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História

Gigante pela própria natureza

História de: Gilseia Rinaldi Moreira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 20/12/2006

Sinopse

Casamento dos pais. Relação com os avós. Brincadeiras na infância. Nascimento da irmã. Lembranças marcantes da escola. Maternidade. Trajetória de dezoito anos na Natura, de consultora à promotora de vendas. Primeira convenção. Transformações e cultura da empresa. Amor pelo Brasil.

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História completa

 

P1 – Gilseia, eu queria que você começasse apresentando seu nome completo, onde e quando você nasceu.

 

R – Meu nome é Gilseia Rinaldi Moreira, eu nasci em São Paulo, nasci na Freguesia do Ó, no dia 19 de outubro de 1956.

 

P1 – E seus pais sempre moraram na Freguesia, como eles chamam?

 

R – Meus pais, a minha mãe se chama Maria José e meu pai Antônio Paulo, e meus pais eram muito jovens, eles moravam na Freguesia, sempre moraram na Freguesia do Ó, nasceram, foram criados lá, e aí se conheceram, minha mãe tinha dezesseis anos e aí logo eu nasci (risos), rapidinho (risos), e aí eu nasci, minha mãe tinha dezessete anos, era uma menina ainda, né? E eu acho assim que foi muito bom essa coisa dela me ter tão jovem, porque hoje a gente tem uma relação muito boa, porque a diferença de idade é pequena quando chega nessa fase da vida, né? Então isso é superinteressante, tem pessoas que pensam que minha filha é filha dela, né, então é bem legal.

 

P1 – Como que era, assim, a relação com a sua mãe de criança, menina, o que você lembra?

 

R – Quando eu era criança, por a minha mãe ser muito jovem, a minha avó teve uma presença muito forte na minha vida, porque a minha avó que acabou cuidando de mim. Claro, você tem uma filha com dezesseis anos, ela casou com dezesseis anos, com dezessete ela já me teve, então você tem que cuidar, e a minha avó cuidava dela e de mim, né, e logo que eu era pequenininha assim eu chamava as duas de mãe, porque eu via, todo mundo chamava minha avó de mãe e eu ficava olhando meus tios, chamavam mãe, mãe, minha mãe, mãe. Mas, logo depois que eu cresci um pouquinho, eu já distingui esta coisa gostosa de vó, eu curti muito a minha vó, né, foi muito bom a vida, o que eu aprendi com ela e com o meu avô, até às vezes eu me vejo, assim, fazendo algum trabalho aqui na Natura assim, esse amor que eu tenho pela empresa e aí eu fico pensando no meu avô, porque, na empresa em que ele trabalhava, ele também tinha esse carinho todo, sabe, e ele se dedicava e ele falava assim pra mim: “Quando você for trabalhar num lugar, você tem que trabalhar como se a empresa fosse sua, porque a empresa faz as coisas por você, então você tem que reconhecer”. E quando a gente trabalha achando que a empresa é como se fosse para você, você faz o melhor de você, né, então ele falava: “Eu acho que tudo que você tem que fazer na vida, você tem que fazer de coração, de alma e fazer direitinho e amar aquilo que você está fazendo”, né, gostar. Meu avô se chamava Antônio, a minha avó Cândida. 

 

[pausa]

 

R – Foi assim, uma coisa muito boa para minha vida os exemplos que eles me deram tudo, e a minha mãe sempre perto, a minha mãe sempre junto, com a gente também, o meu pai também é muito jovem e hoje a gente tem uma relação superboa, né?

 

P1 – Você teve irmã?

 

R – Tenho, eu tenho uma irmã.

 

P1 – E qual a diferença de idade?

 

R – Cinco anos.

 

P1 – E aí, como foi sua educação, sua criação, você com sua mãe supernova e depois com a sua irmã?

