Busca avançada



Criar

História

Eu queria ter um bezerro dentro de casa

História de: Paulo Gabricho Simões
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 02/11/2014

Sinopse

Paulo Gabricho Simões nasceu em Tupã/SP em 1980. Conta que teve uma educação liberal, numa relação de amizade com os pais. Sempre esteve em contato com fazenda e gado leiteiro, que é uma atividade tradicional na família. Com quatro anos já sabia o que queria ser quando crescesse: médico veterinário. Hoje trabalha dando consultoria a produtores de leite na mesma região onde nasceu.

Tags

História completa

Meu nome é Paulo Gabricho Simões. Nascido em Tupã, São Paulo, 23 do três de 1980. Meus pais chamam Paulo Roberto Bernal Simões, Neide Aparecida Gabricho Simões. Hoje meu pai está trabalhando no sítio com a gente, ajuda no gerenciamento. Minha mãe é do lar, cuida bastante do neto, e meu pai mais no sítio mesmo. Meu pai foi psicólogo, formado em Psicologia. Trabalhou com produção de leite já, nós tivemos sítio anos atrás. Trabalhou com uma empresa de leite, uma indústria de leite também; com vendas de moto, em empresa de vendas de moto, e hoje estamos aqui no sítio. Minha mãe foi costureira. Foi costureira, não acabou a faculdade de Psicologia e sempre trabalhou com costura, a vida toda. Tenho dois irmãos, Marcelo Gabricho Simões. Meu irmão hoje é piloto de Freestyle, de moto. Não lembro se ele foi três ou quatro vezes vice-campeão brasileiro. Esteve na Alemanha agora esses dias, foi campeão numa modalidade de manobras. E minha irmã é esteticista, chama Renata Gabricho Simões.

Interior - Herculândia é uma cidade pequena, sete, oito mil habitantes. E como a gente sempre, voltando na infância, a brincadeira antigamente era diferente. Tudo muito tranquilo, a gente quando criança ficava na rua até dez, onze da noite. Brincava de Queima, Mãe da Rua, bolinha de gude. Era tudo muito saudável, né? E meu pai tinha um sítio também, a gente ia muito pro sítio, desde criança correndo na terra, em pasto, andando a cavalo. E eu lembro quando eu era criança, meu pai fazia muita vitamina. Então era leite com abacate, leite com tudo que é tipo de fruta. Então eu tomava muito. Nessa época a gente já tinha propriedade de leite. Então vinha muito do sítio. Com oito, nove anos, a gente ia pro sítio cedo, passava o dia inteiro. O sítio dava uns oito quilômetros da cidade. Chegava a tardezinha, tomava um banho e ia pra cidade a cavalo. Isso já de noite, em cinco, seis pessoas. Ia, comia lanche, andava na cidade e voltava de madrugada pro sítio, então era bem marcante, umas coisas bem legais.

Educação - Muita amizade, eu fazia muita amizade. E horário de recreio era correria atrás de bola, 15 minutos, 20 minutos e muita amizade. Cidade pequena, então era todo mundo muito unido, se encontrava bastante. Era escola pequena, bastante salas, pouco jardim, e a quadra de futebol, que era onde a gente passava o maior tempo. Aí eu fui pro Objetivo em Tupã. No Objetivo fiz até o terceiro colegial. Tinha um ônibus escolar que levava, da prefeitura. Era um ônibus próprio pra levar os estudantes pra lá. No começo é sempre difícil, ainda era novo, tinha que acordar cedo. Chegava em casa uma, uma e meia da tarde. Mas depois vai acostumando, vai fazendo amizade e vai indo e foi bom.

Escolha - Com quatro, cinco anos eu já decidi que eu queria ser veterinário. Como a gente já tinha propriedade, com quatro anos de idade eu já estava no sítio. Ainda não ia pra escola, então ia todos os dias pro sítio e acompanhava o veterinário que ia, e então daí já despertou já o gosto por animais, despertou daí. É até engraçado. A gente tinha um quintal no fundo de casa, e eu queria ter um bezerro dentro de casa. Então, o pessoal tira sarro até hoje, queria criar um bezerro no fundo de casa e não tem como, cresce. Mas desde moleque gostava de bovinos. No colégio a gente já começa a conversar sobre o vestibular, né? E como eu disse, eu já sabia o que eu queria, era que tinha que ser veterinário e pronto. Então estava estudando, focando pra passar mesmo na Veterinária. Prestei vários vestibulares e acabei entrando em Marília, na Unimar, e com dois anos transferi pra Presidente Prudente, na Unoeste, onde eu me formei. Aí aparecem duas coisas, né? Uma você tem que crescer, tem que ter responsabilidade porque é uma faculdade; e a outra porque vem as festas. Então é bem marcante, mas a gente tem que saber dividir. Teve festas muito boas e estudamos muito também pra conseguir formar, porque não é uma faculdade fácil. São cinco anos bem puxados, mas muito bom. Faz o que gosta e tem as festas, que é muito legal.

