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História

Fundei o curso de enfermagem

História de: Helvécio Celestino de Carvalho
Autor: Coleção Alagados
Publicado em: 31/12/2020

Sinopse

Helvécio conta sobre sua experiência ao fundar um curso de enfermagem, chegando a atingir a marca de 1000 alunos.

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História completa

(...) Era água. Nós construímos esse prédio grande e eu era encarregado de manter. Gardenal disse: “- Você fica administrando”. E... contratou uma empresa e puseram um mastro de madeira em cima do mar. E de cima do mastro a máquina pulava pra poder fazer as estacas na obra. Pusemos 12 estacas com uns 10 metros de fundura. E quando a estaca descia, batia. Assim construímos o prédio. Depois de muitos anos que eu comecei, fomos pra frente e fomos construindo, e de lá pra cá eu fundei o curso de enfermagem. (...) Eu tinha feito um curso do Estado pra ter licença, exercer minha profissão pelo Estado. Eu fiz um de laboratório. Eu trabalhava no Couto Maia. O Estado me deu 3 meses de licença pra fazer o curso. Eu ainda trabalhava no Couto Maia. Conversei com o chefe do Couto Maia e ele disse: “- Pode fundar que a gente apoia”. Aí eu entreguei esse curso, esse curso gratuito (...) Aqui no bairro (...) No Centro, onde hoje é a Capela (...) Em cima, no último andar moravam as religiosas; irmã Iracema! (...) Ela trabalhava no Centro e eu trabalhava com a saúde, e ela na parte religiosa. Aí foi o tempo que eu vim embora, fiquei morando por aqui e trabalhava no Centro. Aí o curso de enfermagem chegou a ter 1000 alunos (...) Cheguei a ter 1000 alunos nos anos que eu trabalhei aqui. Todo fim do ano pegava um grupo, escolhia aquele grupo que estava mais preparado, e mandava pros hospitais fazer estágio. E eu acompanhava. Eu acertava os hospitais com o diretor e mandava o grupo para lá. (...) Aí preparei essas meninas. Quando se formava já arranjava emprego. Porque o curso de enfermagem, muitas não sabiam português bem, matemática, não sabiam ver o termômetro. Então Celina, minha filha, ensinava um curso de português, e outra ensinava um curso de matemática. Eu ensinava a parte de enfermagem e Iracema freira, dava Direitos Humanos, Relações Humanas. E aí chegava nos hospitais: “- Ah, é do grupo do Uruguai? Pode trazer”. A freira era bravona! (risos). Na hora do curso, as meninas se atrasava coitadas. Batia o portão e Iracema: “- Oia, porque tava namorando na rua chega atrasada?!” (risos). Paciência irmã. Fazia as apostila, fazia prova e tal. Eu me lembro de uma menina que numa prova botou um termômetro – o termômetro só vai até 42, não passa que estoura – e a menina botou 52. Aí eu botei embaixo, digo: “- Olhe, a temperatura do termômetro só vai até 42”. E entreguei. Ela pediu desculpa. A gente reconhece a intenção da pessoa. Aí passou o tempo acabamos o curso, Iracema foi embora… (...) Iracema deixou o Centro (...) Porque teve uma época que o Centro, o aterro estava mais baixo e a maré enchia e batia na porta. E maré foi até ali. Entrou água. Fizeram uma ponte de tábua (...) D. Avelar disse: “- Ó, eu só vim aqui hoje por causa de vocês”. Logo depois a superiora delas [das religiosas, de irmã Iracema] viram o prédio entrando água e resolveram levar, foram embora.

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