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Gente como a gente

História de: Marcelo Reis de Oliveira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/03/2006

Sinopse

De São Paulo para a capital amazonense, as mudanças da vida de Marcelo Reis de Oliveira.

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História completa

P - Marcelo, pra começar eu gostaria que o senhor dissesse seu nome completo, data e local de nascimento.

R - Marcelo Reis de Oliveira, 29 de maio de 1971, São Paulo Capital.

P - Tua família é de São Paulo mesmo?

R - São Paulo, meu pai do interior e minha mãe da Capital.

P - Os teus avós?

R - Por parte de mãe italianos e por parte de pai brasileiros. Meu avô do Mato Grosso e minha avó do Espírito Santo.

P - E atualmente o senhor mora onde?

R - Atualmente, eu? Eu moro em Manaus.

P - Como é que a tua família foi parar lá em Manaus?

R - (Risos). É uma história de 15 anos atrás. Meu pai na época trabalhava numa empresa do distrito industrial, numa empresa de São Paulo que tinha uma filial na capital amazonense, em Manaus, foi transferido e a gente acabou indo a família toda.

P - Isso começou?

R - Isso foi dia 31 de janeiro de 1987, eu costumo dividir minha vida nessa data: antes de Manaus e depois de Manaus.

P - Mudou muita coisa?

R - Muita coisa, muita coisa mesmo.

P - Você começou então, o teu trabalho, o teu estudo foi todo em Manaus?

R - É. Eu quando cheguei em Manaus cursei o segundo e terceiro ano do segundo grau, parece até que mudou de nome agora não é mais segundo grau.

P - Ensino médio.

R - Ensino Médio. E fiz a faculdade em Manaus, terminei a faculdade em Manaus, e minha experiência profissional toda em Manaus.

P - Você estudou o quê?

R - Fiz administração de empresa.

P - E o teu primeiro trabalho foi o quê?

R - Foi em um banco. Acho que o primeiro emprego de todo mundo é em banco, né? Que só na filial de Manaus acho que de 16 funcionários acho que uns 13 trabalharam em banco. Aí fui pra área de recursos humanos nas empresas do distrito, trabalhei... Pode falar o nome das empresas?

P - Claro.

R - Primeiro na Multibrás, na Bosh e na Sharp, aí da Sharp eu já vim pro Aché. Numa área totalmente diferente do que eu fazia.

P - Como é que foi essa entrada no Aché?

R - Eu tenho um concunhado que trabalha no Aché, a esposa dele é irmã da minha esposa. Então, teve uma época que teve umas mudanças no Ache. Em 98 criaram umas linhas de divulgações novas, projeto novo e estavam precisando de cinco pessoas, aliás eram sete, cinco pra Manaus e dois pra Boa Vista, aí ele me convidou pra fazer, me indicou pra fazer as entrevistas, como o Aché não queria ninguém, não costuma admitir pessoas que tenham experiência na área. "Vou tentar". Interessei-me, né, pela vaga, fiz os testes, fiz o curso e tô aqui até hoje.

P - Começou quando?

R - Dia 14 de julho de 1998, um dia antes do dia do propagandista.

P - E o senhor sabia o quê que era ser propagandista?

R - Não, não tinha a mínima idéia, tanto é que antes de começar fazer o teste eu fui pra rua com um dos propagandistas, que hoje é até gerente distrital, pra conhecer como é que era o trabalho, como é que era a dinâmica do trabalho. Me interessei, achei muito interessante, é uma coisa bem dinâmica, e resolvi fazer os testes, as entrevistas acabei passando. Tô aí até hoje.

P - O quê que te atraiu pra você mudar de área?