 

R – Com a minha irmã, a minha irmã quando nasceu, assim, eu fiquei maluca, eu queria muito ter uma irmãzinha e eu falava, uma irmãzinha assim do sexo feminino, e quando ela nasceu era a minha bonequinha, de verdade, sabe, eu cuidei dela, cresci assim com aquele carinho todo, então o pessoal às vezes falava assim: “Ela não tem ciúmes dela, ela tem ciúmes que as outras pessoas machuquem, cheguem perto”. Eu achava que ela era minha, sabe? Foi muito bom, sabe, foi um momento muito importante na minha vida, eu lembro direitinho o dia que ela nasceu e foi tão bom porque a minha mãe teve um parto natural e a minha irmã nasceu em casa, não deu tempo de ir para o hospital, e aí a minha avó me deu para minha tia e a minha tia morava numa casa do lado que tinha um muro, então a minha tia me deu assim pelo muro, a minha avó me deu para minha tia, me colocou lá, e aí foi muito legal, a minha tia chegou e disse: “Nasceu a sua irmãzinha”. E eu disse: “Ai vó, vamos fazer uma sopinha pra ela” (risos). Foi um momento bastante importante da minha vida quando a minha irmã nasceu.

 

P1 – Como foi sua infância, assim, suas brincadeiras?

 

R – A minha infância foi assim, uma infância muito boa, muito gostosa, porque eu morava numa rua, numa rua sem saída, numa rua que era de terra, então eu tinha minhas primas que moravam nas casas encostadas, que a família foi acabando se acomodando naquela rua e aí nós brincávamos de tudo, brincávamos de casinha e eu era assim uma moleca, não parece né, quem me olha pensa que, eu andava de carrinho de rolemã, sabe, empinava pipa, brincava de bicicleta, foi uma infância de verdade, foi muito bom.

 

P1 – E aí a educação, na escola e depois, mais adiante, dando um salto para faculdade?

 

R – Na escola também eu sempre adorei a escola, então eu ia com todo aquele encanto, a escola para mim sempre foi, assim, um local bom um local de aprendizagem, então não tive grandes dificuldades, a coisa foi fluindo e eu fui indo, e sempre querendo crescer, sempre gostando de estudar, até chegar na faculdade, assim, eu acho que nunca parei e, depois da faculdade, eu fiz vários cursos, tem algum curso eu já estou lá, me inscrevendo e fazendo. Claro que hoje a nossa atividade é uma loucura, mas eu sempre encontro um tempinho para eu estar estudando. Quando eu terminei, eu ainda não terminei de fazer o Cel.Lep porque eu acabei fazendo dez estágios, depois eu fiz um ano de Business e agora falta eu terminar dois estágios e eu vou voltar, agora o ano que vem para terminar, aí as pessoas falam para mim: “Mas como você encontra tempo, como você faz para estudar?”. E assim eu curto, levanto cedinho, vou lá para o curso, encontro as pessoas, eu acho que na escola, uma coisa bastante interessante, você encontra outras pessoas com o mesmo objetivo que você, então existe uma troca muito grande, né?

 

P1 – Nessa sua formação escolar, tão novinha, tem alguma pessoa que tenha influenciado na sua vida?

 

R – Eu tive uma professora que marcou bastante, o nome dela era Cecília. Quando eu estava na segunda série do primário, eu acho que ela marcou bastante porque ela não só ensinava Matemática para gente, mas ela ensinava as coisas da vida. E eu lembro bastante que ela falava para as meninas, vocês têm que cuidar das coisinhas de você, cuidar da gavetinha, do material e ela ficava pegando e ela ensinava de verdade, então era assim, você percebia que ela estava ali na escola, não estava só para ensinar Matemática, ela estava para ensinar muito mais coisa para nós e foi bastante marcante, esta professora.

 

P1 – E a Natura como foi que você _?

 

