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EU, PROFESSORA: TRAJETÓRIA DE UMA PROFESSORA EM FORMAÇÃO

História de: Liz Helena Mariá
Autor: Maria Jeicilane Dutra da Silva
Publicado em: 24/01/2022

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Me chamo Liz Helena Mariá, tenho 36 anos, sou preta, baixa renda, nasci em porto velho Rondônia. Começarei contando um pouco do que aconteceu antes de eu dar início ao curso pedagogia. Sempre quis fazer uma faculdade de psicologia. Até fiz uma primeira tentativa, mas por um erro de contracheque, segundo o pessoal da faculdade, não consegui a bolsa. Então fui fazer um tecnólogo, terminei e tinha o objetivo de com ele, fazer o concurso da polícia federal. Fui fazer curso para ter carteira de motorista, pois para ser um policial federal precisa ter categoria B, fiz todos os primeiros processos, só faltava a prova prática, foi quando resolvi vir pra Rio Branco – AC, iria fazer a prova prática aqui. No entanto o Departamento Estadual de Trânsito - DETRAN não permitiu, então perdi todo o meu processo da habilitação, meu sonho foi frustrado. E desde então, nunca mais quis tirar a habilitação.

 

Foi então que quis partir para uma segunda opção de faculdade , que seria a de psicologia, iria fazer o ENEM . Porém algo inesperado aconteceu, perdi meu bem mais precioso que eu tinha até aquele momento: minha filha Emily. Meus sonhos mais uma vez se frustraram. Nesse momento da minha vida, desisti de tudo, só passei a viver, já que, segundo minha religião, eu não poderia tirar minha vida, se não eu iria pro inferno, isso eu não queria.

 

Passei por um processo de depressão, inicialmente sem saber, comecei a sentir várias coisas, pensei que tinha alguma doença no sangue, então procurei vários especialistas e quando não me restou mais nenhuma alternativa fui para o psiquiatra. Dessa forma descobri o que realmente eu tinha: depressão e ansiedade. Fiz tratamento com remédios, e com o psicólogo, fui melhorando, então em 2018 fiz o ENEM, me inscrevi no SISU queria fazer o curso de psicologia. Contudo, meu sonho foi frustrado mais uma vez, a UFAC, só tinha o curso de psicologia de forma integral, e eu por ser uma pessoa de baixa renda, não poderia fazer faculdade de forma integral, porque precisava trabalhar pra me manter.

 

Após algumas pesquisas, finalmente tive que decidir e escolher uma que me aproximasse mais da psicologia, ou uma que eu fizesse uma pós ligada a psicologia. Nessas pesquisas, vi que eu poderia fazer uma pós em psicopedagogia, foi então que escolhi a pedagogia. Além do fato de ser em apenas um horário, sendo perfeito para mim, já que eu trabalhava pela manhã, a tarde eu estaria livre pra estudar. Então me inscrevi na pedagogia, fui chamada e iniciei o curso.

 

No mês de março, descobri que estava grávida, fiquei triste, por saber que teria que passar esse processo estudando. sabia que não seria fácil, mas consegui vencer, com a ajuda de algumas amigas e professoras. Passei todo o processo comecei a trabalhar em tempo integral durante a pandemia de 2020, pensei que perderia um ano de aula, mas graças a Deus, inicialmente as aulas foram suspensas. Quando voltaram, no final de 2020, não estava mais trabalhando, de forma que consegui estudar ainda assim, quando começaram as aulas online “obrigatória” (não mais facultativa) ainda na pandemia em 2021, quis desistir das aulas. Mesmo assim, estou aqui, continuando. Agora estou em mais uma luta com os braços quebrados, mas com ajuda da UFAC, professoras e amigas, estou vencendo mais essa etapa.

 

Ainda não desisti de fazer a faculdade de psicologia. Quem sabe a pedagogia seja apenas uma porta de entrada, para esse meu tão almejado sonho seja enfim realizado?! Eu acredito nisso.

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