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Filha de peixe...

História de: Romilda Rodrigues Resende
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/11/2021

Sinopse

Nascida em Conceição das Alagoas, Dona Romilda conta um pouco sobre sua infância em Uberaba. Das visitas à central telefônica onde trabalhava sua mãe -- telefonista rural -- e o seu próprio processo de entrada no mundo da telefonia, há diversos movimentos de travessia, dentre os quais estão o tempo da escola, a juventude e a morte de sua mãe, que a leva aos mesmos caminhos.

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História completa

P/1 – Bom dia, Dona Romilda.

 

R – Bom dia.

 

P/1 – Eu queria que, por favor, a senhora, para começo de conversa, nos dissesse seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

 

R – É Romilda Rodrigues Resende. Data de nascimento é dezoito de dezembro 1943, Conceição das Alagoas.

 

P/1 – Conceição das Alagoas em Minas Gerais?

 

R – Isto, Minas Gerais.

 

P/1 – O nome do seu pai e da sua mãe, Dona Romilda.

 

R – É José Florentino Rodrigues e Maria Rodrigues de Lima.

 

P/1 – Qual era a atividade do seu pai?

 

R – O papai era lavrador e mamãe era telefonista.

 

P/1 – Ah, já era telefonista?

 

R – Era telefonista. (risos)

 

P/1 – E a senhora conheceu seus avós?

 

R – Os avós por parte de mãe, conheci.

 

P/1 – Sabe o nome deles?

 

R – É José Pacheco de Lima e Cândida Maria de Lima.

 

P/1 – E da parte da sua...

 

R – Do papai eu não conheci, só a parte da mãe.

 

P/1 – E sabe o nome dos avós paternos?

 

R – É Francisco e Ana.

 

P/1 – A senhora tem alguma notícia de onde vieram os seus avós, se eram da região, se vieram para lá?

 

R – Não. Os meus avós são de Luz, parte da mamãe. E do papai eram de Conquista.

 

P/1 – Conquista?

 

R – Conquista, Minas Gerais.

 

P/1 – Ah, tá. E a atividade deles, a senhora tem alguma informação?

 

R – Mamãe era telefonista igual eu também. Mamãe era telefonista e foi professora também. (risos)

 

P/1 – Desculpe, eu estou falando dos seus avós, a senhora tem alguma informação sobre a atividade que eles exerciam?

 

R – Não, eles eram lavradores.

 

P/1 – E como é que era essa casa lá em Conceição das Alagoas?

 

R – Bom, eu fui nascida em Conceição das Alagoas, registrei. Mas morei sempre aqui em Uberaba.

 

P/1 – Certo. O seu pai era proprietário?

 

R – O meu avô, né?

 

P/1 – Sim.

 

R – Era proprietário.

 

P/1 – Era uma fazenda?

 

R – Era uma fazenda.

 

P/1 – Como é que chamava?

 

R – A fazenda? Estiva.

 

P/1 – E como é que era esse lugar?

 

R – Era um lugar pequeno onde, inclusive, eu comecei a trabalhar. Mamãe também trabalhou nesse local. Era um centro rural esse local.

 

P/1 – Da Etusa?

 

R – Da Etusa. Era Etusa nessa época, né?

 

P/1 – Como é que era essa casa, a casa que a senhora morava? Podia descrever para a gente?

 

R – A casa era... Como assim?

 

P/1 – Como é que ela era fisicamente? Como é que ela se distribuía? Como era a casa?

 

R – Era uma casa, não era muito grande, tinha três quartos, sala, cozinha, uma área...

 

P/1 – Tinha quintal?

 

R – Tinha quintal grande.

 

P/1 – O que tinha esse quintal?

 

R – No quintal tinha laranjeira, mangueira... Inclusive, tem essa mangueiras lá até hoje. De vez em quando eu vou visitar lá para matar a saudade. (risos) 

 

P/1 – A senhora tem irmãos?

 

R – Tenho irmãos.

 

P/1 – São quantos?

 

R – Dez irmãos.

 

P/1 – A senhora, em que escala se coloca nesses dez?

 

R – Eu sou, deixa eu ver... Tem o meu irmão mais velho, que é João, eu sou a sexta.

 

P/1 – A senhora disse que, embora tenha nascido lá, viveu sempre em Uberaba. Como é que a família se dividiu?

 

R – É porque, no tempo, mamãe era telefonista rural. A gente estudava aqui em Uberaba e mamãe era telefonista rural. Depois, quando a mamãe veio a falecer, eu ocupei o lugar dela nesse local.

