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História da minha vida

História de: Victor Mendes Hochleiter
Autor: Victor Mendes Hochleiter
Publicado em: 20/04/2004

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História completa

HISTÓRIA DA MINHA VIDA VICTOR MENDES HOCHLEITER São Paulo, 04 de junho de 2003. Brasil Bom dia, eu mesmo escrevo minha história de vida, tenho 40 anos e sei que se eu nâo deixar nada escrito ou arquivado, logo ninguém mais saberá que eu existi um dia. Nasci no dia 21 de março de l963, na maternidade Santa Terezinha,bairro dos pimentas, em Guarulhos, São Paulo, Estado de São Paulo, Brasil, América do Sul. Meu pai era Arthur Hochleiter, os pais dele eram Henrique Hochleitner e Emília Bertha Schall. Os pais de meu avô eram Heinrich Hochleitner e Anna Walter(ou Vaitri). Os pais de minha avó eram Gustav Schall e Carolina Kinayte. Os pais de minha bisavó eram Friedrich Walter e Odete Hasenheit. Minha mâe é Luzia Gonçalves Mendes, os pais dela eram João Gonçalves e Maria José Bittencourt. Os pais de meu avô eram Sebastião Gonçalves ou José Gonçalves Mendes e Rosária Gonçalves ou Rita Gonçalves Mendes ou Rosa Gonçalves Mendes. Essa confusão é que em cada certidão de nascimento de meus tios encontro nomes diferentes, mas o que está se descortinando é que meu avô foi gerado por um casal e criado por outro, e talvés nunca descubra a verdade. Os pais de minha avó eram Carlindo Bittencourt e Anna Alves Pinheiro. Os pais de meu bisavô eram Joaquim Rabelo Bittencourt e Leopoldina Cardoso. Os pais de minha bisavó eram Joâo da Silveira Pinheiro e Francisca Alves Moreira. Eu sou o filho mais novo, antes de mim, nasceu minha irmâ Wilma. Nasci com 4,400 Kg e 49 cm às 11.15hs do dia 21 de marco de l963. Nesse dia, minha mâe tinha 22 anos e meu pai 58 anos. Pois é... bela diferenca de idade, mas deram certo no casamento. Na ocasião morávamos em Bonsucesso, Jardim Presidente Dutra, em Guarulhos, São Paulo, S.P. na rua 14 numero 16. Minha mãe Luzia nasceu em Mogi das Cruzes, S.P. e com o casamento passou a assinar Luzia Mendes Hochleiter. Meu pai Arthur nasceu em Kharkov, Ucrânia e veio para o Brasil em 1928, chamava-se Arthuras Hochleitneris pois viveu em Kaunas, Lituânia e adquiriu documentos como se tivesse nascido lá , e quando desembarcou em Santos, S.P. e veio para São Paulo com os demais imigrantes, os agentes brasileiros erraram seu nome e ficou Hochleiter. Mamãe cuidava bem da casa e dos filhos, papai trabalhava o dia todo, era empresário, negociante. Fui bem cuidado pelos meus pais e bem alimentado também, mamei no peito até 2 anos de idade. A casa era grande, tinha bastante espaço para eu brincar e muitas coisas e cacarecos e ferramentas de meu pai. Mamãe Luzia costurava bem e fazia roupas para nós e brinquedos de pano com as roupas velhas deles ou até de pano de saco de farinha, mamãe fazia isso quando não tinha dinheiro para comprar roupas eou porque papai não saia para comprar roupas . Meu pai já veio casado da Europa, a primeira esposa era Augusta Müller e passou a ser Hochleitner. Tiveram 3 filhos: Irma, Adélia e Guilherme. Escreverei esta estória com mais detalhes na história da família. Na casa da rua 14 número 16, tinha uma escada lateral que ia para o quintal, tinha uns porões sob a escada cheios de coisas de meu pai, e um abacateiro plantado no meio desse quintal. Lembro-me também do grande pastor alemão, o Dique. Ainda lembro dele subindo pelo muro para escapar... uma visão interessante, um cachorrão daqueles subindo pelo muro Um dia, eu subi no abacateiro e jogava os frutos para meus pais lá em baixo. Na rua de terra íamos passear, e pegávamos formigas içá e as colocávamos numa lata, em casa mamãe cortava as bundinhas delas, assava feito amendoim e comia com gosto... Meu amiguinho era o Cleiton, a amiguinha de minha irmã era a loirinha que não lembro o nome, mas a clamávamos de Cocoli. Tenho fotos nessa rua andando de triciclo, lembro de estar aprendendo a andar de bicicleta, e claro, caia muito. Do outro lado da rua tinha muito mato. Uma vizinha colocava as roupas dela para secar ao sol sobre o mato rasteiro. E nós criancas brincávamos no mato e na rua. Ao lado da casa tinha um bosque de eucaliptos onde eu gostava de ir brincar e pegar forquilhas para fazer estilingue. Ao lado do bosque havia uma ladeira que ia para a avenida onde passavam os ônibus, e foi nessa rua que minha mãe ou tia Alice conosco no carro, um Ford velho l936 verde claro, desceu a ladeira e não achava o freio e quase acontece um acidente, parece que o carro parou raspando os pneus na guia. Que susto 07-06-2003 Não sei quando saímos da rua 14, mas mudamos para para um bar numa esquina e que tinha um terreno bem grande. Nesse terreno tinhamos o cachorro Dique, o pastor alemão. Pouco me lembro desse tempo, mas meu pai servia no balcão, e mami fazia salgados e ficava no balcão também, serviam almoco, tinha uma TV grande no canto e foi meu pai quem colocou lá. Ouvia o comentário das pessoas dizendo que precisava de 2 ou 3 homens fortes e meu pai se gabava de ter colocado a TV lá sozinho. Um dia a devisória de treliça caiu em cima do meu pé e doeu muito mesmo, mami pensou que havia quebrado um osso. Lembro que eu e minha irmã pegávamos muitos doces, provavelmente isso atrapalhava o apetite, e dava cáries. Eu gostava de pegar um refrigerante de garrafa pequena e gordinha e furava a tampinha com um prego para que o gostoso líquido demorasse para acabar. Um dia, a tarde, o tempo mudou e deu uma chuva forte e começou a cair gelo e tivemos de fechar as portas de aço, e fazia um barulhão aquele gelo batendo na porta. Para mim foi novidade, fiquei espantado. Um dia teve um redemoinho na rua e gostei de ver o pó, folhas, plásticos, tudo voando no turbilhão. No fundo, brincavamos de tudo e um dia fizemos batatas cozidas numa lata e comemos com sal, foi um teste culinário. l7-06-2003 O cachorro era bravo e latia para todos e as criancas jogavam pedras nele e ele ficava ainda mais bravo. Um dia ele morreu, o colocamos num barril e levamos de kombi até um lugar deserto e enterramos o cão. Naquele quintal eu joguei um despertador que não funcionava para cima e o espatifei no chão para abri-lo para ver como era por dentro. Meu pai entregava pão em cestos grandes e algumas vezes eu ia junto com ele. Algumas vezes íamos a um descampado e eu ia pilotando o volante e papai ia nos pedais da perua kombi. Eu olhava para o pescoco do papi e via as dobrinhas e a sujeira, o pó. Eu ia para a escola com a minha irmã e lembro que andávamos por uma trilha no mato baixo. Na lateral da casa tinha um galpão com mesas de bilhar e eu e maninha gostávamos de jogar um bilhar. Um dia o meu irmão Guilherme ( que meu pai chamava de Willy ) veio nos visitar e levamos a Margareth e o Wilinho para conhecer o bilhar. Na