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História

Gestando a juventude com beleza e a liberdade

História de: Maria Helena Lopes Machado
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/07/2020

Sinopse

Em seu depoimento, Maria Helena Lopes Machado conta como o projeto “Prevenção também ensina”, do qual faz parte, modificou sua vida e a comunidade de Ourinhos - SP. Analisa a inserção do "Comunidade presente" ao projeto de prevenção e explica como a arte baliza o sucesso dos projetos na comunidade, que teve redução no número de casos de gravidez na adolescência.

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História completa

P/1 - Por favor, diga seu nome, local e data de nascimento.

 

R - Maria Helena Lopes Machado. Nasci em Chavantes, estado de São Paulo, no dia 24 de março de (“1952?”).

 

P/1 - Esse projeto "Prevenção também se ensina", o que é que você tem a dizer sobre ele?

 

R - Bom, o "Prevenção também se ensina" é um marco na minha vida profissional e pessoal. Porque desde 1996, através da Secretaria do Estado da Educação, eu me encontrei envolvida e até hoje estou. 

 

P/1 - E o "Comunidade presente"? O que você acha?

 

R – Esse ano o "Comunidade presente" começou a se integrar com o Prevenção. Então, essa integração é, assim, um fato novo, mas vem acontecendo a partir de 2001. 

 

P/1 - Conta uma experiência na sua região. A sua região qual é?

 

R - Ourinhos. 

 

P/1 - Uma experiência de um e de outro projeto na sua região.

 

R - A grande experiência é que ao chegar à Diretoria de Ensino eu tinha na minha mesa um dado alarmante da Secretaria da Saúde onde 27% dos partos realizados ocorreram entre adolescentes, crianças praticamente, entre 12 e 14 anos. Então, é um número elevado demais. E, imediatamente, iniciamos um projeto, e com a palestra "Concerto para corpo e alma" demos início à construção da mentalidade preventiva dos professores, para se capacitarem para trabalhar os alunos. 

 

P/1 - E os resultados como estão sendo?

 

R - Nós já colhemos resultados até além do esperado. Porque, como é a médio e longo prazo, então nós tínhamos ainda pílulas do dia seguinte, baile funk, que são agentes que estimulam para a prática sexual. Mas, com o trabalho dos professores, já foi reduzindo ano a ano. Iniciamos em 99 e agora nós estamos com a taxa de 22%. Então, caiu de 27 para 22. Que é elevado também, mas tendo em vista o contexto social, dá para comemorar.

 

P/1 - E "A comunidade presente", os resultados?

 

R - "A comunidade", ela sempre esteve presente no "Prevenção também se ensina". Agora, como projeto mesmo, ele começa a engajar em 2001. Então, nós temos agentes palestrantes, médicos, sempre procurando integrar à saúde. Médicos, enfermeiros, pessoas ligadas ao (“Kumen?”) do município, para trabalharem em pontos, palestras, orientações, eventos. Nós temos um evento muito grande na região, que é o Geração-saúde, e que envolve a comunidade científica da cidade e também os pais.

 

P/1 - E a receptividade para um e outro projeto está sendo boa?

 

R - Eu posso falar mais firmemente do “Prevenção”, que já é mais maduro. Mas é um projeto que é acolhido com muito respeito e muito carinho. Porque ele vai na ferida dos pais, que não sabem, não têm como tratar a questão da sexualidade de maneira correta com os filhos. Então, eles buscam sempre o apoio da escola. Acaba ficando em muitos casos só para a escola.

 

P/1 - O que é a valorização de vida na escola?

 

R - A valorização de vida na escola significa viver a vida na sua intensidade como ela é, sem abrir mão da afetividade, mas sempre com práticas seguras para a sua saúde.

 

P/1 - E para onde caminha a prevenção?

 

R - A prevenção caminha para o sucesso. Porque a cada dia que se passa, nós estamos conseguindo mais e mais integrantes, elementos que se sensibilizam com o fato e vão se somando à área educacional. Então, ele passa a ser intersetorial, temos ações de vários setores na prevenção. Nós temos atuação de professores de dança, porque envolvemos a dança, envolvemos o teatro, envolvemos a música, e isso são segmentos fora da escola. Então, há um envolvimento maior de todos os setores e segmentos da comunidade. Mas a escola é o agente detonador, estimulante.

 

P/1 - Quando é que se percebe que está errado na prevenção?

 

R - Prevenção? Eu trabalho com indicadores. Então, quando aumenta a taxa de gravidez, de abortos, quando aumenta os incidentes ligados às práticas sexuais, então é sinal de que precisa de uma ação mais pontual, mais intensa. Então, o indicador é o ponto de partida e é o que detona. Então, nós trabalhamos com pesquisa, mediante os 27%, então, nós damos início a uma pesquisa, a quantas anda a sexualidade no nosso jovem? Nós entrevistamos 3 mil jovens. E desta pesquisa é que nós colhemos os indicadores e selecionamos as ações. 

 

P/1 - Você acrescentaria alguma coisa a esses dois projetos?

 

R - Eu acrescentaria a arte, apesar de que ela está embutida. Mas efetivamente. Então, a arte é que sustenta os dois projetos. A arte é que atrai o jovem para parar e ouvir sobre o uso correto da camisinha, ela é que atrai o pai para a escola, que chama para a concentração. Então, eu acrescentaria a arte de alguma forma nesse projeto, não como... porque ela está embutida, já está dentro do prevenção, nas palestras, nós trabalhamos o teatro, a música e a dança, mas de maneira mais efetiva e mais forte. Então, a arte seria acrescentada.

 

P/1 - O que você gostaria de dizer para um jovem?

 

R - Uma frase que é sempre ponto de partida para trabalho de prevenção: "Você, jovem, poderia e pode fazer do sexo a poesia ou a náusea, a salvação do afeto ou o horror da emoção".

 

P/1 - Muito obrigada pela entrevista.

 

R - Disponha.

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