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História

Eu sempre fui fanático por futebol

História de: Alan Libardi Baptista
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 02/11/2014

Sinopse

Alan Libardi Baptista é filho de torcedor do Fluminense, mas por influência de um tio, e desgosto do pai, acabou tornando-se vascaíno. Na infância e adolescência sonhava em ser jogador de futebol e chegou a jogar na Copa Gazetinha do Espírito Santo, pela Leão Esporte Clube. Aos 16 anos percebeu que não se tornaria profissional e passou a encarar o futebol como lazer. Quando terminou o ensino médio não tinha ideia do que fazer de faculdade, e inspirado por familiares decidiu-se por agronomia. No dia em que apresentou seu trabalho de conclusão de curso foi indicado para uma vaga de gerente geral na Fazenda Modena, cargo que ocupa até hoje, lidando com a cultura de café.

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História completa

Alan Libardi Baptista. Nasci no dia 27 de janeiro de 1989. Nasci aqui em Linhares, no Espírito Santo. Meu pai é Nereu Benedito Baptista, 12 de maio de 1958. Nasceu natural de Linhares também. Minha mãe é Dulce Maria Libardi Baptista, nove de março de 1963. Nasceu em Linhares. Hoje atual Sooretama. Meu pai é representante comercial, trabalha já tem mais de 30 anos na área. Ele vendia alimentos, né? Produtos pra supermercado, essas coisas assim. Essa área de alimentação mesmo. A minha mãe era bancária, minha mãe é falecida, e ela era bancária depois ela ficou aposentada por invalidez. Meu pai é um espetáculo. É um cara brincalhão até, mas muito sério nas coisas dele. Gosta de ter pessoas em volta dele, gosta muito de crianças, gosta mesmo de ser família assim. É um cara muito bacana. A minha mãe, na época que a gente viveu com ela, minha mãe sempre foi mais carinhosa, mais meiga, aquela mulher de casa mesmo, que cuida, zeladora das coisas, né? Uma mulher também muito amada.

Olha, a casa que eu passei a infância até hoje é a minha casa, né? Com algumas diferenças, porque era casa de conjunto habitacional antigo, então, era casa bem pequena. A minha infância foi sempre na rua brincando com os meus amigos, brincando mesmo, com as minhas atividades, indo pra escola, que era perto da minha casa. Então, era muito pequenininha. A minha casa era pequena, eu e minha irmã dormíamos juntos porque eram dois quartos naquela época ainda, era tudo pequenininho. E aí a minha infância foi sempre divertida, bem alegre. Meu pai sempre me deu liberdade de ficar na rua, mas naquela época era mais tranquilo assim. Era muito pique-pega, pique-esconde a gente brincava muito. Pique-bandeirinha, né? Futebol, garrafão. Também tinha um bairro do lado que estava crescendo o desenvolvimento, a gente ia muito brincar de bicicleta, de rampinha. Era muito arteiro. Carrinho de rolimã, a gente já chegava na época já de carrinho de rolimã. Era bem bacana, bem legal.

Eu sempre fui fanático por futebol. Desde pequeno eu fazia escolinha de futebol, jogava bola. Meu pai sempre me lembra, quando eu era pequeno o meu pai, a primeira coisa, um dos maiores presentes que ele deu foi a camiseta do Fluminense, quis que o seu filho fosse fluminense. Depois apareceu o meu tio que é o meu padrinho hoje, que foi lá e começou a me encher de dengo, encher de bola, de camisa do Vasco e tudo mais, hoje eu sou vascaíno. Aí toda vez, qualquer lugar que o meu pai vai, falam: “Ah, o seu filho é o quê?” “Meu filho é vascaíno.” “Mas você é fluminense então...”. Aí começa a contar aquela história toda. É uma coisa que sempre fica, é um detalhe. Eu gosto do futebol do Edmundo. Pela raça, pela garra. Ainda mais porque eu peguei a época de 98, a época de títulos do Vasco, então sempre foi tipo assim, foi um diferencial pra mim, né? Eu sempre, até os 14 anos, eu tinha um sonho querendo ou não de ser jogador de futebol. A gente cria. Eu treinava numa escolinha de futebol, aí tinha uns campeonatos na cidade, no estado, a gente sempre viajava. Então, eu era muito focado. Segunda, quarta e sexta treino, final de semana viajava. Eu sempre tive esse vínculo de amizades, tipo assim, em torno disso daí. A escolinha antes era Linhares, depois virou Leão Esporte Clube. Participava da Copa Gazetinha, que é um campeonato aqui do estado. Aí sempre jogava fora, jogava nas cidades vizinhas. Já fui pra longe no sul do estado. Então era diferenciado assim. Olha, joguei até... Com 15. Terminei com 15. Quando eu ia fazer 16 eu parei. Quando eu ia fazer 16 eu parei, eu vi que realmente não tinha futuro, não. Era só mais um lazer. Olha, eu lembro um jogo de futebol lá em Pedro Canário que era as fases finais pra gente ir pras quartas de final em outra cidade, que era oitavas, depois você ia pras quartas. Era um jogo nosso marcante no futebol que eu lembro até hoje. Eu era sub-14, 15 que eles falavam. Acho que era 12, 13 naquela época ainda. Por eu ser grande, eu lembro eu era até o capitão e eu era um zagueiro talvez alto, assim. Aí daqui a pouco a gente ganhou o jogo de um a zero, era a cidade Pedro Canário, na divisa com a Bahia ali. Na hora que a gente ganhou o jogo era tipo assim, quem ganhava ia pras finais, pras quartas, lá em outra cidade. A gente ganhou de um a zero. Por ter ganhado eles ficaram com muita fúria, então os pais, não sei se eram os pais ou se eram amigos, não sei se é a cultura deles, daqui a pouco a gente teve que sair correndo porque começaram a apedrejar o nosso ônibus querendo arrumar briga com a gente. A gente saiu feliz, mas corrido da cidade, apreensivos, e fomos embora. Deu nisso.