R - Primeiramente quando eu resolvi, porque eu não queria mudar de área, que a empresa que eu trabalhava acabou até fechando no Brasil todo, né, a Sharp, não existe mais, tava até passando por uma situação difícil, então, comecei a procurar novas empresas, novos horizontes, envio de currículo, aquela maratona de currículo, foi na época que mais ou menos apareceu, meu concunhado tinha uns quatro meses de Aché, foi quando ele me convidou, acabei mudando de área por acaso. Mas o interessante nessa área de vendas é o dinamismo da atividade, você tem que estar sempre ligado a tudo o que acontece ao seu redor no mundo, nas atividades de relação a vendas, né? O que me chamou a atenção de trabalhar na área de propaganda médica foi de ter contato com outros tipos de profissionais que são os médicos, né, que até então tem uma barreira “o cara é médico, não vou conseguir conversar com ele, porque ele é médico”, depois a gente vê que no dia-a-dia não é nada disso são seres humanos como a gente. E lidar com pessoas eu gosto muito de lidar pessoas, tanto é que eu trabalhava na área de recursos humanos, sempre fui envolvido com diretoria de associação, de grêmio, das fábricas que eu trabalhei, sempre fui envolvido nessa parte social de esportes e festas, organização de festas, sempre gostei muito de trabalhar com pessoas, eu gosto de trabalhar com pessoas, eu acho interessante, o pessoal pra trabalhar com pessoas tem que ser muito versátil, porque cada um tem um temperamento, cada um tem um jeito de ser e nesse ponto eu acho que consigo administrar bem o tratamento com as diferentes características de pessoas.

P - Como é que foi sua estréia como propagandista?

R - Ah é aquele... Primeiro que passamos duas semanas fazendo propaganda pra parede ou pro espelho ou pro colega. Então, é diferente você tá aqui fazendo treinamento e você tá na rua conversando com o médico – deixa eu ver se eu me lembro o nome da minha primeira propaganda, o nome da doutora – acho que doutora Marjerita que trabalha na indústria lá em Manaus, então a gente treme mais do que vara de bambu, mas com o tempo a gente vai perdendo aquele nervosismo da estréia, mas na hora falta palavra, não consegue falar direito, supervisor tem que dar uma ajudinha, aí o médico acaba compreendendo que a gente tá começando agora. Mas foi acho que como todas as estréias, um pouco nervosa, na hora falta palavra, dá um branco, mas depois dá uma engrenada e a gente vai embora.

P - O senhor começou em qual setor na cidade?

R - Eu trabalhava no setor... Assim, os bairros?

P - No centro de Manaus, na periferia?

R - Agora a cidade é dividida em três setores, antigamente era em dois que era a central e a parte dos bairros mais periféricos, e hoje eu estou trabalhando mais na parte periférica, comecei nessa área periférica, nunca trabalhei no centro de Manaus, e no parque industrial e nas áreas periféricas porque o parque industrial lá é muito grande, muitas fábricas.

P - O que que são? São pequenos consultórios, ou são consultórios nas empresas? O que são?

R - São os ambulatórios nas empresas, empresas grandes que tem 2 ou 3 mil funcionários. E por lei: passou de 500 funcionários é obrigado a ter um médico do trabalho, então, faz consultas normais que os funcionários passam o dia na empresa às vezes não tem tempo de sair pra uma consulta médica, acabam se consultando no ambulatório da empresa mesmo. P/1 E na periferia qual que o senhor acha que é o maior desafio nesse trabalho de propagandista?

R - Na periferia?

P - É, nesse trabalho na cidade qual que é a parte mais difícil do seu trabalho?

R - Que roda muito. No centro o pessoal pára o carro e faz praticamente tudo a pé, os locais são muito próximos na periferia não, você roda muito de carro e principalmente nas últimas semanas de trabalho que a gente está pegando só os médicos que ficou faltando os outros, que estavam de férias não atenderam, então você era obrigado a sair de um ponto a outro na periferia distante, acho que o maior desafio realmente é o trânsito, apesar que Manaus é um pouco mais calmo de trânsito. E adequar o nosso produto na realidade de muitas áreas periféricas em termos de poder aquisitivo, mas com o tempo a gente vai sabendo divulgar o produto certo no posto de saúde certo, no consultório certo.

P - Como é que é essa adaptação?

R - É porque na área periférica infelizmente, como o nosso país tem muita pobreza ainda, tem produtos que não adianta ficar divulgando muito em certas áreas da cidade que o médico pode até querer te ajudar a prescrever mas a população não tem dinheiro pra comprar. Então a gente procura adequar os produtos mais acessíveis na nossa linha e divulgar nesses locais.

P - Com o tempo o senhor começou a cobrir outras áreas também?

R - Foi. A partir desse ano eu comecei a fazer Boa Vista, que é a capital de Roraima e Itacoatiara que é uma cidade do interior do Amazonas que a gente fez logo que eu entrei no Aché, eu fiz umas duas vezes e depois o Aché fechou aquele setor, não fez mais e a partir do ano passado que reabriu.

