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Feliz Natal: a história de Jair Delcorso - parte 7

História de: Jair Delcorso
Autor: Isabella Delcorso
Publicado em: 07/03/2019

História completa

 

Capítulo 9 – SÃO PAULO

 

Trabalhei até o final de junho e nos primeiros dias de julho embarquei para São Paulo com dinheiro no bolso, uma boa mala de roupas, mas sem emprego, e sem a minha amada, que já tomara de assalto todos os meus pensamentos em relação ao futuro. Eu já tinha um enredo de um belo filme fixado na minha mente. O roteiro girava em torno de uma série de realizações projetadas com detalhes mil nos meus pensamentos. O futuro é que iria responder-me a realidade de cada fato. Os artistas, alguns, eu já tinha escolhido a dedos, e outros, seriam descobertos durante as filmagens.

 

Cheguei em São Paulo na primeira segunda-feira de julho de 1955 . Não conhecia nada por aqui, mas meus irmãos haviam me orientado como chegaria ao bairro e, consequentemente, à casa de meus pais. Minha mãe, quando cheguei em casa, ria, chorava, me abraçava e agradecia efusivamente a Deus pela minha chegada. Após bastante tempo nossa família estava unida novamente.

 

À noite, quando todos voltaram do trabalho, nosso jantar foi bastante longo e festivo, pois estávamos juntos contando nossas histórias e falando do futuro de cada um. No dia seguinte, rotina para meu pai e para meus dois irmãos. Acordar cedo, condução e trabalho. Eu fiquei em casa trocando ideias com a minha mãe e o tédio já poluía minha cabeça com insistentes perguntas do que iria eu fazer. Não resisti a proposição de meu pai para que eu ficasse alguns dias de folga.

 

No dia seguinte, uma quarta-feira, fui procurar uma agência de empregos e fui indicado para fazer uma entrevista/teste em uma empresa situada na avenida Rio Branco. Eu era operador de máquinas contábil e não foi difícil sair de lá com o retorno já para o dia seguinte, com emprego garantido. Era a importadora e exportadora Warneck. Trabalhei pouco tempo nessa empresa. Havia alguns funcionários ali com muitos anos de casa e que me encheram a cabeça com depoimentos sempre negativos ao futuro, e que eu me tornaria, com o tempo, apenas funcionário, como eles que estava lá esperando o tempo passar, pois nunca tiveram chance e reconhecimento para progredirem profissionalmente.

 

Eu alimentava sonhos de uma vida profissional, sempre ascendente, e não poderia ficar estacionado. Precisava progredir e sentir que aqui em São Paulo eu iria devagar e com passos firmes. Conseguir um patamar que me possibilitasse realizar os sonhos de constituir uma família, ter uma casa própria, meus confortos necessários para criar os filhos, que certamente viriam, e uma vida familiar dentro da normalidade, que a vida profissional pudesse nos proporcionar dentro dos meus planos, evidentemente.

 

Nesse ínterim, fui trabalhar em uma empresa de materiais para construção e que tinha o escritório administrativo na rua Barão de Itapetininga, um chiquê na época. Fui exercer uma boa função na área financeira. Fiquei apenas dois meses, pois recebera um convite para trabalhar com um amigo comerciante lá de Cafelândia, e que havia montado uma empresa atacadista de tecido na rua 25 de março. Lá, permaneci por 18 anos seguidos.

 

Em paralelo a toda essa peripécia profissional os devaneios pessoais também eram satisfeitos. Logo no segundo mês de vida paulistana eu viajara à Cafelândia para matar a saudade, que já era muito grande da minha namorada. Toda semana nós nos escrevíamos e contávamos as histórias que estavam acontecendo, sempre atualizando as informações. Viagem sexta-feira à noite, sábado e domingo juntos. E segunda-feira novamente no trabalho.

 

Na casa de meus pais a situação também ia melhorando, já conseguíramos adquirir um fogão a gás. Os fogões tinham cota de gás, quando eu consegui comprar uma cota de gás, foi uma revolução aquilo. Minha mãe acordar de manhazinha para fazer café, ainda ter que acender o fogão com aquela “sanfoninha” era terrível.

 

O ambiente de trabalho também melhorava, a empresa crescia, o ordenado aumentava, gradativamente. A época era de boa estabilidade financeira e comercial. Já não trabalhava sozinho, pois o crescimento da empresa possibilitara a contratação de mais dois ou três auxiliares.

 

 

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