 

P/1 – Lá em Estiva?

 

R – É.

 

P/1 – Estiva o que é? É um distrito?

 

R – É uma fazenda onde era localizado esse telefone rural.

 

P/1 – E a sua mãe, como era? Ela trabalhava em turnos?

 

R – Não, ela trabalhava direto nesse local. Ela que tomava conta desse... Era tipo um telefone rural, tipo um PABX, e ela trabalhava direto.

 

P/1 – Como é que era? Como é que funcionava esse posto?

 

R – Esse posto funcionava assim: ela atendia os assinantes, fazendeiros, chamava e mamãe completava a ligação para as cidades. Interurbano, por exemplo, para São Paulo, para Uberaba. Ela completava as chamadas.

 

P/1 – Como se fosse uma central telefônica?

 

R – Uma central. Como se fosse uma central. Naquele tempo, aquele telefoninho que usava manivelinha. (risos)

 

P/1 – E vem cá, essas ligações eram difíceis? Rápidas? Fáceis?

 

R – Era muito difícil. Para conseguir uma ligação para São Paulo nessa época, a gente pedia um interurbano de manhã para conseguir falar à noite. Era muito difícil.

 

P/1 – Certo. Bom, e o seu pai sempre no campo?

 

R – É, papai trabalhava no campo e a mamãe no telefone.

 

P/1 – E como é que a casa se organizava com essa filharada toda?

 

R – Não, porque a mamãe… É sobre a mãe que você está perguntando?

 

P/1 – Isso.

 

R – A mamãe trabalhava lá e nós ficávamos aqui em Uberaba, estudava aqui.

 

P/1 – E ficava na casa de quem aqui em Uberaba?

 

R – Nossa... Minha avó ficava conosco.

 

P/1 – E a sua escola, Dona Romilda? A senhora se lembra da primeira escola?

 

R – Da primeira escola? Me lembro. Eu estudei no Colégio Nossa Senhora das Dores, em pequena. Depois eu fui para São Paulo também.

 

P/1 – Mudança para São Paulo?

 

R – Não. Fui para São Paulo com dezessete anos, fiquei uma temporada em São Paulo, depois voltei novamente para Uberaba.

 

P/1 – Como é que era Uberaba desse tempo de infância?

 

R – Ah, Uberaba não era muito... Bem pequena, naquela época. As terras, as ruas, inclusive a rua que eu morei era de terra. Morei ali na... Perto do, como que chama aquele clube ali perto? Do Uirapuru. Mamãe tinha uma chácara ali também, perto do Uirapuru. A gente morava ali, as ruas eram de terra.

 

P/1 – E a criançada como é que se divertia?

 

R – Ah, mamãe não deixava, não tinha muito tempo para a gente divertir, não. (risos)

 

P/1 – É?

 

R – Mamãe era muito rígida, tinha que estudar o tempo todo. De uma escola saía para uma, entrava na outra, e ai se a gente faltasse. Lá do local dela, ela sabia. Sabia os passos da gente tudo. (risos)

 

P/1 – Ela ficava dias fora, como é que era?

 

R – Mamãe? Não, ela ficava sempre lá, porque ela trabalhava lá, no local.

 

P/1 – Eu sei, mas Estiva e Uberaba eram muito longe?

 

R – Não, não é longe, não.

 

P/1 – Ela vinha e voltava todos os dias?

 

R – Não, ela ficava direto lá. Mamãe ficava direto.

 

P/1 – E não dava saudade da mãe, não?

 

R – Dava, os final de semana a gente ia para lá. (risos) Ficava doidinho para chegar o final de semana para a gente ir para junto da mamãe. (risos)

 

P/1 – E como é que ela controlava vocês aqui?

 

R – Ah, controlava. Pelo telefone ela controlava. Sabia os passinhos da gente direitinho. (risos)

 

P/1 – Tinha telefone na casa?

 

R – Tinha telefone.

 

P/1 – Ah, certo. E aí vocês se falavam ao telefone também?

 

R – Falava. Falava.

 

P/1 – Perfeito. E como é que era essa rua que a senhora disse aí, onde estava a granja? Não tinha tempo de brincar, não tinha nada para se divertir?

 

R – Não, para te falar francamente, a gente não tinha muito tempo de brincar nessa época, não. Mamãe era muito, como eu te falei, mamãe, ela... A gente tinha que sair de uma escola, ela preenchia o tempo da gente. A gente não tinha tempo de brincar. (risos)

 

P/1 – E tinha, assim, obrigações na casa?