R – A Natura apareceu na minha vida porque eu me casei, aí eu tive a minha filha e aí eu resolvi ser mãe por algum tempo, eu sabia que ia ser um momento passageiro, mas eu sabia que ia ser muito importante estar com a minha filha pelo menos nos dois primeiros anos da vida dela e eu parei tudo. Eu tava trabalhando numa empresa de ração como secretária, eu parei de trabalhar e falei: “Agora eu vou ser mãe período integral”. E aí eu lembro que no dia do meu aniversário, um amigo meu, ele estava trabalhando na Natura, ele era químico e ele falou pra mim: “Gil, você tá pensando em voltar a trabalhar”. Falei: “Eu tô, agora eu quero trabalhar, a Ju já está com dois anos eu acho que já tá na hora de eu retomar”. E aí ele falou assim pra mim: “Eu tô trabalhando na Natura, é superlegal, você não quer se consultora na Natura? Vende, você conhece tanta gente, pessoal da faculdade, do seu trabalho onde você estava”. E, assim, nunca tinha passado pela minha cabeça trabalhar assim com cosmético, eu sempre adorei e desde menina eu comprava as revistas, eu misturava as coisas para passar no cabelo, passar no corpo, tudo quanto é creme novo. Meu pai me dava meu dinheirinho, minha mesada e eu ia pra praia, onde eu ia, numa perfumaria comprar meus cremes meu protetor solar e todo mundo falava: “Eu adoro, adoro”. E aí eu falei: É legal o curso, eu vou pensar nessa possibilidade”. “Olha Gil, você me liga, eu tenho uma promotora, você pode conversar com ela.” E aí me deu assim um estalo aquela semana, eu falei: “Eu vou ver como que é esse negócio”. E aí eu peguei o telefone, o telefone da Rose. Até, a Rose foi um exemplo bastante grande na minha vida, uma pessoa com muita força. A Rose trabalhou bastante tempo na Natura, e aí eu liguei para ela e ela falou: “Eu vou na sua casa”. Eu falei: “Não, eu vou aí”. Eu queria conhecer, eu queria saber o local que ia estar atuando, o que eu ia fazer. Fui, eu fiz os cursos e aí eu me encantei com a Natura e, depois de seis meses que eu estava como consultora, eles estavam precisando de promotora, e aí ela me ligou e disse: “Gil, você tem condições de ser, vem pra cá”. E eu pensei: “Mas como será que é esse trabalho?”. “Olha, a única coisa que eu vou falar pra você é que você tem que ter vinte e quatro horas pra Natura, então você não pense [que] damos plantão aqui uma vez por semana e que a gente não trabalha mais, mas é um trabalho bastante gratificante.” E aí eu fui, passei nos testes, na dinâmica, na entrevista e estou aqui.

 

P1 – Como foi essa entrevista, essa dinâmica, como você se sentiu?

 

R – Na entrevista eu me senti bastante confiante e na entrevista mostrei assim que adorava os cosméticos, que eu gostava de vendas, eu fui secretária de vendas, e eu gostava daquela agitação, daquele movimento, dos produtos também, aí eu já estava encantada.

 

P1 – Você lembra do seu primeiro dia como promotora?

 

R – Ah, eu me lembro do no meu primeiro dia como promotora, era meu plantão lá na Avenida Brasil, aquelas mulheres todas arrumadas, parecia que elas iam para um casamento, né, e eu toda preocupada com a minha roupa, eu fui comprar uma roupa nova para eu ir para o plantão, e fui, cheguei assim um pouco assustada com toda aquela novidade, mas fui me aproximando das pessoas e eu fui muito bem recebida e me aproximei bastante das pessoas. Tinha promotoras já com muitos anos de Natura já naquele tempo, há dezoito anos atrás, eu lembro, tinha a Dona Ilda, foi uma pessoa que marcou muito, quando eu cheguei ela já estava há dez anos na Natura e me ensinou muita coisa, e aí, uma coisa que eu aprendi é que nessa nossa atividade também, é você trabalhar com o coração, é a pessoa sentir que você fala as coisas de verdade, né, então isso cria uma confiança muito grande, e isso eu fiz desde o começo para eu mesma e eu vendia aquilo que eu acreditava, então a Natura também fala a verdade, né, então foi muito legal.

 

P1 – E você lembra o que você fez e se você fez alguma coisa de especial com o seu primeiro salário?

 

R – O meu primeiro salário de promotora, eu não lembro se eu fiz alguma coisa assim bastante especial, eu lembro que eu fiquei bastante feliz, eu gosto muito de guardar o meu dinheiro, então eu já peguei uma parte do meu salário e já apliquei pra eu poder fazer uma viagem no fim do ano, fazer alguma coisa, isso eu sempre faço, até hoje.

 

P1 – Como era esse ambiente na Avenida Brasil, você disse que tinham coisas lindas?

 

R – Ai era assim uma sala, era toda com aquelas mesas de vidro, aqueles arranjos maravilhosos de orquídeas, mas era um ambiente que nós éramos uma família, muito gostoso, então às vezes eu encontro aquele pessoal, daquela época, tem vários meninos, tem vários gerentes, o Cláudio do Rio, o Mauro Prospero também, que é gerente do Rio, às vezes a gente até comenta e às vezes nós ficávamos trabalhando lá até tarde, e depois o pessoal pedia pizza, todo mundo junto, era uma relação muito boa.

