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Feliz Natal: a história de Jair Delcorso - parte 10

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Capítulo 13 – NA RUA VENEZA

 

Paralelamente a todos esses acontecimentos, a vida continuava dentro da normalidade. Já havíamos planejado que deveríamos ter nossa casa própria. Comecei a procurar pelo bairro um imóvel que estivesse dentro das nossas possiblidades. Após encontrar algumas ofertas que nos satisfaziam, ou pelo preço, ou pela localização, encontrei uma pequena casa, ainda sem acabamento satisfatório, mas num bom terreno, numa rua bem apresentável, e com preço dentro das nossas possibilidades. Movidos pelo nosso entusiasmo e a vontade de progresso, as coisas negativas foram suplantadas e compramos a nossa casinha lá na rua Veneza.

 

Compramos a nossa casa na rua Veneza, rua de terra, semi-urbanizada, meio abandonada pela prefeitura. Havia muito o que fazer, e isso nos entusiasmava. Meu pai, pedreiro, já se dispusera a fazer o serviço como acabamento, pinturas e outros, que possibilitassem nossa mudança. Tudo isso foi feito em 2 meses. Num final de semana o pai, a mãe e os irmãos nos ajudando, e lá vai os nossos pertences, que ainda eram poucos, para o novo lar. Os vizinhos nos acolheram com alegria e com o correr dos tempos, tornaram-se bons amigos, sempre disponíveis para eventuais favores. O quintal era grande, e logo começamos a formar uma bonita horta. Fizemos também um galinheiro onde tínhamos galinhas que produziam ovos fresquinhos para nós e, principalmente, para as papinhas da Delma.

 

Já se passaram mais de um ano e eu e a Marlene começamos a pensar no segundo filho. Alguns meses e a segunda gravidez aconteceu. Em abril nasceu a Gisela Cristina, moreninha, cabeluda e toda meiga.

 

A casa já se tornara pequena e resolvemos ampliá-la, praticamente dobramos a área construída. Foram alguns meses muito atropelados. A Marlene se desdobrava para dar conta do serviço da casa e das meninas. Para facilitar as reformas da casa, nós mudamos para dois cômodos da casa da nossa vizinha, dona Arminda. Nessa época, meus pais haviam voltado para o interior e meu irmão Jales passou a morar conosco temporariamente. Era um sufoco! Mas tudo era compensado com o nosso progresso. Antes já havíamos comprado uma série de utilidades para nossa casa, já tínhamos até geladeira! Um privilégio na época...

 

O trabalho foi muito grande, mas quando voltamos para nossa casa já era tudo bem melhor. Já tínhamos dois dormitórios, uma sala grande, uma boa cozinha azulejada e um banheiro enorme, além de uma pequena varanda. Em seguida, melhoramos também parte do nosso quintal, uma lavanderia, com uns bons metros acimentados, onde as crianças poderiam brincar com triciclos, lousas, camisas de bonecas, etc. A rotina continuava.

 

A vida era muito boa e nossa casa sempre recebia visita dos nossos familiares. A família da Marlene havia se mudado para São Paulo, vindo residir no bairro do Pari. Não tínhamos carro e nossos passeios e visitas eram através dos ônibus ou embarcando nos pitorescos e gostosos trens de subúrbios da Cantareira. As meninas adoravam os passeios.

 

Mais um pouco, em 30 de outubro de 1962, foi a vez da Carla Fernanda aterrissar na nossa casa. Também ela foi um bebê lindo, chegou com muita papuda e, a exemplo das duas premiras, nunca tivemos grandes preocupações quanto a saúde das três. Leite materno, boa alimentação, orientação constante dos pediatras, possibilitava um crescimento normal e cheio de alegria.

 

Nessa época já havíamos comprado nosso primeiro televisor, que também era um certo privilégio. Era normal os familiares e até alguns vizinhos vir a nossa casa para assistir alguns programas. A programação das TVs era bastante limitada. Não havia ainda as projeções internacionais. Na parte da tarde era normal nossas crianças e alguns dos vizinhos assistir ao “pim pam pum”, regados a pipoca e suco, que a Marlene preparava com muito bom gosto.

 

Em abril fomos presenteados por Deus com a chegada do Jair. Foi uma noite de espera muito angustiante pela demora da notícia do nascimento. O neném chegou às 7 horas da manhã. Também ele veio cheio de saúde e era muito bonito. Foi uma alegria total! Já tínhamos três meninas e agora um menino para a nossa alegria.

 

A família vai crescendo e as nossas etapas também vão surgindo. A Delma Elaine já está na fase escolar, começou a frequentar o pré-primário numa escolinha anexa a nossa igreja. Já temos informações que no próximo ano começará a funcionar uma escola primária com orientação das irmãs camilianas, aqui no nosso bairro. Num domingo, após a missa, fomos lá falar com a freira encarregada da escola, e fomos atendidos pela Irma Letícia, que também ficara muito contente, pois eram os primeiros pais a procurar a escola. Conversamos bastante e a Delma saiu de lá já matriculada para o primeiro ano fundamental.

 

No ano seguinte foi a vez da Gisela Cristina iniciar o pré-escolar. Já tínhamos duas filhas no Externato Padre Luiz Tezza. Além da escola, a chegada do Jair tornou-se nossa casa menor do que já era. Haviam só dois quartos, o meu e da Marlene e mais o bercinho, e outro que abrigava as três meninas. O espaço para aumentar a construção era pequeno. Começamos a alimentar a ideia de comprar um terreno e construir uma casa nova.

 

 

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