um tipo de Chefe que tinha lá: "Wander, eu me fazendo sócio imediatamente vocês fazem o empréstimo?" Ele falou: "Faço na hora. Fica sócio e eu faço o empréstimo e no pagamento o dinheiro vem." Eu digo: "É isso mesmo que eu estou querendo." Aí me tornei sócio da Valia e fiz um empréstimo para tocar a minha casa que eu estava construindo. Com aquele dinheiro eu dei um avanço lá. E tem bastante gente que hoje está chorando arrependida porque não tiveram uma chance dessas que eu tive. O povo não acreditava mesmo não. Eles ofereciam muita vantagem. O estatuto hoje mudou, não é aquele mais. Mas de qualquer maneira, a gente ainda está ganhando. Então aqueles que não acreditaram, não se fizeram sócio, hoje estão arrependidos. Eu tenho colega Maquinista que ganha 900 reais por mês e é muito pouco. Porque ele não tem, por exemplo, a Valia, e não ganha. O INSS tem um limite. Eles têm o teto que não é nada mais do que 1200 reais. O teto não permite pagar mais que isso não. Então muitos só ganham isso. Enquanto que a Valia dá outro tanto por cima disso. Eu que me aposentei a 20 anos atrás, não ganho assim tanto. Mas eu tenho colegas que chegam a ganhar 4 mil reais na Valia por mês. Não deu para terminar a minha casa, mas deu um avanço muito grande. Nós nos mudamos em 1972 para ela, mas eu terminei lá por volta de 1980.


VALORES CVRD


Amizades
O que eu era e o que eu sou agora, eu devo justamente ao emprego da Vale do Rio Doce. Eu hoje tenho minha casa própria. O meu pai e a minha mãe não deixaram nada para mim. Se eles não tinham nada, como iriam deixar alguma coisa? Então, tudo o que eu tenho, os meus filhos formados, minha casa própria, carro, telefone, tudo, eu consegui através do emprego na Vale do Rio Doce. Então eu tenho que agradecer a Deus e à Vale esse emprego que eu adquiri naquela época. Inclusive, eu criei muita amizade na Vale. Eles chegaram a colocar uma placa com o meu nome na sala de espera em Valadares. "Sala de espera Maquinista Abner Dias." Mas como essa placa foi colocada sem autorização da Chefia, foi feita pelos colegas, por conta própria, o Doutor Romildo mandou arrancar e sumiu com ela. Isso foi feito através da minha amizade com os colegas.

Homenagens
Demais da conta. Muito mesmo. Eu tenho um jornalzinho aqui de uma coisa que os colegas fizeram. Lá tem uma Associação dos Maquinistas, pessoal da ativa. Então eles fizeram um jornalzinho mensal. E eles fizeram uma espécie de uma homenagem para mim como companheiro com o seguinte título: "Aqueles que deixaram saudade." Eu recebi essa homenagem depois de aposentado, em agosto de 1995.

Bom, tive muitas. Mas uma delas, por exemplo, além dessa aqui, primeiro foi que quando eu aposentei os colegas reuniram, colocaram o interfone lá na minha casa. Isso aí também foi um gesto de muita amizade entre os colegas. E mais alguma coisa. Tem hora que, por exemplo, nós tivemos um encontro dos Maquinistas aposentados agora no dia 2 de setembro, bem recente, agora, nós encontramos, a amizade foi tanta que eu cheguei a chorar no encontro com os colegas. Porque tanto abraço e tanta, poxa, aquilo foi uma emoção muito grande! Porque agora eu estou me sentindo emocionado só de lembrar.

Mensagem aos colegas
Aos colegas eu queria deixar os meus agradecimentos pela amizade que me dedicaram. Espero que eles continuem com essa dedicação com outros colegas que também foram, passaram por nós e que, juntos conosco, tiveram alguns momentos tristeza, mas que também tiveram momentos muito alegres. O companheirismo foi muito grande. Então eu quero deixar para os colegas os meus agradecimentos. É isso aí.


AVALIAÇÃO


Olhando para o passado eu me arrependo de não ter aceitado Jesus há mais tempo, porque a vida com Jesus é outra, pensem nisso. É uma transformação. O dia que você aceitar Jesus a coisa vai mudar para você. Eu não quero dizer que você vai ganhar dinheiro, vai ganhar na loteria, ou mesmo não vai receber doença. Tem tudo isso, mas você tem um conforto no coração através de Jesus.

DEPOIMENTO


O me senti foi lisonjeado com esse convite. Eu me sinto honrado em poder colaborar com vocês com alguma coisa. Não sei satisfiz os desejos, mas eu estou muito satisfeito de ter participado dessa entrevista aqui.

SONHO


Eu me sinto realizado. Graças a Deus eu não preciso de nada. Tenho minha família, tudo bem, muito bem estruturada, tudo legal. Então eu não tenho nada a reclamar. Eu já estou com a idade bem avançada de 71 anos. No ano passado, quando eu fiz 70 anos, os meus filhos fizeram uma festa. Eu acho que eles acharam que eu fui muito longe. Fizeram uma festa daquelas na igreja. Então tudo bem, tudo bem. Eu fiz 70 naquela época. E, assim, vamos levando. Agora, se eu fizer 80 anos, eu quero ver o que eles vão fazer. Ainda tem aí os 50 anos de casado, que ainda vem por aí. Nós estamos com 42 anos de casados. Ainda faltam uns 8 anos.

 

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+