lateral do galpão tinha mato e plantacão e tinha um tomateiro e eu gostava de ver o tomate crescer e ficar maduro. Um dia eu e maninha brigamos com outras crianças e foi feio, brigamos de jogar pedras e minha irmã levou uma pedrada grande na cabeça, e ficou sangrando e usamos os papéis do chão para secar o sangue, e ensanguentou tudo. Na rua de terra quando chovia fazia torrões de barro e eu gostava de comer o barro feito chocolate. Lá onde tinha a trillha para a escola, montaram um circo e íamos no camarim dos palhaços, o Goiabinha que era pequeno e o outro palhaço grande, era o Arrelia? Um dia fui andar de bicicleta e não sei porque, mas amarramos a bicicleta do meu amigo da frente e a minha. Quando ele virou para a direita eu não acompanhei e fui ao solo raspando o peito na terra. Fiquei de cama uns dias e não quiz mais saber de bicicleta, e quando meu pai trouxe-a para mim eu me escondi embaixo da cama. Talvés me escondendo das visitas, e/ou com vergonha. Mas com o tempo eu sai do esconderijo e fui no quarto mesmo brincar com a bicicleta. Lá no fundo do quintal chamávamos os colegas para brincar e montavamos uma espécie de barraca e por sorteio entrávamos em dupla e brincando desenvolvíamos a sexualidade infantil. Brincavamos também nas ruínas de construcão. Na rua que subia na lateral do bar, minha irmã tinha uma amiga e brincávamos em sua casa e tomávamos banho juntos numa banheira. Brincávamos também na rua com bombinhas e as colocávamos sob uma lata para vê-la voar, mesmo quando sobre a lata tinha uma pedra. Lá no fundo da casa, na lavanderia, lembro de alguém tentando matar os gatinhos recém-nascidos jogando-os contra a parede, coisa horrível... Um dia tivemos de mudar de casa, e fomos morar num lugar feio, que chovia dentro, e chamávamos de buraco. Era um galpão com portas de aço. Gelado e com uma lage que deixava pingar água dentro. Lá constantemente estávamos doentes. 18-06-2003 No -buraco- lembro que o chão ficava alagado quando chovia. um dia no final do ano, eu peguei várias avelãs e ia com um martelo quebrando e comendo. Na cozinha, lembro de uma empregada que fazia a comida e que era peluda nas axilas. Um dia tia Alice fez uns krustiks para comermos, uns biscoitinhos fritos torcidos, uma delícia. Tinha na frente desse terreno, muitas árvores e a rua era larga, pelo menos para mim que era pequeno. Lembro de meu tio Joâo tentendo me ensinar as empinar pipa, mas eu nâo gostei muito, até tentei. Parece que a velha perua ainda existia e lembro de minha mâe dar uma ralada nela quando tirava da garagem que ficava na lateral do terreno e um portâo grande. No fundo tinha um carro velho azul esverdeado, acho que era um Ford e acho que ele nos acompanhava desde a rua l4, nâo tenho certeza. Provavelmente ele já nâo funcionava bem, pois ficou largado e galinhas viviam dentro dele. Mas um dia o pusemos para funcionar e o tiramos da garagem, nâo sei se para vender ou reformar... Mas a casa tinha um quintal, um terreno no fundo, cheio de lixo e bagunca, mas tinha um poco, e no terreno uma plantacâo de cana e de mandioca. Mamâe nos levava até ao poço que tinha a tampa de cimento, sentávamos nela e mamâe cortava cana e descascava para nós e aí era só mastigá-las e sorver a doçura. Parece-me que papai vendeu esse terreno ou fomos emboa do buraco. Deve ter sido por essa época que meus pais entraram num negócio de fazer e vender bichinhos de pano em alusão à copa do mundo de futebol de 1970, só me lembro que eu e maninha fomos colocados sobre um carro junto com os bonequinhos de pano, para nós era tudo brincadeira, e estávamos em São Paulo, em frente à TV Tupi canal 4, no Sumaré. Com certeza nos filmaram e fomos vistos no Brasil todo, mas éramos só duas criancas quaisquer. Devia ser l968, 1969 ou 1970 meu pai me levou de carro para a escola, a pessoa encarregada da matrícula deve ter brincado comigo e perguntou o que eu queria fazer lá. Eu respondi - ué... estudar e meu pai gostou e a atendente também. Parece-me que foi nessa escola que as salas eram externas e feitas de fibra, e um dia fiquei de castigo, nem lembro porque, mas fiquei lá no canto da sala. Mas minhas notas eram boas, e fazíamos redacões e eu escrevi algo bonito... não lembro o que foi... Nâo lembro as datas ou sequência mas fomos morar, parece que, na Vila Mariana, numa casa pequena, tipo 2 comodos, no fundo do terreno, que era inclinado subindo até a casa. O que me lembro é de meu pai Arthur acordando eu e maninha bem cedo preparava o chocolate quente e íamos para a escola, depois só um de nós ia para a escola de manhâ e o outro a tarde. Logo mudamos para uma padaria ali próximo, segundo minha mâe Luzia era a rua dos Miosótis, um dia vou lá ver se acho esse lugar. Tinha uma grande entrada com portas de aço e era descida num cimentado. Lá embaixo abria para mais espaco, só lembro que tinha muita coisa e dois cachorros e um gato, e viviam juntos, o cachorro preto era a Diana. Se nâo me engano, depois fomos morar na zona leste, na Penha. Nâo sei porque. Era a rua Guaiauna 45, uma padaria de 2 portas grandes e uma entrada lateral que subia para nossa casa. Já dava na sala, e lembro-me de assistir ao programa sessão tigrinho no canal 7, desenhos animados, e quem apresentava era uma garota bonita, de cabelos escuros, a Giovanna. Essa casa tinha uma banheira, e eu e minha irmã gostávamos de brincar nela enquanto tomávamos banho. Lembro-me de numa sala ao lado, onde tinha um grande vitro, assisti, do sofá deitado sobre minha mãe, ao lancamento de um foguete ao espaco Será que era o ano de 1969 ? Será que era a missão Apollo para a Lua ? Não... acho que não... Nessa época eu frequentava a escola "Quintino Bocaiúva" , ou será Santos Dumont...? E minha irmã Wilma frequentava a escola de freiras quase em frente. Apenas andando, já chegava sob os trilhos da via férrea, e entrando à direita, subia por uma rua movimentada, comprava figurinhas na banca e quase no topo tinha uma lojinha onde um dia meu pai comprou para mim um brinquedo que eu vi dentro do balcão, era um coelhinho amarelo. Papai deve ter ficado com dó e comprou, e eu fiquei todo feliz. Esse coelho tinha um olho que saltava quando apertava a carinha dele, e minha irmã odiava quando eu apontava esse olho saltado para ela. Lembro que um dia papai foi me buscar na escola e conversamos bem perto de um dos pilares da caixa dàgua, e me disse que nunca mais eu faria unidades(de aniversário) somente dezenas, então eu estava fazendo 9 anos, era o dia 21 de marco de l972, será mesmo ou estou enganado nesses flashes de memória?? Da casa de cima da padaria, depois da cozinha tinha um quintal todo cimentado e com ladrilho vermelho e uma escada subia a um quartinho de bagunca e coisas de meu pai. Maninha e eu subiamos por ali até o telhado e olhávamos a rua e cuspíamos lá para baixo, para nós