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História

Eu não queria ser uma “gracinha”

História de: Jane Maria Lobo Carneiro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/10/2018

Sinopse

Jane Maria e Rojane são mãe e filha e deram seu relato juntas para o Museu da Pessoa. Jane Maria, mãe de Rojane, lembra da sua infância, período em que ela já questionava o papel da mulher na sociedade e lutava contra o assédio masculino de um senhor que a chamava de “gracinha” o que ela disse achar “um saco, pois não queria ser uma gracinha”. Cresceu se tornando cada vez mais independente, mesmo sofrendo repressão da família e tendo estudado em colégio de freiras. Começou a trabalhar no BNDES como telefonista, depois prestou concurso para assistente técnica. Sua filha Rojane, estudou jornalismo, por influencia do pai que trabalhava na televisão. Relembrou que sua vida teria sido diferente caso não tivesse entrado para o BNDES, lugar onde ela cresceu profissionalmente e pessoalmente, no trabalho disse gostar de assumir funções em que ela tenha flexibilidade, pois preza pela sua liberdade e declarou: “Não sou só o trabalho”.

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História completa

P1 – Vou pedir pra você falar seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R1 – Meu nome é Jane Maria Lobo Carneiro, nasci no dia 3 de setembro de 1945, na melhor, maravilhosa cidade do Rio de Janeiro (risos).

 

P1 – O nome dos seus pais?

 

R1 – É Jane de Castro Lupo e Silva Figueira Lupo.

 

P1 – E eles trabalhavam com o que?

 

R1 – O meu pai era Desenhista Industrial e a minha mãe era a famosa do lar (risos).

 

P1 – E você tem uma irmã?

 

R1 – Tenho uma irmã mais velha do que eu, aposentada, foi secretária a anos do procurador do Estado hoje está aposentada, 59 anos.

 

P1 – Tá bom. E me fala uma coisa, como é que era morar no Rio de Janeiro quando você era criança, que bairro você morava, o que você lembra?

 

R1 – Eu nasci e fui criada no Meyer, né, quer dizer, a minha infância foi uma infância hoje assim com muita dificuldade, eu perdi meu pai muito cedo, mas eu sempre fui uma criança muito... Muito levada, muito engraçada, né? Então eu sou daquela época que a gente andava no Bonde Piedade no carnaval, tinha fantasia de morcego e de diabo, a gente corria e... Aquelas famosas festas de bairro que tinha do Mackenzie eram bailes famosos que eu não tinha acesso até pela minha condição financeira, mas que eu já tinha visto as fantasias maravilhosas da sociedade do local, né, e, mas eu era, com tudo isso muito feliz, ainda bota a caixinha no chão pra puxar as pessoas e a caixinha caía, e nota amarrada, jogava coisa por cima da linha e, e eu era uma menina muito terrível, miúda, muito levada, muito mal criada mesmo tá, ninguém me dominava, realmente ninguém me dominava, que é o que acontece até hoje, porque ninguém me domina, então realmente, mas eu tive uma infância feliz tá, mas com muita luta, mas muito feliz, uma infância digamos assim muito saudável, uma infância que eu acho que hoje as crianças não tem, porque nós tínhamos amigos, nós brincávamos, nós brigávamos, mas havia relação muito boa, e era, sobretudo a liberdade, né,  de rua, andar na rua e de vez em quando apanhar porque fazia as coisas erradas, então eu passei por tudo que uma criança normal passa, tudo, tudo, tudo, foi uma infância normal.

 

P1 – Qual foi uma boa traquinagem que você fez, assim, que você lembra?

 

R1 – É... Quer dizer, eu me lembro muito que meus pais contavam e tudo, eu até me lembro do momento que aconteceu isso. Eu morava em casa e eu brincava muito com terra, tinha mania de brincar com terra, e eu não suportava que mexia assim comigo e tinha um senhor que passava todo dia na minha porta, eu era pequinininha, eu era miudinha, uma criança muito miúda, eu tava brincando com terra, ele mexia, dizia, ai que garota bonitinha, eu olhava pra cara dele... Aí mais que saco... Eu devia de pensar, pelo menos é o que eu pensaria hoje, (risos) e eu disse: “Um dia eu ainda faço alguma coisa”. Ele passava muito bem arrumado pra ir trabalhar, um belo dia ele passou todo de branco e tinha chovido, aí eu preparei a massinha e não conversei e “tapoufo” nele entendeu? Quer dizer, lógico que ele me deu uma surra danada, antes ele passava e olhava pra minha cara e ria e eu ficava com raiva, aí depois dessa história ele passava com raiva e eu achava uma graça porque realmente eu consegui me vingar daquele chato que dizia que eu era uma gracinha, e eu não queria ser uma gracinha, realmente isso foi uma das coisas assim mais... Que realmente, e outra coisa que eu tinha mania também era, onde nós morávamos que tinha um rio no meio, e eu gostava muito de brincar de cobra-cega, então eu tinha a maldade de correr pra perto do rio para as pessoas caírem lá dentro e isso aí era terrível, mas eu achava muito engraçado, que era um valo, um valão, e aí a gente, vem _________ pessoa lá dentro eu achava aquilo super interessante (risos). Talvez o meu neto mais novo seja minha cópia, e até hoje eu gosto de brincar assim, eu realmente eu levo a vida brincando. Foi uma das coisas importantes que talvez me tenham me feito chegar até aqui. Brincar tudo pra mim é engraçado ta, até enterro tem que rir, da minha desgraça eu já to rindo (risos), realmente a minha vida foi muito engraçada mesmo.

 

P1 – Jane, e como é que era a convivência das três mulheres, assim, a mãe era muito brava, como que era isso?

 

R1 – É... Deixa-me dizer o que houve então. A minha família é uma família que eu digo assim... Muito triste, então eu era aquela criatura, aquela ovelha negra, essa menina não vai dar pra nada, essa menina não faz nada,  porque eu queria brincar, eu fui estudar me botavam em colégio de freira, eu dava chute na canela das freiras, porque eu não aguentava “Tem que rezar, todo dia tem que rezar”, então a minha relação era muito difícil com a minha família, porque eu nunca vi pecado, pra mim não existe pecado como não existe até hoje, então desde de criança eu tenho essa concepção. Eu mocinha tinha que ser toda fininha, tinha que ser toda assim educadinha, menina não podia fazer isso, menina não podia fazer aquilo, e eu achava a família muito triste, era uma família assim que... Um olhar de quem não tem felicidade entendeu, e aquilo não me deixava conviver bem com eles, então eu procurava me afastar muito, tanto que eu sai de casa muito cedo, com dezessete anos, casei pra me ver livre dessa mágoa dessa dor que elas tinham que eu nunca entendia o que era, só sentia que todo mundo falava baixo, aquele domínio dos homens, aquela coisa toda, aqueles atritos, quer dizer eu não conseguia entender muito, aí eu fugia muito delas , né, eu era assim como um mercúrio, estava sempre fugindo e a minha mãe era uma mulher muito bonita, muito dominadora, o que eu também sou, eu sei que eu sou a cópia dela, então nós batíamos muito de frente. Na minha juventude ela queria me proibir das coisas eu só olhava e dizia assim “Ah, mas não proíbe mesmo” quer dizer até eu levei uma grande mágoa dessa parte de minha mãe porque eu gostava muito de dançar, gosto. E eu fui rumbeira aos onze anos de idade dançava num conjunto, e aí eu interessei, comecei a estudar com a Marlene Adamo, o ballet também, e quando eu fiz concurso pro Teatro Municipal a minha mãe disse que eu não podia ir porque a família não tinha artista porque artista entre aspas porque todo mundo sabe o que é, na época, daí eu me afastei da carreira da dança e ganhei um piano, fui aprender piano no Conservatório Brasileiro, fiz História da Música, fiz Teoria, fiz Harmonia, eu tocava aqueles (anom?), (baion?) odiava aqueles ___________, aquilo me dá uma raiva, eu queria dançar eu não queria sentar e tocar eu queria dançar e caí, e quando eu fiz 17 anos que eu me casei, eu peguei o piano vendi e comprei uma máquina de costura, digo pronto agora vou tocar aquilo que eu quero, a máquina de costura, também não toco o piano que vocês querem, então eu fui uma pessoa que peitei muito a família, muito fui assim, fui a ovelha negra da família, Rita Lee que o diga, mas eu fui uma ovelha negra da família, eu tenho certeza, mas foi o que me salvou, porque pelo menos eu pude ser alegre, o que hoje eu considero muito triste, eu considero que foram mulheres muito mal realizadas entendeu? E com isso eu enfrentei , sai de casa e não aceitei o domínio realmente não, então era difícil a relação familiar sim, porque eu gosto de liberdade, a minha irmã não, ela era dominada por conveniência, eu não eu passava o diabo mas me libertei.

 

P1 – E assim tinha alguma orientação no sentido de seguir alguma carreira ou de casar cedo, de ser dona de casa, tinha alguma coisa assim?

 

R1 – Não, na verdade eu digo que eu me criei sozinha, eu não tive assim uma orientação porque eu perdi meu pai com cinco anos, meu pai morreu tuberculoso, uma pessoa maravilhosa e tal, mas que eu me lembro muito pelo domínio, não me lembro dele assim como pessoa, e eu não vi assim nenhuma orientação então eu costumo dizer que eu me criei na vida, foi a melhor escola que eu tive porque eu não precisei seguir cabeças, eu montei a minha cabeça. Então eu não tive, não faz isso que é feio, não faz aquilo que... Feio por quê? Explica-me porque que é feio. Porque em princípio pra mim nada é feio, é opção. Eu não tive nada, eu queria dançar, não sei se seria uma profissão, sabia que eu queria dançar e falava que menina tem que ser professora, tudo bem eu segui a carreira por opção também não foi... Fiz Técnico da Educação por opção, mas não que a família dissesse alguma coisa, então eu fui seguindo aquele caminho de me afastar da família e o casamento foi uma forma de sair de casa, realmente eu sinto que foi isso, foi uma coisa imatura muito nova, mas era uma forma de me livrar daquele domínio. Daí então na realidade eu não tive rumo nenhum, eu fui ao barco e chegou numa época e eu fiz o meu rumo. Hoje o rumo que eu tenho muito da minha história de um tempo pra cá foi aquele que eu já pude dominar, mas eu fui sempre onde o barco me mandava e eu tirava o melhor daquele momento, então eu me criei na vida, não tive orientação, nunca convivi com tóxico na minha vida, quer dizer, via, mas nunca convivi, pra você ter ideia há pouco tempo que eu fui ver o que era maconha e sentir o cheiro porque eu nunca me interessei, eu queria era dançar, escutar música viver eu queria isso.

 

P1 – Quando você prestou concurso pra Escola do Teatro Municipal o que você pensava assim?

 

R1 – Eu acho que você fica, é a liberdade sabe? Aquela liberdade que eu achava que o ballet é uma coisa que você voava, eu gosto de voar entendeu, você é livre que ninguém segura meus braços ali entendeu, e não é nem pelo público em si, o público não me importa, eu não quero público eu quero, aliás, eu gostaria de ser uma bailarina que ficasse não para sucesso, mas para viver a dança, pra sentir entendeu como dançar em escola de samba pra isso. Eu saía na escola de samba assim, eu entrava na avenida não bebia, não fazia nada, as pessoas riam muito, eu chegava com meu carro fantasiado, encostava o carro entrava na avenida e dançava o tempo todo chegava lá perto pegava o meu carro e ia pra casa, eu só queria aquele momento deu dançar comigo mesma entendeu não era nem pra público nada disso, então é a liberdade. Quando eu fiz eu pensei assim liberdade eu vou dançar, vou viajar vou ser livre. E a liberdade é que é o ___________da minha vida, vai ser sempre. (risos)

 

P1 – E me fala uma coisa, no tempo de colégio assim o que você lembra?

 

R1 – Olha, eu lembro uma história quando eu tava na Escola Sarnento, eu era uma menina como eu te disse sempre brigona. Tinha uma história que a gente tinha que estudar muito pra sentar na frente, eu queria sentar na frente entendeu porque eu era pequinininha então a dificuldade era isso, não era pra aparecer e eu estudava e tirava... Um dia cheguei atrasada no colégio e tinha um menino chamado Hélcio muito bonitinho o menino e naquele dia eu cheguei e ele tava no meu lugar, aí eu passei por ele e disse assim: “Sai daí” e ele disse: “Não saio”, “Sai daí”, “Não saio” digo tudo bem você vai ver, quando foi na saída eu dei uma surra nele, aquilo quase que eu fui expulsa do colégio (risos). No jardim da infância taquei uma canelada na freira porque ela me enchia o saco pra rezar e eu não gostava, rezar era uma coisa minha e o Pedro Segundo eu nunca me meti em confusão era depois da adolescência veja bem talvez pelas coisas que eu fui passando, né, a perda do meu padrasto também e as dificuldades financeiras eu fui amadurecendo e amadureci muito cedo. Então eu tomei consciência de uma coisa na vida cedo que tudo que eu fizesse errado eu só contava comigo, então eu fugia dos erros, ou seja, briga, é... Com movimentos estudantis que pudessem dar, porque eu sabia que eu só podia contar comigo, então a forma de não atrapalhar minha vida é aquele ditado “Se malandro soubesse como é bom ser honesto seria honesto por malandragem” foi o que eu fiz na vida, fui honesta por malandragem (risos), pra sobreviver. Não que eu fosse boazinha não hein, tinha vontade de quebrar um bonde, mas nunca quebrei porque não ia me meter em confusão.

 

P1 – Agora o Pedro Segundo é uma referência aqui no Rio, né, ?

 

R1 – É, eu estudei no Pedro Segundo na época em que você fazia prova e você tinha aqueles professores barbudos, latim, você tinha que prestar aquele concurso de exame e ler na frente do professor, foi uma formação muito boa o Pedro Segundo foi realmente um grande colégio e eu era muito miudinha, ainda estudei com uniforme craque aquele raminho de café, aquela sainha que não segurava na cintura porque eu botei corpo muito tarde, então eu era uma menina estilo Pedro Segundo. Mas realmente foi um grande colégio, não estudava menino com menina, a gente ficava sempre se atrasando pra pegar os meninos da tarde tal aquela coisa, né?

 

P1 – Eram horários diferentes?

 

R1 – Meninas separadas, meninas de manhã e meninos a tarde entendeu, ainda peguei isso tudo no Pedro Segundo. Mas a única coisa do Pedro Segundo que eu me lembro que realmente fiz é que ali no Engenho Novo era um colégio belíssimo, tinha aquela entrada e tinha um corrimão, e eu uma vez sentei no corrimão e caí lá em baixo em frente ao professor Sales, quando ele olhou pra minha cara eu..., eu tinha uma vontade de descer aquilo ali pra saber a sensação de cair daquilo ali, mas daí dei de cara com o professor Sales e aí foi.... E uma professora que eu tive de inglês Miss Rebeca, isso eu me lembro muito, eu fiquei noiva e com 16 anos eu entrei a sala e quando ela viu minha aliança, eu nunca podia imaginar que uma pessoa tivesse trauma por não casar, né? Ela me mandou sair da sala, olhou pra minha cara: “Sai da sala” eu digo: “Ué, sai da sala por quê?”. Eu tava muito animada com o noivado aquela coisa, aí eu digo “Não entendi, fui pra secretaria por quê?”. Não entendi nada e ela tinha um trauma muito grande entendeu? Ela realmente tinha aquele trauma, aquela coisa e ela _______ sem querer, eu não entendia isso, imagina psicologia na minha cabeça e ai depois ela foi saber porque ela dizia que eu era muito levada, mas ela só pegou exatamente no dia em que ela me viu com a aliança, era uma aliança enorme foi meu orgulho naquela época e quando ela olhou pra aliança ela: “Sai da sala” que ela já tinha uma coisa pelo meu comportamento de falar muito e brincar muito, quando ela olhou pra aliança naquele dia... Aí eu comecei a peitar ela, quando ela entrava eu só mostrava a aliança pra ela, foi uma relação... Essa foi uma relação muito difícil no Pedro Segundo, foi muito difícil porque eu dizia eu tenho e você não tem, coisa ridícula, né? Mas era a minha arma.

 

P1 – E pra passar como você fazia com ela? Foi difícil?

 

R1 – Não, eu estudava.

 

P1 – Você estuda era boa aluna?