Namoro - Ah, sempre tem né, sempre. Teve umas duas, três namoradinhas que sempre aparece. Mas tudo coisa passageira, tudo coisa de criança mesmo. Dois anos depois que eu comecei trabalhar eu conheci minha esposa. Foi em Herculândia mesmo, ela chama Camila. E tudo na mesma cidade e vai numa festa de um, vai na festa de outro amigo, conhece e acabou rolando. Começamos a namorar, casamos depois de dois anos. Casamento é um momento muito especial pra gente. É um amadurecimento a mais. E começa a mudar focos, você já quer ter uma família, já um outro caminho da vida aí, né? O casamento foi na Matriz de Herculândia e depois a festa em Tupã.

Profissão - Férias praticamente não tive, foi fazendo estágio. Fiz muito estágio na faculdade mesmo, sempre em bovinos. Eu acompanhava tanto a parte de gado de leite como de gado de corte. Então com o gado de corte, a gente trabalhava muito com reprodução animal, diagnóstico de gestação, exame ginecológico. E na parte de leite em geral, tanto clínica, cirúrgico, nutricional, sanidade, então é bem completo. Me formei em 2005 e fui trabalhar na empresa que o meu pai estava tocando, empresa de leite. Nós montamos um departamento técnico e eu trabalhava com qualidade de leite, atendimento clínico e cirúrgico, e sanidade animal. Eu passei quatro anos trabalhando em cima disso nessa indústria, fazendo esses atendimentos pros produtores ligados à empresa. Aí comecei a fazer palestras pra entrar um pouco no preventivo e não ficar só no curativo. Palestras de qualidade de leite, palestras sobre reprodução, sobre manejo de pastagem, sobre nutrição. E sempre seguindo a campo, acompanhando, ensinando o produtor a ter menos problemas, a seguir um caminho melhor. Eu saí em 2008 da indústria e fui trabalhar em Penápolis, em outra indústria e no Sindicato Rural também, juntos. E no Sindicato Rural de Penápolis. Eu trabalhei por volta de um ano lá, e nesse um ano eu ia e voltava. De lá eu saí e entrei no Estado, fui trabalhar em Casa de Agricultura. Porque daí eu já mudei um pouco meu foco. Dentro da indústria ainda, o que que eu comecei a enxergar? Que o produtor precisava um pouco mais do que eu fazia, não simplesmente ir lá e salvar um animal pra ele. Ele precisava de dinheiro, ele precisava de recurso, de lucro. Então eu comecei mudar meu foco. Eu comecei pesquisar sobre consultoria em propriedade de leite. Isso já em 2006, 2007. Então comecei a ir em cursos na Embrapa, comecei acompanhar alguns colegas que fazem esse tipo de trabalho, são poucos, né? E aí eu enxerguei e falei: “Não, é isso que eu quero pra minha vida. Eu não quero ir lá salvar o animal, eu quero ir lá e dar uma sustentabilidade pra aquele produtor”. E fui aprendendo, fui estudando cada vez mais, aperfeiçoando, e hoje eu faço essa consultoria e a gente vê que é o caminho. Como eu falei, não simplesmente salvar o animal, isso não resolve a vida dele. Com a consultoria sim, consegue dar sustentabilidade ao produtor. Hoje atendo 22 fazendas. Esse trabalho é mensal, uma visita por mês, a gente passa o dia todo na fazenda. Quando a gente inicia com um produtor novo, a gente chega e sempre tem  bate papo. Pra gente se conhecer, conhecer a família, o produtor, ver o que ele espera do leite, como que está a vida dele hoje. A partir desse diagnóstico a gente senta com o produtor e monta um planejamento, então nós vamos planejar a curto, médio e longo prazo. Até dez anos pra frente a gente planeja a fazenda. Eu tenho um produtor em Bastos, ele tirava média de cinco litros por vaca dia, e com um ano esses mesmos animais passaram a produzir 20, de média. Então ele falava no começo: “Não, eu preciso trocar esses animais, os animais não são bons”. E a gente: “Calma, vamos dar o conforto, vamos dar o alimento”, e a vaca de cinco foi pra 20, então, é surpreendente. Foi até engraçado, nós fizemos ele ajoelhar na frente de uma vaca e pedir perdão, né, porque ele que não tratava a vaca direito.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+