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Família: o alicerce de uma vida

História de: Daniele Gonçalo
Autor: Daniele Gonçalo
Publicado em: 12/06/2020

Sinopse

Um registro como forma de gratidão por toda a trajetória percorrida, sempre em família.

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História completa

Meu nome é Daniele e nasci em Diadema, em 02 de julho de 1995, onde vivi a infância com a minha família, que era composta por meus avós maternos, mãe e irmã e lá permaneci até os meus 12 anos. Tive uma infância muito boa, desde aquele tempo minha família sempre se encarregou de nunca deixar faltar nada para minha irmã e eu.

Morávamos em uma pequena chácara na qual os proprietários eram os mesmos da rede de lojas Marisa. Mas em 2008 a chácara foi vendida e minha família decidiu-se mudar para o Pacaembu, no interior, onde ainda moravam alguns parentes de meus avós. E foi a partir dessa mudança que passei a enxergar a realidade com outro olhar e descobri que de todos os bens que eu poderia ter, a família sempre será o maior.

Aos meus 17 anos o apoio da minha família foi um ponto fundamental para que me transformasse em quem sou hoje: professora. Nesse mesmo ano realizei o ENEM na esperança de conseguir uma bolsa ou um desconto em alguma faculdade, pois na época não tínhamos condições de pagar um curso de Pedagogia, por mais barato que ele fosse. Então, após o período escolar, durante duas vezes por semana me reunia em casa com um grupo de amigos para reforçarmos nossos estudos. Lembro-me que na época nem todos tínhamos acesso à internet, então compartilhávamos os estudos por algumas apostilas e revistas, a mais utilizada por nós era a revista Guia do Estudante, cada um de nós a comprava em temas diferentes e nos organizávamos para estudá-las, no intuito de conseguirmos uma chance no Ensino Superior.

Chegado o dia do exame, minha família se mostrava tão apreensiva quanto eu. Após realizá-lo e esperar pela divulgação da nota, a alegria em minha casa foi imensa ao perceber que com a nota conquistada a possibilidade do ingresso no Ensino Superior se aproximava. Lancei minha nota no sistema do Prouni para as faculdades mais próximas da minha região que dispunham do curso de Pedagogia que por mim sempre foi algo muito desejado.

Algumas semanas depois tivemos o resultado, eu havia conseguido uma bolsa integral em Pedagogia pela Universidade do Oeste Paulista UNOESTE. A euforia da minha família foi tamanha, mal conseguíamos nos conter. No entanto, ainda havia um obstáculo, pois essa Universidade ficava aproximadamente 2h de distância de onde morávamos e por ser um curso noturno não havia ônibus para que eu conseguisse ir e voltar no mesmo dia. Foi então que mais uma vez a minha família me deu apoio. Eles investiram tudo o que tinham para que eu pudesse estudar e manter-me por lá. Mudei-me então para Presidente Prudente, passei a morar em uma república com o auxílio da minha família por aproximadamente um ano, até conseguir emprego em uma escola pública como tutora de uma criança com TEA e assim, consegui me manter por dois anos, até meu contrato expirar.

Nesse meio tempo, tive a maior perda da minha vida até hoje. Meu avô, que para mim se caracterizava como uma figura paterna, faleceu. Foi um grande impacto em nossa família. Emociono-me até hoje ao recordar algumas de suas últimas conversas comigo, quando ele disse que se orgulhava do caminho que eu estava seguindo e que de sua família eu era a primeira a cursar uma faculdade. Essas palavras se fazem presentes em meu coração até hoje. Infelizmente, ele não conseguiu ver eu me formar, mas são dessas suas últimas falas que tiro forças para seguir minha trajetória.

Contudo, ainda faltava um ano para a conclusão do curso e tentei procurar um novo emprego, mas devido a uma crise financeira que o município passou no período de 2016 eu não consegui. Então, novamente, com muito esforço minha família estava lá para me amparar. Em julho de 2017 eu concluo o curso, volto a morar com a minha família e tento conseguir um emprego na área. Mas infelizmente a vida em cidade pequena exerce muita influência de sobrenomes, como eu não nasci na cidade e minha família não possuía um "sobrenome" de lá, por mais que eu tentasse, as chances de trabalho para mim sempre eram negadas.

Durante várias vezes me vi desesperada, pois tinha medo de não conseguir exercer minha profissão e também não conseguir dar apoio para a minha família. Até que consegui ser contratada para cuidar de uma criança com Síndrome de Down, pois os pais eram novos na cidade, trabalhavam e não tinham com quem deixa-la. Eles souberam que eu já havia trabalhado com crianças com necessidades especiais e me procuraram. Minha mãe fez questão de que eu investisse o meu salário em uma pós, ao invés de ajudar em casa, e foi o que fiz. Em 2017 iniciei uma especialização em Educação Especial e Inclusiva, o curso era semipresencial, onde durante um ano os meus sábados eram todos na Universidade. Faltando dois meses para a conclusão do curso, meus patrões tiveram que se mudar e novamente fiquei desempregada.

Durante todos esses altos e baixos, minha mãe, avó e irmã foram meus alicerces, me frustrava com a situação em que eu estava vivendo, pois não queria que apenas a minha família me apoiasse, eu queria ser o apoio dela também e seguir na profissão que sempre sonhei. Portanto, decidi buscar novas possibilidades em um lugar onde fosse reconhecida por quem sou, pelo que faço e não pelo sobrenome que carrego.

Então, mesmo com várias incertezas e expectativas, deixei minha família para retornar a São Paulo e morar com meu pai, com quem não tive convívio durante 14 anos. E apesar disso, desenvolvemos um bom relacionamento, ele, como parte da família, também me apoiou, e esse momento o acolhimento dele foi fundamental, pois finalmente consegui um emprego exercendo minha profissão.

Hoje com muito orgulho e gratidão sou professora de Educação Infantil. Por mais que existissem situações complicadas em meu caminho eu tinha algo que me sustentava para não desmoronar: minha família, pequena e simples, mas cheia de afeto e cuidado compartilhado. Cheguei até aqui graças a vocês e irei além por vocês.

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