 

R1 - Era, eu era boa aluna. Eu nunca fui assim muito de estudar muito, mas eu tinha uma percepção muito grande e eu sou muito organizada. Então o fato das colegas que não eram organizadas e tal, aquilo eu ia fazendo e sabe eu ia pegando conhecimento, eu observava muito as coisas, eu sou muito de frequentar, por exemplo, eu vou fazer um curso eu vou, eu respeito horário, eu fiz faculdade assim, quando eu me formei em faculdade eu defendi os trabalhos, expunha os trabalhos entendeu? Então com isso você pesquisa, você aprende muito e eu não tinha dificuldades pra aprender, eu passava bem, não era uma excelente aluna, mas dava pra passar e era o suficiente que o melhor é passar, nada de ser muito bom senão as pessoa ficam em cima de você, é um saco (risos). Então, é melhor ser normal, eu era normal, realmente. Aí terminei o ginásio, antigo ginásio e me casei larguei tudo, me casei e já tava com 16 anos, me formei com 17, a gente tinha aquela coisa que o casamento é uma coisa maravilhosa ne? Que realmente o casamento é uma coisa boa. E aí logo ela nasceu, então quer dizer, aí __________ eu não fiz o segundo grau. Interrompi minha vida exatamente pela pressão de sair da família, foi exatamente isso, eu queria sair daquele domínio da família, digo aí eu vou casar ter minha casa que na minha casa eu faço o que eu quiser, que saco essas velhas chatas que são pessoas muito difíceis (risos).

 

P1 – O Jane, e como é o nome de seu marido e como você o conheceu?

 

R1 – Olha meu marido, meu primeiro marido um dos numerosos maridos, meu primeiro marido que foi o pai dela, era uma pessoa assim muito calada e eu tinha vindo de um namoro... Eu comecei a namorar com 12 anos e era um rapaz assim muito pobre, mas nós queríamos casar quando eu fizesse 15 anos, foi minha paixão Aldir, Aldir Dias Brandão, me lembro muito dele, ele passou para Maria Mercante e nós namorávamos, mas ele era muito ciumento ele virava os meus sapatos pra ver ne? Por que eu era muito...

 

P1 – Pra ver o que?

 

R1 – Pra ver se eu tinha ido pra rua porque eu limpava as solas dos sapatos quando eu era pequena, eu era neurótica, mocinha eu cuidava dos meus sapatos e até hoje eu tenho mania. Limpava os sapatos então ele via e sabia se eu tinha ido pra rua. Ele tinha um ciúme de mim, eu era muito bonitinha, aquela menina bonitinha jeitosinha, sensualzinha e ele tinha um ciúme de mim, que era uma coisa impressionante, mas eu era louca por ele, era meu rei e meu ídolo. Então eu namorei dos 12 anos até os 16, moça bonitinha, era muito certinho daquele que o namorado deixa às 10:00 horas e vai lá encontrar com a outra, era a vida que se pode fazer, não se podia fazer nada, né? Aquele namoro era terrível, mas tudo bem e eu assim apaixonadíssima. E de repente num dia de carnaval assim eu tava rindo, ele era interno na Maria Mercante e ele disse que não vinha me ver, e eu tava rindo com a minha mãe e minha irmã tinha ido ao baile, ele entrou de repente, disse que eu tava rindo dele, eu falei não eu não to rindo de você, eu não sai você passou o carnaval comigo aí ele: “Você isso, você aquilo” aí eu apanhei um jarro e “PUF “ varejei por cima dele e aí acabou o namoro. Bom ai eu fiquei apaixonadíssima porque eu era louca por ele, fui numa festa de São João e fui ser mãe da noiva que era minha prima e o pai dela foi ser o pai da noiva e ali começou, tudo começou numa festa de São João. E três meses depois que eu tava namorando ele me pediu em casamento. Eu acho que realmente eu aceitei porque a minha sogra e os pais dele eram muito carinhosos, então eu senti aquela coisa da família, naturalmente eu casei com a família do meu marido, entendeu? Minha sogra e meu sogro são pessoas que estão mortos, mas que eu adorei muito foram excelentes sogros pra mim. Eu acho que eu vi a possibilidade de uma família, aí eu casei com o sogro e com a sogra que foi um grande erro. O pai dele era Cinegrafista, por sinal foi um grande cinegrafista porque...

 

P1 – Qual o nome?

 

R1 – Roberto Padula, ele trabalhou na TV Tupi, trabalhou com Juscelino Kubitschek, trabalhou na TV Educativa e finalmente trabalhou na TV Globo, acho que foi um dos primeiros cinegrafistas do Brasil que fez curso quando começou de TV em cores, um homem muito... Trabalhou com Raul Londer, ele era um homem muito inteligente, mas uma pessoa que não tinha muito equilíbrio pra planejar a vida dele, né? Já faleceu e tudo, aí eu me casei, ele vivia na rua e eu dentro de casa lavando e passando eu era muito caprichosa e tal. Então na realidade é... Você vê que eu montava um mundinho pra mim e eu era feliz dentro do meu mundinho, era foi exatamente, entendeu mas... Fiquei oito anos casada com ele, não vou te dizer que foi feliz e nem que fui infeliz, eu não sei nem do que ele gostava, mas na realidade ele tinha um mundo dele que ele só gostava de televisão. O mundo dele.

 

P1 – Paixão?

 

R1 – Paixão dele foi a televisão, infelizmente a televisão não deu muito valor a ele porque ele era um grande profissional entendeu, ele não exigia nada ele vivia a profissão pela profissão. No final ele foi pra Manchete e depois saiu, mas geralmente como profissional ele era excelente. Mas era um marido muito ausente então eu vivia muito junto com ela, era eu, ela e minha sogra, eu, ela e minha sogra entendeu? Mas no fim foi, fomos amigos até o final nunca houve atrito não, separamos amigos, eu separei com 25 anos, 25 anos aí a vida disse assim, agora você tem que trabalhar porque dona de casa não trabalha,coitada tem que ficar ________ (risos) aí eu sai para fazer um curso de datilografia.

 

P1 – No TED?

 

R1 – Na TED, na antiga Organizações de não sei, não me lembro muito bem eu sei que era TED. Eu fui fazer um curso de datilografia pra poder sair pro mercado de trabalho, né? E primeiro eu costurei pra fora, o que eu achava ótimo, maravilhoso, depois fui fazer o curso de datilografia, aí estuda e durante o curso as pessoas perceberam que tudo vinha “Jane como é que é isso, Jane como é que é aquilo, o que?” começou a nascer esse dom de ensinar. Eu tenho facilidade de transmitir as coisas, eu sou muito clara, tenho uma didática boa digamos assim, né?  Aí eu fui convidada pra ser professora, fiquei sendo professora e isso me dava direito de fazer um curso de graça, então eu vi duas coisas boas, vão me pagar e ainda ganhar, coisa boa né? Mas eu nunca parei, eu começava a ter muita máquina treinando quando não tinha aluno e comecei a ficar naqueles empregos temporários, como datilógrafa, depois eu fui pra Credicard e de lá eu aprendia tudo, tudo como é que se faz isso, enfim eu sabia tudo dentro do Credicard. E tinha épocas que eu trabalhava sábado e domingo então ganhava mais de extra porque eu tinha que criar ela, né? E aí foi indo, foi indo, fui pulando de um emprego pra outro e eu não ficava sem emprego, quando eu pedia demissão aqui eu já tava ali com certeza porque eu não queria parar entendeu, eu queria é ir à vida sozinha e ai conheci meu segundo marido. Meu segundo marido quer dizer, marido que eu digo porque vivi com ele, né, era mais velho que eu 20 anos, um homem fabuloso, feio, baixinho, gordinho, mas inteligente, o que é essencial num homem, os homens que me perdoem, mas é isso,  e ele era uma pessoa assim muito delicada comigo , um homem com experiência de 48 e eu com 28, eu me senti uma boneca, né, maravilhoso. E nós dançávamos muito, ele era diretor de clube, daquele clube Municipal, ele era secretário do Estado, né, de viver na administração Estadual, e a gente dançava, eu dançava e eu me sentia uma rainha, dançando com um homem com experiência, era tudo o que eu queria na vida. Mas, infelizmente, ele teve um infarto e um derrame e morreu com oito meses que nós estávamos juntos, né?

 

P1 – Nossa!

 

R1 – Morreu oito meses. Eu fiquei assim: “Ah, meu Deus do céu, meu Deus não me leva”, mas Deus fez certo realmente porque a diferença de idade, ele era muito ciumento e eu muito nova e não daria certo, né? Depois eu vi que Deus sempre faz as coisas certas. Ele morreu e foi no dia 13 de fevereiro, aí eu resolvi estudar, voltar estudar pra melhorar a cabeça porque foi uma perda né? Fui fazer um curso de... Resolvi fazer o segundo grau no antigo supletivo. Aí entrei pro curso e no primeiro dia que eu entrei no curso era o último dia de aula do meu terceiro marido, ele era professor de matemática, tava passando pra Petrobrás, engenheiro, e bonitinho todo tal. Ele era um homem, não vou dizer que ele era bonitinho, mas era um homem que chamava a atenção e era o pão-de-ló de festa das meninas, então eu ficava no fundo da sala, me vestia muito bem porque eu ia trabalhar, eu era aquela moça tradicional e as meninas  “Rii.....” então eu ficava só olhando pra ele, né? Nada... Eu lá no fim, insignificante, mas deixa estar que eu era a mais significativa e acabou que nós começamos a namorar, namoramos um tempo, ele era noivo e tal acabou aquele drama todo aquelas tragédias todas que a gente já conhece, e em dois meses que nós estávamos namorando ele foi viver comigo, mas vivendo assim, fugindo aquelas coisas assim emocionante, essas coisas emocionantes e ficamos juntos 26 anos, depois de 11 anos casamos, ele ajudou a criar a Helen e hoje estamos separados, mas foi um casamento bom, foi uma pessoa muito inteligente, um homem assim com uma força de vontade muito grande e tem lá as manias dele, é uma pessoa muito isolada e eu sou uma pessoa muito extrovertida então em 26 anos a gente viu que o casamento não dava certo (risos). Eu to aí pra procurar o quarto casamento se Deus quiser (risos). Realmente, foi isso aí quer dizer e nesse meio tempo veja bem como eu tava te falando eu fui fazer um curso, passei o supletivo logo na primeira prova aí resolvi fazer uma faculdade aí passei em oitavo lugar...

 

P1 – Faculdade?

 

R1 – É faculdade.

 

P1 – Mas qual curso?

 

R1 – Eu fiz Técnico de Educação ta? Formei-me em Pedagogia. Aí entrei pra faculdade e comecei a me motivar muito com aquilo, eu gosto muito de Sociologia, quer dizer eu acho que esse meu senso de observar as coisas, eu vou nos lugares e eu gosto de ficar parada vendo o comportamento das pessoas, como é que elas se relacionam, não é uma coisa nem de você criticar o fato é de você ver o fato como ele acontece, eu não quero modificar nada, eu quero perceber como que isso se desenrola, eu gosto disso, você vai a um baile de carnaval e você vê ali, principalmente quando você conhece a pessoa, né, a pessoa ta naquele momento ali como ela foge daquela realidade ai de repente você vê a pessoa numa outra convivência, é uma coisa muito interessante, eu gosto de observar isso na rua, você vai vendo a multidão passar, aquelas expressões aí de repente você vê aquela pessoa em outra situação, isso é uma coisa que eu achei maravilhoso , né, sociologia, psicologia é uma coisa que tudo pra mim me fascina, a cabeça o ser humano, a cabeça a vivência, isso me fascinou muito e eu fiz um curso maravilhoso, acabei sendo... Era praticamente a líder do grupo, acabei quando na nossa formatura fui eu quem conduzi tudo, eu fiz Administração eu adoro administrar, fiz Magistério e fiz Supervisão.

 

P1 – Onde que foram esses cursos?

 

R1 – Eu fiz na Faculdade São Judas Tadeu aqui no Rio. E me formei assim com notas muito boas, mas nessa época eu queria abrir um colégio pra mim porque eu não gosto de lidar com a criança realmente eu fui mãe, me considerei uma boa mãe porque dei tudo que pude até porque realmente minha filha com a dificuldade que eu tive, ela realmente me gratificou muito a educação dela. Mas eu não sou uma mãe de carregar filho no colo de ficar ‘nhenhe’... Não sou entendeu, eu não tenho paciência tem hora que eu digo assim: não enche meu saco, entendeu? Realmente, eu sei que eu sou assim, mas amo terrivelmente a minha filha e assim também sou como vó. Então eu tive vontade abrir um colégio pra eu administrar, eu queria criança bem administrada, mas não queria lidar com ela, pra isso eu não tenho saco. Realmente, me dá uma casa pra eu limpar, mas não me dá uma criança pra tomar conta que eu tenho vontade... Aliás,  eu digo que eu gosto muito de criança com molho branco, adoro assim na perninha é uma delícia (risos), não tenho entendeu, tanto que eu não quis ser mãe outra vez e foi uma opção de vida, era uma condição básica pra qualquer homem que vivesse comigo era não querer filho ou pelo menos de mim, podia ter de outra de mim não porque eu não tenho este espírito maternal que se fantasia, eu acho que ele não existe espírito maternal, o homem tem espírito maternal com certeza, o bicho tem espírito maternal, então o espírito maternal é trabalhado pela sociedade ta? Eu gosto, quero ver minha filha, adoro, por exemplo, lá no banco quando eu chego no banheiro uma pessoa vira pra mim e diz assim Jane sua filha, nossa nós adoramos sua filha ela é tão bem educada, eu digo não eu não eduquei minha filha bem, a minha filha tinha tendências boas e eu dei alguma base pra ela ir, mas ela é boa, não fui eu quem moldei minha filha, entendeu?  Mas eu sinto orgulho disso, eu sinto muito orgulho disso, mas nisso tudo eu percebo que eu não tinha esse espírito, se eu tivesse a opção apesar de estar na frente da minha filha eu digo isso e não escondo de ninguém, se eu tivesse tido a oportunidade de ter casado cedo e tivesse usado anticoncepcional e tudo mais, que na minha época não tinha, fui uma das primeiras no Brasil a tomar depois que ela nasceu, porque não se dava antes, não se tomava, né, eu não teria sido mãe tão cedo e não sei nem se eu teria sido mãe. Eu teria sido mãe do mundo, mãe das pessoas, ajudar, mas aquela mãe do parir daquelas... Não, não, realmente não é, então eu quero ver minha filha feliz, é minha filha, eu sei tudo, mas não tenho esse espírito não, realmente eu não tenho, esse espírito individual de mãe eu não tenho não, eu tenho espírito coletivo de mãe. E aí eu me formei (pausa) então nessa época que eu fiz o curso que eu passei pra faculdade eu trabalhava na Metanor, que era uma petroquímica ligada ao BNDES, e eu fui ser secretária da diretoria da Metanor, quer dizer, já era o terceiro ou quarto emprego, não me lembro e lá trabalhava um advogado que era consultor jurídico do BNDES, uma pessoa assim fantástica, de vez em quando nós nos encontramos, chamado Gilberto Pires era um homem baixinho de uma inteligência raríssima, e nós fazíamos aniversário juntos, então ele chegava, eu digo e Gilberto, ele era rapidinho, usava um terninho azul era uma gracinha, ele dizia, “Bom, estou cansado Jane cheguei hoje da França”, eu digo “Ai que beleza em França, de um avião para uma reunião”, digo aí: “Eu não, eu queria estar naqueles bares e tal”, e contava anedota pra ele, então nós nos dávamos muito bem. E um belo dia eu fui surpreendida com a Metanor indo pra Camaçari, ia ser transferido todo mundo e estavam sendo todos demitidos e lógico que eu entrei em pânico porque eu dependia do meu emprego pra educar minha filha, eu que era arrimo da minha casa. Eu fiquei muito triste, preocupada, né, naquela: ai que saco, o que é que eu vou fazer? Aí o Dr. Gilberto entrou e virou pra mim e falou: “Que você tem Jane ta triste hoje?”, digo: “Não, to preocupada meu chefe, preocupada”, aí eu contei pra ele e eu entre as coisas que eu pegava assim, eu falava um pouco de inglês aquela coisa, quer dizer aprendi de tudo um pouco na vida né? Aí ele disse a mim assim: “Pô Jane, eu vou ver o que é que eu posso fazer, e tal”. Daí ele me ligou: “Jane tem uma vaga de telefonista no BNDES, você quer?”, aí eu pensei: “BNDES, o que é BNDES?”, eu não sabia o que era BNDES, nunca tinha ouvido falar direito, BNDES, mas não sabia especificamente o que o BNDES representava, né? Eu disse: “Poxa, mas eu deixar de ser secretária de diretoria pra ser telefonista? Ah, eu vou mesmo, não quero nem saber”. Então eu fui trabalhar numa instituição ganhando menos, fazendo um trabalho “que se diria menos valorizado” que pra mim não foi, e trabalhando mais, porque eu trabalhava meio expediente, eram duas secretárias, e passei a trabalhar um expediente integral. E foi a minha grande sorte realmente, porque eu fui trabalhar na consultoria jurídica do BNDES que era um nível assim altíssimo de pessoas, eram pessoas de um relacionamento excelente, como: Gilberto, Armando Borges, Délcio Furtado, tudo pessoas que chegaram a um cargo no banco muito alto, e eu fui assim, eu fiz parte da família, entendeu? Era um andar só a gente ria muito, fazíamos festas, tínhamos os chás da tarde as quintas-feiras pra contar as fofocas que o Gilberto adorava, entendeu, então não tinha aquele Dr. Isso..., Dr. na frente das pessoas obviamente, mas eventualmente era ‘oi Gilberto, Armando’, aquela coisa toda. Eu fiquei ali naquela área júri... Naquela consultoria jurídica no tempo do Marcos Vianna, o Dr. Marcos que era Presidente do BNDES, e o BNDES era assim um marco, realmente foi uma época... 1976, BNDES era assim, como eu acredito que até hoje, mas era um “Deus” todo mundo olhava assim de cima ó aquele BNDES. Bom, e ali eu fiquei como telefonista e fazendo faculdade, e me chamavam pra ensinar as meninas quando queriam curso, eu me destacava, primeiro pela minha maneira de ser, me relacionar muito bem com consultores, telefonista, pessoa lá em baixo, eu nunca me senti assim, e segundo porque eu tinha a faculdade, assim essa coisa de lidar com o social, com o mundo, com as pessoas, eu ficava uma pessoa meio visada, ta? Mas eu não ligava não, o problema era deles. E aí veio o concurso do BNDES, primeiro concurso do BNDES pra assistente técnico. Eu me inscrevi, era minha última chance, já estava com 30 anos, era minha última chance, e nas vésperas do concurso eu fui acidentada, acidente de trabalho, uma britadeira caiu no meu pé na hora, no horário do almoço...

