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História

Henrique Blank (Jechil Hirsz Blank)

História de: Henrique Blank
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 02/03/2021

Sinopse

Fala de sua emigração para o Brasil, de como começou a trabalhar com arte e teatro no Rio de Janeiro. A tragetória da Biblioteca Scholem Aleichem e do Monte Sinai são retratadas, tanto quanto várias de suas participações, organizações e trabalhos com teatro ídiche e resgate da cultura judaica. 

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História completa

Entrevista de Henrique Blank (Jechil Hirsz)

Data: 7/05/89 e 15/05/89

Observação : Esta entrevista não foi gravada. Os itens abordados foram preparados previamente por Henrique Blank e ditados ao longo da entrevista.

PARTE 1

Em 13 de julho de 1905 nasci em Varsóvia, Polônia.

Em 1905, em 5 de Novembro, cheguei ao Rio de Janeiro, vindo de Varsóvia.

Quando cheguei ao Brasil política estava nublada. Foi em Novembro que aconteceu a Intentona Comunista. Obviamente que aquilo influía na cultura dos judeus daquela época.

Na biblioteca Sholem Aleiscem, na Praça Onze, vários judeus foram presos e levaram os livros para o DIP. Mas por coincidência, vivemos sempre em coincidências, comigo acontece que meu irmão era sócio da sociedade de Judeus poloneses. Os diretores dessa sociedade falaram com meu irmão para que ele me convidasse a participar da Sociedade. A segunda coincidência foi que houve uma noite de arte organizada por essa sociedade e me convidaram para participar. Participei com uma declamação. Depois disso, um senhor se aproximou de mim e me chamou para trabalhar com eles, dizendo que precisava de gente como eu. Assim começou meu trabalho na organização judaica. Foi formado um grupo de amadores, tudo feito em ídiche. Fizemos uma noite de arte, um mural.

Em 1939 passou por aqui um grande ator de teatro ídiche – Jacob Waislitz - da “The Vilner Troupe” , que montou a peça “Tuq un Nacht” (Dia e noite ) de Sz-zansky, o mesmo ator de “O Dibuk”, no teatro República em 10 de Setembro de 1939. Participei dessa peça como ator e assistente de direção. Depois disso chegou outro grande ator, Paulo Baratov, que montou a peça “O Pai”, de Strindberg. Também participei dessa peça.

Depois disso houve uma grande modificação no nosso trabalho, em geram, em todas as Sociedades. A situação política ficou mais leve. A Biblioteca Scholem Aleichem ficava na rua Senador Euzebio e passou a atuar no local da associação dos judeus poloneses. Lá começou meu trabalho.

A primeira peça que montei foi “A Esperança Perdida”, de Herman Heyermann, escritor clássico judeu Holandês, com cenários de Tomas Santa Rosa, no Teatro Ginástico, entre os anos 40 e 42. Essa peça foi montada em Israel e também em Varsóvia.

Quando montei “A Esperança Perdida”, a Biblioteca estava sendo visitada por um investigador do DIP –Nicolau- um imigrante da Romênia que entendia ídiche. Saiu uma lei que para cada ensaio precisava-se de uma autorização. Fui pedir uma, até que depois passou a ser necessário pedir uma autorização a cada 8 dias, depois 15 dias, depois um mês.

                                                                                                                                              Pag.1

Depois disso veio para o Brasil, da Polônia, o grande ator e diretor Zygmunt Turkow. Foi convidado para trabalhar na Biblioteca. Montou muitos espetáculos com o nosso grupo. Entre os mais famosos, montamos a peça “Kromchalnegas” (Rua Kromchalne),que era de sua autoria ,no Teatro Recreio em 1945. E em 23 e 24 de junho ele montou a mesma peça no teatro Municipal de São Paulo. Em 1945 Turkow montou a peça de Sz. Ash, “Kindush Há Shem”,no Ginastico e no mesmo ano levou-a para São Paulo, novamente no Teatro Municipal (27 e 28 de junho) . Em 8/4/46 Turkow montou  “Dos Groisse Govins” (A sorte grande) de Scolem Aleichem. No Teatro Ginastico,com cenários de Lazar Segal, com os músicos Leo Gomberg e Niremberg. De 30 de Julho a 19 de Agosto de 1946, montou “Bar Kochba” de A. Goldfaben, no Teatro Recreio e neste mesmo teatro, em 7 de Outubro de 1946, a peça de sua autoria “Avraham Goldfaben”. Em janeiro de 1948, montou a grande obra de H. Levik, “O Mahram de Rutemberg”.