 

R – Tinha. Cada um tinha a sua obrigação. Mamãe ficava na Estiva, que era o local de trabalho dela, nós ficávamos aqui com a vovó. E a gente não tinha quem tomava conta. Cada um tinha a sua obrigação, era dividida a obrigação. Não tinha empregada.

 

P/1 – Como era essa divisão? Dá um exemplo para nós.

 

R – A minha avó dividia: “Fulano vai fazer isto.” A gente já tinha obrigação. Era repartido. Cada um tinha a obrigação. Um cozinhava, outro lavava a roupa, outro passava, outro tomava conta da obrigação da casa de arrumar... (risos) Inclusive eu tenho um irmão, que ele é tão organizado, até hoje. Eu acho... Você chega na casa dele, você acha que ele tem uma mulher dentro de casa, de tão organizado que ele é. Acho que devido ao modo que a gente foi tratado, criado.

 

P/1 – E para a senhora, o que cabia nessas obrigações? O que a senhora tinha que fazer?

 

R – Você sabe que eu preferia tomar conta da roupa? (risos) Eu não era muito de cozinha, não. Então a minha irmã mais velha tomava conta da cozinha.

 

P/2 – Lá a Estiva, dona Romilda, era uma casa? Sua mãe morava lá?

 

R – Morava, era. No local onde tinha o centro rural, era uma casa, ali ela morava.

 

P/2 – E o seu pai também?

 

R – Papai também.

 

P/2 – E ele cuidava...

 

R – Cuidava da lavoura.

 

P/1 – Certo. Como é que a sua mãe… O que a sua mãe comentava desse trabalho?

 

R – Ela gostava muito. Gostava que, inclusive, ela trabalhou até aposentar, também. Não chegou a aposentar, que no ano que ela ia aposentar ela faleceu. Aí eu peguei o lugar dela.

 

P/1 – A senhora chegou a conhecer a Dona Anita?

 

R – Conheci, conheci a Anita.

 

P/1 – O que a senhora podia me dizer dela?

 

R – Nossa Senhora, tem uma história tão muito bonita da Anita... Inclusive, quando eu estava esperando a minha filha, eu com aquela barrigona, vim receber aqui, né? Nessa época mamãe já tinha falecido, eu morava no local onde a mamãe trabalhava, eu trabalhei uns tempos lá. Aí eu cheguei aqui com aquela barrigona, ela falou assim: “Já comprou o enxoval, Romilda, para a neném?” Eu falei: “Ainda não, Dona Anita, ainda não sobrou dinheiro para eu comprar o enxoval.” Ela me ajudou a comprar o enxoval. A Anita era boa demais, muito boa. (risos) 

 

P/1 – O que a sua mãe falava dela?

 

R – Nossa, a mamãe adorava a Anita. Chegava a época, assim, de fim de ano, que ela sabia que nós éramos em dez irmãos, ela comprava uma lembrança, presentes para todos os irmãos e para a mamãe também. Era muito boa a Anita.

 

P/1 – Como é que se deu, digamos assim, essa herança... Da sua mãe ter deixado o trabalho e a senhora assumir? A senhora já tinha alguma tendência? Gostava do trabalho dela? Como é que foi essa sua chegada na telefonia?

 

R – Não, é que a mamãe foi para São Paulo fazer tratamento, aí eu ocupei o lugar dela para ela ir ao tratamento. Nessa viagem que ela foi para São Paulo fazer tratamento ela veio a falecer, aí eu fiquei no lugar dela.

 

P/1 – E a senhora já tinha...

 

R – Já.

 

P/1 – Ah, sim.

 

R – Que a mamãe, às vezes, época de férias, a gente ia para lá, final de semana, ensinava a gente. Desde pequenininho a gente sabia trabalhar. (risos)

 

P/1 – Quer dizer, passando os finais de semana com ela...

 

R – Ajudava ela. (risos)

 

P/1 – Certo. E como é que funcionava essa telefonia rural? Descreve para nós como é que o fazendeiro que resolvia falar para São Paulo, como é que...

 

R – Inclusive, eu tinha uma fotografia. Eu estava falando com a Norma. Eu tinha uma fotografia, eu vou enviar para vocês, tirada nesse aparelhinho, o primeiro aparelho que eu trabalhei, mamãe trabalhou. Era tipo um PABX. PABX quadradrinho. Então, quando a pessoa chamava, caía o número. Era de quantos assinantes que era nessa época… Eram acho que uns doze.

