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Feliz Natal: a história de Jair Delcorso - parte 13

História de: Jair Delcorso
Autor: Isabella Delcorso
Publicado em: 07/03/2019

História completa

 

Capítulo 16 – RETROSPECTIVA

 

As mudanças, os aprimoramentos, e muitos outros conceitos, mudam com uma velocidade incrível. É assim a nossa garotada, com a graça de Deus e orientação dos pais, estão todos nos bons caminhos, o que nos faz altamente felizes. Depois desse relato da minha vida, desde a infância até os dias atuais, vejo períodos bem distintos, embora seguintes, evidentemente.

 

Minha infância passei até os 11 anos nas fazendas e nos vilarejos. Com 12 anos fui para a cidade e iniciei um curso ginasial, que naquela época correspondia a oitava série do ensino fundamental atual. Com 16 anos entrei para o primeiro ano de Contabilidade, hoje, o segundo ciclo em colegial, e comecei a trabalhar no Banco Brasileiro de Desconto, hoje Bradesco. Aí parte da minha vida adolescente começou a ficar para trás. As necessidades de nossa família me obrigou a passar a sustentar a casa. Meu pai havia temporariamente perdido essa condição. Mais 2 anos e eu prestaria ao serviço militar. Um ano muito gostoso e uma série de ótimos ensinamento recebidos. A sequência dessa parte é aquela já descrita, lá atrás, a partir da minha vinda para São Paulo, casamento etc. Na vida profissional recordo das sequências das empresas por onde passei nesses quase 50 anos de atividade.

 

Em todos fui aprendendo bastante, cuidando sempre de acumular as boas coisas e procurando descartar as negativas. Fui também aprendendo a cultivar sabedoria e também logo aprendi que todos sábios são inteligentes, e poucos inteligentes se tornam sábios. A sabedoria deve ter um cultivo constante através da vida. Ela nos ajudará bastante na nossa idade avançada, principalmente quando a força física vai diminuindo. No rol das empresas em que trabalhei, umas 8 ou 10, três delas ficaram bem marcadas na minha mente pelos ensinamentos que me proporcionaram. No Bradesco, meu primeiro emprego, aprendi a hierarquia, cumprir os horários, ser leal e amigo na convivência com os colegas. A necessidade de assimilar os mais diversos serviços, etc. Na 25 de março, onde fiquei por 18 anos, convivendo bastante com a colônia árabe, a comercialização era o forte das ações na disputa dos dois clientes pelo concorrente. Também lá me proporcionou viajar bastante a serviço e conhecer um pedaço desse nosso imenso Brasil. E a Duratex também, onde fiquei por 18 anos, se tornou um marco divisor nessa caminhada toda. Até então eu trabalhava sempre voltado para a comercialização, e agora, o objetivo primeiro do trabalho é a industrialização. Aí fechava um círculo profissional formado pela comercialização, industrialização e administração, e passei a ter um conceito profissional mais competitivo, além de ter sempre mais informações, qualidade de vida a oferecer à minha família. A frequência em algumas convenções e viagens também enriqueceram o profissional e me permitiram algumas promoções, me possibilitando uma aposentadoria melhor remunerada.

 

Agora, com esses anos todos de história profissional, começo a parar efetivamente com o trabalho, mas volto a me perguntar: o que vou fazer daqui para frente? Tenho plena certeza de que Deus e o Espírito Santo me mostrarão o caminho, como já aconteceu durante toda a vida. E principalmente nas horas mais difíceis, marcadas pelas doenças, cirurgias, falecimentos dos pais, dos sogros, cunhados, irmão e, principalmente, do neto. Mas essa é a lei da vida: nada acontece sem que Deus o permita. Dizem já há muito tempo que recordar é viver. Isso me motiva bastante. Minhas recordações, embora algumas mais amargas, são povoadas de tantas coisas tão boas. Já comentei sobre minha infância adolescência, juventude e vida adulta, quantos fatos tão importantes. Mas é na vida familiar que encontro as saudades e as emoções mais fortes. Minha convivência com os meus avós maternos e meus tios, e que me levam a minha infância, onde a figura do meu avô, pai da minha mãe, foi tão importante na formação dos meus conceitos de vida. Embora tenha convivido com ele só até os meus 6 anos de idade, lembro-me da sua maneira marcante, bastante natural de viver, embora exigente no trabalho, no trato das coisas, na aparência pessoal e até na alimentação. Era uma pessoa sempre alegre, receptiva e solícito às pessoas não importantes, e eram familiares, auxiliares ou patrões, ele era sempre disponível sempre pensei muito nisso. Ele foi uma das pessoas das quais eu tirei exemplos de vida.