era diversão, até que uma pessoa reclamou e mamãe veio nos tirar de lá e claro nos dar uma surra, mas eu não lembro, maninha que conta, acho que só ela apanhou por ser mais velha. Lembro de descer e subir de um andar para o outro escalando as janelas por fora, pois tinham engradados que serviam de apoio. Um dia comum, veio um fotógrafo e nos fotografou na padaria, ainda tenho estas fotos, não sei se foi o amigo do Papi, o volodja, ou foi um fotógrafo qualquer, vou perguntar para Mami. Tendo a padaria , provavelmente eu tinha acesso à área de fazer pão e via sempre os maquinários, lembro das enormes batedeiras, da farinha espalhada por todo lado, das ferramentas de madeira, do forno,e do porão sujo e escuro onde guardavam a lenha e que dava comunicacão com a rua e vivia cheio de baratas e vai saber mais o que. Lembro do caminhão despejando a lenha e os trabalhadores levando a lenha pelo corredor lateral e jogando as toras dentro do buraco e alguém lá dentro arrumando no escuro ou com uma lampadinha fraquinha. Parece que foi nessa época que eu tinha ensaiado para desfilar no 7 de setembro, e eu era o primeiro da fila do lado direito, mas no dia, precisava acordar cedo e estava frio e me deu uma preguica... quando meu pai me acordou eu não levantei e ele ficou triste comigo... Eu não sei para onde fomos depois, mas acho que foi para Osasco, lá no Jardim Novo Osasco. 09-07-2003 Em Osasco moramos numa rua chamada particular, era uma pequena casa de 2 dormitórios,germinada, era a casa número 05. Tinha um corredor lateral e um quintalzinho no fundo, e uma garagem na frente. Era de cor azul acinzentada. Não tinhamos carro. Na janela do quarto de meus pais, tinha uma cortina e que dava visão para fora, quem estava na rua não via dentro. Nessa casa eu assistia `Perdidos no Espaco`, e ficava com medo do escuro e de monstros... A escola era mais para cima no morro que era esse lugar, e meio descampado. Na rua eu brincava com os colegas vizinhos. Jogava futebol, bolinha de gude, pular corda, pega-pega e andar de bicicleta. Minha irmã tinha a Monark com freio na catraca, era só forcar o pedal para trás. No final da rua tinha uma mureta e depois era só uma ribanceira de terra a vista e mato. Gostávamos de ir brincar lá e pegar mamonas para a guerra e comer das amoras do mato. A chuva criava sulcos enormes, verdadeiros buracos, e nós cavávamos mais e fazíamos cavernas para brincar, era até perigoso, mas fazíamos, e as meninas limpavam e até decoravam como se fosse uma casa. Pegávamos mato e colocávamos sobre a entrada para evitar a sujeira e para esconder a nossa toca de brinquedo. Um dia eu e um colega saímos catando esterco de cavalo para vender, e acabamos vendendo para nossas mães, por $5,00. Um colega foi andar em nossa bicicleta de catraca e como não achou o freio, foi direto para o muro, nós gritamos para ele pedalar para trás mas ele não conseguiu e trombou com o muro e entortou a roda e se machucou... Meus pais não ganhavam muito e tinha pouca comida, e quase todos os dias o cardápio era arroz, feijão, batata frita e ovo Um dia eu demorei para voltar para casa e mami ficou preocupada e me chamava e eu com medo de bronca e de apanhar, me escondi e entrei em casa sem ela me ver e fui tomar banho, mas acho que não deve ter adiantado, quando saí do banho devo ter apanhado ou levado uma bronca... nem lembro. Um dia fiz alguma coisa e mami bateu em mim com o chinelo, segurava meu braco e ia batendo, e eu tentava correr e colocar a mão no bumbum para protege-lo, e íamos girando... Lá de cima da mureta eu via os tratores planando a terra para fazer uma estrada. Um dia mami foi andar conosco e no barranco tinha uma amora linda, verde, bem clarinha e grande e deliciosa... Acho que nunca mais vi uma amora daquela. Meu pai trabalhava já na Lecaplás, e ia de onibus para a firma, mas ganhava pouco. Certo dia passou na rua uma caminhonete das balas Neusa, e lá fomos nós criancas para comprar doces e balas. Na páscoa meus pais esconderam ovos pela casa e no domingo cedo fomos procurar, mas havíamos visto que estavam embaixo da mesa, e fomos direto... e foi só alegria Precisava ir para a escola, e descíamos a rua até a avenida para pegar o onibus ou lotacão até o centro de Osasco, lá perto da Camara Municipal, custava 50 e 40 centavos respectivamente. Normalmente, eu tinha umas moedinhas e comprava um ou dois envelopinhos de figurinhas, mas um dia eu comprei mais doque podia e fiquei sem o suficiente para a passagem e fui andando para casa, mas como era longe sem usar a conducão... Cheguei muito tarde em casa e nossas mães estavam preocupadíssimas, provavelmente levamos uma bela bronca e talves até umas palmadas, mas não me lembro. Na rua de casa,que era de terra, brincava de bolinha de gude, mas brincava também com bola de bilhar, que guardamos lá do bar em guarulhos. Como não tinha brinquedos, eu fazia tratores de tocos de madeira e latas de óleo e brincava nos montes de areia na frente de casa. Eu tinha também uns bonequinhos da `Bardhal`. No fundo tinha um pequeno quintal de terra e mato, e eu brincava e fazia montes e trilhas para os carrinhos e um dia cavei e fiz uma garagem para meu caminhão e guardei-o e tive de deixá-lo pois já era hora de entrar. Na manhã seguinte fui ver meu caminhão e abri a porta da garagem, uau que susto Dei de cara com um sapo enorme. E aí fiz uma maldade infantil, tentei expulsar o bicho e até subi no muro para jogar uma pedra enorme, não sei se matei ou expulsei o sapo, mas destruí a garagem... Na casa ao lado, o muro era meio baixo e morava um velhinho e a casa mal cuidada, telhado estragado e mato alto, ele devia estar doente ou bebado ou sem forcas para trabalhar... No final da rua, quase no muro, tinha uma enorme seringueira, e suas raízes saíam pela rua, nós subíamos nela de vez em quando. Um dia jogando futebol na rua , sem querer quebramos um vidro de um vizinho na esquina, e saímos rapidinho, mas parece que vieram reclamar e tivemos que pagar. 20-07-2003 Consegui descobrir onde estudei na penha, realmente foi na escola Santos Dumont, mas por 8 meses, depois fui para Vila Mariana, mas estudei pouco e fomos para Osasco e não acharam nada na escola Quintino Bocaíuva, mas achei a escola perto da prefeitura, mas pelo endereco no boletim, pois pelo mapa não existe escola. 