 

P1 – Como é a relação de vocês no cotidiano, exterior à Natura, vocês conversavam?

 

R – Conversávamos, trocávamos muito, contávamos as coisas que aconteciam conosco. Tem a Neide, a Neide está hoje aqui comigo, e nós trocávamos bastante informação com filho, com marido e aí então existia aquela troca, a gente sempre buscava uma a outra.

 

P1 – E, as suas consultoras, como fazia para captá-las, para montar seu time?

 

R – Primeiro eu pensei: “Agora eu preciso formar o meu time de consultoras, então eu preciso pegar meu pessoal”. E eu fui primeiro atrás das pessoas que eu conhecia, do meu pessoal, então, eu comecei a passar aquele encantamento da Natura e comecei a captar e através delas, elas me traziam novas pessoas porque você encanta, ela se encanta também e ela tem vontade de encantar e trazer isso para outras pessoas também, e aí o setor foi acontecendo e aí o setor foi subindo, crescendo e hoje eu tenho quinhentos e quarenta consultoras.

 

P1 – Mas como você fazia no começo para encantar essas pessoas, para captá-las?

 

R – Eu acho que o encantamento da Natura vem do próprio produto, porque toda mulher tem vontade, ela tem vontade de um bom shampoo, de um produto para o rosto, de passar um bom batom, e às vezes ela está meio adormecida, basta você estar despertando isso nela, e aquela vontade, dela estar em casa, mesmo que ela não vá trabalhar, mas que ela está ali em casa, ela se sente melhor, então você passa aquela coisa da Natura, dela estar bem para as pessoas, foi assim.

 

P1 – No começo, com PV, você tem algum caso que tenha sido engraçado?

 

R – A meu Deus, foram tantos, foram tantas coisas que aconteceram nesse tempo todo.

 

P1 – Uma história ligada a alguma consultora sua ou alguma trapalhada com produto, uma experiência mais divertida que você tenha tido?

 

R – Uma época que marcou bastante e que na época nós não achávamos assim tão divertida mas foi muito boa, foi muito divertida que ali, na Avenida Brasil, a casa ficou pequena, então chegavam vários carros e uma vez eu estacionei meu carro e dali a pouco vieram me chamar: “Gil, Gil, vai lá tirar seu carro”. Na época, o Jânio Quadros era o prefeito e ele pegava um balãozinho de multa e ficava multando todo mundo na frente da Natura, e eu até lembrei disso porque as consultoras iam lá buscar as caixas e eu me lembro que teve uma época que nós lançamos um estojo Sève e o pessoal fazia fila lá na Natura para pegar o estojo, aquela loucura toda, a mulherada atrás e, olha, foi uma época bastante marcante e essa coisa do Jânio foi uma coisa bastante engraçada que aconteceu, mas foram muitas coisas que acabaram acontecendo na nossa vida.

 

P1 – O Jânio com essa mania de...

 

R – É, ele era e essa mania de parar e ele mesmo fazer...

 

P1 – Uma pergunta você _______ pegou essa transição da L’Arc en Ciel, esse produto que realmente deu ___________, fala um pouco dela?

 

R – Você fala da fusão?

 

P1 – Da fusão e mesmo do produto como é que foi, quando chegou porque era um outro nome antes da L’Arc en Ciel.

 

R – Não, era Pro-Estética e tinha Eternelle, aí virou Natura, né, L’Arc en Ciel era a marca da maquiagem, na época, tá? Então quando teve, eles resolveram fazer a maquiagem Natura porque aí você tinha a marca Natura e uma marca de maquiagem L’Arc en Ciel, então acabou virando uma coisa só, virou maquiagem Natura e agora é maquiagem única, né? Foi isso que aconteceu, e eu acho que trabalhar na Natura todos esses dezoito anos é como se cada ano eu tivesse trabalhado numa empresa diferente, porque às vezes as pessoas perguntam: “Como você aguenta ficar tanto tempo numa empresa só?” “Por quê?” Porque a Natura é uma empresa diferente, não é a mesma coisa que uma empresa normal do mercado, você aprende todo dia e a Natura muda toda hora, trabalhar todo esse tempo é como se eu tivesse trabalhado cada ano numa empresa diferente, né? Quando, eu me lembro bem que, uma coisa que marcou bastante, que, quando eu fiz dez anos de Natura, uma promotora me perguntou: “Como que você aguenta ficar tanto tempo, o que te motiva a ficar na Natura, o que te motivou ficar esses dez anos?”. E que vai te motivar você a continuar são os desafios que a Natura dá pra gente porque ela sabe fazer direitinho e você nem vê o tempo passar, então cada ano foi um ano diferente e eu tinha certeza que a empresa ia me dar desafios para que eu continuasse, continuasse com essa vontade de continuar trabalhando na Natura.

