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História

Eu sou um sortudo

História de: Rivaldo Pinheiro Tomás
Autor: Ana Paula
Publicado em: 19/06/2021

Sinopse

A entrevista narra o percurso de vida de Rivaldo Pinheiro Tomás, que conta sobre sua vida de embarcado na Petrobras.

História completa

Projeto Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Rivaldo Pinheiro Tomás Entrevistado por Cláudia Fonseca Macaé, 02 de junho de 2008 Código: MBAC_CB001 Transcrito por Maria da Conceição Amaral da Silva Revisado por Marconi de Albuquerque Urquiza P/1 – Eu queria começar a entrevista, Rivaldo, com você nos dizendo o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento. R – Rivaldo Pinheiro Tomás. Eu nasci no ano 1949, entendeu, 08 de junho de 1949. P/1 – Tá pertinho do aniversário, né? R – Pertinho. P/1 – Já é a semana que vem, né? R – Isso. P/1 – Isso. E, Rivaldo, você, qual é a tua formação? R – Primeiro grau. P/1 – E como é que você entrou na Petrobras? R – Em 1979, foi um concurso para auxiliar de portaria e eu fui avisado por um irmão meu. E fiz o concurso, fiz a prova, fui contemplado e entrei no dia 1 de abril de 1980. P/1 – 1980. A Bacia de Campos estava no comecinho. Você já entrou aqui nesta unidade, Rivaldo? R – Nessa unidade. P/1 – Bem no comecinho então? R - É que a Petrobras antigamente, antes de ser dividida em gerências, era formada em três distritos: era RPSE, que era Região de Produção do Sudeste, que era mais a área Administrativa. DPSE, Departamento de Perfuração do Sudeste, que era o Departamento de Perfuração. E DESUD, que é o Departamento de Exploração do Sudeste. Aí houve a mudança para... teve uma mudança geral para gerências. P/1 – E, Rivaldo, você disse que foi avisado por um irmão seu. Esse irmão já trabalhava na Petrobras? R – Já. Ele já tinha um mês de Petrobras. P/1 – E ele trabalhava onde? Você lembra? R – Ele entrou por Vitória. P/1 – Por Vitória. R – Por Vitória, 30 dias de Vitória. Depois começou a ser habitado aqui em Macaé, a Petrobras, e ele já veio para Macaé. P/1 – E o que é que ele te dizia, assim? De repente ele chegou para você e falou: "Rivaldo, vai lá fazer o concurso"? Ele contava coisas boas da Petrobras? R – Já contava coisas boas. Ele, quando me avisou, trabalhava de segurança numa firma do Rio, no próprio escritório da Petrobras, próximo do Banco do Brasil. Foi onde ele me avisou do concurso. E eu prontamente vim e fiz a inscrição, que era feita fora ali. Aí fiz em 1979 o concurso para auxiliar de portaria. P/1 – E nessa época você morava em Macaé ou você ainda estava... R – Já morava em Macaé. P/1 – Então, qual foi o impacto quando você chegou aqui para fazer essa inscrição? O que é que você viu aqui? Você lembra o que você sentiu? R – Lembro muito bem, como se fosse hoje. Para mim foi um impacto muito grande porque eu fiz a inscrição, foi marcado o dia da prova. E foram 25 inscritos. Aquela época foi o início dos concursos da Petrobras, foi assim que começou a Petrobras, foram 25 pessoas inscritas, candidatos inscritos e passaram 15. E eu fui o oitavo a ser chamado. P/1 – E o primeiro dia de trabalho, você lembra? R – Lembro. P/1 – Conta para a gente o primeiro dia de trabalho. R - Um pouco de ansiedade porque eu era... antes eu trabalhava como gerente de supermercado, e uma coisa para mim nova. Uma coisa totalmente nova eu sair de gerente de um comércio, né, e passar para auxiliar de portaria. Que quando eu fiz o concurso para auxiliar de portaria, eu achava que auxiliar de portaria era trabalhar em portaria. Mas não é. Era um serviço de mensageiro. Trabalhar com protocolos, receber documentos, entregar documentos. Ir de sala de secretária