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Explodir o Viaduto Santa Teresa

História de: Rafael Conde
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 29/01/2020

Sinopse

Rafael fala de sua infância na Savassi e de como o bairro se estruturava nos anos 1960. Fala da fazenda de seu avô e das viagens à casa de praia da família. Conta também sobre os LP’s de seus pais e de suas idas ao cinema, ainda novo, ativando seu amor pelo cinema e pela imagem. Fala sobre sua opção por Economia na UFMG e do Cineclube Face, montado na faculdade em plena ditadura militar. Em seguida, fala sobre sua estadia em São Paulo (no Conjunto Residencial da USP) e o mestrado na ECA na área de cinema. Conta sobre seus primeiros curtas, viabilizados por concursos, sua vida curta na área de propaganda e seu retorno a Belo Horizonte, agora como professor da UFMG na área de cinema. Comenta detidamente a produção de seus filmes, em especial A Hora Vagabunda, Samba Canção e Fronteira.

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História completa

Cinema e cidade talvez tenha muito a ver, talvez porque é a minha cidade que instiga, e acho que Belo Horizonte, particularmente, tem sempre esse problema com a urbanidade. Esse problema de ser uma cidade grande, mas não é grande. É metrópole, mas é província. Essa questão é muito presente para o belo-horizontino, acho que muito também por essa proximidade de Rio e São Paulo. Então, as pessoas aqui vão embora, se formam e tal, nessa coisa profissional, mas Rio e São Paulo chamam muito. Então, acho que a minha relação com Belo Horizonte é isso: "Pô, voltei". "Vai ficar morando em Belo Horizonte". As pessoas têm muito isso. Todo mundo tem uma coisa com Belo Horizonte, tem aquela brincadeira, como é? "Rio para passear, São Paulo para trabalhar e Belo Horizonte para morar". Acho que é isso mesmo. É uma cidade tranquila, mas é uma cidade muito árdua profissionalmente, principalmente para essa nossa área, artes, audiovisual… Porque para se estabelecer você está muito à sombra de Rio e São Paulo. Em qualquer dificuldade, você vai embora. Eu acho que é um dado presente em várias áreas. Falta o mar aqui, não é? Mas é uma cidade muito agradável, eu gosto muito de Belo Horizonte. Meu filme, A Hora Vagabunda, era pra falar disso, da cidade, de três artistas: uma atriz, um diretor de cinema e um músico, que se encontram e tem aquela coisa da Rádio Bip, que era uma coisa interessante. Hoje, sei lá, essa juventude nem sabe o que é Rádio Bip, mas lembro que no filme tinha Chico Science, “uma cerveja antes do almoço”, essas coisas. Então, acho que foi bem representativo do que era a cidade naquele momento. Ele é todo filmado na rua, principalmente quando explode o viaduto… Então, é tudo BH mesmo. Isso era um ato de protesto e o Drummond falou muito disso: subir o viaduto. Em vez de passar pela rua, subir pelos arcos. Aqui, tem um poeta de BH - Rômulo Paz - que fala: subir Bahia e descer Floresta, que é aquele circuito da rua da Bahia - e passa pelo viaduto. Então, tinha essa ideia de explodir o viaduto para as pessoas não irem embora, digamos assim, para não ter a passagem. Era o ato de explodir o viaduto para as pessoas deixarem de sair da cidade, poderem ficar aqui e fazer cinema e Arte aqui. Uma metáfora do filme. Aliás, o título também é um verso do Drummond - A hora vagabunda é a hora do cinema. Fala: A hora do cinema, hora vagabunda, que se esquece do amor. É um verso de um poema dele.

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