Depois que eu terminei o meu ensino médio eu não tinha pensado no que fazer de faculdade. A minha família, até me esqueci de falar, minha família tem sempre amigos que vieram de fora, trabalhavam numa empresa na reserva natural daqui da cidade, aí eles eram engenheiros agrônomos, engenheiros florestais. Aí eu falei: “Não, vou fazer Engenharia Florestal, pensou? Poxa, como deve ser legal e tal”. Querendo ou não você espelha em alguma pessoa. Eles eram bem de vida, pessoas tranquilas assim, eu falei: “Vou tentar fazer”. Aí eu pensei em fazer Engenharia Florestal, mas eu também não fiz uma inscrição, porque querendo ou não o vestibular é intervalo... Assim, no meio do ano do ensino médio, do terceiro ano do ensino médio. Eu nem fiz a minha inscrição, nem fui atrás, mas o desejo tinha, fazer Engenharia Florestal. E a única Engenharia Florestal que tinha no Estado era na UFES. Passou, depois eu nem comecei a trabalhar, aí eu fiquei ainda... Aí logo depois dessa oportunidade que eu pensei, logo quando eu acabei o ensino médio, abriu uma turma de Agronomia na cidade vizinha, em Sooretama que é a cidade do lado de Linhares, daqui da minha cidade. Aí eu falei: “Não. Vai essa mesmo”. Porque agronomia mexe com café, mexe com outras coisas, mexe... Querendo ou não, é um pouquinho parecida com floresta. Eu falei: “Ah, não. Vou fazer essa daí mesmo. Minha família já está engajada em roça, nessas culturas. Vou fazer essa aí”. Mas assim, entrei sem nenhuma perspectiva de nada, de crescimento, o que era realmente. Nunca tinha estudado realmente o que é agronomia, o que estuda. Não. Logo depois que eu fiz a minha matrícula, que eu ia fazer a prova... Melhor, eu ia fazer a prova, o vestibular, aí eu comecei a estudar o que é Agronomia, mas assim, fui no pontapé mesmo, nem imaginei. É aquela história, caí de gaiato mesmo no navio lá e falei: “Vamos ver o que vai dar”. Passei. Comecei a fazer.

Foi engraçado e foi providente, eu falo. No dia que eu fui apresentar a minha monografia um amigo meu... A gente apresentou a monografia, ia apresentar à tarde, seis horas da tarde a banca, e aí três horas da tarde... Não. Nove horas... Três horas da tarde do dia anterior um amigo meu me falou: “Olha, tem um amigo meu me ligou, tá precisando de um rapaz pra ir trabalhar junto com ele e aí vai fazer uma entrevista lá”. Aí no dia da apresentação da minha monografia eu vim na empresa, na fazenda, aí ele tava precisando de uma pessoa pra auxiliar o serviço dele porque tinha muita coisa então ele não tava dando muita conta. Ele queria uma pessoa aqui da cidade, de confiança pra começar a dar continuidade. Até hoje é o meu atual trabalho. Eu sempre falo, no dia que eu ia apresentar a minha monografia eu já comecei a trabalhar, né? Aí é uma coisa até engraçada porque nos sinais, quando tá no oitavo período de faculdade, sétimo, você já pensa em já criar um rumo, especializar-se em alguma coisa. Aí eu falava com... Minha família sempre foi de pessoas.. Família agrícola mesmo. Meus avós, meus tios são cafeicultores. Como eu vi uma região, muitas coisas também, tipo assim: “Ah, eu não quero mexer com café porque já tem muita gente que sabe muita coisa”. Então eu falei: “Ah, vou pra fruticultura, olericultura, vou buscar outra coisa, mas com café eu não mexo”. Na primeira oportunidade que eu tenho, onde eu vou parar? No café. É a hoje, atual, Fazenda Modena. Eu trabalho até hoje aqui, tem dois anos e meio já.

A entrevista de admissão foi com o meu ex-gerente. Hoje eu sou o atual gerente da fazenda e foi com o ex-gerente, ele me deu a oportunidade, eu fui auxiliar dele durante um ano. Já tem um ano e meio que eu estou nessa função também. Aí ele passou pro meu patrão, conheci logo o meu patrão também. Foi muito tranquilo, peguei as coisas muito fácil. Também o desejo de trabalhar pra mim era grande, né? Você sai da faculdade motivado, você sai também com desejo e você entra numa fazenda que você vê que ela tem um potencial muito grande. Aí você começa... Você não tem essa visão, querendo ou não, na faculdade. Você tinha a visão do café, os tratos culturais, como é feita adubação, tudo o mais, mas o diferencial pós-colheita, café de exportação, café de qualidade, aí que a gente abre a mente, falei: “Poxa, interessante”. Querendo ou não você tem um desejo a mais. Café certificado. Onde o Espírito Santo tinha café certificado? Começaram algumas. Apareceu já com o café 4C, mas outros, o Rainforest, UTZ, não tinha. Então, você olhava assim e falei assim: “Que diferencial, né? Na marca”.

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