 

P/1 – Doze?

 

R – Doxe. Aí caía o número, a gente ligava aquele número que caía, e naquele tempo era manivelinha.

 

P/1 – E esses doze assinantes, usavam muito?

 

R – Usavam muito, não tinha horário para chamar. Às vezes o único meio de comunicação por ali era esse centro. Às vezes pessoas chamavam à noite para caso de emergência.

 

P/1 – E esse pessoal de fazenda, era fazenda que criava gado? Era lavoura? Como é que era a economia do local?

 

R – Não, a maioria era gado.

 

P/1 – E a senhora? Agora vamos falar mais da senhora, se dava bem com esses assinantes?

 

R – Muito. Dava muito bem.

 

P/1 – E quando demorava muito a completar uma ligação?

 

R – Não, aí, eles já entendiam. Por exemplo, se fosse um interurbano para São Paulo... Naquela época, como eu já falei, pediam o interurbano de manhã para falar à noite. Era muito difícil. Era muito difícil naquela época.

 

P/1 – Como é que era o processo de completar essa ligação? Quer dizer, o fazendeiro ligava para a senhora por linha física?

 

R – Por linha física. E daqui para São Paulo, naquele tempo era chamada uma ligação intercalada. Se São Paulo tinha duas ligações para cá, a gente falava: “Duas nossas e duas de São Paulo.” Então demoravam muito as ligações.

 

P/1 – Como assim? Eu não entendi direito.

 

R – Era ligação intercalada. Por exemplo, Uberaba tinha dez ligações para falar. Então Uberaba completava uma, São Paulo outra. Uberaba uma, São Paulo outra. Era assim. Mesmo para São Paulo, para Brasília, para todos.

 

P/1 – Mas como, por exemplo, era pedida uma ligação para a senhora lá, como é que era o processo? A senhora tinha que ligar para cá?

 

R – Para Uberaba. Ligava Uberaba, Uberaba é que completava a ligação para a gente.

 

P/1 – Aí em Uberaba é que...

 

R – Que completava.

 

P/1 – Que dava o tempo de demora?

 

R – Dava o tempo. Uberaba é que dava o tempo de demora.

 

P/1 – Era uma coisa meio complicada.

 

R – Era meio complicada. (risos)

 

P/1 – Dona Romilda, e como é que a senhora decidiu assumir o lugar da sua mãe? Foi o seu primeiro trabalho?

 

R – Foi o meu primeiro trabalho.

 

P/1 – E a Dona... A senhora foi contratada? Como é que foi essa história com a Etusa?

 

R – Fui contratada pela Etusa.

 

P/1 – E a senhora se lembra quando a Etusa passou a ser controlada pela CTBC? Como é que foi esse processo? Essa transição?

 

R – A Etusa... Não, se eu não me lembro, deixa ver se eu me lembro. Foi quando... Não, disso eu não sei muito bem, não. Porque nessa época, quando ela foi controlada, eu trabalhava lá. Não me lembro muito bem esta história.

 

P/1 – E a senhora ficou lá até quando?

 

R – Fiquei até em 1976. (pausa) Acho que anos 1980. Quando? Você lembra quando inaugurou o DDD? Não me lembro bem.

 

P/1 – Foi início de 1970.

 

R – Foi em 1970?

 

P/1 – Início de 1970.

 

R – Em 1970 eu vim para Uberaba.

 

P/1 – E quando inaugurou o DDD, porque a senhora veio? Por que não tinha mais...

 

R – Não, aí lá foi desativado. Esse centro foi desativado, aí eu vim para Uberaba.

 

P/1 – E aí a senhora veio para Uberaba fazer o quê?

 

R – Continuei trabalhando aqui na CTBC.

 

P/1 – Aí a senhora veio para onde, aqui?

 

R – Para o tráfego, comecei a trabalhar no tráfego.

 

P/1 – Uma mudança.

 

R – Mudança.

 

P/1 – Radical, né?

 

R – Foi.

 

P/1 – E como é que era o seu trabalho aqui?

 

R – Aí eu comecei trabalhar no tráfego, já tinha inaugurado o DDD. Quando eu vim da Estiva para cá, foi quando inaugurou o DDD. Aí já tinha, era fácil completar as chamadas.

 

P/1 – Para quem tinha vivido, como a senhora, uma situação daquela, né?

 

R – (risos)

 

P/1 – E aqui em Uberaba, como é que era o seu regime de trabalho, os turnos?

