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Explosão no trabalho

História de: Depoimento de Ricardo Souza
Autor: Thalyta Pedreira de Oliveira
Publicado em: 10/06/2021

Sinopse

Ricardo conta como entrou na Petrobras e sua trajetória de atuação em diversos lugares. Também fala sobre o acidente que ocorreu em 2003 enquanto estava trabalhando, o qual foi atingido pela explosão de um gerador de vapor. Ricardo relembra momentos engraçados e marcantes pelos quais passou na companhia. E aborda sobre a importância e conquistas dos sindicatos.

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História completa

Projeto Memória Petrobras

Depoimento de Ricardo Souza

Entrevistado por Jorge Moreira

Mossoró, 15 de fevereiro de 2005 

Realização Museu da Pessoa

Entrevista número CBRNCE 04

Transcrito por Écio Gonçalves da Rocha

Revisado por: Gioanna Zou


P – Boa tarde, senhor Ricardo.

 

R – Boa tarde, Jorge.

 

P – Gostaria de começar essa entrevista com o senhor falando o seu nome, local e data de nascimento.

 

R – O meu nome é Ricardo José de Santana Souza. Nasci no dia 25 de maio de 1964.

 

P – Senhor Ricardo, como é que foi o seu ingresso na Petrobras?

 

R – Meu ingresso na Petrobras, eu fiz o curso em 1984 na cidade de Aracati. E no ano posterior eu fui admitido. Em setembro de 1985 eu ingressei na Petrobras.

 

P – O senhor trabalha em que área? Fala um pouco mais sobre onde o senhor trabalhou, o local de trabalho, como...

 

R – Ok. Eu iniciei na Petrobras no Ceará, em Paracuru, no campo marítimo. Passei quatro anos na plataforma marítima no Ceará. Depois fui transferido pra Fazenda Belém, pro Campo Fazenda Belém. Durante esse período em Belém prestei serviço seis meses na área Sul de Mossoró, no Riacho da Forquilha. Depois retornei à Fazenda Belém novamente e passei nove anos no Alto do Rodrigues, no Campo do Alto do Rodrigues, na (Tepeag?). E durante esse período no Alto do Rodrigues eu sofri um acidente. Passei um ano e meio afastado. E logo depois eu retornei a trabalhar aqui na base de Mossoró, na parte de SMS no Riacho da Forquilha.

 

P – O senhor poderia falar um pouco mais sobre esse acidente?

 

R – Ok. Esse acidente aconteceu no mês de junho de 2003, por volta das 22 horas. Um gerador de vapor veio a explodir durante uma pré operação. Logo o acontecimento, eu realmente fui bastante atingido, chegando a atingir 30% do corpo. Logo de imediato, eu tive os atendimentos na própria base do Alto do Rodrigues, e depois fui encaminhado para o Hospital de Natal, onde por lá passei dois dias. Depois fui transferido para o Rio de Janeiro, para o Hospital da Aeronáutica, onde fiquei por lá 43 dias, totalizando 45 dias de hospital, em regime de UTI (Unidade de Tratamento Intenso). Foi realmente um acidente muito grave, coisa muito rápida, que acidente é coisa que você não prevê. Foi, estava trocando de operação. Tinha tido uma operação antes, de limpeza de linha, de gás. E isso acarretou condensado, que é a mistura de gás com água, pra dentro da câmara de gerador. E quando eu fui colocar o gerador em operação, quando fiz a centelha, acendi a chama. Fazendo assim, uma explosão por alta pressão de gás dentro da câmara.

 

P – O senhor estava sozinho nessa operação?

 

R – Eu estava sozinho. Só encontrava o vigia da estação, mas ele estava distante. Na operação mesmo eu estava sozinho. Mas consegui ficar consciente durante todo o acontecido. Saí correndo. Eu mesmo consegui apagar as chamas do meu corpo, caí no chão, saí rolando pelo chão. Conseguimos abafar a chama e controlar a queimadura.

 

P – Então essa é a lembrança mais marcante que o senhor tem.

 

R – Olha, é tão marcante que ficou pra mim, infelizmente, na Petrobrás, foi essa.

 

P – O senhor, agora pra falar de uma coisa mais amena, na sua, você lembra de alguma história, algum caso mais marcante? Pode ser sobre um acidente, alguma coisa engraçada que aconteceu nesses anos de Petrobras?

 

R – Olha, Jorge, sempre que a gente entra na Petrobras, naquele tempo que eu entrei, há 20 anos, a gente sempre saia do colégio para trabalhar. Então, eu me lembro de uma coisa muito marcante que ficou, até engraçado, com um amigo meu. Foi embarcado em Paracuru, na Plataforma de PXA 1. Um amigo meu, saímos do horário juntos, meio dia, pra tomar banho pra almoçar, e alguém utilizou o banheiro antes dele. Lá o chuveiro é aqueles chuveiro da cabeça giratória. Então, quem utilizou o chuveiro antes girou o chuveiro para a parede. E quando o meu amigo foi tomar banho, quando abriu o chuveiro, o foco d’água estava toda pra parede. E ele não sabia como voltar a posição do chuveiro pra posição normal. Então ele encostou as costas na parede e ficou jogando a água da parede pra cima do corpo. E isso aí realmente ficou um negócio marcado, que ficou um negócio marcante. Sempre que a gente, que entra alguém da empresa assim, que a gente conversa, a gente sempre toca nesse assunto. Realmente ficou assim um marco engraçado.

 

P – Sr. Ricardo, o senhor é sindicalizado?

 

R – Sou sindicalizado.

 

P – O senhor já exerceu algum cargo no sindicato?

 

R – Não, nunca exerci um cargo no sindicato.

 

P – E sobre o sindicato, como é que o senhor avalia a atuação do sindicato aqui?

 

R – O sindicato realmente, embora alguns críticos comentavam devido ao nosso atual presidente ser sindicalista, muitos alegam que o sindicato está um pouco acomodado, coisa que eu discordo. Eu acho que pra tudo tem a hora certa e o momento certo. Então, eu acho que tudo bem. Aqueles movimentos que a gente fazia, mais tipo radicais, tudo bem, aquilo acabou. Hoje a gente não chega mais nesse ponto. Mas, na minha opinião, o sindicato na região tem atuado o suficiente pra nos atender no que precisa.

 

P – O senhor saberia dizer quais as lutas mais importantes do sindicato? Quais foram as maiores conquistas aqui?

 

R – Pra mim a maior greve que nós fizemos durante a história da Petrobras foi a greve de 1995, no tempo do FHC (Fernando Henrique Cardoso). E o sindicato conseguiu. Hoje nós estamos recebendo os dias que nós perdemos naquela época, estamos recebendo as férias daquela época. Quer dizer, foi tudo, perdemos naquela época, mas hoje estamos repondo tudo. Então isso aí foi uma luta do sindicato junto com a categoria. Porque o sindicato somos nós.

 

P – E como é que o senhor vê a relação sindicato / Petrobras?

 

R – É muito boa. Com essa nova política aí, essa nova gestão, realmente ficou uma porta muito aberta entre sindicato e empresa.

 

P – Sr. Ricardo, eu queria saber o que o senhor acha de ter participado do Projeto Memória Petrobras. O senhor quer deixar algum...

 

R – É, eu achei bom porque sempre é uma experiência. Você está sempre ajudando, se ajudando. Então, quando eu estou aqui, eu agradeço por terem me convidado pra participar disso aqui. Realmente gostei bastante. E achei realmente muito proveitoso.

 

P – Sr. Ricardo, então obrigado pela participação, pela entrevista.

 

R – Obrigado digo eu.

FIM DA ENTREVISTA

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