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Famíla Reis: o sucesso da Casa do Pão Victoriano

História de: Tássia Ferraz de Camargo dos Reis
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 10/03/2021

Sinopse

A união da família e perseverança, valores que aprendeu desde a infância. O legado da família de origem espanhola, que desde 1942 cria receitas especiais de pães e broas em padarias, se perpetua. Desde o bisavô Victoriano até hoje, com a nova linha de pães pré- assados, a família se mantém em um negócio que traz um orgulho. Tássia aprendeu com o pai, Samuel, que faleceu quando ela ainda era uma menina de 14 anos, a valorizar estar perto da família, ter fé e nunca desistir. Atualmente, a fábrica e loja Casa do Pão se reinventa em novas linhas de produtos, e em novos momentos desafiadores, como a pandemia. Hoje, mãe de um menininho, João, de sessenta dias, Tássia nos inspira a confiar na fé, e a ter amor no trabalho realizado. Afinal, “o importante é permanecer, lutar, perseverar, não desistir nunca”, como ela nos diz.

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História completa

            Meu nome é Tássia Ferraz de Camargo dos Reis. Eu sou nascida em Bauru. Eu nasci dia 08 de dezembro de 1986. O meu pai se chamava Samuel Ferraz de Camargo, e a minha mãe é Shirley de Lourdes Martins Camargo. Meus irmãos são o Adriano, o Samuel e o Eduardo.

            Meu bisavô veio para o Brasil criança. Ele se casou com a minha bisavô - também ela é filha de espanhóis, mas já é nascida aqui, com os pais e os irmãos nascidos lá. Aí eles começaram com o comércio em Jaú, na década de 1930. Eles começaram com uma fábrica de balas em Jaú, e depois de um tempo, em 1942, foram para a cidade de Pederneiras, onde montaram a padaria deles. Quando eles foram pra Pederneiras, levaram a fábrica de balas e montaram a primeira padaria. Mais tarde, a padaria foi transferida para Bauru e veio parar aqui onde estamos hoje. E depois, nós nos transformamos em uma fábrica de pães.

            Eu sempre morei no bairro em volta da nossa fábrica, ali nos Altos da Cidade, sempre em volta do negócio dos meus pais. E a gente sempre teve uma coisa muito forte, que era ir muito cedo pra empresa. Como meus pais tinham a padaria, então eram cinco horas da manhã, e a gente tinha que estar lá. Sempre todos muito juntos, muito unidos. E lá na padaria sempre tinha uma salinha onde a gente ficava, dormia mais um pouquinho, depois ia pra escola. A minha infância inteira, a nossa infância inteira, sempre foi ali dentro da fábrica, mas que na época era só padaria, mesmo. A gente levantava, estava ali, almoçava ali, jantava ali. Ia pra casa só pra dormir, mesmo. E também brincava lá com os coleguinhas da rua, que moravam em frente à padaria. À tarde, ia lanchar na padaria. Então, não tem como tirar da nossa vida a padaria, a história da fábrica. Sempre ali, na Rua Célio Daibem – chegou a ser em outro lugar antes de nós nascermos, mas com os filhos já era ali no mesmo local.

            E é até interessante que a maior parte da vizinhança acabou permanecendo a mesma, porque é um bairro mais antigo, então tem bastante gente hoje que era da mesma época. Quando meu avô Vitoriano faleceu, em 1974, o meu pai, que era músico mas também sabia da profissão, assumiu a padaria junto da minha avó. Mas não era ali ainda, ela ficava onde hoje é a Padaria Trigal. Então, eles foram pra lá, montaram a padaria ali e, depois de um tempo, acabaram indo pra Rua Célio Daibem.

            Eu estudei a maior parte da minha vida no Sesi, que era ali a duas quadras da padaria. Estudei lá da primeira à oitava série, depois eu estudei um tempo no Ernesto Monte e mais tarde no Colégio Adventista, que era ali do lado da empresa também.

            Mas o amor pelo que meus pais tinham, pelo que é nosso, foi uma coisa que os meus pais sempre colocaram na gente. Tinha que ajudar no comércio; íamos pra escola, mas depois voltávamos pra ajudar. Quem ajudou mais, quem trabalhou mais intensivamente ali foram os meus dois irmãos mais velhos, o Adriano e o Samuel. Eu era um pouco menor, então eu ajudava mais na casa, na época de infância. Mas pra gente não era um trabalho, a gente queria estar lá, queria ficar aprendendo. Tanto que o meu irmão Samuel, com dez anos, já sabia fazer alguns tipos de pães, já estava ali com meu pai, aprendendo. O outro irmão meu, que já tinha uns 12 anos, ajudava a cuidar do balcão, pois sempre foi muito comunicativo e gostava de atender. Então, não era um peso, não era um “trabalho”, assim, que a gente vê hoje em dia, porque pra nós era prazeroso estar ali. A gente entendia que aquilo era nosso e que a gente precisava cuidar daquilo. Era muito bom.

            Aí, quando meu pai faleceu, em 2001, ainda era só padaria. Mas em 2004, fechamos a padaria e começamos a trabalhar como indústria, pra vender para os mercados. Agora, no ano passado, nós voltamos com um tipo de padaria também. Na verdade, nós não temos uma padaria hoje, nós temos uma loja de pães, uma loja da fábrica de pães, focada num produto novo, nosso, que é a nossa linha de produtos congelados, pré-assados. Então, a gente reinaugurou a nossa loja em fevereiro de 2020.

            Mudar para fábrica foi uma questão de se adaptar. Eu tinha 14 anos na época, e você tem que saber se adaptar de novo. Mas pra nós foi muito bom. A gente começou ainda com embalagem normal, transparente, não era personalizada como as de hoje. E a gente produzia diariamente e entregava no supermercado, pra eles revenderem os nossos produtos. Então, eles terceirizavam os nossos produtos. Nessa fase, a gente já não atendia mais o público; fechamos as portas, e era tudo lá dentro mesmo, cada dia aumentando mais os pedidos, porque a demanda do supermercado é maior. Mas foi dando tudo certo.

            Aí a gente foi crescendo no supermercado. Fomos introduzindo outros produtos, o supermercado foi expandindo, foi criando outras lojas, e a gente foi crescendo conforme eles iam crescendo. Depois, outros supermercados começaram a procurar, porque viram nosso produto, e a gente sempre trabalhou com um produto bem artesanal, de qualidade, diferente.

            Tem receitas do bisavô, tem receitas do vô e da vó, tem receitas do meu pai, e agora tem receitas do meu irmão. Algumas receitas só foram aprimoradas, outras mantidas como eram, mesmo. Mas o meu irmão sempre lê livros sobre isso - livros do meu pai, do meu avô. Ele está sempre lendo, sempre vendo as receitas que eles faziam.

            A gente, graças a Deus, não sentiu a pandemia no aspecto financeiro, porque nós trabalhamos com alimento, e as pessoas não vão deixar de comer. Elas vão abrir mão de outras coisas. Ainda mais a pessoa dentro de casa: o que ela mais faz é comer, né?  

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