 

P1 – Meu Deus...

 

R1 – É, eu tava passando a britadeira tava assim... Todo mundo passou, mas eu passei a britadeira “plof” por cima do meu pé, aí arrebentou meu pé todo e eu não pude fazer o concurso. Aquilo pra mim foi, foi o desespero né? Uns dois meses depois veio outro concurso de assistente técnico B, que antigamente havia uma divisão no banco.

 

P1 – Qual que era a diferença entre A e B?

 

R1 – A diferença é que o A tinha a formação de segundo grau.

 

R2 – Acho que não era isso não mãe, naquela época era auxiliar administrativa.

 

R1 – É auxiliar de administração, isso mesmo, é tem razão.

 

Confusão, as duas falam ao mesmo tempo.

 

R2 – Agora é que veio, no meu tempo é que entrou dividido.

 

R1 – Mas ela ainda foi como auxiliar, ela entrou como auxiliar. Enfim eu fiz esse concurso e tive um mês pra estudar, então eu engolia o livro, engolia livro, nós éramos várias funcionárias do banco, e eu tive assim, acho que um privilégio, porque eu acho que isso é um privilégio, eram 13 mil e poucos candidatos, do banco tinham umas 20 pessoas e eu fui a única que passei, fui a única que passei, eu senti assim um orgulho muito grande de mim porque era assim uma coisa de você abrir uma carreira, porque você era de um _____________, né, e eu fui logo convidada pra ser secretária de departamento,  fui ser secretária do Dr. Nildemar e aquilo pra mim foi uma realização, tive muito orgulho realmente de ser uma secretária. Porque, era uma maneira diferente da secretária de hoje, ta? Antigamente no BNDES, as pessoas assim, superintendente, chefe de departamento, havia aquela coisa do tradicional, né, aquela coisa, eu achava isso chiquérrimo, né? Então, a gente se vestia muito bem, aquele ___________, lidava com políticos, aquilo era uma coisa, era muito empolgante, eu que tinha vindo do mundo lá de baixo, __________ muito pequenininho, eu acho, me senti muito importante, pra mim, não para os outros que eu nunca demonstrei, mas eu tinha muito orgulho. E realmente me tornei uma pessoa assim... Eu nunca tive uma chefia que pedisse pra eu sair. Eu saia dos lugares de livre e espontânea vontade, com dois, três convites e sempre me relacionando muito bem, os técnicos gostavam muito de mim, eu brincava muito entendeu, então foi uma fase da minha vida que eu tive muito orgulho. Fiquei 14 anos como secretária, trabalhei com as pessoas mais difíceis, posso dizer assim, porque, veja bem, eu acho que isso é até uma relação direta, né, só existe um dominador se existe um dominado, é uma coisa realmente verdadeira. Então eu só trabalhava com chefe exigente porque na realidade eu também era exigente com o meu trabalho. Nessa razão da coisa é... Eles me escolhiam porque sabiam que eu era exigente a aquilo que eles queriam, no zelo, no trato das coisa do BNDES, é eu tinha muito orgulho daquela coisa, do nome do banco, como tenho até hoje né?

 

P1 – Deixa só eu fazer uma volta aí. Eu queria que você lembrasse dos seus primeiros dias de trabalho. Você lembra do seu primeiro dia, em que você pôs o pé?

 

R1 – No BNDES?

 

P1 – É.

 

R1 – Ah, me lembro. Me lembro de um fato muito engraçado. Eu trabalhava, era um andar, e eu achei aquilo ali, a consultoria do banco, todo mundo tinha que ser anunciado, tal, e o banco era o espalhado, o banco tinha um setor em cada canto, você não se conhecia como um todo, não é hoje que se começa a _____________, e eu ali, e chegou o nosso Dr. (Hilton?) Paiva, que era um caboclo muito bonito, era um homem muito bonito, chefe do departamento pessoal do banco. Eu não conhecia, não trabalhava com ele, com o pessoal do departamento, né? Ia falar com Gilberto Pires, e ele falou: “Dr. Gilberto está?” – “Pois não, seu nome?” ele olhou pra minha cara, aí eu: “Seu nome, por favor?”, e o homem não entrou de jeito nenhum porque eu não deixei. Aí ele chegou lá, falou com Gilbeto, aí a secretária do Gilberto virou pra mim e disse assim: “É o chefe do departamento!” digo: “E o que eu posso fazer ninguém me apresentou?” e ele entrou né? Aí ele entrou lá falou com Gilberto, tal, e o Gilberto: “Não, eu acho que ela está correta, a ordem é esta...” aquela coisa toda né? Aí quando ele passou,eu não podia deixar aquilo em branco de jeito nenhum, realmente não deixei, quando ele passou... Olho espigado, porque ele é um homem muito espigado, eu virei pra ele: “Dr. (Hilton?)?” – “Pois não” – “Muito prazer, meu nome é Jane, agora o senhor pode ir tranquilo que eu jamais vou esquecer sua imagem” (risos). Eu fiquei... Não fazia muita questão daquilo, mas eu tinha falar com o homem, eu tinha que dizer “Olha desculpe.”, né, eu ia dizer: “Olha o Sr me desculpa?”, não era só uma questão de humildade, era uma questão profissional. Então isso foi uma coisa que eu dizia, aí meu Deus o que eu vou dizer pra este homem. Aí ele me achou fantástica, o Gilberto, olha ela tem umas tiradas muito boas. E foi assim, e eu percebi, comecei a perceber também que foi uma coisa importante que eu comecei a lidar com o mundo jurídico, a questão jurídica da vida que eu até então não tinha tido acesso a coisa do contrato a coisa do pode, não pode, é sabe, houve nessa época também uma situação no banco com o caso (Multifal?), e escândalo, e aí que houve aquela coisa toda, veio polícia federal, nós tivemos que escrever bilhete, com (letra?) de imprensa pra ver quem é... Então eu me senti suspeita de um escândalo do banco, olha o terror! Foi uma coisa, hoje eu já não me sentiria assim, porque a gente vai aprendendo que isso acontece no dia-dia. Mas aquilo pra mim ali foi de uma importância, veja bem, a meu ver é que de repente eu tinha, era um bilhetinho porque eu não sei quem tinha mandado, não sabia nem porque eu tinha que escrever aquelas palavras assim, só sabia que tinha que ser com (letra?) de imprensa pra ver quem é, se alguém tinha roubado algum documento, essas coisas aí da política, né? Eu realmente aquele dia já era muito importante, eu ia trabalhar com muito prazer, eu sempre fui trabalhar com prazer no banco, realmente eu vou, muito prazer no banco, o banco me diverte.

 

P2 – Em que época foi isso?

 

R1 – 1976. Eu entrei, virei secretária em 78, 79 pra 80, e aí eu passei pro outro lado do banco, né, passei a ser uma funcionária concursada carimbada na carteira, e aí eu pedia as ligações às telefonistas, eu ligava e minhas colegas diziam: ”Oi Jane, você esta boa, e tal?” e eu sofri muito por isso.

 

P1 – Por quê?

 

R1 – Porque aquela coisa que você tava do lado de cá, e agora você está me pedindo pra fazer, elas achavam que eu estava mandando, então havia aquela coisa de não fazer a ligação e tal, hoje muitas delas lá, estão também do outro lado,, né, que passaram em concurso e são minhas amigas, mas elas perturbavam um pouquinho, tipo o chefe pedia uma ligação, você tinha urgente “A senhora não fez a ligação”, porque a gente não tinha acesso, era pelas telefonistas e elas seguravam. Era uma forma, era uma forma assim de competição, né, não digo nem prejudicar porque não seria esse o caso, mas era competição. Mas eu venci, porque eu fingia que não entendia, entendeu, e ______________ porque elas mereciam, eu acho que é a melhor coisa, as pessoas têm que se ____________ do que elas merecem. É realmente é isso aí.

 

P1 – Vamos, queria perguntar um pouquinho pra Rojane agora depois a gente, a gente vai fazendo agora um casadinho aí.

 

P1 – Queria que você falasse seu nome completo, o local e a data de nascimento.

 

R2 – Meu nome é Rojane Lobo Padula, eu nasci no Rio de Janeiro dia 19 de agosto de 1963.

 

P1 – E o nome de seus pais? Só pra gente registrar.

 

R2 -  Jane Maria Lobo Padula e Roberto Padula.

 

P1 – Ta. E Rojane a sua infância você passou em que bairro assim?

 

R2 – No Meyer, fui criada no Meyer, nasci no Meyer, fui criada no Meyer e morava numa vila, antes da vila eu nem falo muito porque eu fui morar lá, acho que, com dois anos de idade, então não tem muita recordação, mas a vila foi uma coisa que marcou muito, eu morei lá dos dois aos dezoito anos e tinha muita criança, então eu fui criada nessa vila, tinha aquela liberdade, andava de bicicleta, brincava de pique, brincava de roda, e era bom, né? Caí na [piscina] quando era pequena, quase morri afogada, então assim, foi uma infância muito boa, e também a gente frequentava muito Paquetá, eu fui feita em Paquetá, a minha mãe passou a Lua de Mel lá, e eu fui feita lá (risos). Então a gente frequentava Paquetá, era livre, tinha aquela coisa de andar de bicicleta, ficava de biquíni o dia inteiro, isso até adulta, até adulta, sempre foi assim. Então foi uma fase muito boa, brincava, corria, eu adorava brincar com __________ tinha muita boneca, aí fazia fila de boneca do quarto até na cozinha, umas iam sentadas outras em pé, a que ficava em pé, eu botava em pé, a que ficava sentada, aí eu botava na cama sentada pra dar aula, só que eu odeio dar aula, não sei como é que eu fazia isso, porque eu odeio ensinar, não consigo ensinar nada pra ninguém, eu sou autodidata, sou muito autodidata, então eu sou muito impaciente, meus filhos mesmo “Pá, meus filhos eu já falei que não é assim, mas você não entende”, só falta enforcar o coitado, tem que entender logo na primeira vez, se não eu já não quero mais ensinar nada já da vontade de enforcar. Não tenho a menor paciência, ela professora e eu péssima (risos), não tenho mesmo. Mas eu brincava com as bonecas, botava, tinha um livrinho tinha um quadro negro, gostava, foi uma infância muito boa assim, brincava muito tanto lá na Vila como em Paquetá, era muito livre, tinha muito espaço, andava de bicicleta. Carnaval, adorava carnaval, me fantasiei de tudo que você imaginar, desde a baianinha até a coelhinha da Playboy já grande, né, então baianinha, tudo, adorava carnaval.

 

P1 – Pulava onde?

 

R1 – Paquetá. No Iate Clube de Paquetá. Sempre pulei carnaval lá, quer dizer, brincava um pouco também no ____________, mas era mais em Paquetá, eu tava sempre em Paquetá. Depois que meus pais se separaram eu ia sempre passar a férias com meu pai, ele morava em Paquetá, foi morar lá, então eu sempre ia pra Paquetá, férias de Julho, férias de verão, então carnaval era sempre em Paquetá, entendeu? Então era lá. Foi uma assim infância muito boa, eu lembro assim, brincadeiras, bicicletas e pique, e essa coisa toda de brincar de roda na vila, tinha muita criança, em Paquetá também tinha aquela liberdade, era solta né? Podia andar de bicicleta, podia ir pra praia, não tinha perigo nenhum, nada, não tinha perigo, então... Eu era muito tímida, principalmente na minha adolescência, eu era muito tímida, não sei nem como é que eu sou assim do jeito que eu sou hoje, porque eu nunca fiz análise, nunca fiz terapia (risos), a minha terapia acho que foi a vida mesmo. Eu era muito tímida, lembro que na minha adolescência eu era horrível....

 

P1 – Tinha vergonha?

 

R2 – Tinha, eu era assim o tempo todo, no colégio eu sentava lá atrás, depois com o tempo, acho que eu fui trabalhar, e eu comecei a fazer faculdade, daí na faculdade lembro que daí eu já fui pra frente, aí a vida foi indo e a gente vai se liberando. Mas a timidez não sei, se por que que eu era tímida, porque eu não sou uma pessoa tímida eu acho que não é do meu temperamento ser tímida, alguma coisa fazia com que eu fosse tímida. Na adolescência principalmente, mas hoje em dia eu não sou não, muito pelo contrário.

 

P2 – Essa coisa que você fala das bonecas, você brincava muito sozinha será que tem alguma coisa a ver com ser filha única?

 

R2 – Pode ser, porque eu brincava, eu tinha muita amizade na Vila, mas tinha horas que você tinha que ficar dentro de casa, né? Então, eu brincava muito com boneca, brincava muito, adorava brincar de boneca, tinha muitas bonecas, meu avô e minha avó sempre me deram tudo o que eu queria, eles sempre foram muito assim comigo, meus avós paternos, era super agarrado e sempre me davam tudo, falava quero isso eles já estavam comprando, eram assim. Então eu tinha tudo, e minhas bonecas. Não sei talvez fosse isso também da timidez, não sei talvez um pouco elo também, culpada que era um pouco repressora (risos), era meio assim, às vezes tem essa coisa também, um pouco, mas que eu acho que não é meu.

 

P1 – É o oposto né?

 

R2 – Acho que se eu fosse tímida de temperamento, acho que eu seria tímida até hoje, e eu não sou, pelo contrário, falo besteira pra caramba...

 

R1 – Ela foi uma criança muito calma.

 

R2 – Eu era calma, mas né?

 

R1 – Não me deu trabalho.

 

R2 – Mas eu não sei, depois com tempo, com adolescência, namorei muito cedo, comecei namorar com 12 anos, namorei a mesma pessoa dos 12 aos 18 anos que foi meu primeiro namorado, aí quer dizer, foi um relacionamento bem longo, e depois de repente me deu um tilte, não sei por que graças a Deus eu resolvi desmanchar, quando já ia casar, quase casando eu resolvi desmanchar o noivado e não quis mais com 18 anos. Então quer dizer aí foi... Acho que depois que eu comecei a trabalhar, entrei pra faculdade que eu comecei a mudar, a ser a verdadeira Rojane, aí aos poucos, muito lentamente (risos) tomando posse da minha verdadeira personalidade entendeu (risos).

 

P1 – E o que te levou, você fez jornalismo né?

 

(PAUSA)

 

P1 – Então eu queria que você retomasse a sua opção pelo jornalismo.

 

R2 – Ah é. Eu acho que foi uma influência muito grande do meu pai porque meu pai era jornalista, então cresci naquele mundo, ele me levava e eu achava aquilo fascinante, gostava muito daquilo, ele me levava, eu me lembro quando eu era pequena, meu pai trabalhava acho que na TV Record, me lembro que tinha o negócio da jovem guarda.

 

R1 – TV Rio.

 

R2 – TV Rio, sei lá, não me lembro. Tinha o programa do Roberto Carlos da jovem guarda, e ele me levou uma vez, e o Roberto Carlos muito gloriosamente me pegou no colo, aquilo foi uma coisa maravilhosa, eu não sei porque ele não tirou um retrato daquilo, eu tinha que ter um retrato daquilo guardado. Roberto Carlos me pegou no colo...

 

R1 – Programa do Pão Pullman.

