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Guaraná modernizado

História de: José Augusto Dias Ribeiro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/02/2008

Sinopse

Em seu depoimento, José Augusto Dias Ribeiro fala sobre sua família e a tradição do guaraná que herdou dela. Conta sobre sua liderança na comunidade e como viaja para fazer cursos e aprender mais sobre o guaraná. Aborda as dificuldades das mudanças climáticas e também os preços e a ajuda limitada que as empresas colocam para os fazendeiros.

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História completa

Meu nome é José Augusto Dias Ribeiro. Nasci em 15 de setembro de 1972 em Maués. O meu pai é Homero Ribeiro Martins, minha mãe é Cassilda Dias. Eles são agricultores. E hoje já não trabalham mais quase. Papai ainda trabalha um pouco, mamãe já está aposentada, anda meio baquiada, mas está sobrevivendo.

Na verdade eu bem pouco brinquei, sempre trabalhei com o meu pai. Não sou muito chegado a esse negócio de brincadeira de bola, não. Prefiro trabalhar. Não, não sou chegado, não. Comecei a trabalhar com o meu pai. Ah, desde os dez anos.

Quando eu deixei de estudar foi pra trabalhar pra eu me autossustentar. Eu estudei até os 16 anos. A gente saía com os amigos. Não, cinema não. Nem em Maués quase não tem, nem sei se tem agora. A gente saía com os amigos por aí pelas comunidades rurais. Tem outras comunidades espalhadas aí e ia para as festas com os amigos. Sempre me acostumei a participar de igreja, encontro religioso e assim outras... Estar no meio deles participando. Se envolvendo como liderança também. A gente várias vezes coordenou aqui este setor aqui com três comunidades na parte religiosa sendo o homem de frente pra conduzir. Ainda sou tesoureiro aqui do setor representando 14 comunidades.

Tem água, tem energia, só que esta energia a gente consome pouco. Que a gente queria mesmo é energia 24 horas pra melhorar esse negócio. Aqui a gente faz muita despesa com o diesel, gelo, às vezes a gente quer tomar uma água gelada e tem que comprar o gelo na cidade e você quer energia e sai caro porque você tem que comprar o diesel, tem que fazer colaboração pra manter esse motor funcionando por poucas horas, entendeu? Só três horas por noite. Chegou essa nossa água aqui já tem mais ou menos 20 anos esse poço artesiano aí.

Investir no guaraná hoje, eu planto o guaraná porque eu sou filho de produtor que trabalhou e se criou, rendeu muito dinheiro com o guaraná , mas hoje ele não é mais aquela fonte de vida pra nós aquilo. Porque dá muito trabalho e o retorno dele é bem pouquinho e dá muito trabalho. Ele não dá mais produção como dava antigamente, talvez o clima mudou, na época era mais frio o clima, hoje está muito quente por motivo de muita devastação na natureza e a tendência é esquentar cada vez mais. E o guaraná não está sendo mais uma fonte de vida, só é um complemento.

O problema do guaraná é na época da safra você ir lá no campo tirar o guaraná, trazer, deixar ele murchar pelo menos uns dois dias aqui pra amolecer mais da casca dele, descascar, lavar e torrar. Então você tem um guaraná de qualidade.

A Associação dos Agricultores de Vera Cruz, a AAVEC, ela foi criada em 92 pelos próprios produtores da comunidade que na época foram 23 sócios. A comunidade se reuniu preocupado com a produção da comunidade. Então resolveram fundar uma associação, no caso eu também estava no meio já, sócio-fundador, então fundei uma associação e fomos atrás de recursos pra gente tentar legalizar ela e a gente não arranjou. Então nós mesmos trabalhamos com colaboração, com bingos pra gente arrecadar na época 1300 reais pra gente legalizar ela. Legalizamos ela e a gente partiu em busca de outras alternativas como financiamento produtor, pra ela trabalharu, npa e a gente nao o jmde que na  pra depois ele devolver o dinheiro para o banco, como projetos vias governo, esses dias mesmo a gente comprou um barco que está aí na beira, o AAVEC, que pertence à associação, que foi um projeto perante o governo estadual e que a gente consegui 60 mil, com essa associação. E assim a gente vai buscando alternativa, a gente procura buscar outros conhecimentos lá fora pra gente trazer para os nossos sócios aqui, a gente procura trazer mudas de plantas para os sócios plantarem aqui. Esse ano nós trouxemos só para a Vera Cruz já venho quase cinco mil mudas de guaraná. Trouxemos anos anteriores aí 60 mil mudas de abacaxi, buscando alternativas também para os nossos produtores ir plantando e ir produzindo cada vez mais, não só plantar e plantar, mas sim plantar e cuidar e zelar por aquilo que ele tem.

A melhor festa que tem é no interior de Maués. Festival Folclórico da Ilha de Vera Cruz. É no último final de semana de julho, até mesmo com a concorrência de não disputar com Parintins. Mas é um festival que cresceu muito, a gente chega a receber até dez mil pessoas aqui na comunidade com a ajuda da prefeitura que ela nos ajuda pra botar esses bois na arena, são três bois que disputam, é o Brilhante, o Malhado e o Garantido e tem uma disputa e quem vencer...Tem jurados e quem tiver mais ponto ganha o festival, mas é muito bonito.

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