para secretária, de sala para sala. Então foi uma coisa totalmente diferente daquilo que eu pensei. Eu pensei que o auxiliar de portaria fosse trabalhar numa portaria. P/1 – Controlar a entrada de pessoas e não foi isso. R – Controlar a entrada de pessoas, é. P/1 – Então você andou tudo isso aqui? R – Tudo, tudo. P/1 – Como que era? Não tinha nada, o que é que tinha? R – Era bem... P/1 – Tinha um prédio já, alguma coisa? R – Só tínhamos o prédio aqui em frente, que é em frente ao CPD aqui, onde está sendo feita a entrevista, que teria Bloco C, A, B, C, D e E. Hoje não, hoje está bem mais, ampliou geral, entendeu? P/1 – É. E então você andava por tudo? R – Tudo. P/1 – Tinha muita gente trabalhando? Tinha gente de fora? R – Tinha os, bastante gente de fora, mas não como hoje, né? Hoje, realmente, triplicou o número de pessoas de fora. P/1 – Essas pessoas de fora eram estrangeiros? Como é que era? Ou era... R – Não. Algumas pessoas estrangeiras, como assim que a Petrobras entrou em Macaé, já tínhamos alguns gringos, né, vamos dizer assim. Mas era mais estado do Rio. P/1 – E você hoje faz o que, Rivaldo? R – Hoje eu sou auxiliar de apoio administrativo. P/1 – Mas é que também é uma atividade bem diversificada, né? R - Eu trabalho com, na área de Plotagem, e área dos Contracheques de toda a Bacia de Campos, Etiquetas. Plotagem são mapas de toda a Bacia de Campos. E os Contra-Cheques também é mensal de toda a Bacia de Campos. P/1 – Quantos trabalhadores têm aqui, Rivaldo, da Bacia de Campos? R – Olha eu não tenho, hoje não porque... P/1 – Isso é bem variado, né, esse número? E, Rivaldo, me diga uma coisa: você está aqui há 28 anos? R – 28 anos. P/1 – Então dos 31 quase que a Bacia de Campos vai fazer, né? Qual o maior desafio que você acha que a Bacia enfrentou nesse tempo todo? R – O maior desafio? Eu acho que o maior desafio foi chegar aonde a Petrobras chegou. De muita luta, né, muito trabalho, muita dedicação dos funcionários, dos empregados. É onde chegou, esse é o maior desafio, com certeza. P/1 – Você acha que teve assim um momento de uma dificuldade muito grande que vocês tenham sentido? Vocês, eu digo, os trabalhadores da Bacia de Campos, algum momento sentiram uma dificuldade muito grande? R – Não, dificuldade assim, não, não. Nenhuma dificuldade. A Petrobras sempre foi honesta naquilo que fez, entendeu, com os seus empregados, e sempre procurando o melhor para os seus empregados. Dando a máxima atenção em termos de salário, de promoções de níveis, aumento por mérito. Então no meu caso não tive dificuldade nenhuma. P/1 – E um momento marcante? R – Foram 30 anos da Petrobras em Macaé. P/1 – Foi marcante? R – Foi marcante. Teve eventos, teve festas lá no Centro de Convenções. Esse foi o momento marcante. E outros dois momentos marcantes também foram meus 10 anos de Petrobras, e 20 anos de Petrobras. No qual a gente recebe sempre uma homenagem de todos os funcionários que fazem 10 anos, todos aqueles que fazem 20 anos. A gente recebe uma homenagem sempre no Clube Cidade do Sol, tem um evento que entregam medalhas, ou alguns brindes. P/1 – Isso é importante, né? Isso é sempre importante. E, Rivaldo, nesse tempo todo, nesses 28 anos, o que mais mudou? Porque você nessa questão até de mensageiro, nem sei se essa função ainda existe hoje, né? R – Existe. P/1 – Existe? R – Existe, mas hoje quem faz essa função é contratada, firmas contratadas. P/1 – Mas o que mais mudou nos equipamentos que vocês usavam? R – Muita. Mudou muita. Antes nós trabalhávamos com máquinas de escrever. Hoje é tudo informatizado. A diferença é muito grande toda a Petrobras de 1980 para a Petrobras de hoje. A tecnologia tomou conta da parte