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Experiências de uma vida

História de: Pedro Herz
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/10/2014

Sinopse

Pedro Herz nasceu em São Paulo, capital. É Presidente do Conselho Administrativo da Livraria Cultura. Em seu depoimento narra como os Correios sempre permearam sua vida, desde o carteiro Mário que entregava correspondências em sua casa na Avenida Lorena à importância dos Correios como meio para que qualquer produto vendido pela internet chegue ao consumidor.

 

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História completa

Meu nome é Pedro Herz. Eu usei bastante os Correios, usei telegramas, declaração de amor por telegramas, saudades... Essas coisas assim... Eu me lembro até do gosto ruim do selo, porque tinha que comprar o selo no Correios, passar na língua (risos), e colar em cima do envelope. Por que não faziam um sabor morango, por exemplo, na cola? Era o meio de comunicação disponível na época, desde de que fui alfabetizado e isso aconteceu na década de 40. Não havia outra coisa. Havia o telegrama, as viagens ao exterior de mandar cartas para os pais. Não tinha e-mail, a gente mandava cartas para os pais, comprava um livro, mandava o livro pelo Correio... Correio era um meio de transporte das mensagens e dos conteúdos. Enviava um livro para a minha mãe, para o meu pai. Eu lembro do carteiro que entregava correspondência na minha casa, lembro até o nome dele, Mário. Mário era o carteiro que trabalhava, fazia entrega da correspondência na Alameda Lorena. Ficávamos esperando uma correspondência! Ele era uma pessoa aguardada com ansiedade, a gente ficava no portão esperando: cadê o Mário, cadê o Mário. Será que ele vai trazer notícias? Era uma pessoa extremamente importante e amigo, amigo de todos porque conhecia, satisfazia as ansiedades de todo mundo: dos vizinhos que estavam esperando, de nós mesmos. Hoje o carteiro é uma pessoa desconhecida, porque a correspondência é entregue no prédio, o prédio faz a entrega para as residências, para as empresas. Mas nós conhecíamos o carteiro, o Mário, eu lembro dele direitinho. Telegrama a gente usava em situações emocionais, digamos assim. Ou cumprimentando alguém, ou se declarando a alguém a nível pessoal ou cumprimentando alguém pelo falecimento, uma família. Enfim, a gente usou bastante esse meio de comunicação. Hoje é mais raro a gente mandar um telegrama, mas nós usávamos bastante para cumprimentar alguém pelo aniversário, externar os sentimentos para uma família que perdeu alguém... Eu posso contar o fato de uma vez que eu recebi a visita de um tio que não morava no Brasil e no Brasil quase não havia chiclete e eu gostava de chiclete, eu era um moleque e gostava de chiclete. Os meus tios chegaram para mim: “eu vou te manda um pacote de chiclete”. Fizeram um pacotinho, compraram lá três, quatro chiclete, embrulharam, enfiaram no pacote e claro que isso caiu na alfândega e eu ansioso para comer um chiclete americano que não havia aqui, (risos). E eu tive um trabalho infernal pra conseguir, (risos), me apoderar desse pacote, isso me chateou bastante porque eu estava muito ansioso pra comer, mastigar esse chiclete, (risos), o que demorou muito, levou um mês para eu conseguir... Ainda bem que não era perecível. Eu me lembro uma vez, eu estava na Europa, na Suíça, quando o Boris Pasternak ganhou o Prêmio Nobel com “Doutor Jivago”, e minha mãe queria por na biblioteca, o livro havia saído na Alemanha, eu comprei dois exemplares e pus no Correio, mas isso de lá pra cá. Isso eu me lembro bem porque tinha que chegar logo, as pessoas queriam muito ler. Nós tínhamos a biblioteca circulante, então eu me lembro desse fato, embrulhar o livro... Mesmo na minha primeira Feira de Frankfurt, eu cheguei lá e comecei coletar catálogos. Eu carregava um peso infernal e a noite eu ia no Correio para postar aquilo que eu coletei durante o dia. Não havia uma agência de Correio, mesmo na Alemanha, que eu pudesse postar aquilo que eu coletei, porque ninguém me conhecia. Então eu levava no Correio, arranjava uma caixa, embrulhava, amarrava e mandava por via marítima porque aéreo era muito caro. Os catálogos chegavam aqui depois de dois, três meses, mas chegavam e eram importantes instrumentos para a gente trabalhar. A Internet pra nós começa em 1994, ainda quando não era Internet, era uma BBS, chamava-se, era sigla de BBS Bulletin Board System que é um pouco antecessora da Internet, apesar de a Internet já ter sido utilizada durante a guerra, nos meios militares de comunicação, nós passamos a utilizá-la comercialmente em 1994. Somos os pioneiros no Brasil e desde então é uma coisa que não para de crescer. E quando começou era uma dificuldade, dificuldades... A tecnologia evoluiu muito, tudo era complexo, era difícil e as coisas hoje continuam sendo difíceis, mas se modernizam a cada dia. Cada dia tem uma coisa nova. Eu costumo dizer que se funciona é obsoleto. O Correio sempre foi um meio que qualquer empresa e nós também utilizamos muito para que o nosso produto, aquilo que vendemos, chegue ao consumidor. A internet foi uma maravilha porque a livraria conseguiu chegar em qualquer lugar do mundo, o que não tinha antes. Hoje em dia a livraria é uma livraria que está presente mundialmente, em qualquer lugar, para qualquer pessoa. Brasileiros que residem no exterior podem comprar livros em português com toda facilidade. Isso acontece diariamente. Isso foi uma coisa muito importante. O fluxo cresceu. Inegavelmente cresce, a cada dia que passa mais gente tem acesso à internet e consequentemente esse volume cresce. Hoje eu posso dizer que a internet é praticamente a nossa primeira loja. O comércio eletrônico é para nós uma coisa muito importante. Durante algum tempo foi a segunda loja, agora cresceu porque mais gente tem acesso, tem computadores e se utilizam disso. E onde não estamos presentes fisicamente, é a ferramenta de uma utilidade ímpar.

 

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