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História

Farinha, fubá e beijú

História de: Emília Ramos da Anunciação Pires (Dona Miliú)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/04/2008

Sinopse

Em sua entrevista, Miliu fala sobre sua infância na lavoura, a composição de sua família e o passado de Inhai, cidade onde desenvolve suas atividades. A seguir, comenta a respeito da atividade do garimpo, que no passado movimentou a região. Depois, fala rapidamente de seu casamento e começa a descrever os pormenores de todo o ciclo da mandioca: sua plantação, colheita e os diversos produtos dela subjacentes: fubá, farinha e beijú, entre outros. Por fim, fala de sua participação nas festas locais e revela seus sonhos para o futuro.

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História completa

Nunca quis sair daqui, acho feliz. Acho feliz de estar na roça. O meu dom é isso, nasceu foi pra mexer na lavoura. Porque você vê que dentro de nove irmãos, só ficou eu aqui, mexendo com isso. E os outros, tudo foi embora. E eles ficam me dando idéia“vem bora, vem boa. Não fica ai na roça não”. Sua força toda está aqui. Mas eu não “perai”. Quero realizar o meu sonho é com a lavoura. E ainda quero ainda. Na hora que deus ajudar e eu me aposentar, eu vou arrumar aqui bem arrumadinho, limpa tudo pra tirar essa poeira. Porque quando chove, fica aquele lameiro aqui, né. Então fica muita mão de obra pra mim. Se eu não morrer daqui uns tempos, eu quero...eu quero acabar de arrumar minha casa, cimentar tudo aqui. Comprar uma máquina maior porque desembaraça mais. Porque aqui eu levo horas pra limpar uma a uma. Então comprar uma máquina que ali você rapa a mandioca toda e você lavou, você pode jogar aquele tanto, que some tudo. Ai não, ai leva horas pra eu ralar e ralar. É uma a uma, uma a uma. Então eu quero realizar o meu sonho assim. É de fazer mais um forno, porque ai eu já posso por as pessoas que queiram ajudar, eu já posso. Tenho uma renda boa pras pessoas me ajudar também. Por enquanto, vai ficando só eu mesmo, porque não tem como eu pagar uma pessoa pra me ajudar. Então eu quero realizar meu sonho assim. De criar meu engenhozinho aqui, fazer uma prensa bonitinha, tudo por enquanto é simples mesmo, é antigo. Como a gente começou a vida da gente na roça. Aqui você fica tranqüilo, você fica tranqüilo. Você deita, quando você levanta, você vê só os passarinhos cantar. E você tratando ali dos bichos ali. Então você fica tranqüilo. Aqui já é uma roça. Então aonde eu moro lá, é mais roça ainda. Porque lá só vê os passarinhos cantar. Levanta de manha, vai lá pra casa dos amigos, vai lá pruma horta, você fica tranqüilo. Você não vê de nada. Então você dorme tranqüilo. Só não dorme mais tranqüilo, porque tem a família fora. Você deita na cama, preocupa com um, preocupa com outro, até o sono vir. Mas ai é gostoso. Eu adoro. Quando chega a época de plantar, de quando dá uma chuva, ai já começa. Tem que ir embora pra lá, pra ir plantar. Plantar o milho, plantar o feijão. É gostoso.

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