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História

Família que o coração escolheu

História de: Nataniel Tadeu de Torres Vieira
Autor: Nataniel Tadeu de Torres Vieira
Publicado em: 12/08/2020

Sinopse

Diário de Nataniel Tadeu de Torres Vieira, 26 de julho de 2020. Jornada, dia 4.

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História completa

Meu nome é Nataniel Tadeu de Torres Vieira. Hoje é dia 26 de Julho de 2020, e esse é o quarto dia da minha jornada de sete dias.

Sou uma pessoa de relacionamentos. Todo mundo que deixo entrar na minha vida é relevante ou me deixa alguma lição. Umas, em grau mais profundo, outras, mais superficial. Mas, no geral, todos povoam os meus pensamentos. Parentes, amigos, professores. É difícil escolher uma pessoa porque em cada área da minha história, sempre tem alguns personagens muito importantes. Minha mãe por ser a primeira ligação com esse mundo. Primeiro contato com o cuidado e o afeto. Meu pai, que não está mais entre nós, e pra quem olho no passado e me vejo como reflexo, tanto na aparência quanto nas atitudes.

Mas, vou pedir licença poética e lembrar de um amigo, mais que isso, um irmão. Sempre me apoio no ditado popular que "os amigos são a família que o coração escolhe". De colegas de trabalho, nos tornamos inseparáveis, a "dupla dinâmica"! Ele teve uma briga com a sua família e eu estava junto nesse período. Ele era muito jovem e estava só. Acompanhei e ajudei na sua mudança. E todas as agruras e angústias do fim da adolescência pra se tornar adultos, atravessamos juntos. Estivemos deprimidos ao mesmo tempo e um se ancorava no outro. Dois tagarelas, sempre confabulando sobre o mundo, teorizando filosofias, opinando sobre tudo, debatendo ou concordando, chorando ou caindo no chão com a barriga doendo de tanto rir. Nossa amizade durou 10 anos. Então, ele partiu.

Em Agosto de 2020 faz sete anos desde o seu último sms. Apaguei pra não torturar porque a voz ecoa todos os dias. Por aqui, na mesma. O tempo avança, arrasta e engole tudo. Agora ele não está aqui pra contestar e provocar comigo. Nossas teorias espíritas, astrológicas, agnósticas, existencialistas, angustiantes, novíssima era, cult pra caralho. Às vezes, parece que faz sete dias lembrança-viva-quente, outras, que faz sete décadas névoa-fria-que-confunde. Vida é estranha. Saudade dói. Na carta deixada, a promessa de nos encontrarmos novamente e tagarelarmos pela eternidade.

O que ele deixou em mim, pungente, a consciência nos prós e contras que é se ter esperança.

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