24-07-2003 Meu pai foi trabalhar no Alto da Lapa e para lá nos mudamos. Mas continuei estudando em Osasco até acabar o ano. Sabia qual o onibus para voltar para casa e onde descer, mas um dia peguei outro onibus escrito Lapa e ele foi por outro caminho, eu envergonhado não perguntei nada ao cobrador, e com medo desci, voltei ao ponto e peguei o onibus de costume. Naturalmente sou assim, envergonhado, mas agora que cresci, apesar da vergonha e de dar um calor quando sinto que errei, mas consigo me superar e fazer o que for preciso. Lembro-me do dia da mudanca, num caminhão aberto, e eu vim na carroceria junto com a mudanca e me admirei da paisagem, a rua Cerro Corá era um subidão, e a rua era larga, com muito movimento, e muitas construcões e predinhos. Levamos tudo para o número 2271 apartamento 6, mas não tinha elevador, e tivemos de ir pelas escadas mesmo até o segundo andar. Terminei o primário e fui com minha mãe me matricular na escola Alfredo Paulino, na rua Caativa 15 aqui no Alto da Lapa. Talvés logo na primeira vez que entrei na sala de aula, me apaixonei Eu vi uma menina linda, com cabelos volumosos, era a Fabiana, mas como eu era envergonhado, não tive coragem de ir falar com ela. Mas o tempo foi passando e devemos ter conversado, e com outros também,e fiz amizades. Num certo dia, a aula era junto com outra turma, aula de ciencias, e precisei pedir uma tesoura emprestada pois esquecera a minha, e foi assim que conheci aquele que viria a ser meu grande amigo- Renato Marques da Costa. Ele morava na mesma rua que eu, uns 100 metros mais para baixo. Nesse período de 5* a 8* série, tive outros colegas também- Orlando Ayrton Barbonaglia, Vicente Lucena da Silva, Luis Paulo Dias, Ricardo Renzi, João Carlos Ferreira dos Santos e Roberlei Garcia. Outros colegas de menor expressão - Elias, José Monteiro, Evelyn Scoth, Angélica Scoth, Márcia, Vagner Foschi, Eliana da rua Ucaiari, Cláudia Lorenzon, Conceicão Fugie, Mário Vincenzo de Rosa etc. Também consegui uns inimigos - Clebert Campos, Tigueis e Eduardo Sorrentino. É que eles eram do tipo folgados e eu na minha, eles vinham me encher a paciencia e nem sempre eu conseguia sair de perto e tínhamos um bate boca ou até trocávamos uns socos e empurrões, e depois na saída da aula os 3 vinham para me bater e toca correr, ou me esconder, ou pegar carona ou enfrentar. O Vagner Foschi, que era grandão, me defendia, e as meninas também, dizendo aos 3 que parassem de provocar ou brigar. No intervalo das aulas brincávamos de pega-pega, e eu era um dos mais rápidos em linha reta, melhor que eu era o Tigueis e o Gilberto Jesus da Costa Lapa, este gostava de desenhar carros de fórmula 1 com régua. Meu pai trazia para mim umas pastas plásticas para colocar folhas e documentos, era novidade, ninguém usava, só eu tinha e vendia para todos. Fazia roda em torno de mim para comprar as pastas transparentes, verdes, vermelhas, azuis e amarelas. Acho que era o único momento onde eu era famoso, ou requisitado. Minha irmã tinha o apelido de chiclete por causa do sobrenome, e eu fiquei conhecido como o irmão da chiclete, e me chamaram de chiclete por algum tempo. Gostávamos também de jogar futebol, se não tivesse bola, ia com bolinha de tenis, toco de pau, latinha, o que puder ser chutado. Na sala de aula eu era quieto, ficava na minha, mas sempre tinha um chato para encher a paciencia, e as meninas eram lindas, mas eu não tinha jeito nenhum com elas. Nas aulas de educacão física eu era um péssimo aluno, grosso, pato. No final do ano fazíamos a olimpíada, e na 5* e 6* séries não ganhamos nada, éramos da categoria C. Mas na 7*série conseguimos o segundo lugar, a sala de minha irmã da oitava ganhou, no ano seguinte, ela saiu, e eu era da 8* e ganhamos a olimpíada. 25-07-2003 Ainda tenho as medalhas das 2 olimpíadas. Na 5* série, fizemos na classe as categorias A - B - C e eu sendo grosso, tive de ficar na `C` . Mas o uniforme era bonito, compramos tudo novinho. O Clebert escolheu na Lapa e nos trouxe o preco, foi caro,mas ficamos bonitos, era calcão branco meias azuis e a camiseta era de basquete, uma regata azul com uma faixa branca na diagonal, quando o pessoal foi em casa para dar o preco para meu pai, ele se jogou contra a parede e disse que nós o estávamos precionando, mas como pai, não aguentou e pagou os Cr$ 68,00, não sei se de uma vez ou em prestacões. Não ganhamos nada, mas guardamos o uniforme para o próximo ano e ainda guardo a camiseta, mas autografado pelo jogador de basquete- Ubiratan. Foi meu tio João quem conseguiu o autógrafo. E a vida de aluno... vai para a escola, estuda, volta,vai de novo, prova, exercício, cansa, férias, estuda, colega chato, dia vem, dia vai... semanas, meses, anos. Um dia estávamos no corredor esperando a professora, e o Clebert veio sem mais nem menos e me deu uma rasteira,eu não esperava, e caí no chão batendo as costas e fiquei sem ar, nem conseguia respirar, pensei que fosse morrer. O pessoal me ajudou,mas fiquei ruim, doía muito e fiquei o resto do dia de molho em casa. Alguns colegas vieram me ver. Nessa época, voltando para casa, encontrei um pedacinho de papel no chão, fui ver e era um selo. Um selo vermelho, desbotado, do Japão. E esse foi o comeco de uma colecão de selos do mundo inteiro, que eu ainda tenho. Ganhei também de meu pai as moedas antigas que ele guardava e iniciei a colecão de moedas. Lembro da prof. Dona Dina, uma senhora de pele queimada, chata, se a tarefa não estivesse feita ela marcava uma ? bem grande e vermelha. Era professora de lingua portuguesa. A professora de música era a Maria Helena, era gorda e super legal, tocavamos flauta doce, aprendemos um pouco de música. A professora de ciencias casou e foi morar na Itália,tive uma discussão com ela sobre agasalho, se esquenta ou se isola do frio. Eu dizia que isolava e ela dizia que estava errado. Na aula de ingles era interessante,tinha um colega baiano que falava com sotaque - uátardose, dis is an élefant. Era um barato ouvir o garoto. No comeco não tínhamos quadra e usávamos o pátio coberto, depois comecou a construcão da quadra lá no barranco, e ficou boa mesmo, a escola alugava para nós jogarmos no final de semana. Tinha também a quadra do café do ponto, do Parque Pinheiros, que eu vi construir, e o campo no fundo da igreja Dom Bosco que dá para a FAPESP Fundacão de Amparo a pesquisa de S.P. que eu também vi construir, perto da torre da rádio Transamérica,que também vi construir. No início tínhamos um time de campo, mas foi reduzindo até ficar só um timinho de futebol de salão - Victor, Renato, Luis Paulo, Vicente e Orlando. Eu gostava muito de brincar de futebol de botão, jogava sozinho em casa com meus times e com o Renato na casa dele que tinha um bom espaco para isso. Para fazer as pesquisas escolares, íamos principalmente na biblioteca da rua Aracatuba, perto da casa do Vicente. um dia precisávamos de uma flor chamada Ibiscus para a aula de anatomia vegetal e andamos pelo Alto da Lapa todo para achar a flor. Um dia me envolvi numa encrenca com um garoto grande e gordo, ameacei ele com minha mochila mas ele tinha uma igual e ficamos nos olhando uns instantes e lembro de ter pensado que não valia a pena enfrentá-lo pois era maior e mais forte e eu podia me machucar, achei melhor deixar para lá, estávamos no barranco antes de ser quadra. Até