P - Você visita com qual freqüência Itacoatiara?

R - Todo o mês.

P - Como é que é essa viagem então?

R - É de carro, saio mais ou menos umas 6 horas da manhã de casa aí pára em Rio Preto da Erva que é uma cidade que fica no caminho pra tomar um café, come a famosa tapioca, aí fica uns 20 minutos lá toma um café e segue de novo a estrada.

P - Como é que é essa paisagem?

R - Umas duas horas e meia de viagem no total. De Manaus a Rio Preto da Eva uma hora e de Rio Preto da Eva a Itacoatiara uma hora e meia, uma hora e 45 minutos, dependendo. A estrada é vazia você vai daqui pra lá se você passar por dois carros é muito a viagem todinha porque tem muitos sítios, muitas fazendas, então, durante a semana o movimento é muito pequeno.

P - Mas lá é uma paisagem de floresta?

R - Não, tem umas partes mais fechadas e tem partes, assim, já abertas de fazendas, de sítios, inclusive tem um terminal que fizeram lá agora, terminal graneleiro que toda a produção que vem de Mato Grosso de soja em vez de ir pra Santos e pra Porto de Vitória, vai pra lá que é mais perto e lá segue pra Europa, Estados Unidos, é um porto graneleiro, do Grupo Maggi.

P - Tá no caminho?

R - Tá no caminho, fica perto de Itacoatiara, então, a cidade tem crescido muito por causa desse porto graneleiro. Estão fazendo fábricas de beneficiamento de soja, de arroz, então a tendência é a cidade se desenvolver muito.

P - E Itacoatiara é uma cidade que você vai visitar basicamente o quê, são postos de saúde, consultórios?

R - Muitos consultórios e postos de saúde, são 17 médicos que a gente visita lá.

P - E como é a receptividade desses médicos?

R - O povo do interior é um povo muito receptivo, né, o povo amazonense já é um povo receptivo, interior do amazonas, então, são muitos receptivos, então a gente não tem problema nenhum, sente até falta quando a gente demora muito pra voltar às vezes, porque antigamente era feito de dois em dois meses a cidade, a partir de agora que vai ser mensal, então quando fica mais ou menos uns 2 anos sem ninguém ir lá visitar, então, os médicos que ainda continuam lá nesse nosso retorno falam: "Pôxa, nunca mais vocês vieram" Sentem falta. E por ser uma cidade distante, Manaus já é uma capital distante do centro do país vamos dizer assim, então lá por ser no interior de Amazonas o médico praticamente depende da gente pra receber informações de produtos novos, de lançamentos, de matérias novas, de publicações novas, então, eles gostam muitos, dão muito valor a visita do propagandista.

P - E muitos laboratórios chegam até essa região?

R - Itacoatiara? Dos laboratórios grandes nenhum, só o Aché mesmo. Laboratórios menores tem uns dois ou três que vão lá, mas não vão com a freqüência que a gente vai.

P - Em Roraima por sua vez como é essa viagem?

R - Em Roraima já é de avião, a gente vai num domingo à noite chega lá segunda de madrugada passa a semana toda e volta sexta-feira à noite.

P - Quantos médicos vocês visitam?

R - Lá tem no nosso cadastro na faixa de 140 médicos.

P - E é uma visita que você faz sozinho?

R - Sozinho, foi com eu estava até te falando lá fora, às vezes calha de numa semana ter um feriado aí o colega que ia naquela semana acaba indo junto, mas geralmente é sozinho.

P - São quatro linhas?

R - São quatro linhas cada semana vai um representante de uma linha. Aí quando calha de ter um feriado prolongado na semana, que foi o rapaz da linha quatro, vamos dizer assim, aí ele vai junto comigo ou vai junto com o colega de outra linha.

P - E a tua visita lá em Boa Vista como é que o senhor organiza? Você chega lá sem carro?

R - Não lá a empresa tem um carro que fica a disposição da gente. Toda a pessoa que chega sexta-feira deixa o carro no aeroporto e quando o outro chega no domingo já pra outra semana já pega o carro, já leva todo o material, né, encaixotado de Manaus pra lá e arruma vai para o hotel dá uma descansada e começa a correria.

P - Tem alguma diferença assim comparando essa capital com Manaus?

