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História

Fazendo parte da história do país

História de: Maria Elenice Pinho de Oliveira
Autor: Thalyta Pedreira de Oliveira
Publicado em: 28/06/2021

Sinopse

Maria relata sobre sua entrada na Petrobras e sua rotina nos diferentes cargos que ela exerceu. Conta as reformas e mudanças dos laboratórios da empresa. Fala sobre a participação feminina em um ambiente que é predominantemente masculino nas petrolíferas. Conta também sobre o movimento sindical na companhia, e os momentos marcantes que ela passou dentro da Petrobras.

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Projeto Memória Petrobras Depoimento: Maria Elenice Entrevistado (a) por: Eliana Santos Local da entrevista: Mossoró / RN Data da entrevista: 15. 02 2005 Realização: Museu da Pessoa Entrevista: CBRNCE 08 Transcritor: Charles R. Silva Revisado por: Gioanna Zou P/1: Boa tarde. R: Boa tarde. P/1: Queria começar que a senhora nos fale seu nome completo, local e data de nascimento. R: O meu nome é Maria Elenice Pinho de Oliveira, eu nasci no Ceará, no dia 08 de agosto de 1961. P/1: Dona Maria Elenice, a senhora pode contar para gente quando foi e como foi o seu ingresso aqui na Petrobras? R: Como foi. Quando foi. Em 1981, em meados de 1981, eu estava estagiando através da escola técnica, eu estudava lá o curso de Química e aí, eu soube que estava havendo um concurso pra preencher uma vaga dentro da Petrobras, no laboratório em Natal, laboratório da Petrobras. Aí eu interessei, me inscrevi, o concurso foi feito na própria escola técnica, na época quem veio nos entrevistar e fazer a prova. Primeiro fazia a prova, quem passou foi entrevistado pelo químico Antônio, que hoje ele se encontra no setor de SMS, em Natal, então, essa foi a minha trajetória. P/1: E a senhora entrou em 1981. R: Eu fiquei aguardando ser chamada, antes de completar dois anos eu fui chamada, em 1983, em maio eu assumi. P/1: E a senhora foi para que setor? R: A princípio a gente teve que ir para a LUBNOR. P/1: O que que é LUBNOR? R: Antigamente era..., a LUBNOR hoje é a fábrica de asfalto em Fortaleza, e lá a gente fez todo aquele preenchimento. O pessoal que passou foi lá preencher aquela documentação e em seguida a gente teve que se apresentar em Natal, no caso, ao químico Antônio, lá em Natal. P/1: E como era assim, um pouco sua atividade? O que que a senhora fazia? R: Eu estava na época cursando Engenharia Química, na Universidade Federal do Ceará, estava no segundo ano, então devido às dificuldades financeiras, eu vim de uma família carente, necessitava trabalhar, eu tive que abandonar minha faculdade e aí, eu assumi o emprego em Natal, então me desloquei do Ceará, da minha família, em busca de novos horizontes, auto realização profissional, praticamente a Petrobras foi a..., na verdade a primeira empresa e a única até hoje, visto que já tenho 22 anos de empresa e pra mim tem sido uma grande experiência, um grande mestrado. P/1: E a senhora ficou em Natal e depois foi para onde? Como que foi essa sua trajetória? R: Passei quatro anos em Natal, trabalhando no laboratório, na época também fazia parte do laboratório, além do químico Antônio e Jaqueline que eram um dos nossos supervisores, nossos gerentes da época. E após quatro anos, como eu me casei com um funcionário, também da Petrobras, eu tive que vir pra Mossoró. Em 1987, em setembro, eu vim pra cá em Mossoró, o laboratório prometido ainda não estava aqui, que na época a ideia era transferir todo o laboratório pra Mossoró, era o centro da..., aqui era o local ideal, pra ficar o laboratório e aí eu vim, tempos depois o laboratório. Uma parte veio, que foi a parte do petróleo, e a parte de água ficou em Natal. P/1: A senhora foi para parte de petróleo. R: Parte de petróleo, laboratório de petróleo. P/1: Já começou a trabalhar no laboratório? R: Na verdade eu não fui direto pro laboratório, porque na época eu estava grávida do meu primeiro filho e não podia atuar, e também o laboratório que tinha era apenas um trailer que fazia apenas BSW, uma análise de BSW, aí o tempo foi passando, eu estava grávida e com isso trabalhava na parte de escritório, devido à questão dos produtos químicos. Tempos depois, eu não me lembro bem a data, o laboratório foi preparado para receber a gente, em seguida, eu não me lembro exatamente a data. P/1: Não tem problema. R: Mas a antiga Petrobras era lá na antiga Presidente Dutra, o prédio foi alugado, um prédio só para construir alguns setores que não cabia no primeiro prédio lá da Presidente Dutra, então eram dois, um paralelo ao outro, certo. Trabalhei no escritório, nem o nome do setor eu consigo me lembrar, foi tanta mudança... P/1: Aí a senhora estava falando que estava trabalhando no escritório por conta da gravidez e tinha os dois prédios em Natal, é isso? R: Não. Tinha apenas um prédio tá, o setor aqui do ativo na época foi crescendo e precisou alugar um outro prédio, na Prudente de Moraes, paralelo a esse primeiro e foi que separaram uma área para o laboratório. E aí, eu introduzi, somente iniciando com o petróleo, análise, então o laboratório começou vindo de Natal, transferindo apenas a parte de equipamentos ligados a petróleo, aí ficou separado, Mossoró fazia análise voltado para petróleo, incluindo as análises da operação BSW. P/1: O que é essa operação BSW? R: A operação BSW é uma análise que indica o teor de água e sedimento no petróleo, então é uma análise de suma importância para produção, para você ter uma ideia de quanto se está produzindo de petróleo. P/1: Aí a senhora ficou aqui em Mossoró? R: Isso P/1: Na área de Petróleo. R: Na área de petróleo, enquanto os equipamentos estavam chegando para fazer a análise de densidade, viscosidade, ponto de fluidez, ponto de fulgor, a gente ficou inicialmente só com BSW, fazíamos em torno de 150 BSW por dia e juntamente comigo trabalhava uma técnica química de nome Cleomar, somente nós duas dentro do laboratório. P/1: A senhora ficou um tempo no escritório e depois foi para o laboratório... R: O laboratório de petróleo ficou estabelecido que ficaria em Mossoró, enquanto o laboratório de água era em Natal. P/1: E depois a senhora foi para um outro setor ou continuou neste laboratório? R: Bom, aí vieram as mudanças, em seguida resolveram que o laboratório de petróleo era pra tá no campo, né, não necessariamente Mossoró e, a gente acabou sendo transferido para o laboratório do Canto do Amaro. P/1: E estão lá até hoje? R: E lá a gente ficou um bom tempo, certo, em seguida foram chegando outros técnicos, passamos uns, acredito que uns oito anos lá e depois retornamos pra Mossoró, com uma estrutura bem maior e estamos até hoje lá, mas a gente está recebendo um novo laboratório, está sendo construído um laboratório que será referência para a unidade. P/1: Quando a senhora fala “eu fui pro Canto do Amaro” é distante daqui? “Voltei pra Mossoró”, voltou aqui para sede? É isso? R: Isso. Vamos pra cá, porque aqui é a sede, então no Canto do Amaro você teria que ..., viagem diária é de meia hora, vinte minutos, meia hora, a gente ia de ônibus, saía de casa em torno de 06h30min da manhã, chegava as 05h30min da tarde em casa. P/1: Vocês continuam fazendo o mesmo tipo de análise ou não? Vocês mudaram o foco agora? R: Bom, com a saída do laboratório do Canto do Amaro, quando viemos pra cá, o objetivo foi juntar, Natal, o laboratório de água com o laboratório de petróleo e aí veio também o controle de qualidade, o laboratório de controle de qualidade, passou a ter, isso foi ampliando, passamos a ter não só o laboratório de água, de petróleo, de controle qualidade, mas também de corrosão, laboratório de cromatografia e ampliou de tal forma que o espaço hoje já não atende, Graças a Deus, a gente está recebendo laboratório novo. P/1: Que bom. Dona Elenice conta assim..., como a senhora ingressou mais ou menos em 1983, como era uma mulher na empresa na época? A senhora vê alguma diferença? Foi bem recebida? Como que era esse trabalho feminino? R: Bom, com certeza a gente..., fui bem recebida, apesar de na época serem poucas as mulheres petroleiras, então foi uma experiência bastante é..., tem sido uma experiência bastante gratificante, foi um aprendizado. E uma empresa como a Petrobras, a oportunidade que a gente tem de fazer curso, de ir se aprimorando, se aperfeiçoando, eu digo até que pra quem entrou na empresa com vinte um anos de idade, né, primeiro emprego, o amadurecimento não foi só profissional, até como pessoa, como ser humano, ela fez parte desse amadurecimento. P/1: Como a senhora vê o seu trabalho hoje, como um trabalho feminino, uma petroleira, daquela época que a senhora entrou com vinte e um anos, poucas mulheres, tinha muita diferença do que é hoje ou não? A senhora