Em todas estas peças participei como ator e assistente de direção. Sempre continuei na Biblioteca como diretor.

Em 1947 montei o poema de Zalman Sagalovitz “Di Vant”, no Teatro Regina, com cenários de José Landa e música de Leo Gomberg e ao mesmo tempo a peça do Dr. Cipor, “Oifstand” (Levante), no Teatro República com cenário s de Mendel Griner.

Em 1950 fui convidado para dirigir o grupo “Dror” e em 1951 o grupo Cabiras. Atendi. Aprendi do grande mestre do teatro de Moscou Constantin Stanislawsky que é na arte que os povos podem viver na mais perfeita fraternidade sem diferença de língua e religião.

Com o grupo dos Cabiras montei em abril de 1951, no Teatro Regina, 3 atos separados: “Bafraiung”, de M. Katz: “Mazal Tov”, de Scholem Aleichem e “Di Grenetz”, de I. Daniel. Cenários de Mendel Griner e direção minha. Em 3 de julho de 1951, com o mesmo grupo, no Teatro Fênix, dirigi “Olam Haba” e “Mazal Tov” de Scholem Aleichem.

O grupo dos Cabiras me traz gratas recordações, pois dele participou pela primeira vez uma jevem que veio a ser um dos maiores orgulhos do teatro brasileiro –Tereza Rachel. Assim como também dele participou Mauricio Sherman.

Durante esse mesmo período montei na Biblioteca Scholem Aleichem, com o seu grupo “Di Goldreber” (Os Cavadores de Ouro) de Scholem Aleichem, no teatro Recreio (21/11/55) e no Teatro Maison de France, com 30 pessoas no palco, cenários de Mandel Griner, música a cargo de Leo Gomberg e dança de Berta Aisz (Berta Loran).

                                                                                                              Pag.2

Em 1960, formou-se um grupo de jovens na Biblioteca Scholem Aleichem. Era uma peça em um ato, de Aron Meged, e se chamava “Chana Senesz”. Então fui convidado para trabalhar no Clube Monte Sinai e lá começou uma nova época.

 

Pergunta – Quem eram os atores das peças montadas na Biblioteca ?

Henrique Blank – Os atores eram todos amadores. Quase todos poloneses e romenos. Era um pessoal de um certo nível cultural, conheciam bem literatura. Os rapazes trabalhavam como ambulantes. O dinheiro para produzir as peças vinha dos convites pagos, mas nunca deu para cobrir as despesas do espetáculo. A Biblioteca ajudava nas despesas.

 

PARTE 2

A Formação do Monte Sinai.

                Os meus melhores trabalhos como diretor na Biblioteca Scholem Aleichem foram : “A Esperança Perdida, “Os Cavadores de Ouro” de Scholem Aleichem, “O Levante” de Dr. Cipor, “Cante-me Uma Canção” de I.L. Peretz e “O Mulato” de Langhston Hughes. Acabou assim para mim uma época gloriosa.

                Em 1962 comecei a trabalhar no Clube Monte Sinai, como profissional, com um grupo já ideologicamente diferente do grupo da Biblioteca. Se o grupo da Biblioteca era progressista, o grupo do monte Sinai já era mais sionista, por causa do surgimento do Estado de Israel. Eram sionistas também porque a maioria vinha dos campos de concentração e mesmo se tivessem sido mais progressistas antes se tornaram sionistas.

                Comecei a trabalhar com eles o Ídiche. Era um trabalho que tinha mais motivação ideal do que profissional.

                O teatro Ídiche era para mim um elemento de preservação da cultura do nosso povo, sendo também um fator valioso contra as tendências assimilatorias.

                Meu primeiro trabalho no Monte Sinai foi a peça do Scholem Aleichem, “Dos Groisse  Guevin”, encenada num sábado e num domingo, 15 e 16 de junho de 1962. Em 1963 apresntamos um espetáculo misto numa Noite de Arte. Ainda nesse mesmo ano o grupo Reiva Teitelbaum das pioneiras de Niteroi, convidou o Teatro Monte Sinai para participar de uma noite artística no Teatro Municipal de Niterói, quando apresentamos a peça em um ato de Scholem Aleichem, “Mazal Tov”.

