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História

Filha da jovem guarda

História de: Adriana Cordovil
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 09/07/2013

Sinopse

A entrevista de Adriana Cordovil foi gravada pelo Programa Conte Sua História no dia 20 de junho de 2013 no estúdio do Museu da Pessoa, e faz parte do projeto "Aproximando Pessoas - Conte Sua História". Adriana traz em seu depoimento muito do período da jovem guarda, por conta da influência de seu pai e avô, compositores da época, e também pela vida de seu pai se resumir em convivência com a música. É relatado também o gosto pela medicina desde cedo e a influência para a decisão de sua carreira profissional.

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História completa

O meu nono lutou na resistência e um pouco antes do fim da guerra ele já havia fugido com a minha nona e minha mãe pequena. Em 1960 o meu pai já estava morando em São Paulo. Antes disso ele havia saído de Manhuaçu e se mudado para Belo Horizonte. Nessa época ele já cantava na Jovem Guarda. Minha mãe o conheceu em um clube de campo onde ele estava cantando. O meu avô já era compositor, então o meu avô compunha musicas pra ele cantar. O meu pai não tinha uma grande voz, mas era afinado, bonitinho, tinha olhos claros, gostava dos Beatles, já tinha toda aquela onda vinda da Inglaterra, e ele estourou! Foi pré Jovem Guarda, antes do Erasmo Carlos, Roberto Carlos e Wanderléia. Assim que ele gravou já virou um ídolo. A gente morava na Avenida Santo Amaro. O meu pai tinha uma loja de discos lá. Quando ele parou de cantar, abriu uma loja de discos por ali. Então toda a minha vida era ali. Eu nasci no São Luis, que era na Avenida Santo Amaro, o cinema que eu ia também era ali, a minha nona morou na outra rua, e era uma avenida rica de coisas para fazer. Nessa primeira infância não tínhamos amigos porque os vizinhos não tinham filhos e a minha família era muito pequena, então era eu com ela e ela comigo. Brincávamos de desenhar. A casa vivia cheia de lápis e papel colorido. Além disso brincávamos de quebra cabeça, casinha, de panelinha, de comidinha, justo eu que não cozinho nada! . Eram brincadeiras de apartamento. Não tínhamos patins, patinete, essas coisas. Eram brincadeiras mais introspectivas. Na época do colégio, era ditadura militar no Brasil, então tinha que cantar o hino no pátio, hastear a bandeira sem dar um piu, a gente não tinha noção se aquilo era bom ou não, me lembro que ela entrava nas classes e se tivesse qualquer coisa de errado, ela atirava giz. A gente tomava giz no olho, cabeça, onde ela acertava! Eu gostava de medicina. Talvez por influência da minha mãe, que gostava muito da área de saúde, mas eu gostava muito de ver aqueles Globo Repórter, com o Sérgio Chapelin que tinha coisas de coração. Eles mostravam cirurgia cardíaca, adorava! E fui fazer cirurgia cardíaca mesmo. Mas dessa época até decidir fazer faculdade de medicina se passou muita coisa. Um dia eu encontrei uma amiga do Colégio Tabajara e ela me disse que eu sempre quis ser médica. Eu não lembrava, tinha só 10 anos! Eu sempre gostei muito de viajar, mas só gostava, porque nunca tive dinheiro. Só quando eu tive o meu primeiro salário como residente médica é que eu fui fazer uma viagem. Até então eu vivia com mapas, tanto é que eu entrei na faculdade de turismo, e em primeiro lugar. É claro, com a nota de medicina, entraria mesmo! . E na faculdade conheci gente de todas as tribos. Eu era muito família, bairro, nunca me enfiei no centro, conheci periferias, não sei, era meio certinha. Lá eu tive contato com tudo. Desde alunos do Dante, que era almofadinha e ia com uniforme da escola, até um pessoal super riponga que ia lá pra tentar entrar em agronomia. Eu ficava mais com os ripongas! . Mas persegui um tanto esse sonho de medicina. A gente presta todos os tipos de prova. Quem quer cárdio, quer HC (hospital do coração). Eu fui muito bem na primeira fase e quando saiu a lista da segunda fase, foi muito doido. Fui consultar a lista, que estava na faculdade de medicina da Avenida Doutor Arnaldo e tinha uma risca vermelha em cima do meu nome. Eu teria sido a seguinte, mas não entrei. Eu me matava de estudar, sempre fui boa aluna. Esse era o foco, o resto era apenas o entorno. Mas enfim, fui para o Hospital do Servidor Público, depois me especializei, acabei indo para a Escola Paulista de Medicina, onde fiquei 18 anos. Sai há pouco tempo de lá. Entrei em 1983 e sai em 2011.

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