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História

Gerente Caçula

História de: Reinaldo Pedro Correa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/12/2012

Sinopse

Identificação. Descrição panorâmica de bairros da zona leste de São Paulo, onde atuava seu pai. Os primeiros anos de trabalho na loja, ainda aos 13 anos. O desenvolvimento do comércio de tintas e materiais de construção em São Paulo. O boom imobiliário e o pouco impacto para as lojas de rua. Análise das experiências em cargos diretivos, seja em clubes, como o São Paulo Futebol Clube, seja em entidades comerciais, como a Sincomavi, a Federação do Comércio e o Sesc de São Paulo.

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História completa

“Meu pai, quando resolveu ser comerciante, teve primeiro uma loja de tintas no centro da cidade, bem no centro, não sei falar onde. Mas ela durou pouco; dois anos na verdade. Logo depois, em 1950, ele fundou essa loja na Avenida Álvaro Ramos, que vendia parafuso, crucifixo, tudo. A Mooca naquela época era periferia, então era uma loja que abria de domingo, de sábado, como acontece hoje nas nossas periferias. Para você ter uma ideia, a outra loja de tintas mais próxima à nossa ficava na Penha. Naquela época tinha uma firma, Tintasil, que era lá no Belém, e toda a produção de tinta, óleo, esmalte deles era primeiro para o meu pai – depois que iam vender no mercado. Então, era um giro violento na loja, ele tinha um poder aquisitivo impressionante. Ele montou essa loja, eu sei exatamente o dia, porque eu tenho o contrato social nos arquivos da empresa, foi no dia 4 de agosto de 1950. E ali se vendia de tudo. Querosene solto, nós tínhamos três tambores de 200 litros cada. Você tinha uma torneira nos tambores, então passava o caminhão pipa, que nem entrega água hoje e enchia. A gente pagava e o pessoal comprava de litro. Você tinha muita lamparina, naquela época se comprava a granel. A gente tinha balança para pesar... alvaiade era a granel, não tinha essas embalagens tudo pronto. Isso dava um lucro violento, trabalhava muito bem, mas aos poucos ele foi se especializando em tinta. Ainda naquela época, em 1964, ele chegou a montar uma filial na Conselheiro Justino, que é a Praça Kennedy hoje (não existia a Radial Leste), e aí já era só de tinta. Então ele se especializou. Foi tirando ferragens, as outras coisas, entendeu? Só que aí aconteceu uma coisa inesperada: meu pai faleceu em 1966. Um ano antes, ele tinha ido fazer uma operação de catarata em Campinas. Antigamente, quando se fazia uma operação de catarata, a pessoa ficava uma semana internada, e nessa semana que ele ficou lá no preparatório, antes e depois, fui eu quem ficou cuidando da parte administrativa da empresa. Eu trabalhava na casa da minha mãe – porque o escritório não era na loja, era na casa, na Rua Itamaracá. Era eu tratando dessa parte e meus irmãos vendendo. Quando meu pai voltou da internação, eu continuei fazendo alguma coisa ao lado dele, aprendendo mais um pouco, só que logo depois ele faleceu, e aí eu já assumi aquele setor. Então, com 13 anos eu passei a assumir a parte administrativa da empresa. Era eu que fazia tudo: lançamento de livro, cheques, pagamentos, era tudo comigo, meus irmãos só preocupados em vender. Você tem ideia o que é isso? O caçula mandando nos mais velhos? Mas o que acontecia? A loja estava em nome da minha mãe, e ela acabou me emancipando para a maioridade. Ela passou uma procuração, então você vê que ela confiava imensamente em mim. Eu assinava os cheques e administrava tudo. Então era difícil esse negócio de vale, briga. Você sabe, o irmão tira um dinheiro a mais do que ganha, tudo isso é natural numa empresa familiar. Eu tive, é claro, alguns atritos com eles, mas consegui levar. Estou aqui até hoje, não estou?”

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