                                                                                                                              Pag.3

                Em 1964 organizamos outra Noite de Arte com o programa: “Zigi e Habubi” de Efraim Kishom e “Situação de Ouro”, de S.Daikel, peça esta que versava quase sobre o mesmo tema que “Todos Meus Filhos, de Arthur Miller, ou seja, sobre aqueles que fizeram muito dinheiro durante a guerra.

                Em 1965 organizamos no Monte Sinai mais uma Noite de Arte que se compunha de três peças em um ato: “Naches”, de I.L. Peretz, “O Noivo” de J. Tunkel “der tunkeler” e “Olan Haba” de Scholem Aleichem. Levamos esse mesmo programa para São Paulo, convidados pelo círculo israelita de São Paulo.

                Em 1966 montamos a peça “Haktubah” de Efrain Kishon, com cenários de Mendel Griner. Nessemesmo ano demos um espetáculo para o Lar dos Vehos em Jacarepaguá. Ainda esse mesmo ano, nos dias 10 e 11 de dezembro montei a peça de H. Gotesfeld, “Guevald”, nes shtarbt er? : Era uma sátira aos diretores incompetentes do teatro ídiche.

                Em 1967 (3 e 4 de julho) fomos pela segunda vez a São Paulo, convidados pelo Círculo Israelita. O programa apresentado foi “Dos Groisse Guevins” na primeira noite e na segunda “Di Vant” de Z. Segalovitze ainda um ato musical com os seguintes participantes : Sogia Schveid, Werner Grissman e Tsila Litvak. Esse musical foi feito na mesma noite em que explodiu a guerra em Israel.

                Já no fim do ano (16 e 17 de Novembro) montei no Monte Sinai a peça “De volta a seu povo” de Leon Lobrin, que falava sobre os casamentos mistos, com cenários de David Berdichévsky.

                Em 1969 montei a peça de um escritor israelense, Isaac Sele, “Srague faivish cumt in Neguev” e também “Lavar as mãos”, uma comédia sobre alguém que queria transformar o ritual de lavar as mãos depois do almoço num meio de ganhar dinheiro. (A tradução foi de M, Glasman).

                Em 1970, já quando o Monte Sinai tinha um teatro de verdade, montei a peça clássica de Scholem Aleichem “Tevie, o leiteiro” (“Tevie der Milchiger”).

                Em 1972 (16 e 17 d e novembro), completamos 10 anos de existência do grupo dramático do Monte Sinai, que se chamava “Dina Hochman”, em homenagem à senhora do presidente do Clube, que havia falecido. Levamos uma vez “Der Groisse Guevins”, de Scholem Aleichem. Nesse mesmo ano fui convidado para ser acessor especial de Daniel Filho na montagem de O Dibuk, O Demônio, um caso especial da TV GLOBO.

                                                                                                                                              Pag.4

                Em 1975 (30/11), fizemos outra Noite da Arte no Monte Sinai com a apresentação de Clarice Schaibrun como convidada.

                Em 1976 (01/08) fomos convidados pela terceira vez a São Paulo, convite esse feito pela Sociedade dos amantes do teatro ídiche, na Hebraica. Apresentamos uma noite musical com trabalhos de A. Goldfaben e de Guebirtig com os cantores Werner Grissman, Nair Bergman, Lazar Kowarski, Lea Rosenblun, Josef Rosenblun e Joseph Steinberg, tendo ao piano um judeu russo, Leonid, que depois voltou para a Rússia.

                Em 1974, numa Noite de Arte no monte Sinai apresentamos “Aleijados” de David Pinski e “O Palhaço”, monólogo de Jack Levy, um grande ator do teatro ídiche Tcheco.

                Em 1977 fizemos uma Noite misturada com o nome “De tudo um pouquinho...”.

                Em 1978, levamos pela terceira vez a peça de Lenon Kobrin, “De volta a seu povo”.

                O grupo teatral do Monte Sinai fez apresentações em Belo Horizonte, São Paulo, Salvador. Nosso lema era educar o espectador para que pudessem aprender a compreender os autores ídiches. Acreditávamos que o elenco jamais deve descer ao público, mas sim trazer o público até ele.

                Em 30 de outubro de 1983 foi oficialmente inaugurado o grande teatro do Clube Monte Sinai, patrocinado pelo mecenas Rachmil Maratze construído pelo engenheiro Dr. Isaac Hilf, tendo falado na inauguração o Dr. Jose Apelbaum.

