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História

Grandes desafios pela frente

História de: Wagner Pinheiro de Oliveira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/11/2013

Sinopse

 Em seu depoimento Wagner fala sobre sua família, sobre a infância vivida em Campinas e de como escolheu o curso de Economia quando decidiu fazer um curso superior. Relata que sua militância começou muito cedo, aos 16, 17 anos, primeiramente como simpatizante e posteriormente como filiado ao PT. Recorda o período em que trabalhou no Banespa e as lutas que empreendeu na Federação dos Bancários da CUT. Aponta como chegou à presidência da Petros, fundo de Previdência da Petrobras e o convite da presidenta Dilma Roussef para assumir a presidência dos Correios. Finaliza apontando os desafios dos Correios para se tornar uma empresa mais eficiente e cada vez mais aproximar pessoas.

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História completa

Eu nasci no dia 7 de maio de 1962, em São Paulo. Meus pais são paulistas, a minha mãe é nascida em São Paulo, o meu pai nascido em Campinas. O nome do meu pai é José Antônio e minha mãe, Dinah. Meus avós maternos são paulistas, a minha avó nasceu num distrito de Botucatu que se chama Andrade Silva e, meu avô em Jacareí. Meus avós paternos nasceram em Campinas. O meu avô paterno, eu convivi muito pouco com ele, ele morreu quando eu tinha menos de oito anos, trabalhou em algumas empresas como representante autônomo, como auxiliar administrativo. Minha avó, que é viva até hoje, tem 99 anos, o ano de 2014 fará cem anos, ela passou a vida dela vendendo joia, andava pela rua vendendo joia e viveram muito tempo em São Paulo, meus avós e meu pai, meu pai é filho único, e depois voltaram pra Campinas. Eu tinha um ano de idade eles voltaram pra Campinas e estão lá até hoje, vivem lá até hoje. O meu avô materno, ele tinha um restaurante na estação, aqui em São Paulo, na Estação Sorocabana, era na estação de trem, eu ainda cheguei a conhecer esse restaurante, era dele e do irmão dele, meu tio-avô. E minha avó era dona de casa, cuidava das filhas, enfim, sempre cuidou de casa, viveram muitos e muitos anos aqui em São Paulo, morreram ambos em 1998. Os meus pais se conheceram na escola, eles estudavam na mesma escola, meu pai frequentava a escola, minha mãe estudava, meu pai ia lá, e se conheceram na escola, em São Paulo, no bairro de Santana. Eles se conheceram lá, namoraram, casaram e tão juntos até hoje, 52 anos juntos. Meu pai sempre foi representante comercial na área de fertilizantes, adubos químicos, fertilizante, a vida inteira, nos criou vendendo adubo pelo Brasil a fora, hoje em dia ele é aposentado do INSS, mas também continua tendo uma representação pequena, vendendo carne no atacado para um frigorífico local de Campinas. Minha mãe foi professora a vida toda, não deu aula durante o período em que eu e meus irmãos éramos crianças, mas voltou a dar aula depois novamente e hoje também é aposentada pelo INSS. Eu sou o mais velho dos irmãos, depois tem um, um ano mais novo do que eu, daí vem uma irmã que nasce em 66 e uma irmã muito mais nova que nasceu em 1978, essa nasceu em Campinas.

Era um lugar obviamente de interior, aquela altura, 1960, um bairro que se chama Guanabara, também num lugar que era tranquilo aquela altura, que dava pra brincar na rua. Essa minha infância lembro muito pouco, tenho imagens apenas da casa, alguma coisa da casa, mais pelas fotos, pelo o que meus pais nos contam, a gente brincava na rua, tinha carrinho de andar, andava na rua, andava na calçada, mas andava na rua também. Depois, nesse outro bairro é que aí a gente viveu toda infância, que eu já tinha sete anos, no Jardim Nossa Senhora Auxiliadora, eu vivi toda a minha infância e adolescência ali, na verdade quase todo tempo porque eles moram no mesmo bairro, no mesmo lugar desde então e saíram uma ou outra vez pra morar fora. Esse bairro era um bairro super tranquilo, recém asfaltado, por exemplo, e nem todas as ruas estavam asfaltadas, perto da Lagoa do Taquaral, um espaço de convivência em Campinas que, lógico, guardadas as devidas proporções, como se fosse o Ibirapuera em São Paulo, como se fosse, sei lá, a Lagoa Rodrigues de Freitas no Rio. É um espaço que tinha campo de futebol, tem até hoje cartódromo, mas não usam mais, tem um ginásio de esportes enorme, até hoje o time brasileiro de vôlei, de basquete joga ali naquele ginásio, tem uma lagoa bonita. A gente morava ali perto e era um bairro super agradável, tranquilo pra 1970, imagina, super tranquilo, nós brincávamos o dia inteiro na rua, jogando bola, andando de bicicleta, andando de skate, quando o skate apareceu. Eu achava um desafio enorme e uma necessidade muito grande, ter que estudar muito pra ser médico, então eu sempre ficava: “Ah, mas estudar o que tem estudar pra ser médico, eu acho bacana, não sei o que”, eu pensava como criança, mas depois achei que a minha vida ia além de ficar estudando oito horas por dia aos 15 anos de idade, aos 16 anos de idade, 17 anos de idade. E eu pensei em outras coisas, pensei em Engenharia, e aí no terceiro ano colegial o colégio fez testes vocacionais e deu muito pra essa área de Engenharia, de Exatas, Economia e eu tinha lá uma certa vontade e curiosidade e acabei tomando uma decisão por fazer Economia. E foi aí que, eu estava entre Engenharia e Economia no terceiro ano do segundo grau e aí tomei a decisão e fiz vestibular pra Economia e acabei entrando da Unicamp, fiz a graduação toda lá e enfim, estou satisfeito com a escolha que eu fiz.

