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Eu, professora: trajetória de uma professora em formação

História de: Kimberly Bruna
Autor: Kimberly Bruna
Publicado em: 10/01/2022

Sinopse

Relato da trajetória acadêmica de uma professora em formação pela Universidade Federal do Acre.

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História completa

Olá, chamo-me Kimberly Bruna Oliveira da Silva, sou natural de Rio Branco – Acre, nasci em 11 de abril de 1999. Minha mãe se chama Irandi e meu pai Argileudo, sou filha única. Quando criança minha avó ajudava cuidar de mim, pois minha mãe precisava trabalhar e meu pai era um pouco ausente, eu praticamente não cheguei a conhecê-lo, quando eu tinha 4 (quatro) anos de idade ele foi embora para outro estado e eu acabei não tendo muito contato com meu genitor, não tenho lembranças dos momentos que passamos juntos. Com 4 (quatro) anos comecei a ir à escola, gostava bastante, lembro do cheirinho que tinha a sala de aula, cheiro de giz de cera e massinha de modelar, era algo que eu gostava bastante. Lembro da minha professora da alfabetização, ela tinha dado aula para o meu pai, falava que a gente se parecia bastante, eu não gostava muito dela, porque ela maltratava os alunos, gostava de puxar as orelhas das crianças (sic), isso é algo que ficou registrado nas minhas lembranças. 

Quando criança minha avó cuidou de mim até os meus 8 (oito) anos de idade, quando completei 9 (nove) anos fui morar com minha mãe. Só era nós duas, ela precisava trabalhar, então desde cedo me ensinou a ser independente. De manhã eu ia sozinha à escola, quando chegava esquentava o almoço que minha mãe havia deixado pronto. Como a gente morava em um residencial, havia bastante crianças, então eu passava o resto do dia brincando esperando minha genitora chegar, quando ela chegava sempre me ajudava com as atividades da escola. 

Quando completei 12 (doze) anos a gente precisou se mudar, foi algo ruim, pois estava acostumada com o colégio, com os amigos. Quando ingressei na escola nova, senti um pouco de dificuldade com as matérias, logo minha mãe pagou uma professora particular para me auxiliar, pois ela não estava tendo tempo de me acompanhar. A professora me ajudou muito, com as aulas dela conseguia tirar as melhores notas da sala. 

Quando fui para o ensino médio a professora particular que me dava aulas quando eu tinha 12 (doze) anos, estava me dando aulas na escola, ela sempre atenciosa com seus alunos. Com 15 (quinze) anos eu comecei a fazer um curso técnico, fazia o curso pela parte da manhã e à tarde eram as aulas regulares, gostava muito do curso, aprendi bastante, muitas tinham relação com os conteúdos que eu via na escola, era muito bom, visto que ampliou meus conhecimentos. Após 1 ano e 6 meses de curso, fiz o estágio, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h ), gostava bastante pois de alguma forma sempre estava ajudando os pacientes. 

No final do meu ensino médio fiz o ENEM e acabei não passando, mas nunca desisti. Então comecei a fazer Pré-Enem, fiz o ENEM outra vez e não passei. Posteriormente, vi um anúncio de um processo seletivo para a energisa, realizei o referido processo seletivo, quando terminei a prova fiquei na frente do local de prova esperando minha carona, foi quando ouvi algumas pessoas conversando que estava havendo alguns cursos no Instituto Federal do Acre (IFAC), achei interessante, então quando cheguei em casa fui pesquisar sobre os cursos que eles estavam ofertando e me inscrevi para Agroecologia, fiz 2 (dois) períodos desse curso, não desisti do ENEM e fiz a prova mais uma vez, me inscrevi para o curso de pedagogia, e para minha surpresa eu passei, foi uma alegria muito grande. Quando eu descobri que tinha passado eu estava começando o terceiro período do curso de Agroecologia, eu gostava muito, mas ele não era um curso superior, era apenas um curso técnico, então eu tranquei meu curso no IFAC e me inscrevi para Licenciatura em Pedagogia na UFAC. 

Desde que comecei minha formação enfrento algumas dificuldades, pois preciso trabalhar e conciliar minha formação. Quando eu entrei na UFAC trabalhava a noite em uma pizzaria, meu chefe era muito compreensível, tendo em vista que ele aceitava que eu chegasse após o término da aula, entretanto eu nunca consegui me dedicar 100% a minha formação. Com o dinheiro que consegui juntar no emprego dei entrada na minha habilitação, foi a época que eu fiquei mais cansada, pois chegava meia noite do trabalho, e às 6 (seis) horas da manhã eu saía de casa para ir para a autoescola, meio dia eu saia da autoescola e em seguida me deslocava para UFAC, às 19h eu saia da universidade para a pizzaria, era sempre esse ciclo, eu não conseguia me dedicar aos meus afazeres acadêmicos. 

Quando comecei o terceiro período da faculdade surgiu uma doença, decorrente de um vírus, coronavírus (COVID-19), uma pandemia que assolou o mundo, as aulas foram suspensas, eu precisei ficar isolada em casa. Aproximadamente 8 (oito) meses depois a universidade voltou com às aulas, mas de maneira remota, no começo fiquei aflita, pois não tinha computador e nem wi-fi, mas a universidade disponibilizou uma bolsa para que os alunos pudessem comprar um computador, notebook ou tablet para assistir às aulas, eu consegui a bolsa, adquiri o aparelho e assim conseguir retornar às aulas de forma remota. Logo, não posso afirmar que esse meio de ensino remoto seja um dos melhores, pois em casa eu perco a atenção facilmente e acabo não prestando tanta atenção na aula. Mas em meio as dificuldades sempre me esforço para conseguir um bom aprendizado. 

No meio dessa Pandemia minha mãe sofreu uma tentativa de homicídio e quase morreu, após esse acontecimento ela precisou voltar para sua cidade natal, Fortaleza-CE, e eu acabei tendo mais uma responsabilidade de morar sozinha. Não fui embora do estado porque minha mãe quer que eu termine a faculdade, afinal sou a primeira da família que conseguiu ingressar em um curso da Universidade Federal. 

Desde que comecei a formação sempre procurei um estágio na área, mas com a pandemia ficou difícil, dado que as escolas estavam fechadas, mas após a chegada da vacina, voltaram e eu acabei conseguindo um estágio em uma escola particular, de ensino infantil de 1 a 5 anos. Fiquei muito feliz, tendo em vista que sempre quis ter uma experiência mais de perto, mas acabei me decepcionando quando cheguei à escola, pois não foi o que eu esperava, me passaram uma responsabilidade muito grande de assumir uma sala, eu sem nenhuma experiência tive que assumir a sala. Quando eu cheguei na escola, achei que iria aprender junto com as crianças, mas não tinha professor na sala, o estagiário que tinha que fazer esse papel de professor. Quando entrei na escola já estava quase acabando o ano, então passei pouco tempo, apenas 2 (dois) meses. Mas esses 2 (dois) meses foram muito difíceis, pois eu fazia o estágio de manhã, assistia às aulas à tarde e à noite eu ia para o trabalho. Sempre muito corrido, com todas as dificuldades sempre tento dar o meu melhor na minha formação. Atualmente estou no 5º período, sou falha em algumas coisas, mas sempre tentando me dedicar, pois é com minha formação que vou poder atuar na educação como uma profissional competente. Pois o docente tem um papel fundamental na vida do aluno, e eu quero passar uma boa formação para meus alunos, bem como meus professores se esforçam para me passar uma formação de qualidade.


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