 

R – Não, eu sempre trabalhei, porque eu tinha os filhos, eu sempre trabalhei. Quando eu vinha eu trabalhava das dezesseis horas às dez horas. Eu tinha um menino pequeno, aí a Rosa controlava o horário para mim. A Rosa foi uma mãe para mim, a Rosa Cucci. A Rosa e a Companhia, né? A Companhia... Tenho muito a agradecer à Companhia. Tenho um amor muito grande, uma consideração muito grande por esta Companhia.

 

P/1 – Por que, Dona Romilda?

 

R – Nossa, foi um respeito, foi muito gratificante ter trabalhado nessa Companhia.

 

P/1 – Como é que era o local de trabalho aqui em Uberaba? Quantas posições? Quantas pessoas?

 

R – Não... Se eu me lembro, eram umas catorze posições. Era... Sempre era rodízio, mas como a gente tinha filho pequeno, a Rosa controlava horário para a gente.

 

P/1 – E a senhora conheceu o seu marido onde? Lá na Estiva?

 

R – Aqui em Uberaba.

 

P/1 – E casou-se lá ou casou-se aqui?

 

R – Casei aqui.

 

P/1 – Quando que a senhora casou?

 

R – Em 1966.

 

P/1 – Como é o nome dele?

 

R – Dalvo Teles Resende.

 

P/1 – E qual é a atividade dele?

 

R – Lavrador.

 

P/1 – E os filhos?

 

R – O mais velho tem uma microempresa em Uberlândia, de telecomunicações. O Enilberto trabalha na Engeset também. E o Kleber é informática, trabalha com o meu genro. E a Cibele, nós, ultimamente... Eu mexo com confecção, nós trabalhamos juntas.

 

P/1 – O nome do mais velho, como é mesmo?

 

R – Renato César Resende.

 

P/1 – Então é curioso porque a família acabou, a terceira geração, ligada às comunicações?

 

R – É. (risos) A comunicações.

 

P/1 – Telefonia, comunicações... E como é que essa evolução tecnológica foi mudando o trabalho da senhora? Como é que isso se deu? (pausa) Veio o DDD, veio o...

 

R – Veio o DDD, depois veio o... Quando inaugurou... Esse aparelho, como é que fala? Inaugurou o DDD… Que ano que inaugurou o DDD? Eu não estou bem lembrada. Depois inaugurou o... Esse telefone?

 

P/1 – O celular?

 

R – O celular. Depois inaugurou o celular.

 

P/1 – E nesse movimento todo, a senhora chegou a conhecer o Senhor Alexandrino Garcia?

 

R – Conheci, conheci o Seu Alexandrino.

 

P/1 – Como é que foi o seu primeiro encontro com ele?

 

R – A gente sempre se encontrava aqui em Uberaba. Quando a mamãe... O meu primeiro encontro com o Doutor Alexandrino foi quando a mamãe trabalhava na CTBC. Aí eu vim com ela aqui em Uberaba, tinha uma reunião, e nós encontramos aqui. Eu era pequena nessa época.

 

P/1 – Como é que ele era, dona Romilda? O seu Alexandrino?

 

R – O Doutor Alexandrino? A primeira vez que eu vi ele, ele era novo ainda. Ele era, não sei, não me lembro assim muito a fisionomia dele, não.

 

P/1 – E depois, quando a senhora já estava trabalhando, a senhora chegou a encontrá-lo?

 

R – Não. Eu via muito era o... Qual que era? O Luiz.

 

P/1 – Luiz Alberto?

 

R – Luiz Alberto. Encontrava mais com ele. Inclusive quando em fui em Pousada?, ele estava em pousada. Naquela fotografia que eu te mostrei.

 

P/1 – E como é que era a relação com eles. O Doutor Luiz, por exemplo, ele vinha com freqüência aqui?

 

R – Vinha, aqui em Uberaba ele vinha com freqüência.

 

P/1 – Ia falar com vocês?

 

R – Conversava com a gente.

 

P/1 – Está certo. Aí a senhora ficou na CTBC? Continua na CTBC? Como é que é a sua trajetória na Companhia?

 

R – Ah, eu trabalhei no tráfego até 1991. Foi em 91? Foi 91, que eu saí da CTBC. Até aposentar.

 

P/1 – Aposentou?

 

R – Trabalhei até aposentar.

 

P/1 – Foram 25 anos, então?

 

R – Trabalhei 27 anos.

 

P/1 – Certo. e a senhora saiu e foi fazer o quê?

 

R – Mexendo com confecção.