R - Não, Boa Vista é uma capital, tem o quê? Uns 250 ou 300 mil habitantes ·tem cidades do interior de outros estados aí que tem muito mais do que isso, então é uma cidade com aquele estilo ainda interiorano, bem tranqüila e é uma cidade projetada, planejada, ruas largas, quase não tem sinal de trânsito, tudo são bolas que eles colocam nos cruzamentos. Então, o fluxo de carro é muito fácil de andar na cidade, cidade bem arborizada, bem ventilada. Eu até me surpreendi quando eu fui lá – que eu não conhecia – cidade muito bem organizada e 80% da população é de fora, se você pegar pessoas, assim, de 40, 50 anos quase ninguém é nascido em Boa Vista. Muito gaúcho, muito paranaense e muito maranhense, acho que 40% da população é do Maranhão.

P - Tem algum episódio com médico, de viagem que te marcou mais esses anos?

R - Nesses anos acho que foi logo que eu entrei, até o Antônio César que deu o depoimento ainda agora ele foi, quando eu entrei na empresa ele que mostrou o setor, trabalhava no mesmo setor que eu só que em linhas diferentes, e hoje acabamos trabalhando na mesma linha. Então, quando ele tava ensinado, eu tinha o quê? Nem 20 dias de empresa e em Manaus tem o hospital da base aérea militar da aeronáutica, aí eu tinha visitado todos os médicos estava quase perto do meio dia e lá fora do hospital tem uma lanchonete, então, a gente sentou lá pra organizar umas fichas que eu tava meio perdido, eu tava começando eu falei: "Espera aqui que eu vou dar só uma solicitação pro médico aqui dentro e eu já volto." Aí chegou no corredor um cara todo fardado gritou: "Ei Você aí" Eu olhei: "Eu?" "É você mesmo aí do Aché Não é do Aché?" Eu falei:"Vixe Será que eu fiz alguma besteira?" Porque militar é cheio de regras, será que eu infringi alguma regra entrei num local que não era pra entrar? Aí eu já fiquei com medo, eu ”pô, tô começando agora se eu dei uma ratada aqui”. O cara: "É você vem cá Eu sou o doutor fulano de tal, eu sou o único especialista em medicina aéreo espacial no Brasil, tem que me visitar" Eu falei: "Doutor, mas o senhor é cadastrado tal?" "Não sei, os meninos não gostam de me visitar, eles não gostam, vem cá que eu vou te levar lá". Ele me levou lá dentro dos hangares nos aviões, ele é especialista em, ele acompanha os pilotos da aeronáutica em vôos pra saber se tem uma alteração, sei lá direito, ele me explicou lá. Então, ele me levou lá pra um hangar no meio dos aviões, lá em cima, e eu sei que passou uma hora da tarde, duas horas da tarde ele não queria me liberar e o Antônio César já, naquela época eu nem tinha celular ainda, e ele ficou lá desde 15 pra meio dia na lanchonete até quase duas, três horas da tarde e eu sem almoçar e o cara não queria me liberar, queria me mostrar como é que funcionavam os aviões, como é que funcionava o esquema dele lá e ele era meio assim, o pessoal falava que ele era doido, fugiam dele, nenhum representante podia falar com ele que ele prendia o cara lá nos hangares e deixava o cara duas, três horas esperando numa sala e o cara não podia sair com medo, e eu era novato com medo de estar numa área proibida, área militar, acho que foi um dos episódios mais engraçados.

P - Pra ir finalizando eu queria te perguntar em relação aos produtos se teve algum que você gostou de trabalhar mais, alguma campanha que você achou mais criativa?

R - Que eu gosto muito, que eu gostei que eu trabalhei desde que eu entrei no Aché foi com Brondilat, que é um produto que eu acho que eu me identifiquei muito, que hoje a partir desse ano eu não trabalho mais, que tem uma campanha do gênio que foi muito interessante que despertou um interesse muito grande da classe médica.

P - Como é que era?

R - A campanha do gênio? Deixa eu ver se me lembro ainda, gênio, gênio... Que Brondilat era um produto de gênio, ele tinha três funções em um produto só, aí tinha todo aqueles desenhos pra pediatra do gênio mil e uma noites, as figuras do gênio com a lâmpada, bem interessante. E hoje eu gosto muito de trabalhar com o produto que eu estou trabalhando, trabalho acho que mais ou menos há um ano é o “Novamox 2X” é um produto que tem crescido muito na empresa, que tem uma rentabilidade muito boa pra empresa.