 

P1 – Quando você começou como PV, tinha alguma promotora que você ou seu grupo admiravam, que vocês queriam seguir?

 

R – Tinha, tinha a Dona Ilda e a Celina também, elas eram mulheres de muita fibra, muito bonitas e elas eram um exemplo para as outras promotoras que estavam entrando.

 

P1 – E sua primeira convenção, como foi e onde foi?

 

R – A minha primeira convenção foi em Atibaia e, era tipo encontro regional onde nós íamos e trabalhávamos o dia todo, né, mas eu fiquei assim, como poderia te dizer, queria, muito curiosa para saber o que iria acontecer como eram as pessoas, porque eu ia ter a oportunidade de estar com as pessoas lá de dentro da Natura e hoje eu vejo as meninas que estão pela primeira vez na convenção, então eu até chego perto, dou um pouco de colo, falo: “Se vocês precisarem de alguma coisa, se vocês quiserem saber alguma coisa, podem contar comigo porque eu sei que quando vocês vêm, vêm com o olhinho brilhando, você quer conhecer, você quer saber quem é, quer ver as pessoas, quem é aquele? Quem é o outro? Será que eu posso chegar, será que eu não posso”. Então foi assim também.

 

P1 – Nessa época, vocês só iam para a convenção, ficavam trabalhando, não tinha hino, tinha algum hino?

 

R – Tinha, tinha um hino sim, nós cantávamos o hino, sempre teve, foi mudando, era gostoso porque, apesar de você estar trabalhando à noite, você conversava, você trocava, né, era bastante interessante também, depois tivemos convenções em Comandatuba e o pessoal levava a gente lá para o hotel e ficava trabalhando, mudou mesmo em 1997 quando nós fomos para Curaçao e a convenção passou a ser um prêmio e essa maravilha toda que vocês estão vendo aqui.

 

P1 – Esse hino que você falou, você lembra dele?

 

R – Ai, eu não lembro muito, Carla, não lembro.

 

P1 – Como você vê hoje o teu trabalho, quais as mudanças que você acha nessa trajetória da Natura na sua trajetória, quais as mudanças que você vê claras assim, que você acha que são fortes, que aconteceram nestes dezoito anos? Pode falar um pouco dessa transição da Brasil, _____

 

R – Nós saímos da Avenida Brasil porque a Avenida Brasil não dava mais, a casa era pequena e aí nós fomos para um prédio na Bela Cintra, a Bela Cintra também foi um encantamento, bastante grande também, foi muito bom estar lá, de lá nos fomos para um local que marcou muito, que foi a Casa das Rosas, porque a Casa das Rosas encanta, conta um pouco da história da Casa, a história de São Paulo e atrás daquele prédio todo moderno, todo bonito, então foi muito legal. E uma coisa que marcou muito na Casa das Rosas foi um evento que nós fizemos de maquiagem e convidamos todas as consultoras para estar indo nesse evento e não sabíamos o quanto ainda a gente encantava com aquela Casa das Rosas, e se formou fila na Paulista para poder subir para o nosso evento e todo mundo passava na Paulista e perguntava o que estava acontecendo na Casa das Rosas, de tanta gente que tinha, mas foi muito bom, foi um tempo muito interessante também, aí, de lá, nós saímos e fomos para o prédio da Cetenco, do prédio da Cetenco nós fomos para Berrini, da Berrini para Santo Amaro e Cajamar.

 

P1 – E, as suas consultoras, como é a sua relação com elas, como que essa relação foi se modificando nesses dezoito anos.