 

R2 – Aquele mundo da Televisão era uma coisa muito bacana, gostava muito daquilo, achava admirava muito, então eu acho que foi mais por aí. Tanto que eu nem, até por outra circunstância da vida eu nunca exerci a minha profissão, né, que quando eu me formei em 87, foi quando eu já trabalhava no Banco e eu fiquei grávida do meu filho mais velho, aí acaba que a vida vai indo, né, e a gente vai... Nem lamento muito não viu, porque eu sinceramente eu não sinto muita falta de não ter exercido a minha profissão não. Eu acho que foi mais isso mesmo, acho que não teria muito dado certo não.

 

P1 – Mas você fez o curso aonde?

 

R2 – Na Facha, Faculdade Integradas, lá em Botafogo. Fiz com... m 87 eu me formei, e nunca, nunca... Eu fiz curso de inglês, eu fiz...  Gostava muito de dançar então mudando de assunto, ela falou o negócio de dançar, e eu também adoro, gostava não, eu gosto de dançar, até hoje. Já fiz curso de sapateado, ballet moderno...

 

R1 – E era tímida.

 

R2 - ...Dança de salão. È, e a minha timidez eu não sei muito bem explicar eu acho que era direcionada pra determinadas coisas talvez, não sei, entendeu? Mas eu gostava, sempre gostei muito de dançar fiz todo tipo de dança que você imaginar até dança do ventre eu já fiz, só que foi pouco tempo mais fiz, dança de salão, sapateado, ballet, então eu gosto muito adoro dançar. Até hoje quando tem uma oportunidade eu vou pra boate com meus amigos, danço, saio pra dançar. E então quer dizer, era assim. E o jornalismo eu fiz, eu gostava muito do curso, achava interessante, convivia com muitas pessoas, convivia com pessoas de lá que hoje estão no mercado de trabalho, né? Na época a Cristina, Cristina Rocha agora ta meio sumida não sei por onde ela anda não, ela era do SBT. Convivia com pessoas assim então era um mundo muito legal, gostava, mas ai acabou que a vida foi enveredando pro outro lado e ficou. Hoje eu trabalho na assessoria de imprensa (risos) tem haver, né, tem haver pelo menos ta na mesma área. Mas era bacana, eu gostei, foi uma coisa que eu gostei muito. Mas acho que se eu tivesse que escolher hoje uma faculdade eu não escolheria jornalismo, escolheria... Gosto muito de psicologia, observar como é que a mente das pessoas funcionam é uma coisa tão complicada, nossa, as pessoas complicam muito. É, eu acho maior barato, a psicologia eu acho legal, não sei talvez eu fosse me enveredar mais pra esse lado hoje.

 

P1 – Ta. E como é que, desculpa.

 

P2 – Você começou a estudar muito nova quando você fez essa opção pro jornalismo?

 

R2 – É eu, 17 anos que eu acabei o segundo grau, passei pra faculdade, pra (Suan?) à noite, mas a minha mãe não deixou eu ir porque era de noite, era perigoso, tinha que passar...

 

R1 – E eu fazia faculdade a opção era minha naquele momento.

 

R2 – ... Aí eu não fui, não fiz, não fui pra (Suan?). Fiquei um ano que parei, acabei o segundo grau, fiquei um ano, que acho que foi em 81, eu fiquei assim, pra não ficar à toa eu fui fazer um curso de auxiliar de escritório no Senac, lá na cidade...

 

R1 – Tinha que estudar, eu botava pra fazer tudo.

 

R2 - ... Aí fazia de manhã esse curso, eu chegava, tinha que ir super cedo pra cidade na Marechal Floriano, eu fiz esse curso, aí do meio do ano em diante eu fui fazer esses cursinhos pré-vestibular pra poder fazer o vestibular de novo no final do ano. No final do ano eu fiz vestibular de novo, só que eu fiz pra Letras, não sei nem porque que aconteceu isso, só sei que eu fiz pra Letras e passei pra Letras nessa faculdade até onde ela estudou, na São Judas Tadeu, só que eu fiquei só meio período lá porque eu queria fazer jornalismo, então eu acho que eu fui pra depois transferir, entendeu? Não me lembro porque que aconteceu isso, por quê que eu fiz dessa forma, só sei que foi assim, fiz Letras...

 

R1 – Era por causa exatamente da distância, a idade dela, eu tava estudando, ela ia comigo, porque assim não perdia tempo.

 

R2 - ... Passei bem, passei super bem pra faculdade. Aí depois no meio do ano eu fiz transferência pra ___________ só que eu estudava à tarde na ____________. Era horrível à tarde, cheio de filhinho de papai, aquela gente que não fazia nada na vida pra ninguém, à tarde acho que ainda é pior que de manhã, quem estuda de manhã trabalha, quem estuda de noite trabalha, mas quem estuda à tade, ai eu me sentia horrível, mal, eu achava horrível aquilo. Aí logo no ano seguinte que eu comecei a trabalhar, eu tinha 19 anos, aí eu fui estudar à noite na ____________ passei pra noite. Aí foi. Aí fiquei um ano trabalhando no Unibanco, ah mais tem voltar antes porque essa história do BNDES, que afinal a gente ta falando também do BNDES, mais do BNDES (risos). Foi engraçado porque a minha mãe trabalhava lá, e eu ia de vez em quando lá visitar ou encontrar pra fazer alguma coisa, mas nunca tinha passado pela minha cabeça trabalhar no BNDES porque eu queria ser jornalista. Aí um dia ela veio e falou que ia ter uma seleção pública pra recepcionista só que tinha esperar fazer 18 anos pra se inscrever. Aí quando eu fiz 18 anos eu fui lá com ela no departamento que precisa me inscrever, eu me inscrevi lá e ficou. Passou uns dois anos, eu tinha 21 ou vinte sei lá, eles me chamaram pra fazer a tal prova, me lembro que eram 300 pessoas inscritas, não foi um concurso público, foi uma seleção pública, e tinham 20 vagas. Aí eu sei que eu fiz a primeira prova, passei, mas eles anularam o concurso, eu não lembro por quê. Eu trabalhava no Unibanco nessa época, depois teve outra vez o concurso, aí eu fiz de novo e passei, isso em 83 ou 84 que eu fiz essas duas provas. Aí eu peguei, quando eu passei, eu pedi demissão, fiz um acerto lá no Banco e pedi pra sair porque eu tava de saco cheio, inclusive, por causa do Banco eu tive trancar minha faculdade um ano porque não dava tempo, banco, eles sugam tanto a gente que você não conseguia, mesmo estudando à noite em Botafogo, perto do Banco eu não conseguia chegar à faculdade, aí tranquei. Aí pedi um acerto lá eles me mandaram embora, porque eu sai do Banco no final de 84 do Unibanco, e eu fui contratada no BNDES em março de 85, então eu fiquei uns meses sem trabalhar pra poder dar, né, uma descansada, aquela coisa horrível né?

 

P2 – Qual é a diferença de concurso público pra seleção pública?

 

R2 – Olha, é concurso público sai o edital, é isso basicamente. Hoje em dia não tem mais, hoje em dia o Banco não contrata mais ninguém por seleção. E acho que a quantidade de pessoas também é bem menor, o concurso público...

 

R1 – É e havia também o seguinte, o concurso público é pra um cargo de carreira, e esses concursos que o BNDES fazia, quer dizer, que no tempo dela era até, ela entrou já no final disso, eram quadros transitórios, a pessoa fazia uma prova, mas era um quadro transitório do BNDES que já não existe mais.

 

R2 – É, mas eu já entrei pro definitivo...

 

P2 – Não tinha instabilidade?

 

R1 – Não, não.

 

R2 - ... Eu já entrei pro definitivo, eu não entrei como transitório. Na época em que eu entrei estava justamente mudando isso.

 

R1 – Tava mudando é, tava mudando a política.

 

R2- E eu dei sorte porque eu entrei porque as recepcionistas da época que trabalhavam no banco, não eram funcionárias, eram do BNDES, eram desse quadro...

 

R1- Eram do BNDES com todos os direitos,

 

R2 – Não, mas eram de um quadro à parte que, como é que era o nome daquela coisa? “QPP”, não sei o que, “Q” não sei o que lá?

 

R1 – Não, é que antigamente tinha o nome assim “QPP”, depois passou “PFP”, (depois?) é “PUC” (risos).

 

R2 – Era um nome assim. E eu quando entrei, eu entrei já pro tal quadro definitivo que...

 

R1 – “QSP”.

 

R2 - ...Dei sorte, foi justamente na época que tava mudando, então eu já entrei como recepcionista.

 

R1 – _________ que até o emprego era transitório, né, a minha objetiva é que fosse transitório porque ela tava fazendo uma faculdade, eu queria que ela se sustentasse, porque ela tinha que aprender a se sustentar, assinar cheque, comprar roupa, fazer essas coisas e não ficar de cabeça vazia.

 

R2 – De cabeça vazia, né, porque eu trabalhava no Unibanco então de certa forma eu já fazia.

 

R1 – Não, não, veja bem, o BNDES não foi um ponto final pra ela. Correu assim, então eu queria que ela fizesse qualquer coisa lá dentro, entendeu? Era uma forma de ela estar ocupada e não ta à toa. Ser uma pessoa independente, ou seja, também de certa forma fosse até que eu quisesse ficar livre, mas pode ser que seja isso mesmo. E foi muito bom pra ela, ela aprendeu a viver.

 

R2 – Não porque lá no banco, no Unibanco, em matéria de salário, eu ganhava, no BNDES eu entrei pra trabalhar no negócio aqui trabalhar bem menos, que no Unibanco era uma ralação danada e ganhava três vezes mais do que eu ganhava no Unibanco...

 

R1 – É, o salário é excelente.

 

R2 - ... Entendeu? Na época quando eu entrei. Aí eu fui ser recepcionista. O curioso, é que eu fui ser recepcionista na área jurídica que era onde ela tinha entrado também (risos).

 

R1 – E eles a adoravam.

 

R2 – E o pessoal me adorava. Algumas pessoas já me conheciam, algumas pessoas já me conheciam,...

 

R1 – Foram à festa de 15 anos dela.

 

R2 -... O superintendente da área, na época Danilo, que até morreu, ele já me conhecia, algumas pessoas já me tinham... Então foi muito legal com aquela coisa comigo porque aí a filha da Jane, fui ser recepcionista lá..

 

R1 – Era filha da Jane, olha a mudança?

 

R2 – É, mas hoje em dia eu já não sou mais a filha Jane.

 

R1 – Não. Hoje eu sou a mãe da Rojane (risos).

 

R2 – É ao contrário, eu já fiquei mais famosa do que ela. Ela é mãe da Rojane, eu não sou mais a filha da Jane, eu sou a Rojane (risos).

 

R1 – E foi uma coisa que eu sempre quis.

 

R2 – Então era engraçado, quer dizer, eu entrei pra área jurídica e, uma coisa muito curiosa que eu fico pensando às vezes, se eu não tivesse trabalhado no banco, como seria a minha vida, eu não consigo imaginar. Porque tudo o que aconteceu na minha vida aconteceu em função de eu ter ido trabalhar no banco, né? É muito engraçado. Eu fico tentando imaginar, mas não tem como imaginar. Porque tem pessoas que trabalham no banco, mas que já foram pro banco casadas, já foram com filho, ou sei lá, mas a minha vida não. Tudo o que aconteceu na minha vida foi em função de eu ter ido trabalhar no banco, então eu fui trabalhar na área jurídica como recepcionista e lá eu conheci o pai do meu filho mais velho que era advogado lá na época, hoje em dia ele não está mais no banco, porque ele fez concurso público pra juiz e saiu. Mas foi onde eu conheci o pai do meu filho, então tive um filho, fui mãe solteira com 25 anos.

 

R1 – Apaixonou.

 

R2 – Foi uma grande paixão (risos), tive meu primeiro filho com 25 anos, nós nunca fomos casados, ficamos juntos quase cinco anos, mas nunca fomos casados. Então quer dizer, tudo, aí em função de eu ter tido aquele filho, eu saí de casa, deixei de morar na casa da minha mãe, fui morar sozinha com meu filho... Então, é uma coisa assim, tudo o que aconteceu na minha vida em função do BNDES. Eu tento imaginar como poderia ser a minha vida sem o BNDES, eu não consigo, é impossível, não tem como.

 

P2 – E no começo tinha muita cobrança por ser filha da Jane?

 

R2 – Não.

 

P2 – Ou uma super proteção do pessoal do setor?

 

R2 – É talvez, muita simpatia logo de cara, aquela coisa, querer... Tinha, eu era recepcionista, eu nunca senti uma coisa que as pessoas falam muito no banco porque existe certa separação... Eu nunca senti isso.

 

R1 – Eu também não.

 

R2 – Eu entrei no banco como recepcionista da área jurídica, as pessoas sempre me trataram muito bem, eu não sei se é por causa do meu temperamento, meu jeito de ser. Eu nunca senti fazerem nenhuma forma de distinção com relação a mim, assim por causa disso entendeu? Então eu sei lá eu, adoro o banco, adoro mesmo não é porque eu estou aqui gravando o vídeo pro banco não (risos), mas eu gosto muito do banco por causa disso, porque eu penso, tudo que eu tenho devo ao banco, lógico a mim claro, não ao banco porque se eu estou lá onde eu estou é porque eu corri atrás. Eu entrei como recepcionista, tive filho, tal, depois fiz prova pra concurso pra (Operador de Telex), eu passei muito tempo no Banco que as promoções que eu recebi fui eu mesma que me dei, porque não me promoviam, eu me promovia, passei de recepcionista depois fui ser operadora de telex...

 

R1 – Concurso interno.

 

R2 - ... Fiz concurso, depois em 91 teve um concurso interno pra assistente técnico que é o que eu sou hoje, só que eu tenho um cargo de secretária, eu fiz também e passei, entendeu, então até... Fui logo, comecei logo subindo ali dentro mesmo.

 

P1 – Agora você lembra dos seus primeiros dias lá? Do primeiro dia?

 

R2 – Lembro, o primeiro dia de trabalho nós fizemos um treinamento então nós fomos conhecer o Banco, nós conversamos, teve palestras, eles mostraram, falaram sobre o Banco, levaram pra gente conhecer o prédio do Banco, então eu conheci desde do COC – Central de Operações do Banco, que faz o prédio funcionar, que é uma coisa muito complexa, né, aquele prédio é uma coisa...

 

P1 – Ali é uma cidade, né?

 

R2 – É. Então a gente conheceu lá de baixo, desde a casa de máquina, aquela coisa toda, até lá onde é no Heliporto onde os helicópteros  não____________, fui a única na vida vez na vida, imagina? Em  17 anos que eu tenho de Banco que eu tive lá em cima e lá embaixo. Meu primeiro dia de Banco foi assim. E depois o trabalho com a recepção, aquela coisa a gente fica meio insegura no início e tal. Mas eu não sei, eu sempre fui muito bem recebida então não tive problema assim, não me lembro de nenhum problema assim, se tive eu não registrei, porque eu não lembro (risos).

 

P1 – Agora um pouquinho antes você ingressou na área do fim social em 82?

 

R1 – É eu trabalhei, eu trabalhei no BNDES na área de operacional antigo (The Peach?), né, de 82, de 80 a 82, aí em 82 criaram o fim social foi criado em maio de 82, acho que 5 de maio, e eu tinha um amigo meu que trabalhava comigo na área operacional que foi ser chefe na outra área, e eu adoro a coisa do social, aquilo pra mim era uma beleza, aí ele me convidou e eu fui ser secretária lá. E realmente tive um choque muito grande de ir pra área social porque eu tinha uma idéia, que eu pensava “Oba agora vai ter o social e vai melhorar um monte de coisa”, e na realidade não era bem assim, né, a coisa tem muita coisa nesse meio e não é bem assim, e eu quando comecei a tomar consciência da atuação que se tentava no social, e como realmente ela acontecia, eu fiquei muito deprimida, e cheguei até a fazer análise por causa disso, porque eu me revoltei muito, porque eu tomei consciência de como é que as coisas funcionam, porque a gente vai pro meio a gente começa a ver como é que as coisas funcionam. Eu fiquei decepcionada, mas eu segurei, fiquei assim deprimida, meu Deus eu falo ou não falo, imagina você tem que ver coisas que você imaginava que um jardim do Éden, né, quando você chega não era, tremendo jardim Praça da República. Aí eu digo, ai meu Deus do céu falam tanto aquela coisa do social, aquela propaganda e agora vai melhorar o Nordeste e não sei o que... E aí você toma a ciência real que não é, então isso me amadureceu também entendeu? Eu fiquei no fim social de 82 a 89, passando por várias chefias diferentes, de políticas diferentes, de grupos diferentes, mas eu sentada na minha cadeira, ninguém me tirava, vinha um vinha outro e eu sempre senti isso no banco, as pessoas tinham a ideia de trabalhar pra grupo, eu nunca trabalhei pra grupo, eu trabalhava pra pessoa, a pessoa vinha não me interessava o grupo que ela pertencia porque eu não gosto de grupo político. Eu trabalho pra pessoa, eu faço o meu trabalho, agora se é bom pra ela, então não me interessa a política dela. Então eu trabalhei pra pessoas dos mais ramos difíceis de política, ta? Eu era uma pessoa que tava sempre prestando favor a um, me interessando por tudo e tal, tinham coisas muito confidenciais na minha mão e tal, foi uma época boa, e infelizmente quando eu saí do fim social, foi exatamente esse meu chefe que eu tive que foi uma pessoa maravilhosa, mas era muito engraçado, ele ainda ta no banco hoje, é um homem muito inteligente, professor de História da Economia.

