Busca avançada



Criar

História

Guaraná? Só de Maués!

História de: Victor Nogueira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/02/2008

Sinopse

Nessa entrevista, Victor fala de sua ascendência miscigenada e de sua formação em engenharia agrônoma na Bolívia. Adiante, sabemos sobre sua trajetória profissional no Acre, Porto Velho e em Manaus, trabalhando com fruticultura e borracha. Nessa caminhada, vai parar em 1960 numa fazenda de guaraná em Maués, onde começa sua história com a tão famosa fruta. A partir daqui, fala acerca de seu aprendizado no ciclo do guaraná e de suas experiências e inovações no cultivo da fruta, como a clonagem de mudas. 

Tags

História completa

O guaraná tem o seu clima e o seu solo. É tudo. E o solo é tudo. Então Maués tem o seu solo para o guaraná. É o solo pesado, amarelo pesado, poroso, drena bem. Percola bem. Não encharca. Apesar nas chuvas torrenciais que tem Maués, seis meses de chuva, mas a água não permanece na superfície, percola. Então o guaraná quer esse tipo de solo, poroso. Ele quer muita oxigenação. Muita. Daí que um solo compactado, mal trabalhado ele sente muito. Não desenvolve bem. Foi que nos primeiros anos daqui, as primeiras quadras que nós metíamos os tratores de esteira, os tratores pesados, compactou algumas áreas aqui. E que nós não tivemos sucesso com os plantios. Encharcava a área, e os guaranazeiros iam e morriam. Tudo pela compactação. E aqui hoje ninguém mete mais máquina pesada dentro de uma área para guaraná, para evitar a compactação. O guaraná quer isso. Quer solo livre, livre de qualquer erva daninha na superfície do solo. Livre de qualquer outra planta que cubra a sua copa, como a erva-de-passarinho, a batatarana, a morceguinho, a ortiguinha, o piri-piri. Todas são plantas que gostam da copa do guaranazeiro. O guaranazeiro então maués tem seu solo e tem seu clima. As propriedades que o guaraná aqui de Maués tem é bem diferente. Ou os outros tem um, os outros que se dedicam à cultura do guaraná - como Bahia, Mato Grosso, outros estados - eles não encontram o solo que Maués tem. Não encontram. Então as propriedades do guaraná fogem. Fogem. As respostas são outras. Eu tomo guaraná. Eu não vou tomar guaraná da Bahia, né? É através dela que sigo lutando, trabalhando sempre só a favor dela, lutando por ela, que é a cultura do guaraná, é daí que sai o meu sustento da vida. Da minha família toda: do guaraná. E desde o primeiro dia em que pisei em Maués eu comecei a lutar por ele. E ainda não terminei. Eu disse para a minha esposa: "Miriam, eu ainda não terminei não. Eu quero concluir fazendo uma coisa só.”

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+