 

R – Carla, é assim, trabalhar com essas consultoras eu acho que é um aprendizado, eu acho que não tem curso, não tem nada que pudesse me dar tudo o que eu aprendi com elas, sabe, é um aprendizado para vida, né? E, às vezes, eu falo: você pode estudar, estudar, mas se você não conviver com todo esse povo, com toda essa nossa gente, você não vai obter esse conhecimento todo que essas pessoas têm para passar para você, então é uma coisa que eu adoro ensinar e também aprendi bastante coisa com elas, é essa coisa de você poder colaborar e poder fazer seu lado social, então é uma coisa que me toca muito e me dá muita motivação para continuar e para ter energia, e são, esse lado que você consegue mudar a vida de uma pessoa, você consegue tirar a dona de casa ali do cantinho dela e transformar aquela mulher, né, até eu tenho sempre como exemplo, eu tenho uma consultora, hoje ela tem setenta e nove anos, ela está conosco há catorze anos, é a Dona Cacilda. Ela tem rodinha no pé e ela tem uma energia muito forte de estar trabalhando, está ativa, está ganhando o dinheiro dela e eu falo o que a Dona Cacilda ganha sendo consultora Natura, ela não teria oportunidade no mercado de trabalho, então nós damos oportunidade para as pessoas. Então eu acho que nós fazemos o nosso trabalho social, fora isso nós somos psicólogas dela, muitas vezes ela vem, ela liga para você para contar o que aconteceu com o filho, o que aconteceu com o marido, aí você acaba criando uma relação muito boa com elas. É essa coisa de gente. Para trabalhar nessa atividade você tem que gostar de gente e isso é muito bom, e você vê, eu tenho também umas histórias muito boas, que como eu sempre gostei de estudar, eu sempre incentivei muito que elas voltassem para escola, então algumas consultoras com mais de cinquenta anos que não terminaram o primário e hoje elas estão já concluindo o segundo grau, por eu ter incentivado. E muitas vezes eu dava o exemplo também para elas: “Gente, tem que acordar mais cedo, se não der tempo a gente faz o tempo, a gente vai arrumar, vocês têm que ir, os filhos estão criados, é o momento, nunca é tarde”. E é bastante legal que elas me convidam para formatura, sabe, então assim, eu acho que é um trabalho muito gratificante, é um trabalho que dá mais do que só material para gente, além do dinheiro que a gente ganha na Natura, das conquistas materiais tem essa conquista espiritual também, então eu me sinto assim contribuindo para sociedade e eu acho que tenho que agradecer muito essa oportunidade de estar na Natura, porque a Natura é uma empresa assim, ela contribui com a sociedade o tempo inteiro, e eu fico assim muito emocionada, ontem vendo aquelas crianças cantando e eu pensando: “Puxa, que oportunidade nós demos”, os produtos Crer para Ver, as consultoras Natura e a Associação Abrinq, para que as crianças estivessem ali cantando. Então isso me encanta muito na Natura, porque a Natura acredita no nosso Brasil e eu acredito muito também no Brasil, desde criança, até você me perguntou como era na minha escola, tinha o hasteamento da bandeira e a gente cantava o hino nacional e aquilo marcou muito, eu me arrepiava quando cantava o hino nacional e agora também, cada local que eu vou, que eu canto o hino, fico toda arrepiada e falo, que bom que foi eu ter nascido neste país porque eu acho que este país é o país do desafio e nós temos desafios todos os dias para enfrentar, eu acho que não dá para ter muita depressão, como nos outros lugares, eu acho que aqui você sempre está buscando alguma coisa, aqui ainda dá para fazer muita coisa.

 

P1 – Além da Natura na tua vida, mãe, mulher, dona de casa, o que é, quais são os seus prazeres, você gosta do hino? 

 

R – Eu gosto.

 

P1 – Canta um pouquinho pra gente.

 

R – “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um sol intenso um raio.” (risos)

 

P1 – O hino é uma coisa tão forte que a gente tem vontade de cantar e a sociedade perdeu esse vínculo com a identidade, e quando a gente recupera_______.

