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Feliz Natal: a história de Jair Delcorso - parte 11

História de: Jair Delcorso
Autor: Isabella Delcorso
Publicado em: 07/03/2019

História completa

 

Capítulo 14 – MUDANÇAS

 

A vida profissional corria dentro da normalidade. A firma onde eu trabalhava havia progredido e mudara para um armazém maior, e nossos ganhos melhoraram e alimentaram a ideia da casa nova. Achei um bom terreno onde é até hoje a nossa casa. Daria uma bela construção...

 

Meu pai, pedreiro, se propôs a construir. Primeiro fizemos no fundo do quintal uma casa para ele e minha mãe. Em seguida, começamos a nossa construção, bastante ousada para as nossas reservas financeiras. Quando o dinheiro acabava, meu pai trabalhava em outros serviços, até voltarmos a economizar algum, para reiniciar a construção. Isso durou quase 4 anos. Mas, em novembro de 1970, nos mudamos para a nossa casa. Ainda não estava totalmente acabada, mas era suficiente para nos abrigar. A ideia era de vender nossa primeira casinha e com o dinheiro terminar a construção. E assim foi feito.

 

Em abril deste ano fomos novamente abençoados por Deus com a chegada da Flávia Simone. Foi o bebê mais lindo e fofinho que chegou ao nosso lar. A Delma já estava com 12 anos, Gisela com 10, Carla com 8, e o Jair com 6, e o neném era a boneca coqueluche de todos nós. A nova casa tinha espaço adequado para todos. A escola era bem perto e isso facilitou bastante nossa vida, principalmente da mãe.

 

Na vida profissional as coisas já não ocorriam tão bem como na familiar. Lá, uns poucos anos atrás, em 1964, aconteceu a tomada pelos militares do governo brasileiro. O congresso foi dissolvido e o regime governamental passou a ser regido totalmente pelos militares. Houve sequência de uma série de presidentes generais, de 1964 até 84. Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo. Foi um período de algumas guerrilhas, prisões, morte e também de algum progresso, como a queda da inflação acentuado dos meios de comunicação e energia elétrica, ordem e segurança, etc. Houvera no início grande recessão comercial e industrial. Muitas firmas quebraram por falta de estrutura e reserva.

 

A firma na qual onde eu trabalhava também não resistiu e fechou, isso já era 1971. Foi um período bem difícil. Não tínhamos reserva nenhuma e nem um novo emprego. A família já era grandinha com alimentação, escola, roupas e as despesas normais de uma casa. Comecei a viajar com um amigo, também vendedor, e passamos as comercializar na Confecção ES. Comprávamos aqui em São Paulo e revendíamos no Rio de Janeiro. Era meio complicado, mas dava o suficiente para sustentar a família. Isso demorou em torno de um ano. Sem seguida fui trabalhar também como vendedor na móveis Simon, mais um ano de trabalho com alguma melhora. Não só no ganho, mas principalmente o fato de que o trabalho era todo aqui na grande São Paulo.

 

Na Simon permaneci por 14 meses. Consegui nessa época, através de um amigo, o Eurípedes, uma entrevista com o gerente comercial da Duratex, senhor José Gonçalves, que estava selecionando vendedores para 3 vagas existentes. Fui feliz e contratado para trabalhar no setor de aplicação específica da grande São Paulo e baixada santista. Esse início foi em outubro de 1974. Foi o início de uma nova caminhada profissional. Ganhos bem melhores e progresso com sonância, com plano de carreira onde obtive algumas promoções, que perduraram por 18 anos, de onde já saí aposentado e com o cumprimento de ganho mantido pelo PAC , que faz jus aos funcionários que tenham no mínimo 15 anos de empresa, até 59 anos de idade. Profissionalmente foi meu melhor período de trabalho, onde aprendi bastantes ensinamentos, com os quais sempre tive oportunidades no mercado de trabalho. Era início de 1992. Depois trabalhei mais 5 anos na Móveis Sakai, gerenciando vendas, e mais 5 anos na Voltru, onde continuei trabalhando ainda como autônomo.

 

 Voltando a vida familiar, lá pelos anos de 1975 a Flávia já estava com 5 anos, e ela foi também ela para o Externato, para ingressar o pré-primário. A Delma e a Gisela já estavam no colegial, e a Carla e o Jair faziam o ginasial. Tudo caminhava bem.

 

Eu sempre alimentei o desejo de ter um pedaço de terra na área rural, e consegui ainda quando estava na Duratex comprar um sítio na cidade de Igaratá, na encosta da Serra da Mantiqueira, distância de 100 km de São Paulo. Lá construímos casas pequenas para o caseiro e uma para nós. Formamos um belo pomar, com uma boa variedade de frutas, café, e formáramos uma passaria, onde tínhamos vacas de leite e cavalos para montar. Era muito prazeiroso, e durou 10 anos. Mais 3 anos e compramos outro sítio, bem maior, com 10 alqueires, na região de Avaré. Também lá construímos as casas, formamos um pomar de frutas, pastaria e gados de cortes e mais cavalos para os netos passearem. Lá, o período foi de 12 anos. Os netos cresceram e foram tomando novos caminhos, o que é normalidade da vida – colégio, faculdade, namoros trabalhos, etc. E a frequência ao sítio se tornou quase nula. E chegou a hora de vender a propriedade e partir para outros interesses.

 

 

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