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História

Fazendo arte

História de: Eloiza Gomes Rufino
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

Os pais de Eloiza se separaram quando ela ainda era muito nova, de modo que ela e sua irmã foram morar com a mãe na casa dos avós, uma casa em que eles produziam farinha. Dali ela tem recordações boas, de brincadeiras e dos primeiros dias de aula. Mas como ficou muito complicada a situação para a família, a escola foi sempre deixada para segundo plano, e Heloísa só conseguiu, com muita luta, completar aos vinte e três anos. Depois do seu casamento, porém, encontrou um grupo de mulheres que começavam a costurar e a bordar, inventando artigos para venda feitos dessa arte. Heloísa se transformou em uma das criadoras, aqueles que concebem a estética dos objetos que mais tarde serão confeccionados

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História completa

“Com dez anos eu tive que parar meus estudos porque foi ficando difícil para a minha mãe sustentar os três filhos. Na época a patroa falou que era pra eu ir trabalhar, mas todo final de semana eu estaria em casa. Era de uma família lá em Vitória, e minha casa ficava em Itapemirim. Eu fiquei quatro meses sem vir em casa. Na época, nem fui de ônibus, nós fomos assim: entrava no caminhão, do caminhão entrava em outro, e assim por diante. Na primeira semana que eu fiquei lá eu gostei, mas depois a senhora me levou para casa da filha dela. Então era uma criança tomando conta de duas e ainda tomando conta de uma casa. Então aquilo lá foi muito traumatizante na minha vida porque não era nada daquilo que ela tinha falado para a minha mãe e eu não tinha contato com ninguém. Eu sofria muito porque pra fazer comida eu tinha que botar um banquinho na beira do fogão e eles chegavam na hora do almoço e tinham que encontrar comida pronta. Um dia eu peguei a sacolinha de plástico com as roupas dentro e vim embora. A senhora ainda me iludindo, comprando roupa, presente, mas a realidade veio batendo mais forte. Quando eu vim a minha mãe não deixou eu voltar mais. Tinham acontecido fatos, como a morte do meu avô, que eu nem sabia que tinha falecido. Minha mãe falou “Ninguém vai te iludir com nada porque o pouco que a gente tem dá pra gente sobreviver. Não importa se a gente vai comer um feijão com uma farinha ou se amanhã a gente vai comer uma carne, mas você vai estar aqui comigo, você nunca mais vai sair do meu lado”. Foi muito importante mesmo eu ter ouvido aquilo da boca da minha mãe. Eu fui pra escola com cinco anos, mas por causa desses contratempos, e minha mãe separou do meu pai, acabei estudando que nem uma nômade. Fui me formar com vinte e três anos. E quando eu já estava crescida, fiz um estágio no SAAE* e foi muito importante na minha vida, porque tive um reconhecimento das coisas que eu tinha estudado. E lá também conheci meu marido, com quem estou até hoje. E hoje eu faço esses bordados com essas mulheres. Quando começou, eu estava com minha filha de cinco meses e queria algo pra trabalhar. Eu sou a produtora de arte, cria o que elas não bordar, fazer, pra depois a gente vender. É um trabalho, mas também um passatempo, porque esquecemos um pouco os problemas de casa e nos divertimos juntas.

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