acha que a aceitação...?, tem muitos homens? R: Oh, realmente tinha uma diferença, por exemplo, eu me deparei em situações que quando ia ao campo fazer coleta, não tinha banheiro feminino... P/1: Não tinha estrutura... R: Para gente utilizar, a gente tinha que pedir um colega para ficar, uma colega para ficar na porta para poder utilizar. Então, isso aí, com o tempo foi mudando, a estrutura da Petrobras foi se aperfeiçoando nesse sentido e o espaço foi ficando mais aberto. P/1: E os homens aceitavam bem vocês ou não? R: Aceitavam. Claro que quando chegava uma mulher naquela época, era novidade no campo, mas quanto a isso, aceitação era boa. P/1: Elenice, conta para gente então, alguma história marcante que você tenha vivido aqui, uma história engraçada, enfim uma história que você considere importante nessa trajetória aqui na empresa? R: Uma história assim..., que..., marcante, importante, foi a oportunidade que tive de ser instrutora em Educação Ambiental, no início era chamado de programa em Educação Ambiental, o PEA, depois ampliou para Educação e Segurança, Meio Ambiente e Saúde, então foi assim para mim um privilégio muito grande, um aprendizado muito grande e despertou em mim a auto crítica, o respeito que a gente tem que ter pelo ambiente, uma empresa do suporte da Petrobras, o cuidado e zelo que ela teria que ter para que ela pudesse ser uma marca registrada, a nível internacional, de respeito, de zelo e cuidado pelo meio ambiente e conhecimento em si. Para mim, foi uma experiência maravilhosa e um dos trabalhos que eu fiz, que eu achei muito prazeroso, foi quando nós tivemos, todo o laboratório se envolveu num trabalho, onde caracterizamos as análises da água, da formação, pendência. Foi um trabalho grandioso que a gente teve que ir ao campo e coletar vários poços de água para que pudesse caracterizar esses poços profundos. P/1: E esse trabalho era feito com os funcionários? Que tipo de consciência? Ambiental? R: Era um trabalho para um banco de dados da Petrobras, para que ela pudesse ver até que ponto estava sendo o impacto dela dentro do meio ambiente e foi muito gostoso, muito prazeroso, muito cansativo, mas pra mim foi muito gratificante, porque era assim, a gente estava avaliando uma água que todo mundo estava bebendo e até avaliando, esse lugar, esse aquífero onde é armazenado a água que é a vida pra gente. P/1: Mudando um pouco de assunto Elenice, você é filiada ao sindicato? R: Sou P/1: Você é sindicalizada? Já ocupou algum cargo no sindicato ou não? R: Não. P/!: Você lembra de algum movimento sindical que você tenha participado ou tenha acompanhado? Que tenha marcado para você? R: Eu participei da Greve de 1995. P/1: O que você lembra dessa greve? R: O que eu lembro que achei mais engraçado é que nós ficamos sem o salário e nós recebemos uma cesta básica, porque, quem não trabalhou não recebeu, mas Graças a Deus, hoje, a gente tá recebendo esse perdido, esse salário que na época nós não recebemos. P/1: Elenice, você acha que a relação do Sindicato com a Petrobras mudou? R: Eu acredito que mudou, eu acredito que mudou muito, muito... P/1: O que assim, você acha que tenha mudado? O que que a senhora vê diferença do período que a senhora entrou para hoje? R: As pessoas que se envolviam com o sindicalismo que participavam de greve, as pessoas que lutavam pelas melhorias de salário, condições de trabalho, elas sempre eram vistas com desdém, né, com o tempo eu fui percebendo que a gente ficou mais aberto, isso mudou a pouco tempo, eu lhe digo que isso mudou depois de Lula, teve uma mudança, depois de Lula, a gente participa sem nenhum problema... P/1: Tem mais alguma história que você queira registar, que você se recorde, assim, nesse período de trabalho? R: Outra história, deixe-me ver se eu me lembro. Não, acho que não. P/1: Elenice a gente está caminhado pro final da entrevista, eu queria saber o que a senhora achou de ter participado do Projeto Memória contribuindo com seu depoimento? R: É um orgulho que a gente sente fazer parte da História da Petrobras e fazer parte da história do país, é bastante gratificante olhar assim para traz e dizer – eu fiz alguma coisa, não só pela minha empresa, mas pela minha nação, só isso... P/1: Ah, que ótimo Elenice, eu queria agradecer muito pela entrevista. Obrigada. R: Obrigada também...
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