Eu com 16, 17 anos comecei a ter mais envolvimento na questão política, eu me lembro que uma eleição, acho que é 78, eu fui fazer distribuição de santinho na porta de escola, fui empolgadíssimo. Depois na Unicamp, uma universidade mais politizada já, e aí eu tive uma vivência política, nunca mais deixei de ter do ponto de vista da militância política. Logo no segundo ano da faculdade eu comecei a trabalhar, então eu trabalhava e estudava. A Unicamp não tinha à noite, tinha só durante o dia, então era misturado a hora de eu trabalhar e a hora de eu estudar, então não tinha como fazer militância do ponto de vista de ser da direção do centro acadêmico. Mas eu sempre tive uma militância. Desde a fundação do PT me identifiquei com o Partido dos Trabalhadores e em 88 me filiei ao PT. Eu me filiei em São Paulo, já trabalhando no Banespa, o Banco do Estado de São Paulo. Em 85, vim trabalhar em São Paulo e aí ampliei minha militância também do ponto de vista do movimento sindical. Quando o Partido dos Trabalhadores foi criado eu não me filiei no início, mas já fiz campanha pra PT em 82 como militante, não como filiado, como ativista. Eu me formei economista no comecinho de 86, tive uma sorte danada, teve um concurso pra economista no Banespa, fazia uma década que não tinha, passei no concurso pra economista e vim trabalhar aqui em São Paulo. Aí como economista trabalhei muitos anos no departamento de economia do Banespa, em 1991 fui cedido do Banespa, que era uma empresa pública, pra Assembleia Legislativa, onde fui assessor de orçamento e finanças da bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, fiquei lá quatro anos cedido, fora da Banespa. Voltei pro Banespa, já era a intervenção do Banco Central, com vistas à privatização do banco, me engajei na luta contra a privatização, entrei pro movimento sindical, fui dirigente sindical da Federação dos Bancários da CUT de São Paulo e também mais pra frente fui dirigente da Associação dos Funcionários do Banespa, que existe até hoje, chama Fubesp. Quando o Santander comprou o Banespa em dezembro de 2000, por conta da minha formação passei a militar bastante na área de previdência complementar, fui eleito no comitê de investimentos do Banesprev, que é o fundo de pensão do Banespa, hoje Santander, mas o Banesprev existe até os dias de hoje. Mais pra frente fui eleito diretor financeiro do Banesprev, fui da diretoria executiva, passei a trabalhar lá, fiquei quatro anos. Quando o Presidente Lula foi eleito em 2002, participei da equipe de transição governamental e depois fui nomeado presidente da Petros, onde fiquei nos dois mandatos do Presidente Lula, nomeado, lógico, pela direção da Petrobras, fiquei lá de 2003 a 2011 e aí que fui indicado, nomeado pela Presidenta Dilma pros Correios.

