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História

Fogo nas veias

História de: Maria Augusta Ribeiro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/01/2022

Sinopse

Maria Augusta lembra que a mudança da família de João Pinheiro para Patos de Minas foi motivada, principalmente, pela necessidade de dar seguimento aos estudos dela e de seus irmãos. Completou o fundamental e ali cursou a Escola Normal. Mudou-se para Brasília e foi aprovada em concurso para professora da rede pública de ensino. Entrou na Universidade de Brasília e militou no movimento estudantil. Participou da direção de sete gestões do SINPRO-DF, em períodos alternados.

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História completa

[A mudança de João Pinheiro para Patos de Minas foi motivada pela] necessidade de ter escolas melhores, porque sou a quarta filha e quando eu estava com meus quatro, cinco anos, os outros três anteriores a mim já estavam precisando de uma escola acima do quarto ano primário, que era como chamava a educação naquele tempo. A minha irmã mais velha, a primeira, já estava precisando de um ensino do curso ginasial, que hoje corresponde ao ensino fundamental. E meus pais, meu pai e minha mãe, mudaram levando para lá para garantia de escolas mais evoluídas. Em Patos de Minas [a primeira escola] chamava Grupo Escolar Marcolino de Barros, uma construção vistosa, bonita, com aqueles ares de arquitetura antiga, maravilhosa. Era um prédio térreo que tinha uma parte em cima, cheio daquelas coisas de arquitetura de sessenta anos atrás, muito bonito, numa área muito grande no centro da cidade de Patos de Minas. E essa escola até hoje está intacta lá. Ali eu estudei lá da primeira à quinta série, depois eu fui para Escola Normal de Patos de Minas. Eu não esqueço jamais da diretora da Escola Normal, que chamava Filomena, o mesmo nome da minha mãe. Minha mãe chamava Filomena Moreira de Lima, e a diretora da Escola Normal era Filomena de Macedo Melo. Ela assim bem rigorosa, bem dura com a gente. Eu não lembro de quando criança se eu tinha a vontade de ser isso aqui, mas uma coisa sempre me chamava muito atenção, que era música. Eu sempre gostei muito de música. Minha irmã mais velha fez o curso normal, veio para Brasília e entrou na UnB. Ela me contava muito como era Departamento de Música da UnB e eu ficava assim ansiosa, maravilhada quando ela me contava como era. Eu decidi: vou ser estudante de música. Mas quando vim para cá o que eu tinha era o diploma de curso normal, e fiz concurso na Fundação Educacional do DF, que hoje é a Secretaria de Educação. Depois entrei na UnB e fui estudar na área de Educação e comecei estudando Pedagogia. Depois passei para Economia, depois para Letras, e foi em Letras – língua portuguesa e literatura brasileira – que eu me formei na UnB. A primeira escola [que assumi] eu tinha 19 aninhos. Foi uma escola rural perto de Planaltina, não lembro o nome, acho que nem tinha nome. Fiquei pouco tempo: a Fundação Educacional me transferiu para Taguatinga, cidade onde eu morava e moro, e trabalhei como alfabetizadora na Escola Classe 10 de Taguatinga Sul alguns bons anos. Quando me formei em Letras e tive a minha especialização em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, eu entrei para o Centro de Ensino 9, já nas 6ª e 7ª séries, dando aula de Língua Portuguesa e Literatura. Depois fui para a Escola Normal de Taguatinga, no curso de preparação de professoras e professores para educação primária, e depois vim para as escolas de ensino médio [também] em Taguatinga: eu dava aula num turno no CEMAB [Centro de Ensino Médio Ave Branca] e no outro na EIT [Escola Industrial de Taguatinga]. Duas grandes escolas, na faixa de três mil alunos cada uma delas. Trabalhei nessas duas até me aposentar. A primeira direção do sindicato era quase toda de militantes do MDB, e como nós já éramos militantes petistas, aí já começou uma disputa entre o grupo do MDB e o nosso grupo petista. Eles já estavam na segunda gestão, defendiam a nossa categoria, sim, não resta dúvida, tiveram a capacidade de criar o sindicato, de comprar uma sede que era ali no Setor Comercial Sul, uma sede histórica que ficou lá até poucos anos atrás. Mas faltava, durante esses seis anos de gestão deles, faltava um pouco mais de garra, vamos dizer assim, aquela garra de nós estudantes, que saímos da universidade com fogo nas veias, o sangue vibrando pelas lutas estudantis. E formamos a chapa defendendo o trabalho de base. As pessoas que compõem a direção sindical não podem ser pessoas burocráticas, que ficam lá nas suas salas com o telefone na orelha o tempo todo. A obrigação era ir para as bases onde os trabalhadores estavam, que eram as escolas. Com esse discurso, com esse tipo de desenvolvimento de trabalho, de relação com a categoria, nós ganhamos e muito bem eleição em 1986. E até hoje é uma direção onde a maioria é petista. Essa primeira gestão petista eu participei tinha pessoas como a Lúcia Iwanow, Walter Peninha e Márcio Baiocchi. Tenho respeito e carinho por eles até hoje. Eu tive essa primeira gestão de 1986 a 1989, depois saí e fiquei uma gestão fora, quando foi em 1992, já com as tendências petistas bem definidas, juntamos um grupo e ganhamos a eleição da outra parte petista que tinha ganhado em 1989. Nessa segunda fase eu fiquei duas gestões. Então, já inteirei três. Eu estava perto de me aposentar e fui fazer outros eventos na vida. Mas em 2001 eu voltei, compus uma chapa com outras companheiras e companheiros, e ganhamos a eleição de novo, e eu fiquei quatro gestões seguidas, de 2001 até 2013. Inteirei sete gestões no SINPRO.

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