                Com 78 anos de idade, nesta noite da inauguração, montei meu último espetáculo, com as peças “Kasrilevker Tramvai” de Scholem Aleichem com Tsila Livtak como convidada especial.

                                                                                                                                               Pag.5

 

 

 

Entrevista de Henrique Blank (Jechil Hirsz)

 Data: 7/05/89 e 15/05/89

 Observação : Esta entrevista não foi gravada. Os itens abordados foram preparados previamente por Henrique Blank e ditados ao longo da entrevista.

PARTE 1

Em 13 de julho de 1905 nasci em Varsóvia, Polônia.

Em 1905, em 5 de Novembro, cheguei ao Rio de Janeiro, vindo de Varsóvia.

Quando cheguei ao Brasil política estava nublada. Foi em Novembro que aconteceu a Intentona Comunista. Obviamente que aquilo influía na cultura dos judeus daquela época.

Na biblioteca Sholem Aleiscem, na Praça Onze, vários judeus foram presos e levaram os livros para o DIP. Mas por coincidência, vivemos sempre em coincidências, comigo acontece que meu irmão era sócio da sociedade de Judeus poloneses. Os diretores dessa sociedade falaram com meu irmão para que ele me convidasse a participar da Sociedade. A segunda coincidência foi que houve uma noite de arte organizada por essa sociedade e me convidaram para participar. Participei com uma declamação. Depois disso, um senhor se aproximou de mim e me chamou para trabalhar com eles, dizendo que precisava de gente como eu. Assim começou meu trabalho na organização judaica. Foi formado um grupo de amadores, tudo feito em ídiche. Fizemos uma noite de arte, um mural.

Em 1939 passou por aqui um grande ator de teatro ídiche – Jacob Waislitz - da “The Vilner Troupe” , que montou a peça “Tuq un Nacht” (Dia e noite ) de Sz-zansky, o mesmo ator de “O Dibuk”, no teatro República em 10 de Setembro de 1939. Participei dessa peça como ator e assistente de direção. Depois disso chegou outro grande ator, Paulo Baratov, que montou a peça “O Pai”, de Strindberg. Também participei dessa peça.

Depois disso houve uma grande modificação no nosso trabalho, em geram, em todas as Sociedades. A situação política ficou mais leve. A Biblioteca Scholem Aleichem ficava na rua Senador Euzebio e passou a atuar no local da associação dos judeus poloneses. Lá começou meu trabalho.

A primeira peça que montei foi “A Esperança Perdida”, de Herman Heyermann, escritor clássico judeu Holandês, com cenários de Tomas Santa Rosa, no Teatro Ginástico, entre os anos 40 e 42. Essa peça foi montada em Israel e também em Varsóvia.

Quando montei “A Esperança Perdida”, a Biblioteca estava sendo visitada por um investigador do DIP –Nicolau- um imigrante da Romênia que entendia ídiche. Saiu uma lei que para cada ensaio precisava-se de uma autorização. Fui pedir uma, até que depois passou a ser necessário pedir uma autorização a cada 8 dias, depois 15 dias, depois um mês.

                                                                                                                                              Pag.1

Depois disso veio para o Brasil, da Polônia, o grande ator e diretor Zygmunt Turkow. Foi convidado para trabalhar na Biblioteca. Montou muitos espetáculos com o nosso grupo. Entre os mais famosos, montamos a peça “Kromchalnegas” (Rua Kromchalne),que era de sua autoria ,no Teatro Recreio em 1945. E em 23 e 24 de junho ele montou a mesma peça no teatro Municipal de São Paulo. Em 1945 Turkow montou a peça de Sz. Ash, “Kindush Há Shem”,no Ginastico e no mesmo ano levou-a para São Paulo, novamente no Teatro Municipal (27 e 28 de junho) . Em 8/4/46 Turkow montou  “Dos Groisse Govins” (A sorte grande) de Scolem Aleichem. No Teatro Ginastico,com cenários de Lazar Segal, com os músicos Leo Gomberg e Niremberg. De 30 de Julho a 19 de Agosto de 1946, montou “Bar Kochba” de A. Goldfaben, no Teatro Recreio e neste mesmo teatro, em 7 de Outubro de 1946, a peça de sua autoria “Avraham Goldfaben”. Em janeiro de 1948, montou a grande obra de H. Levik, “O Mahram de Rutemberg”.

Em todas estas peças participei como ator e assistente de direção. Sempre continuei na Biblioteca como diretor.