 

P1 – Quem que é?

 

R1 – Na URF, Márcio Henrique Monteiro de Castro. Então ele é um rapaz assim, baixinho, gordinho, e ele tinha uns cabelos assim que nem um doidão sabe, todo tumtum, todo meio malucão sabe? Todo malucão, mas de uma inteligência raríssima e que eu percebi também no Banco isso, que toda pessoa muito inteligente tem dificuldade de viver com a coisa comum, porque ela vive além, né? Eu logo percebi foram dois chefes que eu tive dificílimos porque eles eram super inteligentes, então o inteligente, quer dizer inteligente pra uma coisa, mas não é, eu costumo dizer que tem um bom QI, mas um péssimo QE porque na realidade...

 

P1 – QE?

 

R1 – ... O Quoeficiente Emocional deles é baixíssimo, né? (risos). Porque eles têm um QI altíssimo então eles são super Deuses, tão acima do bem e do mal. Pela inteligência que é uma coisa errada na educação, eu me bato muito nessa educação, eu acho educação vetada por QI péssima, então eles eram pessoas difíceis de lidar e pessoas que você tinha que ver a cada momento, cada palavra que você dizia porque eles aí literalmente davam aquela ar.... Famoso coice, que não é o coice, é uma maneira de explodir. E o Márcio Henrique fazia um trabalho de parceiro, ele tava com um negócio de reforma agrária, sabe, ele é um cara muito do social também, só que uma pessoa muito agitada. Ele viajava e ia pro Amazonas, interior se enfiava, ia dormir em redes, então ele chegava ao ponto de ir de manhã ir ao posto telefônico pra ligar “Jane minhas contas, fez...”. Quando ele estava em lugar eram quatro horas da manhã ele ligava pra mim, né, e eu casada, as pessoas “Jane?”. Não tem nada a ver. Então eu estendia minha profissão pra minha casa, entendeu, eu era aquela secretária que estendia a minha profissão pra minha vida pessoal. Mas eu não me sentia mal com isso, né, eu sabia a boa hora de fazer a pessoa parar, e o Márcio era uma pessoa agitada, solteiro, rapaz solteiro adorava escola de samba, então ele um dos muitos assim doido, muito doidão, essa coisa toda, carnaval às vezes, véspera de carnaval a gente trabalhando no Banco, eu sempre fiquei até tarde no Banco acompanhando meus chefes, tudo bem. Ele em uma ocasião ele teve hepatite, então uma das vezes que nós tivemos atrito, eu nunca me atritei com ele, ele falava eu olhava pra ele bem séria assim “Sim, Sr.” E saía, aí olhava bem de lado assim e dizia assim: “Aí meu Deus dei-me paciência” saía, entendeu? Eu sempre fui assim, pá pá pá, mas também quando eu explodo acabou. Ele teve hepatite e eu dizia olha Márcio, eu tinha muito carinho com ele, apanhava o resultado de exame dele, ligava pra ele: “Você tá comendo?” ele morava sozinho, carente tadinho, e eu tinha aquela pena, aquela coisa da mamãe bota no colo, canceriano, né? Aí, mamãe coletiva. Aí eu fui, a família dele me adorava, porque eu tinha muito carinho com ele. Ele ficou muito irritado a pressão dele subiu, aquela coisa toda, e ele não me permitia sair da frente dele, quando eu saía da cadeira ele tinha uma insegurança que ele saía louco atrás de mim por onde eu estava, ele só se sentia seguro na minha presença, e eu dizia: “Ah, não aguento, assim é demais, ta entendendo?” eu ainda brincava com ele. Bom, enfim, ele quando teve esse problema de saúde, a pressão dele subiu e ele foi fazer um exame periódico, foi quando ele foi fazer o exame periódico, ele chegou na FAPES, e a FAPES às vezes demora um pouquinho, porque o Banco é todo aquele compasso, e ele irritado queria sair tal, eu digo “Oba! Ele não ta aí eu na hora do almoço vou dar uma saidinha” porque naquela época ele contava o meu tempo sabe, era uma coisa menina, aí eu cheguei um pouquinho mais tarde e ele tava na sala, e eu digo “Ih, sujou” aí eu entrei “Oi chefe tudo bem? E aí como é que foi o exame?”, eu calminha, né, dizia assim, né, vamos ver o que é que vem dentro, ele tava bufando, “Foi bom o seu exame?” “Foi nada, cheguei lá na FAPES aqueles palhaços não me atendem, afinal de conta eu tenho um compromisso, ninguém tem nada o que fazer, não sei o que”, mas eu: “Calma Márcio fica assim não, olha a tua pressão”. “Não vem você também”, ta bom (risos), a vou não chefe, vou não, só se ce for comigo, aí eu sai, e ele saiu. Fiquei quatro anos com ele, voce vê que é uma experiência, né? Bom e aí eu comecei a perceber que ele já estava me extrapolando a minha paciência, né? Aí um dia eu cheguei um pouquinho mais tarde, quando eu entrei de cara com ele, eu tinha ido ao médico, olhei pra ele, oi, bom dia, ele bom dia, tudo bem, acabou a reunião eu disse: “E aí Márcio tudo bem?” “Tudo bem não, onde é que você estava?”, eu digo: “Eu fui ao médico”, aí aquele dia eu me estourei, “Bobagem você não precisa...” “Pera aí Márcio, pera aí, eu acho que você não está mais satisfeito comigo, nosso casamento acabou, e eu vou me embora”, aí eu me lembro que ele botou a mão assim na mesa, o BNDES é espalhado atrás,“Você está livre!” digo, “Livre não, sempre fui até pra trabalhar com você. Até amanhã”, sai pela porta e fui embora. E aí depois ele ligou pra mim “E aí, você onde é, você já arrumou pra onde ir hoje?” eu disse “Por que, já arrumou? Eu só quero minhas férias e meu.... Eu vou embora não quero saber de nada”. E aí eu fui embora, quer dizer foram oito anos dentro daquela área. Eu fui trabalhar dentro da área de energia, que daí o Reginaldo Treiger, que faleceu, que era superintendente, me conhecia, e soube que eu tava saindo, “Ah, Jane, vem pra cá!!” Aloísio __________ que foi diretor do Banco, também me conhecia. E aí eu fui trabalhar no departamento de energia, lá trabalhei uns três, quatro anos, já tava com 14 anos, eu queria incorporar, né? Aí eu pedi pra incorporar e fui convidada pra trabalhar na área que ela já trabalhava. Tive três convites, um deles foi, nessa altura ela já estava grávida do segundo filho, e aí eu...

 

R2 – Ainda não.

 

R1 – Não, do Fernandinho não tava?

 

R2 – Não, não tava não.

 

R1 – Bom...

 

R2 – Foi logo depois.

 

R1 – Tava lá, trabalhando lá. Aí eu disse bom vou trabalhar lá. Fui convidada pra fazer um relatório de atividades lá, e fui trabalhar na gerência dela, e foi uma coisa que criou muito problema na cabeça das pessoas, porque as pessoas achavam que não daria certo, mãe e filha, né? O chefe de departamento ficou espantado, aquela coisa toda, eu digo pode ficar tranquilo que você não vai ter problemas não. E realmente sempre eu pegava os trabalhos dava a ela como uma secretária, eu nunca tratei minha filha como minha filha dentro do Banco entendeu? Eu sempre separei, fiz questão dela não andar comigo, até pra ela sentir que as pessoas, “Pô, mas você não liga?”. Não é que eu não ligo, é que eu acho que ela tem que sentir que cada lugar que ela galgou, ela galgou pela competência dela, e não por estar junto de mim. Porque o dia em que eu sair, quer dizer, eu costumo dizer que o dia em que eu sair do banco, ou que eu sair da vida dela por alguma razão, ela vai lembrar de mim como uma pessoa que apoiou e tudo, mas não ter aquela coisa assim, o que eu faço agora entende? Aquela dependência. Então ela é muito independente.

 

R2 – Ah. Mas isso aí não tem mais possibilidade de acontecer nessa altura do campeonato, de eu ser dependente, que eu já sou totalmente independente (risos).

 

R1 – É, agora não, agora não. Veja bem, eu fiz questão de que fosse assim, entendeu? Eu acho muito ruim, a gente costuma dizer que quando a gente tem 20/25 anos, sei lá, um pouquinho mais, a gente casa, a gente tem que formar a família da gente, a vida da gente é pra frente, a raiz ela é normal, é a mãe e o pai, mas os frutos da gente nós é que temos que fazer. Então eu fiquei, fico muito preocupada é que aquela coisa da pessoa que fica, ah você vai a vida como mãe, papai, a mamãe, o papai, aquela coisinha assim, muito aquele elinho, aí quando chega nos 40 anos o pai e a mãe morrem, ah, você aprendeu aos 40 anos o que você tinha que aprender aos 20, é muito doído, entendeu? Então pra não sofrer, eu acho que é bom você aprender logo cedo porque passa entendeu? Então eu me ausento de longe olhando, mas não fico em cima, eu acho que isso pra ela é ótimo, ela é independente, tudo o que ela conseguiu no Banco foi por ela, assim como eu consegui por mim, eu não tinha mãe no banco, então eu não sou mãe dela lá no BNDES, eu sou uma funcionária que trabalha com ela, sou amiga dela.

 

P1 – Agora, vocês iam almoçar juntas de vez em quando?

 

R1 – De vez em quando, muito raro.

 

R2 – Muito raramente.

 

R1 – Muito raramente, é porque o mundo dela de amizade é um.

 

R2 – Muito raramente, eu me lembro logo quando eu entrei pro banco, um tempo depois, um ano depois, eu comecei namorar o pai do meu filho mais velho, e era aquela relação de almoçar junto todo dia, ele trabalhava no mesmo andar que eu, então a gente almoçava juntos, e foi assim durante quase cinco anos.

 

R1 – Quem ta muito apaixonado não quer ninguém no meio, né? E eu...

 

R2 – É, ai depois ele saiu do banco, ele prestou concurso pra juiz federal e ele saiu em 88, foi quando o meu filho nasceu, pouco antes, quer dizer, ele passou em 87 pra juiz, mas ele só tomou posse em 88, foi quando ele saiu do banco. Então o que é que acontece, a gente só ficava junto, a gente almoçava junto todo dia, então nesse período não tinha espaço pra mais ninguém, era só ele (risos).

 

R1 – O que eu acho ótimo.

 

R2 – Aí depois disso não, começou aquela coisa...

 

R1 – Eu só entrei na vida dela quando o Neto, o filho nasceu.

 

R2 – Aí era muito assim, mas nunca tive muito essa coisa de...

 

R1 – Entendeu? Aí naquele momento a mãe voltou, que aí eu era avó, aquela coisa toda, né? E ela precisava do meu apoio.

 

R2 – Primeiro neto, né? E aí foi quando eu sai da casa dela...

 

R1 – Morava comigo, né?

 

R2 – Fui morar sozinha com ele. O que foi pra mim assim, muito importante...

 

R1 – Foi ótima, a decisão foi ótima...

 

R2 - ... Essa decisão que eu tive assim de ir morar sozinha foi meu grito de liberdade, independência mesmo pra poder me virar sozinha, cuidar do meu filho, aprender, fazer as coisas. Eu nunca tinha que cuidar de casa, nunca tinha cuidado de uma criança, tinha aquela vida de fazer faculdade, ia pra academia, é aquela coisa assim, né? Então dei sorte porque Deus me deu um filho muito bonzinho, que agora ele é uma praguinha que ta adolescente, mas quando ele nasceu ele era muito bonzinho, foi uma criança muito boa, então foi fácil, não foi tão difícil assim, né, de ficar lá sozinha...

 

R1 – Foi o outro momento que eu me ausentei, eu só ficava assim, na hora da doença e necessidade financeira.

 

R2 – Mas não tinha problema financeiro.

 

R1 – Mas o primeiro banho de filho, aliás, eu nunca dei primeiro banho nela.

 

R2 – (risos) sempre fui eu.

 

R1 – Então assim, o filho é teu, a mamadeira do filho é...

 

R2 – Sempre fui eu que fiz tudo, eu não ligava, eu gostava. Agora eu não tinha esse problema de vai quebrar, vai destroncar, não, eu fazia.

 

R1 – Eu a deixei assumir na íntegra certo ou errado.

 

R2 – É, então quer dizer, era assim, então não tinha muito, não vou dizer que nunca tenha almoçado junto, mas não era muito não, ela trabalhava em outro departamento então às vezes passava até uma semana a gente sem se ver, só se falar pelo telefone, porque não se via dentro do banco, o banco é muito grande, eu já fui trabalhar naquele prédio já, que hoje tem, né?

 

P1 – Quantas pessoas circulam lá dentro?

 

R2 – Circulam?

 

R1 – Quantos funcionários tem?

 

R2 – Circulam ou funcionários?

 

R1 – Hoje tem 1.600 funcionários no quadro do banco, mas já teve 2.000 e pouco.

 

R2 – Mas que circulam ali não dá pra contar, porque é gente sai e entra o dia inteiro, né? É muito bacana. Quer dizer, nunca teve essa coisa de, mesmo quando a gente trabalhou na mesma, quando a gente foi trabalhar na mesma área, na mesma gerência, isso foi em...

 

R1 – 94.

 

R2 - ...93, que foi 93, e mesmo assim não porque aí já tinha lá meu grupo.

 

R1 – É ela tem o grupo dela entendeu?

 

R2 – Almoçava com os colegas e tal.

 

R1 – É às vezes as pessoas me dizem: “Ah, você viu Rojane?”, não, não vi não, nem sei ela sai, ela vai pra uma gerência, ela vai... Então eu não me meto em nada não quero saber eu quero dar conta da minha vida, entendeu?

 

R2 – E assim não tinha muito essa coisa de almoçar junto muito não, mas tava sempre ali por perto, né, porque trabalhando ali na mesma gerência. Aí quer dizer, isso ta desde 94, eu me ausentei um ano que eu fui trabalhar, eu fui convidada pra ser secretária de um diretor em 2000, né? Agora tem pouco tempo, mas eu fiquei só um ano porque não bateu muito com o meu temperamento não, é um tipo de trabalho assim, eu me sentia...

 

R1 – É uma prisão muito grande.

 

P1 – Você foi o que, pra uma empresa privada?

 

R1/2 – Não, no banco mesmo, um diretor executivo da Finame, eu fui ser secretária dele Armando Mariante, ele logo saiu aí entrou outro, veio o outro, mas eu só fiquei um ano mais, sai por uma opção minha porque eu me sentia muito presa, não gosto de nada que me prenda.

 

R1 – É, você vê que ela é muito igual a mim, entendeu?

 

R2 – Não tinha horário pra almoçar, não tinha horário pra sair, não tinha, não podia tirar um FI, não pude tirar férias, não podia tirar férias nesse ano que eu trabalhei lá, eu nem tirei férias porque não podia, não tinha quem ficasse no meu lugar. Aquilo me mata, eu, eu não sei ______ nisso, eu gosto de trabalhar mais não gosto de trabalhar... Eu tenho que ter o meu espaço, porque eu falo assim, a minha vida não é só BNDES, é BNDES também. E você trabalhando nesses lugares ou você veste a camisa por completo, pra ser uma boa secretária de diretor você tem que ser mesmo assim, ou você não dá, não dá pé.

 

R1 – Isso é cultura, né? Isso é uma cultura.

 

R2 – E pra mim não dá, eu não me sinto, sabe eu não tenho essa postura, eu não tenho essa coisa dessas coisas engomadinhas, sainha, blaiserzinho, eu não gosto disso eu sou, o meu chefe fala: “Ah, você é muito... Parece uma menina”, que eu não sou mais uma menina, tenho quase 40 anos, mas é o meu jeito de ser. Então eu não me encaixo muito nessa coisa de ser secretária de diretor. Eu não me encaixo, eu não me encaixo, não gosto. Aí fiquei um ano só, valeu a experiência que eu vi como é que é aquilo ali, como é que funciona sabe, vi inclusive que eu tenho capacidade pra fazer a coisa se eu quiser, mas não quero. Não vou dizer pra você que eu não vá fazer nunca mais, até porque eu já to com 10 anos de profissão de secretária e daqui a pouco já posso incorporar se eu quiser, né?