P - Por que você gosta dele?

R - Porque na época que foi lançado o Novamox eu não participei do lançamento, acho que eu não estava na empresa, é um produto que, vamos dizer assim, inovador, é um antibiótico associado com um bloqueador das enzimas betalacamase, que por ser um produto novo, uma, vamos dizer assim, ele tem um preço um pouco diferenciado, um pouco elevado. Então, você tem que saber divulgar no local certo, na hora certa, pro médico certo, que na realidade você não tá vendendo o produto, você está vendendo o conceito, que esse produto Novamox é um conceito que hoje em dia está bem divulgado nas sociedades principalmente de pediatria, de pneumotologia e de otorrino, já estão usando ele como um consenso mais essa associação da Amoxicilina com Clavulanato. Então no ínicio era muito complicado principalmente por causa do custo, mas hoje como está virando um consenso entre algumas especialidades já, está um pouco mais fácil de divulgá-lo. Esse desafio de preço, porque muita gente: "Ah é muito caro, não vai dar pra vender". Mas se você for planejando locais estratégicos pra divulgar você consegue ter uma boa venda dele, desse produto.

P - Pra finalizar você gostaria de fazer algum fechamento?

R - Bom um fechamento que eu posso falar, eu trouxe até a bandeira do Brasil aqui.

P - Pode mostrar.

R - Por estar próximo da conquista do penta.

P - Você assistiu o jogo do Brasil pentacampeão aqui em Fortaleza?

R - Não em Manaus, nós assistimos em Manaus domingo de manhã e aí três horas da tarde nós viemos pra Fortaleza.

P - Tá certo.

R - Eu só queria falar que essa união que o brasileiro tem com o futebol que se transferisse pra cobrar mais dos políticos, pra solidariedade, pra unir mais, realmente cobrar mais da política brasileira. Estava até vendo um comentário desses diretores americanos FMI, Banco Mundial, não estou me lembrado direito. Ele falou que o problema do Brasil não é um problema econômico é um problema político, então eu acho que se a gente se juntar que nem se junta pra receber a seleção, que nem tá recebendo hoje, assistir jogos, pra fazer aquela união mesmo, confraternização pra se juntar e cobrar mais do político porque eu acho inadmissível um país tão rico ter gente passando fome.

P - Você comentou também o fato do Aché ser uma empresa brasileira isso faz diferença pra você?

R - Sim, eu não quero ser hipócrita aqui de falar que eu sou patriota só porque está perto da copa. Mas eu gosto de ser brasileiro, eu defendo o Brasil e por ser uma empresa brasileira tem um toque diferente, principalmente nesse nosso ramo que está cheio de multinacionais, a gente sabe que multinacionais muitas vezes exploram, o país já foi um país muito explorado pelos estrangeiros, a história do Brasil diz isso, e hoje em dia não é diferente muitas multinacionais exploram o Brasil e levam todo o dinheiro pra fora e o Aché por ser uma empresa 100% nacional ela investe todo o capital dela aqui, isso eu acho que pra quem gosta de ser brasileiro é um orgulho muito grande.

P - Pra finalizar eu queria saber o que você achou de ter contado a sua história, um pouquinho da tua entrada no Aché.

R - Eu até estava conversando com você lá fora, posso chamar você de você? (riso).

P - Claro

R - De que eu dou muito valor pra história, pra coisas antigas, então até no início eu estava meio receoso, será que vai ser uma entrevista de um tipo de polícia federal que quer investigar minha vida? Mas não eu achei, depois que os meninos me falaram que era pra contar experiência de vida dentro da empresa ou mesmo fora da empresa achei interessante, porque o brasileiro tem memória muito curta, eu admiro alguns paises que nem os Estados Unidos que eles dão muito valor pra história, pra memória, até hoje eles vivem divulgando a memória, isso é muito patriotismo. E eu dou muito valor pra história de família, de povos, de imigrantes, eu me identifico, eu dou muito valor pra museu, pra historiadores, eu acho muito interessante. Gostei muito.

P - Tá certo, obrigada pela participação.

R - Obrigada você, eu que agradeço.

P - Mostra mais um pouquinho a bandeira.

R - Tá gravando?

P - Tá (risos).

R - Brasil

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