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História

Felicidade, o prazer de trabalhar

História de: Maria de Fátima Belmiro Burin
Autor:
Publicado em: 22/03/2016

Sinopse

Fátima Belmiro Burin é a mais velha de seis irmãos e conta que em sua trajetória morou em diversas cidades: nasceu em Governador Valadares (MG), morou num sítio próximo a Guaíra (PR), quando adolescente foi com a família para Ji-Paraná, fez faculdade em Manaus (AM), trabalhou em Brasília (DF) e, depois de casada, passou a residir em Dourados (MS). Ao longo de sua narrativa conta que realizou o sonho de infância que foi dar a primeira casa aos pais. Há mais de 11 anos, quando suas duas filhas tinham entre 15 e 16 anos, procurou uma empresa que fizesse intercambio e foi assim que Fátima conheceu o AFS e sua filha mais nova fez o intercambio. Desde o primeiro dia de contato, exerce apaixonadamente diversas atividades, foi mãe hospedeira, conselheira e braço direito da presidenta de seu comitê, chegando ao posto de Diretora Administrativa. Atualmente, Fátima integra o Conselho Diretor.

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História completa

É o seguinte: eu nasci em Governador Valadares, eu sou a primeira filha de seis. Sete né, porque uma faleceu quando bebê, nasceu e faleceu. Nós fomos pro Paraná, eu era criancinha ainda. Nós éramos três filhos quando nós fomos pro Paraná. Depois nós fomos pra Rondônia. Já tem 30, quase 40 anos, que meus pais moram lá. Lá, meu pai tem uma chácara, tem gado. Eu meu lembro que eu via e sentia a dificuldade que meus pais tinham com o trabalho que eles faziam, porque era um trabalho pesado, principalmente no Paraná que era muito frio. Eu via meu pai e minha mãe levantando cedo, fogão à lenha, acedendo fogo pra aquecer. Meu pai fazia um aquecedor para nós, eu achava aquilo ali o máximo. Ele pegava uma lata, fazia um barro no fundo, furava a lata e fazia um aquecedor pra colocar no meio da casa pra gente se aquecer. Então, eu via muito meu pai e minha mãe sofrendo com aquele frio, levantando cedo, a gente não tinha muito recursos, tinha aquele aquecedor que meu pai fazia e a gente ficava ali até tarde da noite. E eu sempre pensava assim, na minha cabeça de criança, que eu ia crescer, estudar e comprar uma casa e isso me emociona quando eu falo sobre isso ou penso sobre isso. E sabe que realmente aconteceu isso? Eu cresci, estudei, trabalhei como filha mais velha. A primeira casa que nós tivemos fui eu que construí, graças a Deus.

Eu conheci, eu fiquei sabendo do AFS a primeira vez em 2005, começo de 2005, quando minhas filhas estavam com 15, 16 anos e elas queriam, e eu também, que elas fossem fazer intercâmbio, estudar fora. Eu comecei a pesquisar e fui em todas as organizações que tinham lá [em Dourados], mas nenhuma encaixava. Então eu fiquei muito triste, porque não tinha conseguido achar uma que a gente falasse: “É essa!”. E minha amiga falou: “Oh, tem o AFS, só que não tem escritório. A pessoa que faz os envios, faz tudo na casa dela.” Aí me deu o telefone, eu liguei pra ela, nós marcamos.