administrativa, do controle de toda a área da Petrobras, todo serviço a parte de informatizada, é tudo computador. Então a mudança foi muito grande. P/1 – Você se adaptou bem? R – Muito bem. P/1 – Não teve.... R – Muito bem. P/1 – Que bom. E um causo da Petrobras aqui da Bacia de Campos? Uma história engraçada? Deve ter várias, vá? R – Mas eu acho... Tem várias, tem várias, mas para se lembrar de uma, é até meio difícil. Mas não me recordo assim que tenha um caso assim... A gente vê muitas coisas em termos de tristeza, vamos dizer assim. De acidentes.... P/1 – Mas conta então para a gente. R – São esses acidentes, né? Do que houve nas plataformas: Enchova, P –-36, aquela plataforma que afundou, que houve muitas mortes. P/1 – Isso atinge vocês, Rivaldo, mesmo... Porque às vezes a pessoa tem a impressão que o pessoal que trabalha mais em terra não se sente, mas atinge vocês? R – Como? P/1 – Esses acidentes assim também? R – Há, já. O acidente da Petrobras em plataformas, em helicópteros, já são desde o início da Petrobras. Eram bem menos. Hoje ele acontece mais vezes, com mais frequência, vamos dizer assim, mais vezes. P/1 – Isso abala os trabalhadores de uma certa forma? R – Abalam, com certeza abalam. Porque são amigos, são colegas de trabalho que perdem a vida para um, entendeu, para esse, esse, entendeu? Com esses helicópteros que sempre tem uma hora que dá um probleminha. Problema, às vezes, de cair no mar e matar pessoas, que às vezes não tem, não tem onde muito recorrer. P/1 – E, Rivaldo, em que momento desses 28 anos da sua trajetória você sentiu que a Bacia de Campos tinha dado certo? R – Os dias foram passando e a gente foi vendo a evolução, o crescimento da Petrobras. É uma empresa que, realmente, ela cresce a cada dia que passa. Em termos de produção, perfuração, pelo que eu entendo, pelo meu conhecimento, eu acho que cresceu muito e vai crescer muito mais. P/1 – Você acha que esse é o futuro, é um crescimento... R – Esse é o futuro. P/1 – ...sempre.... R – Sempre, sempre crescendo muito. A tendência é muitas vagas, muito emprego, calculadas aí 14 mil vagas até 2010, né? Pelo que eu vi anunciando, 2012, a coisa assim. Muitas vagas, muitos concursos. Então a tendência é crescer muito ainda. P/1 – Você trabalhou com muita gente de outros estados? R – Muito, muito, uns casos assim de amigos, muita amizade, muito, tem muita coisa para contar. P/1 – E como é que é esse relacionamento mesmo, digamos que, venha um paulista, um capixaba, esse relacionamento é bom? R – Muito bom, muito bom. As pessoas são tratadas, aqui na Petrobras, como se fosse de dentro de Macaé, fosse do estado do Rio, vamos dizer assim. Todos são bem tratados. E a amizade dentro da Petrobras, em termos de empregado para empregado é muito boa. O relacionamento é ótimo. P/1 – Que bom. O que é que é ser petroleiro, Rivaldo? R – Eu diria que, na minha situação, pelo grau de estudo que eu tenho, é ser um sortudo. Pelo que eu sou hoje, pelo que eu tenho hoje, pelo que eu fiz na minha vida pela Petrobras, o que eu tenho hoje eu devo muito à Petrobras. P/1 – E o que é que você acha dessa ideia de fazer um projeto ouvindo as pessoas? R - Muito bom, muito bom, muito bom mesmo. Isso aí é uma coisa que vocês estão de parabéns, porque isso aí é um projeto muito bem bolado. Como vai ter muita gente vindo aqui, dando o seu depoimento, é, realmente, muito bom, muito bom mesmo. P/1 – Então tá bom. Rivaldo, muito obrigada pela sua entrevista, pelo seu tempo. R – Sempre às ordens. P/1 – Tá? Estamos aqui. R – Quando quiser estou à disposição. P/1 – Tá bom, obrigada, Rivaldo. -- FIM DA ENTREVISTA --
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