a 8* série eu não namorei ninguém,era bobinho demais, mas achava bonitas as colegas Evelyn, Angélica e Márcia. A pequena Roseli também não era feia,e a Regina também era interessante, pena que os meninos só queriam se aproveitar dela só porque ela era receptiva a carinho, e falavam bobagem a respeito dela. Estávamos crescendo e lidando com nossa sexualidade e os meninos tinham aquela brincadeira besta de passar a mão na bunda do outro, bater no sexo do outro, olhar as meninas de saia subindo as escadas, tentar um toque nelas, um beijo, namorar, mas só os mais desinibidos, bonitos e fortes conseguiam alguma coisa. Um dia eu com as mãos para trás, a garota passou perto demais e rocou a coxa na minha mão, pronto... fiquei maravilhado. Outro dia nem lembro porque, acho que estávamos sem aula ou em greve, alguns alunos pularam o muro da escola para fora, eu fui junto, mas não descobriram quem foi e ficou por isso mesmo. Que coisa, eu, tão quietinho pulando o muro da escola, mas foi coisa de ímpeto e maria vai com as outras. Estudei em várias salas da escola, e na recuperação da 4* ou 5* série estudei lá nos galpões da lateral da escola. Participei das festas do sorvete, das festas juninas, e tinha correio elegante, doces, barracas, essas coisas normais. O Roberlei morava numa casa atrás do prédio que eu morava, e para confirmar um jogo, colocávamos uma camiseta vermelha na janela... primitivo, mas até que ajudava. Um dia lá pela 5* série, fomos comemorar o aniversário do Clébert e demos uma bela ovada na cabeca dele, e fomos em sua casa comer o bolo, era na rua Jorge Americano. Íamos jogar bola no sábado, e eu colocava um bilhete para papai, escrevia assim- papi, me acorde as 6.00 hs obrigado, Victor. Aí eu ia até a casa do Renato, batia palmas e entrava, enquanto isso ele tomava café e depois passávamos na casa do vicente e do Chico ou os encontrávamos no Parque Pinheiros ou no Clube do Pelé. As vezes o Bertinni vinha jogar também. Muitas vezes o goleiro era eu. Era o menos pior no gol, mas eu preferia era jogar na linha. O Joáo Carlos ficou doente, era meningite e ficou sem vir para a escola vários meses, não pudemos visitá-lo mas escrevemos uma carta com todos assinando. O Roberlei também ficou doente, teve cachumba e foi ruim, pois desceu aos testículos, que ficaram inchados, fomos visitá-lo mas não pedimos para ver tal inchaco, só a mãe dele olhava. Na escola lembro das vacinas que precisávamos receber, era com revólver, fazíamos longas filas. Numa das pontas do pátio coberto, era um tipo de teatro, e apresentamos lá alguma coisa. Jogávamos basquete e foi lá que tive o primeiro contato com a modalidade. Estávamos aprendendo marcacão zona. Bolas arremessadas muito alto batiam no madeiramento do telhado. Tinha um loirinho magrinho de outra série que não fazia nada e só gritava o nome do companheiro que passava por todos e servía-o. - Moacir ele gritava. Outra vez era dia de teste de Cooper, corri os 12 minutos, mas não fui o melhor, teve um garoto moreninho que deixou todos para trás. Enquanto um corria o companheiro sentado anotava as voltas que eram completadas no pátio externo antes do barranco. Isso foi lá pela 5* série. O professor de educacão física era o Auro, e me chamava de cabeca de bagre quando eu errava algum movimento na aula. E como é o destino... quando me formei na faculdade, fui fazer estágio nessa mesma escola com esse mesmo professor Minha irmã Wilma terminou a oitava série e a comemoração foi uma festa de formatura no Club Homs na av. Paulista, Os pais dancaram a valsa com os filhos. Meu pai dancou com a maninha Wilma. Até a tia Cida estava presente. A festa foi animada pelo Super Som T.A. e só voltamos para casa de madrugada. 12-08-2003 Como eu não sabia dancar, quase não me diverti, só olhava as mocas bonitas. No ano seguinte, eu estava na oitava série, e a mesma rotina de sempre... ir para a escola, estudar, conversar, fazer trabalho, prova,etc. etc. No final do ano estávamos preparando nossa formatura e decidimos pela viagem. Fizemos festinhas para arrumar dinheiro, pagamos mensalidade, e fizemos uma missa de formatura na igreja católica Dom Bosco, esquina das ruas Cerro Corá e Pio XI, onde no fundo nós jogávamos futebol de campo, na terra. Na época éramos da Igreja Luterana, mas não teve problema algum e viémos para a missa de formatura. Fizemos uma festa dentro de nossa sala, provavelmente no final do ano, com comida e bebida e danca, eu só fiquei olhando e comendo, talvés conversando um pouco, mas com certeza estava todo envergonhado, sem ambiente. Em outro dia nos encontramos às 18 hs na frente da escola para pegarmos o onibus para Curitiba. Eu queria ir no onibus leito, mas era mais caro, e fui no comum mesmo. Não lembro qual colega sentou ao meu lado. Chegamos em Curitiba por volta de 8 horas da manhã , e chegamos no hotel no centro da cidade. Subimos para os quartos e fiquei com mais dois ou tres colegas, só que foi com quem sobrou pois eu não fui escolhido, nem escolhi meus companheiros. Almocamos, passeamos pela cidade e à noite fomos para o grande jantar no restaurante Madaloso. Tenho uma foto desse jantar, ou pelo menos tinha, não lembro onde está. Quase ninguém teve coragem de dancar, nem eu. Depois voltamos para o hotel e fomos dormir, mas o pessoal foi baguncar, eu dormi. Na manhã seguinte, fomos com nossos onibus para a estacão de trem e na famosa linha Curitiba-Paranaguá. Os assentos eram duros, e fiquei andando pelo vagão e sentei à porta trazeira vendo a paisagem passando. Muito bonita por sinal. O trem serpenteava pela serra enquanto descia pelos túneis cavados na rocha pelos escravos. A viagem estava demorada e deu um soninho... aquele barulho das rodas nas emendas dos trilhos - tec tec, tec tec. Enfim demos uma paradinha uma estacão no meio da serra para comprar pinga de banana Eu não bebo, por isso não comprei. O Orlando comprou uma garrafa para guardar de recordacão. E continuamos serpenteando e descendo, e passávamos por cada precipício Dava medo, não tinha nem um alambrado, nada. Ao longe víamos o mar e a praia. Chegamos finalmente, nem sei quanto tempo levou, só comprei um estojo de fotos do passeio e guardo ainda hoje. Em Paranaguá os onibus nos levaram até um restaurante, passando pelo porto de Paranagua. Lembro dos guindastes, dos navios, caminhões, caixas enormes, e gente para todo lado. No restaurante, tive de crescer, ficar um pouco mais adulto pois tive de comer de tudo sem ficar fazendo careta ou com medo de esperimentar algo novo, e até que foi bom, pois com isso aprendi a comer cebola, salada, peixes, etc. Para beber somente guaraná. O dia estava ensolarado e quente. Seguimos para Vila Velha, passamos perto de placas indicando Furnas, não sei se uma hidrelétrica, um lago, ou as torres de transmissão. E o calor no onibus era