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EU, PROFESSORA: TRAJETÓRIA DE UMA PROFESSORA EM FORMAÇÃO

História de: RYSLAME CRISTINE MACHADO BARBOSA
Autor: RYSLAME CRISTINE MACHADO BARBOSA
Publicado em: 08/01/2022

Sinopse

Apresento-me resumidamente enquanto estudante em formação na Universidade Federal do Acre- UFAC.

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História completa

Meu nome é Ryslame Cristine Machado Barbosa, tenho 20 anos, sou natural de Rio Branco-Ac. Sou a filha de Roberval de Almeida Barbosa e Ronara Teixeira Machado Fernandes. Sendo eu, a filha mais nova de 4 irmãos. Após 2 anos do meu nascimento, meus pais se separaram por razões pessoais. Não tive muita proximidade com meu pai. 

Minha mãe, após a separação, foi embora com o meu irmão que antecedeu o meu nascimento para a colônia, o chamado Projeto de Assentamento Oriente, em busca de melhor condição de vida, lá minha mãe iniciou a carreira docente dela. Eu e os meus outros dois irmãos fomos morar com os avós. Morei com meus avós maternos até os 9 anos de idade, com eles pude aprender um pouco de tudo que hoje sei, dali em diante fui morar com minha mãe, onde vivo até os dias de hoje.  

Desde pequena sempre gostei muito de escrever e estudar, hábito desenvolvido por não ter onde eu morava crianças da minha idade para brincar.  Por esse meu gosto particular, que está presente até hoje, sempre que vou ler um texto escrevo trechos dele para melhor compreensão, desta forma consigo desenvolver melhor minha capacidade mental para interpretar os textos que hoje encontro na faculdade. 

Em toda minha trajetória de estudo, as etapas de que me recordo são de poucos momentos, não sei se devido a alguns traumas ou outra coisa além. Quando morava com minha avó estudei em uma escola próxima da casa, era no bosque, no Luiz de Carvalho Fontenelle, para onde meu tio me levava todo dia de bicicleta. Estudei lá até a 3 série do ensino fundamental I e quando fui morar com minha mãe fui matriculada em uma instituição próxima da minha nova residência, a escola Anice Dib Jatene. Ao iniciar o fundamental II, passei a estudar no Neutel Maia, onde fiquei até o 8° ano/série, foi quando fui contemplada para estudar em um colégio onde as vagas eram muito concorridas na cidade por ser uma instituição federal o Colégio de Aplicação (CAP/Acre).

No período, que me recordo, de 2014 a 2017, cursei meu ensino médio e o concluí no Colégio de Aplicação (CAP), foi bem complicado, a média era 8 pontos e por mais que eu nos colégios de rede pública apresentasse bons resultados e boas notas em todas as disciplinas, era um ensino diferenciado, era algo novo e que me trouxe insegurança. Até o momento de minha conclusão ainda não tinha em mente, em meio a tantos colegas que já focaram em passar no vestibular para um curso específico, a minha realidade era outra, contudo, sempre quis ingressar em um curso na Universidade Federal do Acre (UFAC). 

Após a minha conclusão no EM (Ensino Médio), permaneci 1 ano, mais especificamente o ano de 2018, em espera para tentar novamente uma oportunidade desse tão esperado foco, mesmo sem saber o curso no qual queria ingressar, mas sempre em busca de um dos meus sonhos. Em 2019, após prestar o vestibular Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2018, minha nota foi suficiente para escolher algumas opções de curso na qual eu me encaixaria segundo meus critérios de habilidades e dificuldades, Licenciatura em Pedagogia era a minha segunda opção por ter em minha família a vivência com uma professora, a minha própria mãe que me auxiliou e instruiu, e ainda instrui muito a respeito desta área, é formada e pós-graduada, também pela UFAC. 

Diferente de muitas pessoas ao meu redor, eu nunca tive uma área específica que fosse um sonho exercer, apenas o graduar numa Federal, e quando enfim passei, foi uma enorme realização na minha vida. 

 Desde o meu ingressar nesse curso vim enfrentando algumas dificuldades, acredito que por eu ter ficado muito tempo "parada", após uma extensa trajetória de estudos constantes na educação básica, claro que no ensino superior a realidade é outra, sempre me diziam que a partir dali eu estaria apenas "começando" ao invés de só dando continuidade às etapas anteriores. E realmente, foi um baque, muitas disciplinas, muitos textos, muita leitura, muita interpretação, muito diálogo e debates, essa parte envolve um das minhas inseguranças: apresentação de trabalho e oralidade, mas que com o tempo pude desenvolver melhor e "acostumar" com esse fato. Não esquecendo de mencionar que a Universidade disponibiliza recursos para seus alunos, foi e é também um dos motivos nos quais me motivam a continuar.

Durante esse período, por muitas vezes pensei em desistir, isso porque na minha mente tentava ingressar em outro curso, mas ao mesmo tempo existia a segurança de que se eu segurar as pontas até o fim do curso eu poderia continuar sempre me aprimorando e por ser "nova", prestar vestibulares para outros cursos e quem sabe me formar em mais de uma área. 

No ano de 2021, foi muito complexo, todos estudantes e professores tiveram que se reinventar devido ao COVID 19, que originou a pandemia, milhões de mortes e famílias desoladas, impedindo o prosseguimento das aulas na modalidade presencial, tornando o ensino remoto mais complicado e exigindo ainda mais de cada um. Ao que de costume era realizar 2 períodos por ano, neste em questão, executamos 2 períodos (3º e 4º) em menos de um ano e entramos no 5º período ao final deste ano com o intuito de concluir no início do sucedente para tentar recuperar quase 2 anos perdidos da graduação, considerando que este ano de 2022 seria o ano em que estaria concluindo minha formação na área. Com o passar dos períodos do curso fui me adaptando a este novo mundo no qual me submeti, e desenvolvi o "gosto" e a vontade de me formar e exercer a profissão. Apesar de muitas coisas me deixarem insegura até o presente momento, o que prevalece é acreditar que eu vou conseguir e que tudo sempre tem um propósito, depois de toda essa "tempestade", virá a recompensa. 

Atualmente estou no 5° período do curso de Licenciatura em Pedagogia, e baseado no que vivi até aqui, confesso que falhei muitas vezes em questões de: entregas de trabalho, notas insuficientes, falta, ou irresponsabilidade, mas tenho sempre comigo a noção de, se eu falhei eu vou ralar para mudar e melhorar. Foi um ano muito conflituoso, todo mundo teve alguma perda de ente querido, inclusive eu, que perdi meu avô, um dos que tanto me motivaram e que quando soube do meu ingresso na Universidade, ficou tão feliz quanto eu, orgulhoso e emocionado com mais essa conquista pessoal. Agora no momento, digitando essa autobiografia, chego a pensar em quanto foi difícil esses últimos anos, e o quanto eles tem me fortalecido. Não vejo a hora de concluir essa etapa de minha vida, e está então graduada para dar continuidade sempre estudando para melhorar, tanto como pessoa e como profissional, aliás, a vida sempre vai ser baseada em aprender, conhecer e praticar, e nenhum conhecimento está tido como fim, mas sim como continuidade e aprimoramento.

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