Eu conheci a Presidenta Dilma na transição de governo, ela também estava na transição governamental do governo Lula, nós nos conhecemos lá, ela foi nomeada Ministra das Minas e Energia e eu, pelo Petros, fundo de pensão da Petrobras, subordinado ao Ministério das Minas e Energia, nós acabamos tendo uma proximidade um pouco maior. Me relacionei muito tempo com ela como nossa Ministra de Minas e Energia, presidenta do conselho de administração da Petrobras. Nossa relação profissional sempre foi muito boa, depois ela foi Ministra Chefe da Casa Civil, também tinha relacionamento. E aí no dia 28 de dezembro de 2010, eu estava com passagem comprada, ia passar 15 dias fora do Brasil estudando inglês pra melhorar um pouco o inglês, fazer uma imersão pra dar uma reforçada na segunda língua, aí ela me chamou e falou: “Olha, eu quero que o senhor vá ser o Presidente dos Correios agora, a partir de segunda-feira, dia 3 de janeiro”. Aí eu aceitei o desafio, eu gosto de usar a seguinte frase quando me pergunto o que ela esperava da gente, ela falou: “Olha, o que eu espero da nova direção dos Correios é que ela esteja à altura da credibilidade que os Correios tem perante a população brasileira”, é isso que a gente tem se esforçado, ao lado de nossos colegas de diretoria, pra fazer valer o pedido da Presidenta da República. Eu acho que o grande desafio que eu tive, depois de ter passado oito anos da Petros, que é o segundo maior fundo de pensão do Brasil, mas não tem a grandiosidade que tem os Correios, na época 107 mil trabalhadores e trabalhadoras, presente em todos os estados e praticamente todos os municípios do Brasil, uma empresa que precisava, e precisa ainda, de revitalização, de uma busca de se atualizar perante a nova realidade mundial dos avanços tecnológicos. Foi um grande desafio eu ficar à frente de uma empresa com tamanha grandiosidade e continua sendo até hoje um desafio comandar e estar coordenando um grupo de trabalhadores e trabalhadoras dedicados, profissionais, mas que são milhares hoje, são mais de 120 mil.

 Nós fizemos um concurso que já contratou mais de 16 mil pessoas nesses dois anos e meio nos correios, vamos contratar mais pessoas no próximo período aí, nos próximos doze meses, mas é um, esse é o grande desafio, o desafio de gerir uma empresa do tamanho do porte dos Correios. Nós estamos investindo muito na questão de usar smartphones pra ajudar os nossos carteiros e carteiras na entrega dos objetos que a gente chama de rastreáveis, são objetos que a pessoa quando vai remeter registra e aí ele tem como acompanhar, ou seja, como rastrear esse objeto. São todos objetos que a pessoa quer que seja registrado e seja acompanhado, esse já um trabalho que da entrega dos nossos sedex, hoje o carteiro que entrega o sedex já usa esse smartphone. Nós temos equipamento de rastreamento de veículos pra ajudar um pouco na segurança, que é o grande desafio hoje que nós temos, a segurança do nosso carteiro, do nosso atendente, do nosso cliente, tanto na nossa agência, quanto da encomenda, do objeto do nosso cliente. É um desafio muito grande, temos feito um esforço grandioso com a Secretaria de Segurança Pública estaduais, com a Polícia Federal, mas no nosso campo então rastreando objetos, colocando chip pra rastrear encomenda pra gente conseguir, ao lado da Polícia Federal, desmantelar quadrilhas que assaltam os Correios. E tem muito roubo a agências nossas, principalmente no Nordeste e nas regiões mais longínquas porque nós somos a única agência de banco lá, nós somos o Banco Postal do Banco do Brasil e lá tem numerário e a gente sofre muito assalto. Também estamos comprando máquinas de triagem de objetos automatizadas, isso é um processo que já vem ocorrendo há algum tempo e a licitação está em fase agora nesse ano de 2013. Temos também um projeto que nós chamamos de serviços postais eletrônicos, que é trabalhar muito no campo da internet, no campo digital, na questão da tecnologia de informação e oferecer serviços pra população pra que a gente continue a ser uma agência de distribuição de comunicação entre as pessoas, uma empresa que aproxime as pessoas. Enfim, nós entendemos que temos que usar a tecnologia a nosso favor, a favor da população brasileira e do serviço de qualidade que a população brasileira sempre reconheceu que os Correios têm e que a gente quer continuar a ter. A história dos Correios no Brasil, história de 350 anos, desde 1663, lógico que em cada momento da história brasileira com uma conformação institucional, com um jeito de ser, mas sempre a serviço do desenvolvimento social e econômico do Brasil, seja lá em que forma de governo que a gente estivesse, seja monarquia, seja democracia, república ou não república, com democracia ou sem democracia, mas sempre presente na história do Brasil. Nós temos contribuído com isso, aproximar as pessoas, de novo usando esse termo, mas sempre com vistas a contribuir nos tempos de hoje, nos dias de hoje, usando essa lógica, contribuir com o desenvolvimento social do Brasil buscando ajudar o Governo Federal em primeiro lugar, mas também os governos estaduais e municipais, a diminuir as desigualdades regionais, a diminuir as desigualdades econômicas e sociais que o nosso país tem e que são decrescentes graças as políticas que os nossos governos têm empreendido ao longo dos anos, mas que ainda existem e que são grandes e que a gente tem um desafio enorme ainda pela frente

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