terrível. Chegamos finalmente em Vila Velha para apreciar as belas formas rochosas esculpidas pela natureza. Se não me engano precisávamos pagar uma taxa de ingresso. Antes de entrarmos no parque, fui entregar meu presente de amigo secreto para a minha amiga, Cláudia Rizzo. Ela era magrinha mas não era feia. Pensei que ela fosse agradecer com um beijo, e talvés até usando o presente, um brilho labial, mas como eu não era exatamente um cara interessante, ela só agradeceu com uma palavra. Voltando ao parque, que lugar bonito Muitas árvores e arbustos, e barracas para vender comida e lembrancinhas. Mas algumas figuras ficavam mais longe e não tinha vegetacão e o calor estava terrível. Bati algumas poucas fotos e me lembro daquela pedra arredondada entre os dois paredões. Depois de visto tudo, fotografado, comprado coisas, voltamos para o onibus e pegamos a estrada de novo para São Paulo. Se não me engano chegamos de madrugada,talvés perto de meia noite, e com certeza nossos pais vieram nos buscar. Agora era pegar o certificado de conclusão de curso e me matricular no segundo grau. Seguindo meu pai, que trabalhava com eletricidade e mecanica, fui me inscrever em cursos nessa área técnica. Fiz minha inscricão em algumas escolas e passei no Liceu de Artes e Ofícios, na rua da Cantareira, no bairro da luz. O exame foi no ginásio do Ibirapuera, e eu fiquei lá na arquibancada. Comecei o curso de Técnico em Mecanica em 1978. Estudei o segundo grau e o técnico. Minha vida comecou a mudar totalmente, pois eu precisei parar com tanta vergonha e falar com as pessoas na rua, na secretaria das escolas, nos onibus, metro e trem. Comecei a andar pelo centro de São Paulo, e fui ficando mais esperto. No Liceu a rotina era escolar: almocar, pegar o onibus, depois o metro, caminhar passando pelos quartéis até a escola. Assistir aula, estudar na biblioteca, reunir e fazer trabalho em grupo, voltar para casa, continuar a fazer os deveres e tarefas escolares. Sempre íamos nas feiras da mecanica, do automóvel e similares. Reuníamos em grupo na casa dos colegas para pensar nos projetos, comecar os croquis e cálculos. A turma era toda masculina, outras classes possuiam uma ou duas mocas. Os outros cursos eram mistos: Desenho de Construcão Civil - DCC, Edificacões e o curso que era praticamente feminino: Decoracão. Então havia bastante mocas e rapazes e os namoricos não demoraram a aparecer. Eu continuava tímido, mas já conseguia me aproximar das mocas, beijinhos no rosto, trocar telefones, batia umas fotos, caminhava com elas até o metro e até arrumei uma amiga que gostava de mim e vinha contar seus problemas enquanto passeávamos no shopping. Era uma japonesinha bonitinha,Maria. Até pensei em aproveitar o passeio e tentar namorar a menina, mas ainda era tímido demais. Não tinha carteia de motorista mas meu pai me emprestava o passat creme para eu ir encontrar minha amiga. Ela foi para o Japão e nunca mais a vi. Já estávamos na metade do primeiro ano e não havia aparecido nenhum rapaz briguento, folgado,querendo se mostrar ou dominar os demais pela forca. Mas aquele dia apareceu. Estávamos aguardando o professor chegar sentados nas cadeiras tipo universitário, e um cidadão veio por trás e me segurou pelo pescoco, uma gravata. Não teve jeito, era enfrentar o adversário e me impor, ou amargar o restante do curso sendo o babaca da turma e tendo sempre alguém me ameacando, forcando a fazer coisas e me batendo. Não tive dúvida, entrei na briga, resisti, brigamos no chão, foi cadeira para todo lado. Mas valeu a pena, nos anos que se seguiram, ninguém veio me intimidar. Já não éramos mais criancas, pilotávamos os carros de nossos pais, íamos a shows, festas e alguns colegas já tinham relacões sexuais (pelo menos diziam ter). O ruim é que faziam coisas indecentes como beber álcool e ficar bebado, sexo com prostituta sem usar preservativo, conduzir o carro dos pais sem habilitacão e participar de rachas, roubar ferramentas do local de trabalho e outros furtos de acessórios automotivos para vender nas bocas sob encomenda, e consumo de drogas nos shows. Meus amigos estavam sendo se tornando péssima companhia. Mas não fui para esse lado ruim, ainda que andasse com o carro dos meus pais sem habilitacão, eu era calmo, prudente e andava com seguranca. E assim foram os 4 anos no Liceu, muito estudo, muito trabalho e projetos. Tinhamos as aulas de educacão física e era só enrolacão, o professor só dava jogo e não ensinava nada, mas era divertido, nós já íamos separando os times e era só alegria. O chuveiro no vestiário era estranho... não tinha resistencia, não sei como ele aquecia a agua, mas era raro um que aquecia direito. tinha de tomar banho rápido pois o local era muito frio. Um dia na aula, estávamos jogando futebol e o goleiro passou a bola para o Chan e fomos trocando passes até a área adversária, eu recebi livre de marcacão e chutei firme na certeza do gol, mas errei o gol, e a bola subiu e foi lá para a rua... e ainda tive de correr para pegar a bola antes que alguém levasse a bola. Veja só se pode, fiz tudo certo,e erro na finalizacão. Uma outra que eu lembro era um colega que era baixinho e gordinho, ele caiu sentado e parece que tinha mola no trazeiro, pois ficou em pé logo em seguida, todo mundo caiu na risada Tivemos também alguns jogos tipo campeonato, mas não lembro se era classe contra classe, ou ano contra ano... não tenho nenhuma medalha esportiva na época do Liceu. No primeiro ano eu morava no apartamento da rua Cerro Corá, e minha prancheta de desenho era uma tábua que eu apoiava nos joelhos. Meu pai ficou com dó e comprou uma prancheta de desenho, simples mas serviu muito bem até o final do curso. Mudamos para a rua Ucaiari e coloquei a prancheta aqui no quarto de empregada que no caso era meu quarto e de minha irmã. Com o tempo ela perdeu a funcao e foi encostada e acabou estragando e joguei fora, mas se eu tivesse cuidado melhor teria durado mais tempo. Um dia fomos conhecer a nova parte do Liceu, o centro cultural. Muito bonito, claro que todas as obras de arte eram réplicas em gesso, mas ficou muito bonito, e aquelas luzes e sons realmente ficou muito bem feito. No primeiro ano basicamente ficamos mais restritos ao nosso grupo, mas nos outros anos as salas foram sendo mescladas. No primeio ano, o mais interessante era a oficina, um ambiente diferente da sala de aula, e os professores nos tratavam como adultos responsáveis e não toleravam nenhuma brincadeirinha, foi bom, nos ajudou a crescer. Eu não tinha muita habilidade com as ferramentas,demorava muito para executar as pecas e progredi pouco na oficina. Um colega de apelido Tarzan era rápido e esperto e acabou todo o programa oficial e comecava a trazer servico de casa. Os anos foram passando e os desenhos e projetos foram ficando mais difíceis e complicados, ainda