Em 1947 montei o poema de Zalman Sagalovitz “Di Vant”, no Teatro Regina, com cenários de José Landa e música de Leo Gomberg e ao mesmo tempo a peça do Dr. Cipor, “Oifstand” (Levante), no Teatro República com cenário s de Mendel Griner.

Em 1950 fui convidado para dirigir o grupo “Dror” e em 1951 o grupo Cabiras. Atendi. Aprendi do grande mestre do teatro de Moscou Constantin Stanislawsky que é na arte que os povos podem viver na mais perfeita fraternidade sem diferença de língua e religião.

Com o grupo dos Cabiras montei em abril de 1951, no Teatro Regina, 3 atos separados: “Bafraiung”, de M. Katz: “Mazal Tov”, de Scholem Aleichem e “Di Grenetz”, de I. Daniel. Cenários de Mendel Griner e direção minha. Em 3 de julho de 1951, com o mesmo grupo, no Teatro Fênix, dirigi “Olam Haba” e “Mazal Tov” de Scholem Aleichem.

O grupo dos Cabiras me traz gratas recordações, pois dele participou pela primeira vez uma jevem que veio a ser um dos maiores orgulhos do teatro brasileiro –Tereza Rachel. Assim como também dele participou Mauricio Sherman.

Durante esse mesmo período montei na Biblioteca Scholem Aleichem, com o seu grupo “Di Goldreber” (Os Cavadores de Ouro) de Scholem Aleichem, no teatro Recreio (21/11/55) e no Teatro Maison de France, com 30 pessoas no palco, cenários de Mandel Griner, música a cargo de Leo Gomberg e dança de Berta Aisz (Berta Loran).

                                                                                                              Pag.2

Em 1960, formou-se um grupo de jovens na Biblioteca Scholem Aleichem. Era uma peça em um ato, de Aron Meged, e se chamava “Chana Senesz”. Então fui convidado para trabalhar no Clube Monte Sinai e lá começou uma nova época.

 

Pergunta – Quem eram os atores das peças montadas na Biblioteca ?

Henrique Blank – Os atores eram todos amadores. Quase todos poloneses e romenos. Era um pessoal de um certo nível cultural, conheciam bem literatura. Os rapazes trabalhavam como ambulantes. O dinheiro para produzir as peças vinha dos convites pagos, mas nunca deu para cobrir as despesas do espetáculo. A Biblioteca ajudava nas despesas.

 

PARTE 2

A Formação do Monte Sinai.

                Os meus melhores trabalhos como diretor na Biblioteca Scholem Aleichem foram : “A Esperança Perdida, “Os Cavadores de Ouro” de Scholem Aleichem, “O Levante” de Dr. Cipor, “Cante-me Uma Canção” de I.L. Peretz e “O Mulato” de Langhston Hughes. Acabou assim para mim uma época gloriosa.

                Em 1962 comecei a trabalhar no Clube Monte Sinai, como profissional, com um grupo já ideologicamente diferente do grupo da Biblioteca. Se o grupo da Biblioteca era progressista, o grupo do monte Sinai já era mais sionista, por causa do surgimento do Estado de Israel. Eram sionistas também porque a maioria vinha dos campos de concentração e mesmo se tivessem sido mais progressistas antes se tornaram sionistas.

                Comecei a trabalhar com eles o Ídiche. Era um trabalho que tinha mais motivação ideal do que profissional.

                O teatro Ídiche era para mim um elemento de preservação da cultura do nosso povo, sendo também um fator valioso contra as tendências assimilatorias.

                Meu primeiro trabalho no Monte Sinai foi a peça do Scholem Aleichem, “Dos Groisse  Guevin”, encenada num sábado e num domingo, 15 e 16 de junho de 1962. Em 1963 apresntamos um espetáculo misto numa Noite de Arte. Ainda nesse mesmo ano o grupo Reiva Teitelbaum das pioneiras de Niteroi, convidou o Teatro Monte Sinai para participar de uma noite artística no Teatro Municipal de Niterói, quando apresentamos a peça em um ato de Scholem Aleichem, “Mazal Tov”.

                                                                                                                              Pag.3

                Em 1964 organizamos outra Noite de Arte com o programa: “Zigi e Habubi” de Efraim Kishom e “Situação de Ouro”, de S.Daikel, peça esta que versava quase sobre o mesmo tema que “Todos Meus Filhos, de Arthur Miller, ou seja, sobre aqueles que fizeram muito dinheiro durante a guerra.