Na primeira conversa, ela já me convidou pra trabalhar, pra fazer trabalho voluntário no AFS, eu já aceitei, já comecei ali mesmo e estou até hoje. Acabou que a minha filha mais velha não foi, porque começou a namorar e não quis deixar o namorado e entrou na faculdade e só foi a mais nova. Ela foi pros Estados Unidos, o intercâmbio dela foi muito bom, foi uma experiência muito boa pra ela. E aí eu me apaixonei de uma forma tal pelo AFS que hoje assim eu não consigo me ver sem o AFS na minha vida. Parece que eu tenho necessidade, como eu tenho necessidade do café-da-manhã, do almoço, do jantar, eu tenho necessidade do AFS na minha vida. E esses 11 anos que eu estou trabalhando no AFS, assim, eu até já comentei numa Convenção Regional, que eu vou escrever um livro porque eu tenho muitas memórias escritas, muitas coisas que eu escrevo que acontecem com os estudantes, coisas bem diferentes, coisas que não podem acontecer, mas que acontecem. E eu sou uma pessoa muito coração, eu me envolvo muito com o ser humano.

Sempre, desde o primeiro encontro que eu tive com a minha amiga Vânia, que era presidente do comitê lá naquela época, desde a primeira conversa que nós tivemos, pra fazer os papeis pra minha filha ir fazer o intercâmbio, eu já comecei. Ali já comecei e nunca mais eu parei. Nem nesse tempo que eu fiquei na Irlanda, eu parei. Eu acompanhava tudo pela internet, hoje a gente tem esse recurso. Como eu sou membro do Conselho Diretor, a gente fazia reunião por Skype, acompanhava pelos e-mails, tudo, não parei, nem lá eu parei eu não parei. Eu não parei nunca, nunca tirei férias. E amo esse trabalho, como eu já disse é uma coisa que faz falta na minha vida. O AFS é parte da minha felicidade, do meu prazer de trabalhar. É uma coisa que eu faço por prazer mesmo.

Eu fui família hospedeira, fui mãe de estudante, porque eu mandei minha filha, fui conselheira e a gente tinha uma carência, até hoje, às vezes, de voluntários. Cheguei a ser conselheira de cinco estudantes ao mesmo tempo! A gente se envolve muito, porque quando a gente é conselheiro de um estudante, a gente dá assistência ao estudante em relação a escola, em relação a família que estudante está morando e em relação ao próprio estudante. A gente que é conselheiro tem que estar sempre em contato com ele e eu tinha cinco, então era assim, bem trabalhoso.

Eu era Diretora Administrativa da nossa região e é um trabalho que eu também estava apaixonada, que cuidava das finanças dos estudantes. O Diretor Administrativo é quem recebe o dinheiro pros materiais escolares, transporte, essas coisas assim, para os eventos que têm e a gente faz prestação de contas e eu estava já quatro anos como Diretora Administrativa e, em 2014, em setembro, que teve a Convenção Nacional. Todo ano é feito em um Estado, toda convenção tem eleição, pra um ou dois membros do CD [Conselho Diretor]. Aí eu fui convidada pra me candidatar. Titubeei um pouco, mas acabaram me convencendo do tipo de trabalho e eu já comecei a gostar do trabalho. Aí me candidatei, ganhei, e aí eu estou no Conselho Diretor, no meu segundo ano, do Conselho Diretor.

Tanta coisa que eu aprendi tendo esse contato direto com os estudantes, com os familiares. A gente vê que, às vezes, nós estamos tão encolhidos no nosso euzinho, na nossa casquinha que a gente acha que não existe nada no mundo mais difícil que aquilo que eu estou passando, não existe nada mais complicado que a minha vida, vida da minha família, da minha irmã, etc etc. Mas a gente tendo esse contato com esse pessoal, com todo pessoal, essa troca de cultura, isso faz a gente analisar muito a vida da gente sabe, o que a gente tem, o que a gente ganhou, o que a gente conquistou. Família, trabalho, aprendizado, enfim, faz a gente vê a vida de uma forma diferente. O aprendizado é muito grande, sabe, muito, muito, muito grande. A gente aprende a valorizar a vida, a ouvir, aprende a ouvir mais. A gente aprende a compreender mais sabe, a julgar menos sabe. Pra mim, assim, é uma religião já. Não tenho palavras, não acho palavras pra descrever o aprendizado, essa caminhada com o AFS, o que significa.

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