guardo alguns dos projetos e desenhos, alguns nem terminados e claro a nota caiu, mas deu para passar de ano. Atualmente guardo sob o telhado por falta de espaco, mas logo eles vão deteriorar, mas não tenho onde guardar e nem tem mais serventia. Nos finais de semana também ia jogar futebol com os colegas antigos,aqui da Lapa e íamos correndo até o parque do Ibirapuera, Eu, Vicente,Luis Paulo e Renato. Tentávamos paquerar também, mas nunca deu nada certo. Íamos no Pelezão (clube da prefeitura no City Lapa) jogávamos volei, futsal, e as paqueradas nas moças que ficavam na grama tomando sol, nada muito duradouro. Mas uma vez no volei fizemos amizade com uma garota chamada Carla que morava na Vila Anastácio, chegamos até a ir em seu aniversário, mas depois fomos perdendo o contato e nunca mais a vimos. Tive de fazer estágios, tirei carteira de trabalho, estagiei na Lecaplás onde meu pai trabalhava e fiquei na ferramentaria, mas não consegui me aprimorar, tinha recursos mas as pessoas tinham seus trabalhos e tempo para entregar, então ninguém podia me ajudar. E todo o conhecimento usei na minha casa e no carro, consegui emprego fazendo teste teórico e passei. Entrei na Pitney Bowes. Fiquei 2 anos e meio nesse trabalho mas não cresci muito profissionalmente, era apenas um consertador de máquinas pequenas de franquia. Voltando ao Liceu, guardo a porca que eu fiz, o grampo de bancada, a morsa, e o riscador, mas realmente é coisa de estudante: torto, não encaixa, e coisas assim. Como mecanicos usávamos um guarda pó verde petróleo e na hora do lanche com pouco dinheiro comíamos pão com margarina na chapa, era simples mas gostoso. Guardo os cadernos, livros e apostilas, e o histórico escolar. Já no último ano, alguns colegas queriam abrir uma firma de projetos, mas por alguma razao a idéia não vingou e cada um seguiu seu caminho. Fiz estágio também como desenhista na PB engenharia na Lapa, na Plessey do Brasil em Santo Amaro, na Acústica engenharia na vila buarque. Alguns colegas: Celso Noboru Uemori (Chan), Djalma Gomes dos Santos (Magal), Rioji Hirokawa, Domenico Donnangelo Filho ( Medonho), Chunei Fugiwara, Gunars Guido Amans, Jordão Rodrigues Camacho (Batatinha), Amauri Ibrahim (Salim), Hugo Abi Karam, Roberto dos Santos Jr. (Formiga), José Wellington N. Alves (General), André Luis Silveira ( Lula), Ivan Aparecido da Silva (Pig), Márcio Macedo Moreira (Cutia), Jorge Nishikawa (Kamikasi), Sérgio Hiroshi Ukita (Risadinha), German Jeldes Carrascosa (Surfista), Angel Gustavo Camargo Corrales ( Sasquatch), Ivo Oliveira da Cunha (Trapão), Maurício Alaunes Brotto (Caipirão), Luiz Antonio Castanha ( Pupú), Fernando Bispo Xavier ( Falcon), Orlando L. Cardoso ( Pepino), Sérgio Masahiti Shimada (Tojo), e outros da minha turma e outros colegas também dos outros cursos: Áurea Iglesias Iglesias, Lucia Helena Liess, Maria (japonesinha), Kátia Moreira Canto, Rosana Aparecida Fortes, Cristiane dos Santos Teixeira (crente,deixou-me o Salmo 139),etc.etc. Guardo umas folhas de fichário com os nomes e enderecos desse pessoal,escritas por eles mesmos, mas isso já foi 20 anos atrás, portanto já tevem ter casado, mudado de endereco, telefone, apelido, e jeito de ser... Que Deus os guarde. Eu também tive meu apelido, no primeiro ano me chamavam de Belém-Brasília ( comprido e mal acabado) ou somente Belém. Mas no meio do primeiro ano veio o apelido que me acompanhou o resto do curso. Um dia um aluno tentou passar entre as cadeiras e minhas pernas estavam atrapalhando, e ele exclamou - Quer tirar esses tentáculos de monstro da minha frente Pronto. Todos ouviram e riram e esse foi meu apelido, Monstro ou mais precisamente Monstrão. Até as moças me chamavam assim. A Kátia e o Magal moravam aqui na zona oeste e cheguei a ir no apto dela com o Magal e várias vezes na casa do Magal fazer trabalhos e projetos. Vieram em casa o Angel, o Chunei, o Caipirão e talvés mais alguns. Nessa ápoca ainda não tínhamos feito a lage sobre a cozinha e todas as manhãs eu ouvia o programa O Brasil para Cristo do missionário Manoel de Melo, e outro programa de missionário David Miranda. O meu vizinho do Lado era o Geraldo, que era pedreiro, morava num casebre, mas pelo menos era mato, verde e não cimento. Um dia vi fumaca demais no casebre do Geraldo e parece que ele estava lá dentro dormindo, então eu bati com um pau no telhado até que ele acordou. Estava comecando um incendio, mas consegui interferir a tempo. Eu e a maninha dividíamos o quarto do fundo, papi juntou as duas camas numa beliche e eu dormia em baixo por ser mais pesado. Quando entrei no Liceu, teve trote aos calouros, mas eu consegui escapar e só cortaram uma ponta do meu cabelo e um resto de ovo me sujaram a cabeca. Voltei de trem da estação da Luz até a Lapa. Depois eu vinha de onibus ou andando até em casa subindo pela rua Pio XI. Mudei de meio de transporte várias vezes para não enjoar, afinal foram 4 anos no Liceu. Meus pais começaram a frequentar a Igreja Evangélica de Pinheiros e convidávam a mim e minha irmã para irmos conhecer. Um dia aceitamos e gostamos e passei a frequentar a igreja aos sábados depois da escola no culto dos jovens e aos domingos pela manhã e a noite. Gostei da igreja porque os jovens eram legais me tratavam bem, cantavam pregavam, tocavam guitarra e isso me cativou. Os pastores também eram legais mas o abraço carinhoso que o Hitaru me deu, foi crucial para eu continuar na igreja. Hoje ele é pastor. Alguns dos jovens eram o Otávio Scharank (Tavinho), o outro Otávio barbudo namorado da Jo, a Denise, a Eliana, Magda, Regina, Alberto Maia (Beto), Mauro Nunes (Maurinho) e sua namorada Fátima, Débora,etc. Outra coisa que me encantou foi o Valtinho (filho do Pr. Walter Rodrigues) e o Karpinho (filho do Pr. Arvaldo Karp) crianças praticamente, e tocando guitarra, e a Sílvia sobrinha do Pr. Walter) tocando órgão. Quando fiz aniversário de 15 anos, convidei o pessoal para vir em casa, mas eu era crentre e por isso não teve bebida alcoólica, cigarros, e coisas do tipo. Mas não lembro se foi uma festa legal, se demorou, se dançamos, se trouxe pessoal da igreja também ou só da escola. Minha irmã Wilma tinha uns amigos, o Barros, seu irmão Barrinhos, e a Erli. Entraram na turma as irmãs da Erli, Erliete e Marina, o namorado da minha irmã, o Rafael e Eu, Victor. {iamos na casa do Barros, as vezes em casa e na maioria das vezes na casa da Erli. Passeávamos também na noite, pois o Barros conseguia convencer a mãe das meninas a deixar elas passearem de carro conosco. Era um tempo divertido. Fomos algumas vezes passear na praia. Tenho fotos da turma no carro do Barros,um Chevrolet Opala 1972 banco inteiriço 3800 cilindradas e alavanca de cambio na coluna do volante e 3 marchas. Fomos para Pereque-açu, Peruíbe e Iguape. Eu tentei me aproximar da Erliete, mas era