 

P/1 – Como é que a senhora vê assim, depois de todo esse tempo, desde o tempo do magneto, que a senhora trabalhou em telefonia rural, até hoje, como é que a senhora vê essa trajetória da CTBC e o que a senhora acha que pode vir pela frente?

 

R – Ah, não sei o que pode vir. Só pode ser coisa melhor, né? Cada dia está melhorando mais. (risos)

 

P/1 – E o que a senhora poderia dizer para alguém que fosse começar a trabalhar amanhã na CTBC? O que a senhora diria para essa pessoa?

 

R – Ah, eu diria que se começar a trabalhar na CTBC tem que começar com garra. Porque a CTBC é uma companhia que só oferece, só ofereceu para mim, eu só tenho o que agradecer. Que oferece coisas boas, segurança para a gente.

 

P/1 – A senhora tem uma lembrança assim do seu tempo de trabalho que a senhora vai guardar para sempre?

 

R – (pausa) Eu só tenho boas lembranças da CTBC. Só boas lembranças. A Companhia sempre tratou a gente com respeito.

 

P/1 – E a senhora tem sonhos, Dona Romilda? A senhora tem sonhos que ainda quer realizar?

 

R – Eu estou pensando, eu tenho um sonho a realizar: estou querendo ir aos Estados Unidos. (risos) A Nova Iorque, se Deus quiser. (risos)

 

P/1 – Já está pensando nisso?

 

R – Já estou.

 

P/1 – A senhora tem alguma atividade além da confecção? Frequenta clube, sindicato, essas coisas?

 

R – Clube, eu gosto muito de ir em clube.

 

P/1 – Qual é o nome do clube que a senhora vai?

 

R – Uirapuru.

 

P/1 – E esse seu negócio de confecção, como é que é? É uma fábrica?

 

R – É, uma micro-fábrica.

 

P/1 – Que produz basicamente o quê?

 

R – Roupas em geral. Roupas para criança, adulto...

 

P/1 – São quantas pessoas lá?

 

R – Não, ultimamente... Na fábrica?

 

P/1 – Sim.

 

R – Ultimamente eu estou fazendo assim, eu pago facção. É melhor do que a gente ter funcionário.

 

P/1 – Como é que é isso?

 

R – Facção. Eu corto e pago a pessoas fora para confeccionar.

 

P/1 – E isso significa o quê? E o controle de qualidade que a senhora tem do produto?

 

R – Nossa, essa pessoa que confecciona para mim é ótima. Muito. Você vê a qualidade. Muito bom.

 

P/1 – E a senhora costuma vender onde?

 

R – Eu vendo para essas cidades vizinhas.

 

P/1 – E leva para vender?

 

R – Leva. Eu tenho um representante que leva. E ele é muito exigente. A qualidade, ele que ajuda...

 

P/1 – Está ótimo, Dona Romilda. A senhora tem alguma coisa que a senhora gostaria de ter dito que a gente não perguntou para a gente?

 

R – Eu acho que não. (risos)

 

P/1 – Não? Como é que a senhora se sentiu dando esse depoimento? O que isso significa para a senhora?

 

R – Eu acho que foi importante para mim, porque estou passando essa imagem da empresa para a frente e a minha também.

 

P/1 – A senhora é importante.

 

R – O Weber sempre fala, às vezes eu falo assim com ele: “Ah, eu era da CTBC.” Weber Pimenta, né: “Era, não. Você é da CTBC.” Ele fala para mim. (risos)

 

P/1 – A senhora trabalhou direto com Weber Pimenta?

 

R – Trabalhei.

 

P/1 – Como é que ele era?

 

R – Nossa, ele era ótimo, muito bom.

 

P/1 – Por quê? Em que sentido?

 

R – Ah, porque ele tratava a gente com respeito. Foi muito bom, o Weber. Tenho saudade.

 

P/1 – A senhora continua da CTBC.

 

R – Continuo. Eu falo assim: “Eu era da CTBC.” “Não, você não era da CTBC. Você continua sendo da CTBC.” (risos)

 

P/1 – Está bem, Dona Romilda. Está bom, muito obrigado.

 

R – Obrigada. (risos) Um abraço para todos os amigos: para o Weber, para o Doutor Luiz. Eu estou aqui, eu não esqueço deles hora nenhuma. Sempre eu lembro deles com as minhas orações, e que Deus dê muita luz para eles, que ilumine eles. E obrigada.

 

P/1 – Para a senhora também.

 

R – (risos)

 

P/1 – Obrigado, Dona Romilda.

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