 

R – É, aquela parte “gigante pela própria natureza”, nossa, quando você canta assim “gigante”, então eu penso quanto é grande esse país, quanta diversidade nós temos, essa coisa, essa cultura. Você vai para o Sul é de um jeito, você vai para o Nordeste é de outro, você está em São Paulo é outra coisa, é muito bom. É muito bom saber que eu posso estar em São Paulo, ter aquela vida louca, aquele monte de prédios, né, apesar que eu também curto aquilo, eu moro num local bastante alto de São Paulo, moro no décimo oitavo andar e da minha sacada eu vejo a Paulista e vejo também o Palácio do Governo no Morumbi, então, quando eu olho, eu fico pensando quantas vidas, quantos sonhos dentro dessas janelinhas, dentro dessas casas, desses apartamentos. Então é a cidade dos sonhos também, as pessoas vão para São Paulo para sonhar e aí quando eu chego aqui também vejo o mar, esse mar maravilhoso do Nordeste, eu me emociono e falo quão bonito é esse país, quanto que nós temos que valorizar este país, porque lá fora foi tudo criado, o pessoal montou, aqui não, Deus nos deu. E eu tenho muita vontade, eu tenho certeza que as próximas gerações vão preparar, vão cuidar de tudo isso que nós temos, eu acho que já começou essa conscientização, esse amor pela natureza que tem que ser nossa, a gente não tem que deixar ninguém pegar. Então, quando eu vejo a Natura com a linha Ekos também me emociona a fita do lançamento de Ekos, me arrepio cada vez que eu vejo e eu fiquei bastante emocionada, o Pedro Passos fez uma palestra no Mackenzie na semana do administrador e eu fui até lá assistir a palestra, e aí ele passou a fita do Ekos em Inglês. Eu fiquei toda arrepiada porque eu pensei: “Que bom, é a Natura indo pra fora e sendo apresentada em Inglês”. Eu falei: “Nossa que legal”. Fiquei muito emocionada da Natura ser totalmente brasileira, isso é referência para o mundo e a gente está mostrando um pouquinho do que o brasileiro é capaz de fazer, isso me dá uma vontade de continuar e continuar ajudando nesse trabalho de fazer cada vez melhor.

 

P1 – O gigante pela própria natureza.

 

R – Gigante pela própria natureza, quando eu pego a fita do Pedro, aquela fita que passou com o pessoal no barquinho, quanta riqueza, quanta coisa que nós temos, né, quanta coisa a gente tem que aprender, cada vez que eu vou para algum local assim diferente, eu só vou dar um exemplo, eu fui para Maceió, e fui andar na jangada e aí eu ficava perguntando tudo para o rapaz que estava comigo na jangada e ele entendia tudo, ele sabia tudo, do vento, do mar, da correnteza, e eu falei: “Nossa, que legal uma pessoa tão simples e tão sábia naquilo que ele faz”. Então, cada um aqui tem alguma coisa boa para passar, para ensinar, para fazer e todo mundo te recebe muito bem, por isto que todo mundo gosta do Brasil, né? Então a gente tem que cuidar bem dele e eu falo que não é por acaso que as coisas acontecem na vida da gente, essa coisa de eu querer ajudar, de eu fazer parte, mas fazer parte de verdade da minha sociedade, esse trabalho me traz isso e de poder fazer isso dentro de uma empresa que acredita nesse gigante pela própria natureza.

 

P1 – E a família, o lado que é teu?

 

R – Eu acho que eu sou uma pessoa bastante privilegiada porque eu tenho a minha família, né, e a minha família me dá muita força para tudo isso e me valoriza cada vez mais, ai gente tô emocionada, e, meu marido me dá muito apoio, né, me ajuda muito e ele é meu gás sabe, então é bastante importante, tenho um marido que nós somos apaixonados, então as pessoas falam: “Ah, isso é tão raro hoje”. Estava até contando para vocês, nós cuidamos um do outro, uma amiga fala: “Sabe o que é Gil, você, você e ele, vocês dois, regam o casamento de vocês”. Então eu acho que o amor, quando você casa, você casa porque ama, ninguém obriga você a casar, então você precisa regar isso todos os dias, né, e são com pequenas atitudes que a gente rega, não precisa fazer muita coisa. Então assim, nós vivemos superbem, nos amamos, temos uma filha linda, uma filha maravilhosa, uma menina ótima que eu agradeço todos os dias, e é muito bom e ela adora a Natura também, se emociona quando vai na Natura também, então eu falo, criei a Ju dentro da Natura porque, quando vim para Natura, ela tinha dois anos, hoje ela tem vinte e um, a Ju casou, casou também com um rapaz que é ótimo, uma graça o Maurício. Então sei lá, é uma relação muito interessante, meus pais, minha vó, que eu falei bastante dela, eu ainda tenho a minha avó, né, então minha vó me telefona se eu fico alguns dias sem ir lá, então ela faz um café, ela quer cuidar de mim ainda…

 

[interrupção]

 

R – Porque é tão importante você chegar na sua casa, é aquele momento, aquele encontro...