 

P1 – O que é esse incorporar?

 

R2 – É porque você fica um tempo como se... depois de 10 anos como secretária, se você quiser sair, quer dizer, se você for destituída do cargo, não você sair mesmo, se você for tirada, destituída a pedido da sua chefia, você incorpora à comissão. Porque a gente como secretária, a gente ganha uma comissão, é uma função...

 

R1 – Qualquer cargo, executivo, qualquer cargo de confiança.

 

R2  -... de confiança, né, é um executivo, um cargo de confiança. Então inclusive lá na diretoria, a comissão era bem maior, é o dobro do que eu ganho agora. Pessoal fala: “Ah, mas você é maluca, você vai largar a sua comissão?” “Ah gente, pelo amor de Deus, dinheiro, a minha liberdade vale mais do que isso (risos), eu não tenho saco”.

 

P1 – Mas o incorpora seria o que?

 

R2 – Incorporar no salário a comissão.

 

R1 – É, é o seguinte, você tem um salário, tem uma remuneração por cargo de confiança. A partir do quinto ano que você está em função você começa proporcionalmente a um percentual, 20% no sexto ano, é... 40% no sétimo e progressivamente a cada ano que passa, e quando você completa os cem....

 

R2 – Dez.

 

R1 – Os dez anos, os dez anos, os cem por cento, né? Se a tua chefia te destituir não é você sair, você não pode largar, se sua chefia te destitui e você incorpora aquela comissão.

 

P1 – Ta, a mais?

 

R1 – Então eu, por exemplo, tenho a minha comissão incorporada porque eu fiquei 14 anos, é o teu salário, então isso ninguém mais te tira. Isso é, acho que isso foi uma forma assim, por exemplo, a pessoa fica oito anos na função e de repente vem, muda a política, aquela pessoa perde, entendeu? Eu não sei, eles criaram uma ideia de extinguir isso no banco. Eu até acredito que isso vá ser extinto realmente, mas nós temos essa aposentadoria, isso ninguém mais me tira.

 

R2 – É, mas que já está.

 

R1 – É quem está, ta, e ela já vai completar dez anos, certo?

 

R2 – E eu completo agora em novembro dez anos como secretária, aí eu saio e vou fazer outro trabalho.

 

R1 – Aí ela sai e vai fazer outro trabalho, aí ela deixa ______ a comissão.

 

R2 – Se eu quiser, não sou obrigada.

 

P1 – Se você quiser?

 

R1 – Tem que haver acordo, tem que haver acordo.

 

P1 – Mais aí incorpora essa porcentagem?

 

R1/2 – Esse valor da comissão incorpora, eu não perco porque dez anos no cargo, né, dez anos aturando os chefes, tem que ter alguma compensação (risos) porque não é mole, né?

 

R1 – Eu fiquei 14 anos no cargo.

 

P2 – Eu queria tirar uma dúvida, o que é FI?

 

R2 – FI é Frequência Integral, isso quer dizer que você tira férias, pega as suas férias no papel mais não goza suas férias, quita, né, o período de férias, então você fica com uma frequência integral, e aí quando você que tirar as férias você tira um dia, hoje eu quero faltar ao trabalho por algum motivo, preciso faltar ou quero faltar, aí eu tiro um FI.

 

R1 – Você tem aquele crédito.

 

R2 – É uma Frequência Integral. E tem o DF que é o Dia Fruitivo que o banco também dá pra cada dois anos que a gente faz de casa.

 

R1 – Não é pra cada um ano.

 

R2 – A cada um ano que a gente faz de casa a gente ganha cinco dias fruitivos.

 

R1 – Cinco dias fruitivos pra você tirar quando houver uma necessidade, você não precisa tirar, não é obrigada, esse é oficial.

 

R2 – Vai juntando, vai juntando.

 

R1 – O FI é extra-oficial, ta, é acordo.

 

P1 – Como, por exemplo, agora você está mudando?

 

R1 – Eu to me mudando, essa semana, hoje em dia, pra te dizer a verdade se eu saísse do BNDES pra usufruir o que eu tenho pendente, eu não voltava mais até o final do ano. Porque eu tenho 71 DF´s desses anos todos que eu trabalhei que eu não tirei, eu tenho FI´s de férias que eu tirei por não ter funcionários no setor que eu estou, eu quitei no papel e não gozei, ta? E tenho mais férias vencida em agosto tenho outra que vai vencer em agosto, quer dizer que são já uns 30 dias corridos e eu ainda __________. Então eu tenho um acúmulo aí que se eu saísse eu não voltava mais.

 

P1 – Até o final do ano?

 

R1 – Até o final do ano, eu ultrapassava a minha aposentadoria que vai ser em setembro, eu completo 30 anos em setembro. Então realmente eu tenho essa história que o banco dá, é uma flexibilidade, e o horário que a gente tem também, né? Eu acho que o banco, se você souber, perceber a tua vida e a necessidade do banco, você consegue sobreviver bem sem atrito, entendeu? Existe um abuso obviamente, né? As pessoas não sabem se organizar, mas eu acho que o banco te da uma flexibilidade muito grande.

 

P1 – Nossa como passa rápido (risos).

 

R2 – É verdade a gente vai falando, né?

 

P1 – Bom, a gente vai ter que encerrar, ainda faltam 3 minutos é isso? (risos) Infelizmente.

 

P1 – Então eu queria retomar a entrevista com vocês, pedindo pra você Jane me falar assim quais os principais projetos da época que você trabalhou tanto no fim social como na área, no departamento de energia, quais foram os principais projetos que te chamaram a atenção?

 

R1 – Olha, eu acho na realidade o que me chamou muito a atenção foi essa parte mesmo do social, porque quando eu fui pro departamento de energia ele era um departamento que digamos, não estava em alta, pois o banco é alta dependendo da política do governo, que hoje é o departamento que ta em alta, ta?

 

P1 - Por quê?

 

R1 - Por que hoje ta muito voltado para essa coisa de energia, então esse departamento que hoje não estou, mais virou um ponto importante, então eram aqueles projetos normais das hidrelétricas aquela coisa toda muito assim normal digamos sem grandes movimentos, sem grandes expectativas, mas quando eu trabalhei no fim social, eu acho que uma coisa muito daquela cesta do nordeste que é do eterno miserável nordestino na época da seca, que recebe aquela cestinha e tal, eu achei um projeto assim, sabe pra mim era coisa que ia resolver essas pessoas maravilhosas, então ele recebe essa cestinha de compra como hoje, por exemplo, eu faço parte de um, não é um grupo particular que não tem nada haver que adota uma família do nordeste, eu faço parte é de um grupo, não conheço o grupo, nós nos comunicamos por e-mail eu adotei uma família do Ceará. Então eu acho que essa coisa na época pra mim me tocou muito eu achava bonito quando eu batia aquele relatório, sabe? E me decepcionou também porque a gente vê que ta muito bonito num programa, ta muito bonito na ideia, mas na realidade não funciona, então isso foi uma coisa que me deu satisfação pra conhecer e me deu tristeza ao conhecer, entendeu? Então foi uma coisa que marcou muito a minha vida, dos projetos das áreas que eu passei, né? E passei também no departamento da marinha mercante, não me tocou muito por não ter haver com a minha cabeça, a energia tava em baixa e o departamento que eu estou hoje, a gerencia que eu estou hoje porque eu fui pra ali pra fazer um relatório depois eu comecei a fazer atendimento a empresários, o que é que nosso departamento fazia? Ele atendia empresários por que tem uma política operacional do BNDES que são as que normatização de todas as linhas de financiamento do BNDES. Então, eu comecei a ler aquilo, era uma coisa muito complicada, são regras muito complicadas, certo? Eu comecei a ler aquilo, a atender empresário tal e aquilo foi me empolgando muito, como é que funciona esse movimento do financiamento, né? E essa coisa de custo, o mundo da economia, né? E como é que a política de repente um programa há um a grupo lá ta precisando de um programa, por exemplo, um pró-fruta, né? Aí eles criam um programa, toda uma regra isso foi me fascinando muito, mas a política operacional do banco é dificílima por que tem muito não pode isso, não pode aquilo, ai você pela analise é setorial, é regional e é um desmembramento, então me prendeu muito e fui me envolvendo com isso, fui vendo as transformações da política operacional do BNDES e o tempo foi passando, eu fui fazendo atendimento é muito difícil você às vezes fazer um atendimento, não um grande empresário mas a pessoa que ta começando por que nem ela mesma sabe o que ela quer, tá? Então você tem que pensar o que ela precisa explicar a ela, o que é setor por que as pessoas não conhecem, elas sabem, querem fazer, mas não sabem como fazer. E realmente me fascinou muito, eu nunca pensei que eu desse pra isso, que eu sou uma pessoa do social e voltei tudo para economia, e foi bom, mais economia voltada pro social também, a questão do emprego, esses desempregos mais a gente escuta muito desaforo, ta? Muita ofensa.

 

P1 - Dos empresários?

 

R1 - É das pessoas.

 

P1 - Pela dificuldade de entender esse processo?

 

R1 – É, pela dificuldade porque precisa de garantia, ah se eu tivesse garantia, não precisaria pedir dinheiro a vocês, aí eu digo, mas o BNDES não é uma mãe, isso aqui é uma instituição financeira então você lida com desaforo, com a ofensa, as pessoas que  tão revoltada com o governo te ligam ao governo, sabe porque nos somos ligados, mas não somos responsáveis pelos atos do governo, né? Então, oh! Por que vocês não querem nada, vocês, isso aí é cabine de emprego, vocês não têm vergonha na cara, e é uma festa, né, a gente escuta aquilo tudo eu devia ganhar uma complementação de salubridade porque o ouvido fica... Tudo numa boa, mas é muito fascinante aquilo ali pra mim e, quer dizer, aconteceu também que eu vinha entrando numa fase meio de rotina porque não tinha nenhuma alteração. Com essa entrada da Beth da nossa geren... Nossa, nossa área, o meu antigo chefe que é uma pessoa que eu me dava muito bem também, mas era uma forma de ser, trouxe uma gerencia nova, que foi essa de marketing e voltada também pra internet que não é muito a minha, que eu não dou para ficar o dia inteiro ali naquela maluquice de internet, eu gosto de consultar e tal, e foi criada uma coisa que eu achei muito importante no BNDES que é aquela comunicação, canal de comunicação BNDES público externo, que é o famoso fale conosco, então meu apelido no banco hoje é Fale Conosco. Então, eu precisava de uma pessoa, quando a Beth veio, veio uma política de mudança do BNDES por quê? Porque eu sou uma assistente técnica.

 

R2 – Não a Beth, a Zafira.

 

R1 - Não eu to dizendo, eu to dizendo quando a Beth veio para nossa área.

 

R2 – Ah depois.

 

 R1 - Ela trouxe essa ideia e trouxe a Zafira que é a minha gerente hoje, que é uma pessoa de um dinamismo assim, que o que ela tem de magra ela tem de dinâmica, entendeu, (blu blu blu blu blu) ela já atropela tudo. Ela é uma pessoa difícil pelo dinamismo, eu acho que poucas pessoas... E todo mundo, e ela, ela é terrível, ela é terrível. Então quando ela veio eu já falei com ela, tudo bem na medida que você precisar e a gente se estudando, né? Mas por incrível que pareça nós nos demos muito bem, nós temos uma relação excelente, sabe? Eu e ela temos uma relação muito boa e ela me diz até que eu sou a embaixatriz da gerência, entendeu, porque eu falo por todos, eu decido tudo por todos ________ então surgiu este trabalho, eu achava que quando veio esta ideia foi exatamente na época que veio a mudança do plano estratégico do BNDES 2000/2005, que foi tudo uma filosofia diferente dentro do banco, que eu iria sobrar dentro da gerência, por quê? Porque era uma filosofia, eu não sou técnica dentro do banco, porque eu não fui concursada como técnica, mas fazia todo o trabalho técnico. Eu digo: “A, agora é bom aproveitar pra_________”, pra fora, pra janela e tal. Não teria para onde ir, mas eu senti, e eu me enganei porque a Zafira veio e eu fui assim incumbida de uma série de coisas novas, aumentou o meu trabalho uma forma assim de responsabilidade confiança, entendeu? Então hoje eu trabalho, eu atendo uma base agora, eu tenho uma companheira que chegou recente, mas de julho até março, mais ou menos, que a menina veio, eu atendi uma base de mil e poucos e-mails por mês, abrindo, mas não é só abrir, é abrir, pesquisar, responder e a responsabilidade do que você escreve que ai você fala que o banco faz isso, então eu faço isso como institucional, eu sou uma pessoa institucional, eu sou a central de atendimento. Eu oriento, não oriento, não busque aqui tem gente que quer e hoje esta crescendo muito o estudante que quer pesquisar, então ele escreve para gente. Olha, eu tenho uma pesquisa que tenho que fazer para a semana que vem minha nota pela amor de deus me atenda, então você fica assim e eu com isso maluco? Então tal, mas estou fazendo, eu vou levando a coisa na brincadeira e ficou difícil, ai com isso eu não podia tirar férias por que eu falava que ia tirar férias Zafira dava por que aquilo não para mesmo teve dia de eu abrir assim setenta e tantos e-mails de manha ai eu começo (bluaaram .........) então eu montei modelos ai ela chegava, não Jane ta ótimo, então eu senti que aconteceu uma coisa muito engraçada na minha vida e muito normal, qualquer ser humano... Mas vésperas de se aposentar ele ta contando tempo, né, e ai... Vou pegar a vaga de um outro mais novo e tal comigo aconteceu o oposto, praticamente o ultimo ano que eu tenho para me aposentar e eu tive uma valorização do meu trabalho enorme em termos pessoal porque realmente hoje eu sei o que o banco faz, eu saio conhecendo o BNDES, ta? E incumbência de ajudar técnicos novos que estão chegando, mostra a eles ensinar o que é novo ali naquela área e a confiança da Beth e da Zafira entendeu? Então eu passei a assim, com a coisa, Jane vem você, me diz isso aqui... Eu passei a ser um histórico ali naquele departamento eu passei a ser a gavetinha que todo mundo abre e eu sou o arquivo, entendeu? E ai e uma coisa assim que foi muito fantástica pra mim,  não estou sentindo o tempo passar e acho que é bom quando você chega ao final de carreira assim dentro de uma instituição tão importante quanto é o BNDES e você percebeu que passou em todas as escalas os amigos técnicos que trabalharam ao seu lado hoje são diretores como foi o Luis (Olister?) que a gente chamava de Lula hoje estão em gabinete e dizem oi Jane tudo bem aquela coisa você tem aquela coisa.

 

P1 – Você chamava ele de Lula?

 

R1 – É a gente o chamava de Lula foi diretor do BNDES a gente o chamava de Lula, né, então que você tem essa coisa e que as pessoas... Entendeu? Não querem que você se aposente por que você é uma peça importante no final de carreira, você passa a ser uma probabilidade de uma vaga para outro, eu sinto que no final de carreira estou sendo requisitada não, não me fala em aposentadoria pelo amor de Deus não sei o que, entendeu? Então isso pra mim foi muito bom como ser humano, não me deu nada financeiramente, ta? Não vai me dar nada financeiramente, mas me deu um reconhecimento muito grande daquilo que eu fui fazendo por mim mesma. Então eu acho que isso... Eu tenho dito muito ao pessoal que ta entrando pro banco agora, que há instituição enfim, por que o quadro do banco é instituição, né? Eles, se eles chegarem ao final do... Daqui a 30 anos onde poderem ta falando de uma historia do BNDES, entendeu? E falando bem, se sentindo bem, e sobre tudo, sentindo que são úteis como eu estou me sentido. Seria uma boa pra eles aprenderem isso, entendeu? Porque tudo, conhecimento que ele possam trazer em nível de escolaridade, em nível de educação, não vai substituir aquilo que vão aprender com os que ficaram no BNDES, que estão no BNDES, né? É tudo atrelado, né, e o mundo lá fora não sabe o que é o BNDES. Então só se você tiver a humildade de chegar ali e procurar sentar com um colega do lado e: “Olha, me diz isso aqui, mas por quê  isso? Quem fez aquilo?”. Entendeu? Então eu tinha essa humildade, me orgulho, tentei passar para minha filha, acho que ela aprendeu, ta? Quer dizer, passei para ela, acho que ela aprendeu até por ela mesma pelos valores dela, e eu acho se eu tivesse uma sugestão a fazer aos colegas novos, sei nem que nível que fosse, eu acho que eles deveriam começar a perceber bem a historia do BNDES pra eles poderem chegar ao final de carreira sem ansiedade para se aposentar. E até vivesse pensando será que eu quero ir mesmo, entendeu? Porque realmente o BNDES é um bom emprego, é um bom pai uma boa mãe e é sobre tudo uma escola de vida assim de alegria mesmo, entendeu? Tem lógico que tem momentos conflitantes, lógico que tem, tem momento que você fica danado, você se sente injustiçado, mas a gente aprende. Mas que ele chegasse porque você flui melhor tua vida vocês envelhecem menos, entendeu? Eu acho que se o pessoal do BNDES me pede sempre a receita pra dizer porque não envelhec, eu acho que é essa brincar um pouquinho com a verdade, levar na farra e aí maluco, eu acho que é isso, entendeu, realmente respeitar a historia do BNDES. Que é o colega do lado, né? É o antigo.