                Em 1965 organizamos no Monte Sinai mais uma Noite de Arte que se compunha de três peças em um ato: “Naches”, de I.L. Peretz, “O Noivo” de J. Tunkel “der tunkeler” e “Olan Haba” de Scholem Aleichem. Levamos esse mesmo programa para São Paulo, convidados pelo círculo israelita de São Paulo.

                Em 1966 montamos a peça “Haktubah” de Efrain Kishon, com cenários de Mendel Griner. Nessemesmo ano demos um espetáculo para o Lar dos Vehos em Jacarepaguá. Ainda esse mesmo ano, nos dias 10 e 11 de dezembro montei a peça de H. Gotesfeld, “Guevald”, nes shtarbt er? : Era uma sátira aos diretores incompetentes do teatro ídiche.

                Em 1967 (3 e 4 de julho) fomos pela segunda vez a São Paulo, convidados pelo Círculo Israelita. O programa apresentado foi “Dos Groisse Guevins” na primeira noite e na segunda “Di Vant” de Z. Segalovitze ainda um ato musical com os seguintes participantes : Sogia Schveid, Werner Grissman e Tsila Litvak. Esse musical foi feito na mesma noite em que explodiu a guerra em Israel.

                Já no fim do ano (16 e 17 de Novembro) montei no Monte Sinai a peça “De volta a seu povo” de Leon Lobrin, que falava sobre os casamentos mistos, com cenários de David Berdichévsky.

                Em 1969 montei a peça de um escritor israelense, Isaac Sele, “Srague faivish cumt in Neguev” e também “Lavar as mãos”, uma comédia sobre alguém que queria transformar o ritual de lavar as mãos depois do almoço num meio de ganhar dinheiro. (A tradução foi de M, Glasman).

                Em 1970, já quando o Monte Sinai tinha um teatro de verdade, montei a peça clássica de Scholem Aleichem “Tevie, o leiteiro” (“Tevie der Milchiger”).

                Em 1972 (16 e 17 d e novembro), completamos 10 anos de existência do grupo dramático do Monte Sinai, que se chamava “Dina Hochman”, em homenagem à senhora do presidente do Clube, que havia falecido. Levamos uma vez “Der Groisse Guevins”, de Scholem Aleichem. Nesse mesmo ano fui convidado para ser acessor especial de Daniel Filho na montagem de O Dibuk, O Demônio, um caso especial da TV GLOBO.

                                                                                                                                              Pag.4

                Em 1975 (30/11), fizemos outra Noite da Arte no Monte Sinai com a apresentação de Clarice Schaibrun como convidada.

                Em 1976 (01/08) fomos convidados pela terceira vez a São Paulo, convite esse feito pela Sociedade dos amantes do teatro ídiche, na Hebraica. Apresentamos uma noite musical com trabalhos de A. Goldfaben e de Guebirtig com os cantores Werner Grissman, Nair Bergman, Lazar Kowarski, Lea Rosenblun, Josef Rosenblun e Joseph Steinberg, tendo ao piano um judeu russo, Leonid, que depois voltou para a Rússia.

                Em 1974, numa Noite de Arte no monte Sinai apresentamos “Aleijados” de David Pinski e “O Palhaço”, monólogo de Jack Levy, um grande ator do teatro ídiche Tcheco.

                Em 1977 fizemos uma Noite misturada com o nome “De tudo um pouquinho...”.

                Em 1978, levamos pela terceira vez a peça de Lenon Kobrin, “De volta a seu povo”.

                O grupo teatral do Monte Sinai fez apresentações em Belo Horizonte, São Paulo, Salvador. Nosso lema era educar o espectador para que pudessem aprender a compreender os autores ídiches. Acreditávamos que o elenco jamais deve descer ao público, mas sim trazer o público até ele.

                Em 30 de outubro de 1983 foi oficialmente inaugurado o grande teatro do Clube Monte Sinai, patrocinado pelo mecenas Rachmil Maratze construído pelo engenheiro Dr. Isaac Hilf, tendo falado na inauguração o Dr. Jose Apelbaum.

                Com 78 anos de idade, nesta noite da inauguração, montei meu último espetáculo, com as peças “Kasrilevker Tramvai” de Scholem Aleichem com Tsila Livtak como convidada especial.

                                                                                                                                               Pag.5

 

 

 

 

 

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