muito envergonhada e não consegui namorar a garota. Em Pereque montamos 2 barracas e eu fiquei dormindo com a Erli e Marina, mas não rolou nada, até porque eu ainda era muito tímido. Mas eram boas amigas. Em Peruíbe ficamos acampados no quintal da casa da tia do Rafael, pois a casa estava fechada e não estávamos com a chave. Em Iguape ficamos em uma barraca só, a minha velha bangalö. Quando chegamos estava deserto,pois chovia muito, abríamos a porta do carro e fazíamos pipi ali mesmo, não tinha jeito. Cansados de ficar os 7 no carro esperando a chuva passar, nós rapazes resolvemos montar a barraca debaixo de chuva mesmo, e foi o que fizemos. Deu trabalho, e claro, nos molhamos inteiramente, mas pelo menos tínhamos espaço para ficar em pé, sentados, deitados. Depois da chuva o céu abriu, saímos da barraca para ver as estrelas, que maravilha Nunca tinha visto um céu tão escuro, tão cheio de estrelas que eu fiquei perdido Lindo, Simplesmente lindo No dia seguinte com sol, fomos arrumar melhor a barraca, colocar as coisas para secar, dar uma volta de reconhecimento e entrar no mar. Mas a chuva forte deixou o mar sujo, cheio de troncos, folhas, galhos, terra. Depois do almoço já foi possível entrar no mar, uma delícia. Eu e o Barros fomos até a cidade para colocar gasolina no carro, mas entrou agua no distribuidor e tive de empurrar aquele enorme e pesado carro. Finalmente colocamos combustível e resolvemos o problema do distribuidor. No domingo nos arrumamos, guardamos tudo e fomos almoçar num restaurante na estrada e voltamos para São Paulo. A volta foi ruim pois estávamos cansados, queimados, roçando um no outro, e o sol brilhando em nossa pele queimada e dolorida. Mas viagem de jovens é assim mesmo, muito sofrimento, mas contentes pelo passeio. Voltando ao Liceu... as mocas já começavam a jogar melhor o voleibol e nós rapazes íamos assistir aos jogos. Mas elas usavam calças compridas, poucas colocavam um short. Um dia fomos na casa do Cutia, e ele nos levou para andar no passat, e ele acelerou até 90 km/h em 2* marcha Doidinho. Fomos também na casa do Hugo e do Chan lá em Caieiras, e o Hugo me mostrou o telescópio que estava fazendo e fiquei com vontade de fazer o meu e consegui. Mas ficou muito grande - 2 metros - Dava para ver a Lua enorme e bonita,pena que durou pouco. Quando terminamos o curso fomos comer num rodízio de pizzas, nem lembro onde, mas comi muito mesmo, e bebemos vinho em jarra para acompanhar, até deu uma tonturinha, e tive de beber guaraná também. Compramos a festa de formatura, mas como eu estava sem dinheiro, comprei poucos convites de formatura e nem pude pagar o fotógrafo, razão porque não tenho fotos desse evento. A formatura foi no Anhembi, e eu usei o mesmo terno que usei na mudança da igreja da rua Inácio Pereira da Rocha para a rua Mourato Coelho, o terno cinza claro 48 longo que comprei no Mappin junto com meu pai que me ajudou a escolher. Nós rapazes ficamos no fundo do palco, as moças ficavam na frente. Fomos chamados um a um para recebermos nosso diploma simbólico, um canudo azul que ainda guardo com meus troféus. Depois daquela cerimonia toda, tiramos fotos com todos os colegas, beijos, abraços, choradeira e voltei para casa com meus pais com a sensação de mais uma etapa concluída. 02-09-2003 Colegial completo, técnico em mecanica completo, e agora? Bom, fui procurar trabalho e fui preencher ficha em várias empresas, e uma delas era no bairro do Bixiga, fiz o teste e passei e comecei a trabalhar como técnico treinee na Pitney Bowes. Meu trabalho era fazer manutenção em máquinas de franquia postal, máquinas de pequeno porte. Trabalhava de guarda-pó azul, atrás de uma bancada de ferro com minha pasta 007 cheia de ferramentas. Comecei a fazer cursinho no Anglo para tentar entrar na faculdade de engenharia. O cursinho era o intensivo de março a Dezembro, na rua Sergipe. Prestei os vestibulares mas não entrei em engenharia mecanica. No ano seguinte fiz cursinho de novo nas turmas de maio. Prestei os exames e passei em alguns. Matriculei-me no curso de Física na PUC e cursei por 2 semestres, ao final do primeiro decidi parar de trabalhar para poder estudar mais e não ficar de dependencia, DP. Trabalhava na Pitney e o salário só dava para a mensalidade da faculdade, condução e lanche. Ao final do segundo, como as notas não melhoravam e eu continuava ficando de DP em várias matérias, resolvi trancar a matrícula. No ano seguinte fiz cursinho de novo no Objetivo em Pinheiros com o irmão Daniel Schimidt, e encontrei o Valtinho Rodrigues Jr também. Estava no final do ano cursando um preparatório militar, mas passei em Educação Física na USP e resolvi arriscar. Matriculei-me na EEFUSP em 1986. 09-09-2003 E chegou o dia de ir fazer a prova da fuvest- fundação universitária para o vestibular- teve a primeira fase e consegui passar, devo ter feito uns 63 pontos e fui para a segunda fase, foi mais difícil pois não se pode zerar em nenhuma matéria e a resposta é direta, não tem mais muitipla escolha como na primeira fase. E fui para o teste prático, que anos mais tarde foi abolido, e fiz os abdominais, flexão e salto sobre o banquinho. Tive de correr também os 12 minutos do teste de Cooper, e consegui uma boa marca. Para terminar, fui para a piscina e o teste era só deslocar de uma borda a outra sem apoiar no chão da piscina, mas eu não sabia nadar e fui me debatendo como pude, num esforço terrível para não desistir estando tão perto, consegui atravessar a piscina, voltei, fui e na volta parei. Mas fiz o mínimo e... surpresa Passei Entrei na USP Foi para mim o máximo, fiquei realizado. Mas isso era só o começo... Outro dia fui para a matrícula e os veteranos já vieram para cortar nosso cabelo, ganhar algum dinheiro conosco e coisas assim, eu fiquei perto de um japones grandão que era calouro como eu e quem sabe nós sendo grandes teríamos uma chance. Tentaram cortar meu cabelo e intimidações, mas eu desconversava, enrolava e consegui, não tive meu cabelo cortado. No dia da aula inalgural, eu já sabia que ia ter trote, e fiquei só observando de longe, fizeram fila, foram marchando pela av. da raia e eu fiquei batendo papo com a moça da informações e acabei fazendo amizade com ela e sempre passava lá para conversar e dizer olá. Para não dar motivo aos veteranos cortei o cabelo curtinho, mas não estava carreca. E comecei a participar das aulas, estudar, fazer amizades e assim começou a vida universitária. Eram 6 matérias no primeiro semestre, futebol I, natação I, anatomia I, metodização da pesquisa científica, bioquímica e atletismo. Estava indo tudo bem, até na natação eu estava conseguindo progressos, pois a prática era de como ensinar alguém a nadar, e acabei aprendendo. Continuarei a escrever assim que for possível...

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