 

P1 – Com certeza.

 

R1 - Com certeza eu acho que esse é o maior, maior aprendizado que a gente tem na vida sabe? Fazer a historia pra poder continuar fazendo historia. É o que eu sugiro a eles, né? Saindo, é fácil sugerir quando tá saindo, né? (risos)

 

P2 – Quando você fala que hoje você abre 70 e-mails por dia, eu queria ver nesses trinta anos o que é que mudou por que assim, mudou muito, né?

 

R1 - Mudou muito, mudou muito, mudou muito. Mudou porque é aquela coisa do cara, do usuário te mandar o e-mail às 11:20 e você às 11:22 responde-lo, então você recebe o retorno muito obrigado pela sua presteza, olha foi uma utilidade, a perfeição a rapidez, entendeu? E quer dizer, então você vê aquela comunicação imensa rápida, rápida, rápida que você tem que antigamente a gente batia uma coisa que era terrível, por exemplo, liberação de crédito, pra bater não podia errar uma virgula, era o dinheiro, né? Aí você botava assim, eram cinco vias, carbono ai (papapapa), errava, e o chefe pedindo aquilo, aí você fazia um relatório o cara fazia um relatório dava para você, e você ia lá pra máquina (papapapa) ai ele pegava e rabiscava tudo, ai você tinha que bater tudo, agora tu chega lá e deleta aquilo, entendeu? Então você começa, melhorou porque a que a tua relação profissional até. Porque a expectativa que a pessoa tem do trabalho estar terminado, é muito mais imediato, se ta entendendo? E você...

 

R2 - Mais fácil, né?

 

R1 – Exatamente. E quando você pegava um relatório um trabalho que você dava pra um técnico, pro teu chefe e ele rabiscava, desgraçado, não respeita o meu trabalho, por que então que ele está sentado aqui? Hoje em dia você não sente que a atitude dele foi... Na realidade o que te irritava não era ele riscar, porque ele tem todo o direito de riscar, e todo mundo tem o direito de refazer o seu trabalho. É porque você tinha que começar lá da primeira letra e o seu tempo era pequeno, porque eles dão o trabalho como pronto quando eles acabam de pensar. Mas na realidade tem que entender que passa por uma pessoa que prepara, que tem todo um processo, né? Esse processo. Então isso daí, esse pessoal que ta entrando hoje não sabe realmente o que é trabalhar como eu chegava no banco às vezes, eu e outras amigas minhas chegávamos no banco oito horas da manhã pra bater relatório confidencial, porque tinha que ser aquela coisa ali fechada, aquela coisa entendeu? Então você tinha que ir fora de horário, aquelas coisas. Tudo isso existe, hoje em dia se tem isso, pum vai lá e fecha o computador, chega. Entendeu? Abre, aí encheu o saco, tu abre o jornal um pouquinho dá uma olhadinha, opa, aliviou voltou.

 

R2 – Internet, né, um e-mailozinho, uma brincadeirinha.

 

R1 – Internet, e o banco te dá todo esse acesso, te dá um instrumento de trabalho muito bom. O banco te dá uma facilidade muito grande de trabalho, a assistência médica que a gente tem, então isso dá uma segurança. Se hoje realmente a gente pode dizer, o salário é um salário excelente, eu considero na maioria do Brasil se dá um salário excelente, ta? Um padrão de vida muito bom, eu acho. Mas é lógico que não é o BNDES de antigamente porque nós tivemos_______ certo? Então eu não entendo muito essa reclamação das pessoas. Eu acho que são elas que não sabem viver tendo aquilo que elas têm. Não é instituição, a instituição se adaptou a economia do mundial, não é nem só do outro, é no mundo, né? Então eu considero que a instituição te da uma base de trabalho muito boa, uma segurança, lógico que tem um ou outro chefe, um outro colega que é complicado, mas isso aí no contexto geral não dá.

 

P2 –Na verdade 30 anos é uma vida, tem alguém assim que você lembre, algum caso interessante de amigo lá dentro, algumas coisas assim.

 

R1 – É, eu tenho um caso muito interessante, quer dizer, essa é uma amiga que eu digo que ta aqui no coração porque ela trabalhava no banco, era secretária, a filha dela foi ser recepcionista, então nós éramos assim, né? Aquela coisa.

 

R2 – Entrou junto comigo

 

R1 – Entrou junto com ela, era uma menina, Suzeli, ela era uma mulher assim separada também, com dois filhos, mas ela era uma pessoa do meu gênio assim, a gente tava rindo da desgraça, e ela tinha uma vida muito complicada, mas a gente tava sempre rindo, coisa assim fantástica. E eu, todos os dias a gente almoçava juntas, todo dia, eu sentava na sala dela, ela trabalhava no andar de cima e eu subia, ficava esperando ela ali, pra sair pra almoçar. E um dia, nós estávamos... Ela era desligada, mas ela era desligada assim, olha você não pode imaginar como ela era secretária, e era muito bem quista, mais era exatamente pelo lado engraçado da vida você tá entendendo?  Ela fazia as pessoas rirem. Ela sentada e nós estávamos naquela época do Pró-Álcool, né, do programa badalado, ia muito, muitos executivos, muitos empresários no banco, e a gente ficava tudo sentado certinho, naquela época se respeitava um empresário, todo mundo ficava naquela pompa. E a Zeli sentada saiu um empresário da sala na hora do almoço e virou pra ela e disse assim: “Por gentileza a senhora poderia me arrumar uma linha?”. Ela não se deu por achada, abriu a gaveta e apanhou o carretel de linha e deu pro cara. Eu olhei pra cara dela e ela continuou trabalhando e o cara em pé na frente da mesa com a linha na mão, e eu querendo dizer assim: “Zeli?”, mas eu não podia, não tinha nem como começar. Aí ela olhou, “Ah já sei, né, esqueci de dar a agulha!”, cara, olha eu aquilo... Eu disse Zeli só você, eu queria esquecer que eu sou sua amiga. Quer dizer, ela era de umas coisas, e eu me lembro também de um outro lance.

 

P2 – E ele queria uma linha telefônica?

 

R1 – É, uma linha telefônica! Eu me lembro também, um detalhe, uma ocasião no banco, tinha um rapaz que trabalhava lá no banco, ele era muito bonito, aquilo que você imagina, que você gostaria que caísse sentado no seu colo, lindo, ele era sério e ele não era do banco, ele era... Ele tava prestando serviço lá no banco requisitado. Todas as mulheres quando o viam aqueles olhinhos brilhavam, todo mundo, e eu dizia assim “Zeli ele é muito bonito” e ela dizia assim “Eu ainda falo com ele!” e eu Zeli pelo amor de Deus, o rapaz coitado ele morria de vergonha porque as mulheres paravam pra olhar realmente, porque as mulheres tão ficando modernas, estavam ficando muito modernas, e na hora do almoço nós tínhamos um restaurante lá em cima no 22 que terminou, né? Abriu a porta do elevador no 9° andar e eu entrei com a Zeli e o rapaz estava. Olha, um elevador vazio só aquele homem dentro do elevador, e realmente foi um choque a gente tava acostumada a ver ele com todo mundo, mas aí a visão era total. Aí o rapaz ficou no meio do elevador paradinho, né? E a Zeli foi e ficou na frente dele assim, e o elevador do banco tem espelho e eu assim do lado, aí o rapaz foi e virou, ficou de costas pra mim e eu vendo aquilo tudo de costas pra mim, eu olhava pra ele de cima a baixo assim, e a Zeli olhando pra ele, aí quando chegou, andamos um pouquinho uns andares assim ela virou pra ele e disse assim: “Olha eu vou te dizer uma coisa, eu posso dizer por que eu sou velha, tu é muito gostoso sabia?”, menina quando a porta do elevador abriu o rapaz ficou, mas ela falou mesmo aquilo, eu olhando pra cara dela e fazia assim pra ela e ela ameaçando que ia falar, mas ela não aguentou e falou, o rapaz ficou, olha, eu tenho a impressão, eu empurrei, saí porque eu morria de vergonha, mas ela não fazia por mal, era uma pessoa assim ela era criança, muito criança mesmo. Quer dizer e são dessas pessoas no banco que você não esquece, realmente tem outra também, a Sandra, eu entrei no banheiro, aquela Sandra secretária, eu entrei no banheiro assim e de repente urrou, a menina fazia ioga, sei lá esses troços todo, quando eu entrei no banheiro ela de cabeça baixa e urrou.

 

R2 – Quem é essa secretária?

 

R1 – Aquela Sandra moreninha que tá lá em cima na superintendência, (risos) eu levei um sustou, que foi menina? Aí ela sabe rara, aqueles rárárá todo dela, quer dizer que são coisas assim no banco (risos) fantásticas que a gente passa e que diverte muito, né, fora do dia.

 

P2 – E a história do mendigo?

 

R1 – Ah, e a Zeli também teve outra, né, eu ia almoçar com ela no Largo da Carioca, saímos do Largo da Carioca, e lá o Largo da Carioca é uma festa, né? E estavam fazendo uma gravação.

 

R2 – É um circo, o Largo da Carioca é um circo.

 

R1 – É, é um circo. Estavam fazendo uma gravação daquela parafernália toda do pessoal gravando que não é pouco, né? Eu vou com a Zeli conversando, de repente, é uma cena de algum mendigo, que iam mal tratar o mendigo, que iam arrastar o mendigo, não sei. Quando pegaram o mendigo pra arrastar a Zeli entrou por dentro da gravação “Não faz isso com ele, não faz isso com ele!”, ficou todo mundo parado, Zeli! Não, não faz isso com mendigo que eu não vou deixar! Quer dizer, ela entrou no meio de uma gravação, ela não viu uma câmara, ela não viu nada, ela era o desligado mesmo, mas era, todo mundo dentro do banco conhecia ela, e eu tive o privilégio de ser uma amiga pessoal de frequentar casa e hoje eu realmente sinto muita saudade delaporque eu acho que a gente ainda tinha muito o que rir junto, né? Tinha muito, viajávamos muito juntas, e dançávamos e íamos pro antigo... Que é uma boate que tem hoje, que ela hoje frequenta e já é outro nome que eu nem me lembro o daquela época. Mas a gente ia pra baile lá e eu tinha um fusquinha, a deixava em casa, e ia eu e o fusquinha de madrugada pela rua. Então era muito divertido realmente, o banco tem essas figuras muito divertidas.

 

P1 – O Jane, e você viajou a serviço do banco?

 

R1 – Não, eu nunca viajei pelo banco, né, eu realmente já fui assim, pra fazer atendimento em feiras e coisa e tal, mas viajar não, até quando eu tive no fim social, uma ocasião o Márcio Henrique me chamou pra ir viajar com ele nesse serviço de, da reforma agrária, né, eu digo “Eu não, esses mosquitos, dormir em rede com você, tá maluco?”  e tal, aí eu não fui não entendeu. Mas eu nunca, não faz parte da minha função, eu era mais interna mesmo, né, eu nunca viajei pelo banco não. Mas a gente escuta as histórias das viagens lá que são fantásticas, também o pessoal tem histórias maravilhosas lá. E a gente conversa muito sobre isso, às vezes a gente tira, senta lá um conta uma coisa de um de outro, é bom, é bom lá é um ambiente muito bom eu gosto.

 

P1 – E você está perto da aposentadoria.

 

R1 – To.

 

P1 – Você vai continuar, você vai para?

 

R1 – Vou, não, meu programa é 30 de dezembro, na realidade eu posso me aposentar daqui a 4 meses  e 12 dias (risos), já menos que 12 dias, né, agora 11 dias e meio mais eu tenho um programa de sair dia 30 dezembro porque eu quero continuar a trabalhar, né? Eu fui convidada por uma amiga minha que tem uma clínica de terapia, ela é psicóloga, uma fonoaudióloga e elas estão fazendo uma, uma não é bem uma associação, né, montaram uma clínica, já funciona a clínica, uma cooperativa,e ela precisa de uma pessoa que administre financeiramente, ela quer uma gerente financeira, pela nossa relação e tudo de convivência, eu lido muito bem com o dinheiro, eu tenho uma facilidade muito grande de lidar com o dinheiro, ou seja, de saber lidar com o muito e com o pouco entendeu, e não me espantar, não me empolgar com o muito e fazer sempre aquele programa, uma coisa que eu tenho na minha vida que parece que o meu dinheiro é meio fêmea, né? E, realmente as pessoas se empolgam porque eu vou a luta, e ela tem essa clínica já há muitos anos, é psicóloga já há muitos anos e me convidou pra ser gerente financeira dela, esse trabalho seria um trabalho que eu ficaria em casa com computador, todo um trabalho de visitar clientes, de contatos de trazer as pessoas e administrar a parte financeira toda, eu seria a responsável por essa parte financeira, né? Então isso tá me, ela tá regularizando, tem exigências do corpo de bombeiro na clínica, e isso tá me empolgando muito. Então a minha programação é 30 de dezembro que seria o tempo de se programar, né? Seria um trabalho com o social, mas sem me preocupar muito com o salário porque eu já tenho a minha base, lógico, pode até ganhar muito dinheiro, não sei, pode ser uma perspectiva, não sei, e me daria um tempo também de viver com a coisa que eu não tive muito tempo que foram meus netos, não assim como avó, mas curtir muito eles assim porque tão, um adolescente muito interessante é um menino muito inteligente, e ele, a gente conversa muito de igual pra igual tá, de maturidade e aquela coisa também do apoio dela, ela presa, né, tem que aqui, tem que ali, vovó não sei o que, vovó, e cobria um pouquinho as coisas que a mãe não deixa e tal. E o pequenininho que é muito interessante, ele é uma criança muito, muito engraçada mesmo, arretado, então eu gostaria de curtir isso agora, né, esse, essa coisa da que eu não pude curtir muito dela, não deu porque trabalhava, né, e aí acho que meu lado criança também porque com eles eu brinco muito, tem aquela coisa, então eu acho que seria mais ou menos por aí e trabalhos sociais, né? Visitar hospitais essas coisas, eu tenho muita vontade de fazer, né?  Eu acho que é viver isso aí, e eu tenho um projeto que eu tava até contando pra ela brincando aqui que eu gosto muito de anotar, anoto tudo lá, tudo que eu leio que me interessa eu anoto, aquela coisa da terceira idade, é desfile da terceira idade, teatro da terceira idade, depois deve ser um barato, você chegar lá e fazer as coisas que você não pode fazer porque é uma coisa engraçada, você quando é jovem, você pode fazer qualquer coisa errada, juventude, ah é assim mesmo adolescente, né? Quando você passa da fase da adolescência, digamos 18 aos 40 aos 50, responsável tudo olha como é que pode não tem juízo, então quando você passa pra 3ª idade é assim mesmo velho só faz. Então eu to querendo tá nessa fase de fazer tudo, isso mesmo ó, eu to velha, to maluca to esclerosada posso fazer tudo o que eu quiser que eu tenho mil perdões, tá entendendo? Então eu to querendo é desfilar, fazer, eu não preciso ser nenhuma modelo, eu quero fazer uma palhaçada, uma coisa qualquer porque eu to na 3ª idade então ninguém vai me cobrar nada mais, entendeu? Ah, eu quero me permitir fazer então eu vou atropelar uma porção de coisas pra passar essa 3ª idade boa mesmo com certeza (risos).

 

P1 – Pra gente registrar o nome de seus netos...

 

R1 – Bernardo Padula __________ e Fernando Padula ____________.

 

P1 – E quantos anos eles têm?

 

R1 – Um tem 13 e o outro tem 8.

 

P1 – E o Jane, deixa eu tirar uma dúvida, quando você entrou no BNDES aonde que era a sede do....?

 

R1 – Era na Rio Branco, 53 era edifício sede, e a consultoria ficava no 57, era uma festa. Tinha na Presidente Vargas o (Hermes Toltes?) que era a parte do (desis?), a parte Administrativa ficava na Presidente Vargas, 534, então era tudo espalhado, né, cada departamento, tudo assim. Até que o banco constituiu essa sede aqui e nós viemos todos pro edifício sede e foi muito bom por causa da convivência.

 

P1 – Em que ano foi isso?

 

R1 – Foi 1993 que nós viemos pra cá.