 

P1 – __________, pegar a estrada, viajar, ter a mochila, deixar a mochila num lugar seguro, né?

 

R – É verdade, é saber que você tem com quem contar de verdade...

 

P1 – Só falando mais um pouco, a gente tem que finalizar, mas quantas mulheres, sua avó, sua mãe, sua filha, são mulheres vaidosas?

 

R – São, elas são mulheres vaidosas, a minha avó, ela está com oitenta e nove nos, então, assim, ela faz o cabelo dela, ela está com alguma dificuldade para ir até a cabeleireira, então eu já tenho o dia que eu marco com a cabeleireira, vou de manhã na casa pego ela também, já é uma senhora, levo até a casa da minha avó, ela cuida, faz o cabelo dela, faz a unha e ela vai e volta para casa. Então mesmo com essa dificuldade, ela quer se cuidar, passa os produtos, claro que hoje ela usa Natura, né, então usa shampoo, olinho para o corpo, creme, agora ela ainda fala para mim: “Ai, aquele creminho cor de rosa, que é a loção para o corpo de pêssego, tá acabando”, né, então ela já quer um novo, então ela é bastante vaidosa, minha avó. Minha mãe também, minha mãe é uma mulher muito bonita, porque além de tudo ela é jovem, né, e também bastante vaidosa e o meu pai, posso falar um pouquinho dele? Meu pai, assim, acho que de todos, o mais vaidoso, para você ter uma ideia, ele fez até plástica, então se cuida, todo cheiroso, todo perfumado, usa Andiroba no corpo todo, só usa os sabonetes da Natura também, passa Chronos, então é, assim, o máximo, meu pai ganha de todo mundo, né, e a minha filha também, supervaidosa, a minha irmã, então, acho que todo mundo, assim, vaidoso e gosta dessa coisa, mas acho que eu ganho de todo mundo.

 

P1 – E o marido?

 

R – Ah, meu marido também, meu marido usa Chronos, aí, assim, a linha dos perfumes da Natura, ele tem todos e ele não deixa, não quer que termine nenhum, aí ele fica: “Ai, acabou meu Kaiak Aventura”. Aí eu: “Não, mas você ainda tem o Sintonia”. “Não, mas o Kaiak acabou, mas você precisa lembrar, eu quero Kaiak.” E ele também curte bastante, então é muito legal essa coisa, né, está na praia, passa protetor solar, pega o Chronos, passa todo dia, meu marido usa contorno para os olhos, também da Chronos é, e, assim, o que é legal neles, que tanto meu pai como meu marido, eles têm hora na manicure toda semana, eles vão para o podólogo também, então é bem legal isso, de eles estarem se cuidando, né, de tanto as mulheres da casa, quanto eles se cuidarem também, né? E tem, assim, uma pessoa muito importante na minha vida também, que é a minha sobrinha, que, assim, que eu amo de paixão e hoje ela tem nove anos e é toda vaidosa, né, então ela quer um batom, ela quer os produtos da Natura criança e ela está naquela fase ainda que ela quer os produtos da Natura criança, mas ela já quer também o batom da Face, né, e ela é linda, é linda por dentro e por fora.

 

P1 – Ô Gil, dessas convenções todas que você participou, tem alguma que tenha alguma música que te marcou, que ficou, envolveu a sua história de vida?

 

R – Ai, olha, todas as convenções acabam me envolvendo, eu nunca fui de marcar muito uma coisa só, uma música, que nem ontem, a Nana Caymmi, cada música que ela cantava, era um envolvimento diferente, não tive nenhuma, assim, uma só que marcasse.

 

P1 – A beleza de ser promotora Natura, o que é a beleza de ser uma promotora?

 

R – É a beleza de você poder transformar, é a beleza de você poder estar participando de toda essa sociedade, de poder estar ativa de verdade em toda essa transformação.

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