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História

Fecho às oito

História de: Marcelo Hideki Oshiro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/12/2012

Sinopse

As brincadeiras de infância nas ruas da Casa Verde. O trabalho dos pais, feirantes, e os cuidados de sua avó. A ajuda à família na feira, antes das aulas. Conciliação entre o curso de Administração de Empresas e o auxílio ao pai no minimercado no bairro da Aclimação. A estadia de três anos no Japão. A doença da mãe e o retorno ao Brasil. A montagem de um novo minimercado em Santana, próximo a saída do metrô. O dia a dia de um mercado de bairro, com todas as suas características e particularidades, o fluxo de pessoas e o estabelecimento de comércios próximos às estações de metrô.

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História completa

“Do Terminal de Santana para cima tem aparecido coisa nova: bonbonnières, salões de cabeleireiros; você vai lá, vira e mexe está abrindo uma loja nova, o comércio está subindo mais naquela direção. Antes não, antes era mais centralizado, perto da estação. Agora qualquer um pode ver que já está expandindo, acho que os comerciantes já estão percebendo que o pessoal sai da estação e não fica só por ali. Assim como o pessoal vai se deslocando, tem sempre alguém visando explorar algum ponto novo. Naquele lado antigamente eram só casas, casas para as pessoas morarem. Mas, com a evolução, aconteceu o quê? O pessoal levantou a casa, só que aí ou o sujeito mora na parte de cima e aluga a parte de baixo, que serviria como garagem, ou já monta de um jeito para deixar escritório. Aí já compra uma parte residencial em outra localidade, um prédio próximo, qualquer coisa assim. O pessoal que tem casa lá não quer vender, ou quando quer vender, pede um valor muito alto. E volta e meia você ouve comentários: ‘Vai desativar o Campo de Marte, vão fazer o negócio do trem bala. Então, vamos dar uma segurada. Não vende agora não a casa, espera. Vai valorizar, vamos fazer um galpão aqui. Você sempre escuta esse tipo de comentário de clientes que moram por aqui. E realmente o comércio teve uma expansão forte; tem muitas lojas; muitos bares, inclusive, que funcionam até mais tarde. E isso a gente vê não só em Santana, mas nos bairros vizinhos também. Pelo menos na avenida principal, que é a Engenheiro Caetano Álvares, a gente constata que houve muita mudança; desde melhoria em serviço público até comércio mesmo, porque antes não tinha nada. Hoje já tem atacadista, lojas de veículos, barzinhos. Restaurantes ali, nossa!, encheu. E tudo funcionando até tarde. Funciona para eles, mas para o meu tipo de comércio e ali naquela parte onde eu estou é perigoso. Às vezes, a gente tem ideias: ‘Vamos deixar aberto por mais tempo, vamos ganhar um pouquinho mais.’ Mas aí a gente pensa: não precisa ganhar mais; está pagando as contas, está dando até para sobrar um pouquinho. Está bom assim, então. E é o melhor mesmo, porque ali onde eu estou tem muitas casas noturnas, muito cabarezinho. Se durante o dia o produto que eu mais vendo é cachaça, imagine se ficar aberto. É uma cachacinha pequenininha assim, baratinha, custa dois reais e o pessoal... meu! Você bebe meio litro de cachaça, entorta o olho. De dez em dez minutos, entra alguém lá: ‘Ei, japonês!’ Eu olho para a cara e já sei até quem é, deixo em cima da mesa, do caixa. Então, tendo essa concentração de pessoas ali, noturnas, já começa a ficar esquisito; começa a vir um pessoal mais alcoolizado. Aí, para evitar problema, a gente fecha oito horas.”

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