 

Tivemos também, eu e meus irmãos, a felicidade de ter nascido de pais maravilhosos. A convivência é também um cultivo pessoal e constante. Eu aprendi isso quando das minhas estadas em casa de famílias de parentes, amigos e amigas, quando por necessidade eu tive que morar em casa de algumas delas, em função de escola. Morar na casa de alguém é, acima de tudo, aprender a conviver de maneira harmoniosa com as pessoas. Esse cultivo me ajudou bastante também a partir do meu casamento. Eu teria que começar a conviver com pessoas com as quais eu tinha um conhecimento bastante supérfluo. A família da minha esposa era bem maior do que a minha. Sogro e sogra, três cunhados e três cunhadas. Eu não poderia falhar. O respeito mútuo é a primeira busca e ele tem que ser conseguido rapidamente e de maneira harmoniosa.

 

E assim foi acontecendo... Me aceitaram muito bem e passamos a conviver de maneira muito cordial e, para satisfação maior, afirmo que em todos esses anos de caminhada, mais de 54, nunca tivemos pendência nenhuma, por menor que fosse. Aprendi a considerá-los como pais e irmãos. E a recíproca, tenho certeza, que também foi verdadeira. Nossas casas se tornaram comuns, meus filhos aprenderam também a cultivar essa amizade tão sincera e cheia de amor. Os netos ainda conseguiram a saborear amizade dos bisavós. Duas bisas e dois bisos, e isso tem sido muito gratificante, especialmente na atualidade, em que a convivência entre pais e filhos é tão difícil e em muitas famílias modernas ela já nem existe.

 

 

EPÍLOGO

 

Um colega uma vez me disse que havia queimado tudo que era de infância, juventude, que de nada valia. Não é bom você guardar e ver coisas de 40, 60 anos atrás?

 

Será que um dia vou conseguir ser como o meu avô? A resposta é simples: jamais. As pessoas que a Igreja Católica considera santas, como São Francisco de Assis, não são simplesmente “pessoas”. São seres completamente elevados que não estão em equiparação aos comuns humanos. São seres que em sua vida tomaram atitudes que nunca poderão ser comparadas ao que a vida terrena proporciona.

 

O meu avô Jair, apenas consigo compará-lo a um santo. Pois as coisas que ele fez em vida não estão em pé de igualdade ao que a humanidade vivencia. Em toda sua vida, a palavra igualdade e justiça foram as palavras de ordem para ele. Ele que nunca iria conseguir viver sem justiça, em um mundo em que as pessoas fossem diferentes. Um exemplo fácil para demonstrar, é que ele gostaria de ter me contado muitas coisas sobre o que viveu com seus netos. Porém, em seus últimos anos, ele já vivia afastado de sua filha Carla e os seus respectivos filhos. Mesmo assim, me disse que “não queria fazer diferença” na sua descrição de seus filhos e netos. O mesmo tanto que ele contou sobre a minha vida (que estava diariamente com ele), ele contou sobre o Diego, a Giovana e o Felipe, por exemplo, que nem sequer se importavam com ele nos últimos anos, mas, mesmo assim, ele arrumou algumas palavras positivas para contar sobre eles.

 

O vô Jair foi o pai que eu não tive. Em todos os sentidos. Quando fui abandonada por meu próprio pai, aos 8 anos, foi ele que esteve ao meu lado para tudo. Mesmo antes disso, em cada passo da minha vida, em cada conquista, em cada derrota. Eu nunca pedi por isso. Eu nunca nem sequer mereci tudo isso. E ele fez. Foram dias maravilhosos e incríveis que tive ao seu lado, principalmente com ele me contando a sua história. Como nós nos divertimos, demos risadas, sorrimos e ficamos tristes juntos. Não alterei nada do que ele me disse. Está tudo do seu jeitinho, com as suas palavras.

 

A você, leitor, meu avô deseja que o seu exemplo de vida se remasterize e permaneça em suas atitudes daqui pra frente.

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