 

P1 – Você lembra assim dessa inauguração?

 

R1 – Me lembro, me lembro quando o pessoal falava Edifício Sede, Ed. (Sergi?)

 

R2 – Edifício de Serviços.

 

R1 – É Ed. (Sergi?) sabe, não era sede a matriz, né?

 

R2 – A sede oficial do banco é, a maioria das pessoas não sabem mais é em Brasília, né?

 

R1 – É mais aí, é.

 

R2 – Só que acaba não sendo porque tá todo mundo aqui, né? Então é, a sede passou a ser aqui.

 

R1 – A matriz fica aqui por causa do Rio de Janeiro, é, então quando houve a construção disso aí a gente vinha na hora do almoço ver porque aquele terreno ali era do convento, tá?Foi, e foi uma obra belíssima porque o banco tem cinco andares pra baixo que são garagens, né? Então a perfuração daquilo ali trouxe assim muita coisa, dizem, eu não vi, tá? Não sei vou contar o que, como dizem ratamão.

 

P1 – De arqueológicas, coisas arqueológicas?

 

R1 – É dizem que encontraram até muito cadáver de criança ali que era daquele convento, entendeu? Então a gente vinha pra ver aquelas novidades que iam sair daquele buracão, a gente, gente como é que a gente vai ficar enterrado ai? Aí depois quando a gente veio o banco tem uma parte do banco que é todo... A força central dele tá bem no centro, ele é um prédio que tem um balanço lateral, ele não tem estrutura lateral a estrutura dele é central então os elevadores. Aí começou aquele boato, não pode botar peso nas extremidades, olha arquivo não pode, entendeu? Aí eu digo ai gente como é que isso aqui vai balançar, não vai, aquela expectativa então era um negócio muito, né, foi fantástico quando nós viemos pra cá. E aí aquela coisa também que se juntou também a __________ e a Finam que são, eram subsidiárias do banco, né, hoje elas fazem parte tudo hoje é BNDES, quer dizer, no papel ainda existe, mas na prática realmente não existe. E nós começamos, havia muita diferença, fulano da Finame, fulano do BNDES, aquela coisa meia, meio desagradável, né? Então a gente começou a juntar, aí você começou com a quebrar um pouco essa competição porque qual era a diferença, BNDES era concurso a ___________ e Finame eram pessoas que vinham porque conheciam A/B/C/D, né? E havia aquela competição, você é janeleiro, você não é janeleiro, aquela fofoca, né? E aí a gente começou a circular nos elevadores e eu acho que foi muito bom, até mesmo o nível de trabalho, né, pegava o menino, mandava o menino levar um papel lá na área jurídica aí voltava o menino lá pra área não sei o que, o menino circulava na rua o dia inteiro. Aí começou a ficar mais fácil, agora é por e-mail, então você vê que é uma coisa assim muito rápida, antigamente era chama o menino aí, leva um documento no diretor não sei o que, cada diretor num canto, a Fapes era na Rua da Quitanda a Associação era na Teófilo Otoni entendeu, era uma festa, né, era uma festa. Agora não, agora também não tinha catraca, a gente andava na rua, antes era ponto, agora hoje não, saiu o chefe olha em tudo aonde você vai, até pra ir na garagem a gente tem catraca. Tudo lá no banco era catraca, tá entendendo? Felizmente ainda não tem no banheiro e nem pra ir ao banco (risos) mais, ainda não tem, isso aí ainda não tem entendeu, mas realmente mudou muito nesse sistema mais eu acho que foi muito bom, era muito bom até em termos de qualidade de vida, né, o prédio tem muito conforto, nós temos boas garagens ali dentro, é um privilégio, o BNDES é um privilégio.

 

P2 – O que era ser janeleiro?

 

R1 – É o que a gente chama de janeleiro é o seguinte, as pessoas que entravam pro banco e que não faziam concurso nenhum, ela, hoje em dia elas são todas do banco tá, então elas vinham eram amigo lá um pai, um diretor e tal que vinha e entrava pra Finame entrava pra _________, então o que entrava pra Finame trabalhava na Finame, e o que entrava pra _________ na _________ não trabalhavam no BNDES, BNDES era concurso, mas havia também o sistema de estagiário que ele era estagiário, entrava no período de estudante, no período da universidade depois de um certo tempo ele passava a ser adestrando, e aí ele fazia uma prova e entrava para o quadro do banco, tá entendendo? Mas todos passavam por uma seleção, tá? E na realidade com isso entrou muita gente que não era testão, não quer dizer que o teste melhora o nível da pessoa, mas quer dizer que havia uma pré-seleção certo, então a gente percebia que as pessoas que entravam assim, era uma coisa engraçada, elas se sentiam privilegiadas, ai eu não preciso provar que eu sei porque eu entrei e não preciso provar, então eu sou mais inteligente que você. E aqueles que passavam no concurso, pelo menos eu tive mais dignidade de provar que eu sei, aí ficava aquelas coisas sabe, ficou muito ruim e em 98 o banco fez uma assembléia pra resolver o problema e as pessoas iam rolando a vida ali entendeu, umas estavam até há 20 anos no banco então não era justo naquele momento que essas pessoas fossem embora, né? Porque elas... Tinha que acabar o quadro, concurso tinha que ser concurso público. E aí o banco juntou os quadros, lógico que enriqueceu, porque tem pessoas qualificadas que hoje são chefes até no banco e tem outras que não tinham a mínima qualidade, mas as coisas foram se ajeitando como tudo e foi acomodando, isso em 91 houve assembléia, foi muito conflitante, houve muito aborrecimento no banco entendeu, e as pessoas: “Ah porque você é fulano, fulano também é da _________”, e as minhas maiores amigas digamos assim, algumas das melhores eram fora dessas subsidiárias, né? Eu nunca tive esse tipo de coisa não, hoje todo mundo trabalha junto, mas havia aquela discriminação muito grande, então a gente quando havia aquele atrito já, então o cara é janeleiro não enche o saco (risos).

 

R2 – Até porque tinha uma fama que quem trabalhava na Finame ganhava mais.

 

R1 – É eles ganhavam mais.

 

R2 – A Finame sempre foi assim, ganhava mais, a além de não ter feito prova pra entrar ainda ganha mais. Eu não peguei muito isso, mas eu já ouvi muito isso também. Assim, Finame sempre foi privilegiado, passava de uma função pra outra assim sem fazer concurso entende? Sendo que eu passei de uma função, mas eu fiz concurso no BNDES. O pessoal falava que a Finame não é, sempre era assim, era privilegiado, era sempre entendeu? Tinha essa coisa que tinha certo preconceito, né, o pessoal do BNDES achava melhor do que o pessoal da Finame e da ______________porque eles, eu fiz concurso eu entrei.

 

R1 – É a pessoa bate muito no peito.

 

R2 – Você não você entrou pela janela.

 

R1 – É entrou pela janela, e é um privilégio da vida, né? Infelizmente não tem...

 

R2 – É tem coisas assim que na realidade não querem dizer muita coisa.

 

R1 – Não, não quer dizer. E na realidade tinha diferenças digamos assim, BNDES tinha promoção todo ano, salário melhor, mas não concorria a promoção então eles ficavam parados você entendeu? São coisas assim.

 

R1/2 – Agora ficou todo mundo igual.

 

R1 – Aí no ano que ajustou isso, o pessoal da Finame e da ____________ não tinha promoção, aí eu fiquei anos sem me promover, aí começou aquela guerra por causa de promoção, e eu quero promoção entendeu, é um momento muito difícil no banco é a promoção, porque são poucas vagas, todo mundo querendo porque é uma forma de você ganhar um aumento de salário, nesse momento então tá muito difícil, isso desgasta, é uma briga que você não imagina, eu nunca queria ter sido chefe, eu não gostaria nunca de ser um chefe.

 

P1 – Por que são os chefes que decidem as promoções?

 

R1 – Sim, você tem que dizer as razões, brigar pela vaga entendeu, e eu realmente acho que a carreira de executivo do banco é um privilégio, do BNDES sai muito Ministro, é um currículo, mas eu não queria pra mim, isso nunca porque é um peso que você tem de lidar com a vida do outro muito grande, pra mim não serve, entendeu? Então eu nunca gostaria disso porque decidir a vida dos outros é... Ainda mais ver quando você sabe que está sendo injusto, mas você só tem uma vaga e às vezes você não decide nem pelo que você acha porque, não mais eu quero fulano, hierarquia se respeita maluco, é quem não respeita entendeu, (risos), então essas coisas todas e isso eu acho que a comissão que eles ganham é boa? É, mais eu acho que o preço que eles pagam pra mim não serviria.

 

P1 – Tá.

 

R1 – Eu acho que é um desgaste muito grande você tem que ser muito só aquilo.

 

P1 – O Rojane o que você faz hoje lá área de comunicação?

 

R2 – Eu sou secretária, né, atendo a três, atendo a duas gerencias e um pouco a gerencia que ela trabalha, não tanto quanto as outras duas, mas também atendo e sou secretária da assessoria de imprensa e da gerencia de incentivo à cultura que é a gerencia do banco que cuida da parte do apoio da lei, baseado na lei __________, que é a parte de restauração, patrimônio histórico aquela coisa toda. Um trabalho bem interessante que o banco tá fazendo agora que antes não existia e aquela parte do áudio visual que é a parte de cinema que também é bem legal. Então atendo a gerente e a assessoria de imprensa que é uma loucura, né, porque é o tempo todo jornalista ligando, qualquer coisinha o banco tá na mídia o tempo todo, muito em evidência, cada vez mais, qualquer coisinha, geralmente as coisas ruins sempre aparecem muito mais, esse lance da Vale agora que teve, foi uma loucura, então, e também eles fazem um apoio a assessoria da presidente, então põe a diretoria, entrevista e tal é muito movimentado, mas é bacana eu gosto, eu gosto de trabalhar em lugar assim, que eu trabalhe, fique ocupada o tempo todo que eu não gosto de ficar à toa, mas que eu tenha flexibilidade pra mim porque o que eu falei, não sou só trabalho (risos) _______________, eu não sou só trabalho, eu sou, eu gosto, eu gosto de ter horário de almoço “Agora vou almoçar, vou” mas é um trabalho super legal, eu me dou muito bem com as pessoas, a área que eu trabalho, a área de comunicação e cultura, que é na nossa área, é uma área que faz um trabalho muito interessante no sentido geral, a parte cerimonial a parte de eventos e a assessoria de imprensa que é a parte de atendimento e internet, então quer dizer, é uma área muito bacana e eu gosto, me sinto muito bem ali, é meu canto mesmo, tanto que eu saí fiquei um ano fora e rapidinho voltei pro mesmo lugar (risos) primeira oportunidade que eu tive que eu vi que não tava dando certo eu voltei pro mesmo lugar, né? Eu gosto das pessoas, elas são muito boas, eu me dou bem com todo mundo, tem aquele, não tem aquele nível de chefe assim, lógico respeito, respeito esse chefe ______, mas é aquela coisa mais assim, entendeu? Aquele tratamento mais assim de amizade mesmo e no final dá tudo certo. Eu gosto, não sei, no final do ano eu to incorporando minha comissão, mas não tem assim um plano, aí eu vou incorporar, tem gente que é assim, ai eu sou secretária quando eu incorporar eu vou largar, não, não tenho isso por enquanto pelo menos não tem, não sei quanto tempo vou ficar sendo secretária, o que é que eu vou fazer quando incorporar, se é que eu vou fazer alguma coisa diferente, pra onde que eu vou, o que é que eu vou fazer, tenho algumas coisas assim mais eu gosto mais de deixar ir fluindo as coisas irem acontecendo.

 

P1 – Você tem um sonho?

 

R2 – Dentro do banco?

 

P1 – É profissional.

 

R2 – Não, no momento não, olha eu gosto muito de informática, me dou muito bem com essa, pode ser um caminho tá? Eu gosto de eventos, trabalhar com essa coisa de eventos, programar evento, programar... Pode ser um outro caminho. Outra coisa também lidar com a parte de curso, apesar que tem haver, né, tem um departamento lá que cuida do treinamento, pode ser outro caminho, mas eu não tenho nada em vista assim, aí eu quero fazer isso. Porque eu ainda tenho muito tempo de banco pela frente, eu não programo nada, eu não sei, nada como um sonho, aí eu quero trabalhar com informática, eu quero fazer isso, não, não tenho. Por enquanto eu to lá, tá tudo bem como secretária eu to numa boa, agora depois que eu incorporar o que vai acontecer, eu prefiro deixar as coisas acontecerem, não é que eu não tenha sonhos, não tenha objetivos, não almeje crescer, né? Agora mesmo teve concurso pro banco, eu poderia ter feito pra jornalista, mas achei que não valia a pena por eu já estar formada a muito tempo já estar fora do mercado totalmente, não sei sabe muito tempo formada desde de 87, eu nunca achei que eu não tinha a menor chance, não estava a fim de me enfiar de cabeça pra estudar não to com pique pra isso no momento, então não tenho nada assim... To bem do jeito que eu to e agora as coisas vão acontecendo, sempre foi assim, tudo o que eu fiz lá foi assim, fui subindo, fui melhorando mais, fui trabalhar na diretoria, fui convidada, não tinha a menor intenção, fui convidada e fui vi lá e voltei, então no momento não, no momento eu quero mesmo trabalhar legal bem, mas lá onde eu to, entendeu, é isso.

 

P1 – Pra gente terminar, a última pergunta pra você Jane, o que você acha assim, o que você achou de ter passado esse tempo com a gente dando essa entrevista junto com a Rojane tudo, fazendo esse percurso de trás pra frente contando sua história, sua experiência?

 

R1 – Olha, eu acho que, quer dizer, mesmo que não tivesse sido eu que estivesse dando essa entrevista, ou que eu não estivesse aqui eu acho que esse trabalho foi muito importante. É o BNDES, todo mundo merece ter sua história registrada, principalmente aquela, o banco que tem realmente tem uma importância muito grande no país, né, por ser uma... Parece que é a última, acho que é a única instituição de fomento no país, e achei que foi uma idéia muito boa que eles tiveram deixar isso aqui registrado porque muitas coisas se perderam como a história do fim social que eu tive o trabalho de fazer dentro do meu pouco limite de conhecimento eu fiz isso e infelizmente se perdeu, documentos, coisas que se fazia lá dentro eu deixei um histórico e quando acabou o fim social as pessoas joga, quer dizer, eles não sabiam nem falar da história do fim social e eu acho que tudo que você pode guardar pra que sirva pras pessoas verem a transformação e pra elas aprenderem principalmente ali e eu vejo isso até hoje em estudantes, os estudantes vem aí eu queria saber o desenvolvimento do BNDES eu sou estudante de economia, eu to fazendo a minha tese, eu queria ver o desenvolvimento dos financiamentos no Brasil, que é o histórico disso? É o BNDES. Entendeu, então eu acho que se conseguir juntar o máximo que conseguir juntar isso, como funcionários, documentos tudo que puder é um trabalho muito importante, quer dizer, é importante você ver o trabalho, importante muito mais é você participar, chega a ser uma honra viu. Eu senti essa, eu tenho essa satisfação porque foi uma insistência da Beth, todo mundo “Ah, você vai se inscrever?” “Eu vou nada gente, tem muita gente falando do BNDES.” Então eu senti que a Beth, não você tem que ir, porque você tem que ir, então quer dizer ela deu uma importância, que realmente eu sou uma pessoa que dou atenção a saber o que é a instituição, né? Quer dizer, é a avaliação e uma pessoa que trabalha comigo que tá ocupada com mil funções e que observa como é que eu lido com a instituição, né, ela pode estar lá, mas tá observando, então é sinal que você é observada que o que você faz normalmente tem um peso dentro da instituição. E pra mim foi muito bom, um orgulho de estar com a minha filha e perceber que eu nunca perguntei a ela como é que ela se sentia dentro do BNDES, porque ela é que tem que sentir, não sou eu, e perceber que ela tem a mesma coisa que eu, né? Sinal que eu passei bem, deixar fluir, conseguir sem precisar ter certas atitudes de comportamento de caráter, tá entendendo? E os elogios que eu tenho contra ela, que dão a ela da instituição. Mas pra mim é muito importante, então o BNDES, a minha família é a minha vida, o meu histórico, o meu patrimônio a casa tudo isso que o BNDES me deu chance, foi muito importante pode dizer isso, né, quer dizer ele não tá escutando, enquanto instituição, mas ele deve perceber enquanto meu trabalho, né, até nessa história toda longa aí. Foi muito bom, pra mim foi realmente uma, um privilégio estar aqui.

 

P1 – Obrigada.

 

R1 – Conhecer vocês, brincarem tudo, né? Mas foi assim super importante.

 

R2 – Diferente, né?

 

P1 – Obrigada pela entrevista.

 

R1/2 – Nada, obrigada vocês.

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